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GM ENTREVISTA AUTOR DE MASTERS - PAUL MCCARTNEY EM DISCOS E CANÇÕES


Postado em 14/10/2017

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Por Valdir Junior

No mundo todo já foram lançados centenas de livros sobre os Beatles e sobre seus integrantes, em sua grande maioria são superficiais, e acabam repetindo a mesma história já contada numa dúzia de livros por alguns escritores e historiadores mais sérios.

Aqui no Brasil já foram publicados alguns bons livros sobre os Beatles, um deles é o livro “Paul McCartney – Todos os Segredos da Carreira Solo” do jornalista Claudio Dirani, lançado em 2005. O livro focado na discografia de Paul McCartney de 1970 a 2005 trouxe um trabalho primoroso de pesquisa, bem detalhado e cheio de informação, que se equipara ao trabalho feito pelo historiador inglês Mark Lewisohn com a discografia dos Beatles.

Infelizmente o livro de Claudio logo desapareceu das livrarias e por muito tempo se tornou um item muito procurado em sebos e sites especializados. Para alegria de todos, Claudio está lançando um novo livro, “MASTERS - Paul McCartney em Discos e Canções”, pela Sonora Editora, um livro que expande ainda mais as informações sobre cada gravação feita por Paul até o presente momento.

“MASTERS - Paul McCartney em Discos e Canções” será lançado no dia 14 de Outubro e haverá uma tarde de autógrafos com o autor no mesmo dia na Livraria Cultura (Avenida Paulista, 2073, São Paulo). O site Galeria Musical bateu um papo rápido com Claudio Dirani, e ele nos contou alguns detalhes do livro, seu processo de pesquisa e revisão e também sobre a música de Paul McCartney.

Qual a diferença entre seu novo livro “MASTERS - Paul McCartney em Discos e Canções” e seu livro anterior “Paul McCartney – Todos os Segredos da Carreira Solo” lançado em 2005?

Bem, em 2005 eu ofereci meu projeto a outra editora para um livro que seria uma espécie de almanaque de referência sobre todas as atividades da carreira de Paul McCartney pós-Beatles, no caso, desde 1970 até o CD Chaos and Creation in the Backyard, que havia saído em setembro daquele ano.

Gostei muito de ter lançado, mas a diagramação ficou aquém do esperado. Muito confuso de ser consultado. Além disso, os capítulos dedicados aos discos eram mais resumidos. Não havia profundidade (por questão de espaço) nas seções faixa-a-faixa.

No novo livro, lançado agora pela Sonora, nós distribuímos os detalhes sobre turnês, vida pessoal e outros itens de forma cronológica pelos capítulos, e destacamos o making of. Ou seja, além de ter tudo bem atualizado, cada faixa tem seu espaço ampliado, com histórias inéditas sobre as músicas e discos. As entrevistas foram resumidas nesse conteúdo, além de o livro contar com muitas atualizações até 2017.

Qual foi o seu maior desafio para escrever esse livro?

Excelente pergunta. Eu já tinha todo o material praticamente separado que fui atualizando no decorrer dos anos, incluindo novas entrevistas. Entre elas, com um dos arranjadores do álbum Flowers in the Dirt, Clare Fischer (falecido, infelizmente, nesse percurso). Tinha praticamente tudo em mãos, mais um grande montante que precisava ser decupado em outras obras, incluindo os lançamentos da Paul McCartney Archive Collection, que disponibilizou bastante informação inédita direta da fonte.

Mas o grande desafio foi colocar isso no computador. Tive pouco tempo para transformar em redação convincente, porque a editora solicitou o livro há pouco tempo. Ainda, assim, o Marcelo Fróes (produtor musical e editor da Sonora) me ajudou bastante a tornar isso algo prático. Ele é um grande conhecedor da carreira de Paul McCartney e tem muito bom gosto e tino. O desafio foi enorme, acredite. Em certa ocasião, fiquei das 10h da manhã até às 6h da manhã do dia seguinte para finalizar capítulos e entregar em tempo. Mas valeu cada segundo.

Paul é um músico muito ativo e sem duvida alguma, um gênio musical, ele sempre foi muito exigente e meticuloso no estúdio e trabalhando até que as músicas estivesse a seu gosto. Em sua opinião, qual foi o momento em que isso atrapalhou o resultando final e qual foi o disco/gravação mais inspirado e o menos inspirado na carreira solo dele? E Por quê?

