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CRÍTICA: CHRIS CORNELL - TEATRO BRADESCO (RJ) 08/12/16


Postado em 09/12/2016

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Foto: Jen Cash (Divulgação)

Por Anderson Nascimento

A ansiedade para ver e ouvir Chris Cornell na noite de 8 de dezembro no Teatro Bradesco (RJ) era tanta, que cada vez que a casa anunciava que o show já estava próximo de iniciar, a galera fazia um som como aqueles ouvidos em estádios de futebol.Tal expectativa fez com que os 20 minutos de atraso parecessem uma eternidade. Mas assim que o artista entrou em cena essa ansiedade mudou de foco, deixou de ser pela entrada do artista, para se voltar para o formato do show e para as surpresas guardadas para a apresentação.

Chris Cornell, célebre vocalista das bandas Soundgarden, Temple of Dog e Audioslave, e dono de uma interessante carreira solo, entrou no palco sorridente, brincalhão e muito simpático, ignorando aquela máxima de conversar com o público apenas lá pela terceira canção. Cabelão, calça jeans e aquele naipe de guerreiro do Grunge veterano, completavam uma estirpe que enchem os olhos dágua de quem viveu o início dos anos 90 e, por conseguinte, a ascensão do Soundgarden.

Muito aplaudido desde a sua entrada no show, Chris parecia ainda muito eufórico com o seu último álbum de inéditas “Higher Truth”, lançado no ano passado, e didaticamente foi apresentado as canções do disco e as motivações da composição de cada uma. E foi com “Before We Desappear” que ele abriu o show. Do mesmo disco ele também tocou outras quatro canções, uma delas a bonita “Josephine”, canção dedicada a sua esposa que ele começou a escrever há quatorze anos, mas finalizou apenas há dois.

Quem conhece o trabalho do artista sabe que ele é reconhecido por incorporar covers de várias canções consagradas em seus shows, como a famosa releitura de “Billy Jean”, do Michael Jackson, infelizmente não tocada no show de ontem. Dessa vez não poderia deixar de ser assim, Cornell emendou já na quarta canção da noite uma bonita versão de “Nothing Compares To You”, sucesso com Prince e Sinead OConnor, que agregou um lindo arranjo de violoncelo. Ainda sobre os covers, o cantor mandou uma bonita versão de “The Times They Are A-Changin” do Bob Dylan, tocou “Thank You” do Led Zeppelin e Beatles. No caso dos Beatles talvez a motivação pode ter sido o aniversário de morte de Lennon, assassinado exatamente em um 8 de dezembro, há 36 anos, e homenageado com uma versão na íntegra de “A Day In The Life”, recheada de efeitos e com belíssima interpretação de Cornell.

O formato mínimo do show ajudou a reafirmar o artista que Chris Cornell é. Ele esteve boa parte do show sozinho no palco, com vários violões e programações que preenchiam a camada sonora do show. O único músico no palco era o multi-instrumentista Bryan Gibson, que se dividia belissimamente entre órgão e violoncelo, dependendo da canção. A voz do cantor foi um instrumento à parte, ora rascante, ora levemente rouca, mas sempre imponente. Na balada “When Im Down”, por exemplo, Chris largou os instrumentos e bancou o crooner, concentrando-se apenas em sua voz, numa interpretação de leveza romântica e emocionante, em canção que contou com efeitos como a de um disco de vinil chiando.

As maiores ovações da noite foram quando Chris entoou “Fell on Black Days”, do Soundgarden, sendo acompanhado pela platéia e aplaudido de pé ao fim da canção. As músicas do Audioslave também forma muito aplaudidas, em especial “Doesnt Remind Me”, “Getaway Car” e “Like a Stone”.

Obviamente as canções do Soundgarden também foram recebidas com um carinho mais que especial, levando o público a cantar junto com Chris em canções a clássica “Black Hole Sun”, que eu esperava pro bis. Mas “Hunger Strike”, do Temple of Dog, primeira canção do bis, foi especial.

O setlist agradou a todos e equilibrou bem os seus trabalhos solo e com bandas. Das 26 canções tocadas no show, oito foram de sua carreira solo, cinco foram do Audioslave, quatro foram do Soundgarden, quatro foram covers e três do Temple Of Dog.

O show foi finalizado oportunamente com a faixa título de seu último álbum. Com o público extasiado com generosas duas horas de show, Chris agradeceu ao excelente público que compareceu em uma chuvosa noite de quinta-feira para presenciar um grande personagem da cultura pop-rock mundial, que faz jus à sua condição de artista.

Setlist

1) Before We Disappear
2) Cant Change Me
3) Til the Sun Comes Back Around
4) Nothing Compares 2 U (Prince)
5) Nearly Forgot My Broken Heart
6) Jam com trecho de Seasons
7) The Times They Are A-Changin (Bob Dylan)
8) Josephine
9) Fell on Black Days (Soundgarden)
10) Thank You (Led Zeppelin)
11) Doesnt Remind Me (Audioslave)
12) Wide Awake (Audioslave)
13) Like a Stone (Audioslave)
14) Wooden Jesus (Temple of the Dog)
15) All Night Thing (Temple of the Dog)
16) Blow Up the Outside World (Soundgarden)
17) When Im Down
18) Let Your Eyes Wander
19) I Am the Highway (Audioslave)
20) Rusty Cage (Soundgarden)
21) Black Hole Sun (Soundgarden)
22) Getaway Car (Audioslave)
23) A Day in the Life (The Beatles)

Bis:

24) Hunger Strike (Temple of the Dog)
25) Seasons
26) Higher Truth




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