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Galeria Musical

Artista do Mês - 12/2010

TRIVOLTZ
A banda que escolhemos para fechar o ano em nossa seção “Artista do Mês” é a “Trivoltz” de Goiás, sendo a primeira banda da região Centro-Oeste a participar da mesma. A banda, inclusive, foi uma das 12 escolhidas para figurar na coletânea “Galeria Independente 2010” com a música "Sol#1" (ouça clicando na seta abaixo) figurando então entre uma das melhores do ano, segundo o nosso site. O trio faz um Rock localizado em algum lugar entre o Punk e o Rock Alternativo, e estrearam com pé direito, lançando um belo disco em vinil. Conheça mais sobre a banda Trivoltz lendo a resenha e a entrevista que fizemos com a rapaziada da banda.

Conheça o Artista

    TRIVOLTZ
    2010
    Por Anderson Nascimento
    baixe aqui o Single Sol#1



    Embebido em uma espessa camada de Rock, resultante de variações entre o Punk e o Rock Alternativo, a banda Goianense “Trivoltz” abre de forma absurdamente brilhante o seu disco de estréia.

    A faixa de abertura “Sol#1”, que inclusive foi selecionada para a coletânea “Galeria Musical 2010”, que compila os melhores trabalhos independentes recebidos pelo site ao longo do ano, é uma abrupta demonstração de talento que te faz pular com os pulsos fechados.

    Esse poder que o trio tem de enfeitiçar o ouvinte funciona também na única canção em inglês do álbum, “Ok”, de forma que mantém a faixa univitelinamente ligada ao disco como um todo.

    “Teletransporte”, outra música que chama bastante a atenção do ouvinte, traz uma complexa profusão de instrumentos que preenchem uma explícita influência do concretismo presente na canção.

    O cuidado com as letras é outro atributo elogiável da banda. Na faixa “Consumo”, por exemplo, os caras do “Trivoltz” dão uma boa idéia da crítica honesta e direta da banda. A música, inclusive foi destaque na coluna “Ouça Também” da revista Rolling Stone.

    Nessa linha, “Contato” é outro momento especial do disco, um Rock agitado e com uma áurea que lembra o início dos anos 90, mas ainda sim moderna e urgente.

    As canções fortemente calcadas no baixo pulsante, na bateria seca, e na guitarra aguda de Ricardo Aug, Jason Elias e Cheung Fábio, dão uma demonstração do poderio do Rock puro, sem amarras e sem contaminação, o que encanta o ouvinte já na primeira vez em que ele roda o disco.

    Falando em rodar o disco, a banda conseguiu parir um sensacional vinil prensado na República Tcheca, na “GZ Vinil”, uma das maiores fábricas de vinil do mundo, trazendo uma bela capa, feita através de fotos de Cláudio Cologni, encarte e a versão do álbum em CD, tudo isso pela bagatela de Trinta Reais.

    O disco, que está sendo distribuído pela “Monstro Discos”, já caminha para a segunda leva de prensagem, e prova por “a + b” que dá para se lançar bolachões a preços justos e, principalmente, com alta qualidade sonora.

    Todo esse trabalho é o resultado de um sonho antigo dos integrantes da banda, e claro que deu trabalho. O disco foi masterizado por Dan Coutant (Misfitis) em seu estúdio em Nova Iorque, o resultado não poderia ser melhor.

    O ouvinte de primeira viagem tem o grande “risco” de se encantar pela banda, principalmente àqueles que a ouvirem em vinil pela primeira vez, após a inundação de graves e timbres tão favorecidos pelo som gerado através físico produzido através do contato da agulha com a superfície do LP.

    É gratificante se deparar com um grupo tão talentoso e empenhado em divulgar o seu som pelo país, fazendo o que gosta e da forma que gosta. Vida longa ao Trivoltz!


Contatos



Entrevista

    GM - Além das influências pessoais, quais são as principais influências que ajudaram a formatar o som da Trivoltz?

    TRIVOLTZ - A construção do som do trio foi baseada no que chamamos de santíssima trindade: Beatles, Led Zeppelin e Pink Floyd. A sintese da trindade seria a psicodelia, rock progressivo, peso quando necessário, mix de poesia simples com algumas metáforas convergindo no concretismo. Na pré-produção do LP escutamos muito math rock de bandas como Foals e Mutemath além de bandas intituladas como "o novo pós punk" Editors, Interpol, Arcade Fire, White Lies... São muitas as influências, mas seria basicamente pós punk com algumas pitadas de psicodelia! Não podemos deixar de citar a grande ajuda do Gustavo "mestre" Vazquez que produziu o disco juntamente com o Maldonalle no Rock Lab, atualmente um dos melhores estúdios pra se produzir rock n roll de qualidade no Brasil.