A começar pela última questão, não existe isso – ao menos, na minha avaliação. Discos como McCartney II, por exemplo, são bastante inspirados – em seu propósito. Ele é totalmente distinto, digamos, de Chaos and Creation In the Backyard, um álbum com requintes em produção, além do excelente e definitivo trabalho de Nigel Godrich, seu produtor. McCartney II é bastante atual, apesar de ter sido lançado em 1980. Até mesmo Paul redescobriu o LP de 1980, incluindo Temporary Secretary no setlist.

Sobre suas meticulosidades, finalizar um capítulo como RAM ou o período Junior’s Farm/Venus And Mars foi bem interessante. Esse período 1974-1975 é transitório, pois apresenta uma mutação de formação do Wings, passando por Nashville, Nova Orleans, Los Angeles e desembocando na primeira turnê de grande escala de sua carreira em 1975-76.

Na sua pesquisa para esse livro, você descobriu alguma gravação que nem imaginava que o Paul tinha feito?

Quem ler vai notar que ele tem muito material nos arquivos, mas infelizmente lançou poucas sobras, mesmo em sua linha de álbuns Paul McCartney Archive Collection. Existem demos do álbum RAM encontradas em 2012 na Escócia que poderiam ter sido incluídas na versão de luxo, mas que acabaram de fora. É um material fantástico, que incluí coisas inéditas, incluindo informações sobre a intenção de chamar Jimi Hendrix para gravar faixas de RAM e outras que acabaram em Red Rose Speedway. Quem sabe isso sai algum dia.

Quando começou a ser lançada a “Paul McCartney Archive Collection”, consultei muito seu livro anterior para tentar prever qual seria o conteúdo desses lançamentos com suas faixas e CDs extras. Na maioria das vezes percebi que o que acabou sendo lançado ficou muito aquém do que existe e até certo ponto é conhecido sobre esse material. Qual a sua opinião sobre esses lançamentos e você tem uma ideia de o porquê o Paul ser tão econômico em liberar esse material?

Exatamente. Como mencionei, achei esses Box sets mais conservadores, embora em McCartney II tenhamos quase tudo dessa época. Flowers in the Dirt também se destaca, com as demos acústicas além de faixas inéditas da primeira tentativa de gravar o disco de 1989 com participação mais ativa de Elvis Costello. Para mim, são os dois melhores até o momento.

Acho que Paul é conservador ao lançar raridades, pois talvez queira manter a ideia de que ele não está tão preocupado com antologias de sua carreira, que continua bastante ativa. Talvez isso aconteça daqui uns cinco anos, quando ele tiver 80 e produza relativamente menos. Apesar de que acho isso difícil. Deve ficar nos palcos até seu último suspiro, além de gravar álbuns com inéditas.

Se você pudesse dizer ao Paul ou alguém dentro da MPL para lançarem de forma oficial alguma gravação ou disco, qual seria?

Comentei contigo sobre as “demos perdidas” de RAM, e talvez sugerisse isso. Além de um material de Flaming Pie (1997). Esse álbum ainda não foi alvo da Paul McCartney Archive Collection. Existe uma música desse período que me causa curiosidade chamada Cello In The Ruins, gravada em 1995 com Paul Weller e Noel Gallagher durante as sessões da regravação e Come Together para o projeto War Child, em assistência às crianças vítimas da guerra na Bósnia.

Se a MPL te chamasse você toparia fazer um trabalho parecido ao que Mark Lewisohn fez com os dos Beatles?

Deixe-me pensar. Pensei. Claro. Na hora (risos).

Você também escreveu um livro sobre o U2, “U2 - História e Canções Comentadas”. Há algum outro artista que você gostaria ou pretende escrever um livro na mesma linha que esse do Paul? E aproveitando qual o seu próximo projeto?

Sim há, mas não estão definidos. Certamente, estão nos planos para 2018 e devem acontecer com certeza.

Você entrevistou, por telefone, Paul McCartney em 2014. Qual foi sua reação durante a entrevista e qual pergunta faltou fazer a ele na hora?

Eu quis fugir dos temas básicos, ainda que citasse alguns para manter a conversa “pop”. Ou seja, não muito hermética e direcionada apenas às minhas curiosidades. O tempo foi curto, mas maravilhoso. No início ele estava um pouco monossilábico, afinal, quantas entrevistas ele já deu? 1 bilhão? Talvez perto disso. Mas foi legal falar dos shows no Maracanã em 1990 (estive presente), além de mencionar o recente relançamento de Wings at the Speed of Sound. Foi uma experiência maravilhosa. Espero repetir, com mais tempo para questões.

Você vai tentar entregar em mãos seu novo livro ao Paul?

Vou. Mas é segredo (risos).






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