    GM - Como podemos ver no vídeo, o vinil era uma sonho antigo da banda. Foi difícil aliar o sonho de lançar o primeiro álbum em LP e a realidade de tornar a idéia viável?

    TRIVOLTZ - Desde a pré-produção tínhamos o desejo de lançar vinil, sabíamos das dificuldades e procuramos adequar nosso orçamento ao que era oferecido pelo mercado. No Brasil só havia a previsão de reabertura da Polysom a única fábrica remanescente de vinil, contatamos a fábrica, mas naquela época foram priorizados projetos de artistas consagrados o que nos forçou a correr atrás de uma outra saída, foi quando conseguimos o contato de um brasileiro que trabalha na República Tcheca em uma das maiores fábricas de vinil do mundo a GZ Vinyl. Após meses de conversa via email e gtalk rs... Chegamos a um acordo que ficou viável pra nós e pra ele. Foi prensado um primeiro lote de 250 cópias, agora estamos aguardando o segundo com mais 250 cópias que estão programadas pra inicio de 2011.

    GM - Já recebi vinis de bandas novas onde o LP era mais um fetiche que uma mídia propriamente dita, isto porque o som era muito mal prensado. Vocês conseguiram lançar um vinil com um som estupendo e ainda colocar o CD junto ao custo de R$ 30,00, enquanto o vinil nacional custa em média acima de R$70,00. E aí? Mágica?

    TRIVOLTZ - A mágica está em não pensar em lucros ainda mais quando presenciamos a decadente indústria fonográfica atual qual arrasta pra manter suas bases. Temos raízes fincadas em música de qualidade, 2 musicoterapeutas de formação, mas não exercendo kkkk... Mas enfim, sempre sonhamos em lançar um LP mas com a idéia de ser algo com qualidade por isso o motivo de masterizar na gringa com o Dan Coutant em NYC-USA. Tivemos o apoio da lei de incentivo a cultura de Goiania-Go o que abriu as portas e nos deu a possibilidade de adequar a qualidade que queríamos com o orçamento disponível. A distribuição dos discos está a cargo da Alvo que é um dos braços da Monstro Discos.

    GM - Como tem sido a recepção do novo trabalho?

    TRIVOLTZ - Até o momento do pouco que divulgamos tivemos bons resultados, fomos indicados na coluna Ouça também da Revista Rolling Stone de Junho-2010 com a música Consumo, recebemos ótimas críticas e matérias em blogs e nos jornais da nossa cidade. A consequencia desse trabalho nos rendeu convites pra tocar nos principais festivais da nossa região como Goania Noise Festival, Bananada, Vaca Amarela, Canto da Primavera... portanto o ano de 2010 foi intenso pro trivoltz porque conseguimos lançar o Lp e tocar nos principais festivais. O objetivo pro ano de 2011 é ampliar a rede e iniciarmos as apresentações nos festivais e casas de outros estados.

    GM - O que vocês acham do Rock feito no país nos dias de hoje? Há alguma cena que chama a atenção da banda?

    TRIVOLTZ - Nos identificamos e nos sentimos parte desse novo movimento de música independente, no último Goiania Noise foi citado até um slogan pro movimento "do it together", passamos da fase onde cada um fazia sua produção em casa sozinho ou em um ambiente isolado como e partimos pra um pensamento e uma ideologia mais conjunta. A idéia é basicamente de compartilhar não só a sua música mas também alimentar os festivais que acontecem em todo o país. Essa é a evolução que acreditamos passamos de "do it yourself" para "do it together". Claro que a questão não é tão simples assim de explicar mas quem quiser conhecer um pouco mais sobre tudo o que está acontecendo é só buscar informações sobre o FORA DO EIXO. Quanto ao rock que está na mídia ultimamente não achamos que é rock por ser colorido demais, por ser aceito pelos pais, por não causar nada contrário... o rock que conhecemos tem mensagem mais pura, gera alguma revolta, movimenta a mente, tem um pouco de subversividade, é ao mesmo tempo violento ao não aceitar formas e calmo ao tratar de amor.

    GM - Quais os próximos planos da banda?

    TRIVOLTZ - Para 2011 o objetivo principal conforme citado acima é divulgar mais o LP, partir pra outros estados, buscar parcerias para dar mais visibillidade a esse disco que trabalhamos tanto e acreditamos muito na força de cada musica.

    GM - O Galeria Musical deseja muita sorte e sucesso para a banda, e que o som de vocês possam dominar o país!

    TRIVOLTZ - Agradecemos pela oportunidade, e rock sempre!!! Lets Rock!!!