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Galeria Musical

Artista do Mês - 09/2011

SAULO HAIKAL
O Galeria Musical apresenta a vocês o nosso artista do mês de setembro, trata-se do músico e compositor Saulo Haikal, um mineiro radicado no Rio de Janeiro, que escolheu o inglês como idioma de suas músicas. Seu som é um misto de rock inglês com o pós punk europeu, composto, gravado e produzido por ele mesmo! Saulo ainda nos concedeu uma entrevista bacana, liberou o single “Fade Out” para download grátis e disponibilizou cinco Cds para sorteio entre os leitores do Galeria. Esperamos que você curta mais essa coluna “Artista do Mês” no Galeria Musical.

Conheça o Artista

    THERES NO HARD LIFE WITH CUBA LIBRE
    2011
    Por Anderson Nascimento
    baixe aqui o Single FADE OUT



    O músico mineiro Saulo Haikal, radicado no Rio de Janeiro há quase dois anos, apresenta em seu disco de estreia uma verdadeira mistura de ritmos e sonoridades, que ganham unicidade e convergem em um belo resultado final.

    Quem ouve o disco pela primeira vez consegue sacar o alcance das influências do artista. E elas vão de Brit-Pop, caso da canção “Fade Out”, que apresenta um refrão adornado com temática Beatle, passando pelo pop de “How The Shoes Got Wet” e pelo Punk da faixa de abertura “Its An Order”. Esta última dispõe de uma impressionante pegada que leva ao ouvinte, já na primeira audição, a cantar o seu refrão com os punhos insanamente fechados.

    Saulo sabe usar muito bem as palavras em suas canções, todas com identidade própria, o que faz as dez músicas do álbum passarem como num piscar de olhos. “The Taste” é um grande exemplo disso, pois possui versos repetidos à exaustão, sem, no entanto, exaurir o ouvinte, ao contrário disso, a ideia passada nesses versos é de uma originalidade espantosa.

    Há também momentos mais pesados no álbum. Casos de “The Road”, canção redonda e empolgante. “Nice To Shame” é outra faixa onde Saulo consegue aliar a ousadia do Rock Alternativo com o Punk, em mais uma das grandes faixas do álbum.

    “The Sun Behind The Clouds” é outro momento que lembra o Rock Inglês, só que desta vez, há também um flerte com os anos 80, além de destacar um dos melhores momentos vocais de Saulo.

    “Theres No Hard Life With Cuba Libre” é um surpreendente álbum. Além disso, apresenta Saulo como um músico capaz de gravar sozinho, ao longo de apenas um ano, todos os instrumentos do disco, com uma perspicácia, no mínimo, interessante.

    O disco foi gravado em um estúdio caseiro, o que mostra que com talento, foco e boas ideias na cabeça, é possível entregar um produto de qualidade e de muito bom gosto.


Contatos



Entrevista

    GM - Percebi uma grande influência do Punk em seu som, tanto que em alguns momentos somos pegos cantando os refrãos com os punhos fechados. O punk realmente influenciou o seu trabalho?

    SAULO - É difícil afirmar com certeza de onde saem as influências. O punk rock e o grunge terão sempre um lugar especial na minha playlist, foi o gênero que eu mais ouvi na adolescência: The Offspring, Alice in Chains, Pearl Jam, Nirvana e Pixies moravam no meu aparelho de som.Mas meu gosto musical sempre foi uma salada russa. Por influência do meu pai, Beatles e Queen foram as trilhas sonoras de toda a minha infância e ainda é o som que mais escuto. Ultimamente me identifico muito com a sonoridade do indie rock, como Franz Ferdinad e The Libertines, então acho que de alguma forma meu som acaba tendo algum ponto em comum com esses cenários.

    GM - Senti também um flerte com a música eletrônica. Quais são as suas outras influências?

    SAULO - Prodigy, Beastie Boys e Daft Punk são bandas que também escuto bastante, já têm tempos de estrada e continuam sempre lançando álbuns muito bons. Também gosto das interferências eletrônicas do new wave, é um som do qual curto a atmosfera. A ambiência dele gruda. Mas não gosto muito da fase dos exageros com seus milhões de sintetizadores. Curto mais quando o eletrônico está no rock pra ajudá-lo, não pra substituí-lo.

    GM - No cenário atual, qual o som que você anda curtindo?

    SAULO - Tem muita coisa boa e de qualidade sendo produzida nesses últimos tempos. Rome (Danger Mouse e Daniele Lupine) e The Vaccines foram bandas que recentemente ouvi e gostei. Já dos álbuns novos das bandas não tão novas, os últimos dos Strokes e do Foo Fighters foram excelentes.

    GM - Por que você escolheu o idioma inglês para as suas músicas? Suas canções já foram criadas em inglês, ou houve alguma conversão do português para o inglês?

    SAULO - Todas as musicas que resultaram no álbum “There’s No Hard Life With Cuba Libre” já nasceram em inglês. Não foi necessário nenhuma tradução ou adaptação. Havia inclusive uma música minha em português que quase entrou no álbum, mas que não se encaixou bem no conceito do álbum e por isso decidi não gravar.

    GM - Você consegue imaginar suas canções cantadas em português?

    SAULO - Não vejo o idioma como uma barreira e nem como uma delimitador do som. Então imagino perfeitamente, mas com uma atmosfera diferente. Rammstein é cantando em alemão e tem no idioma uma arma forte no peso que quer passar. Louise Attaque soa como indie, mas tem no francês o germe de algo muito próprio da sua canção. Mutantes é genial, inexplicável, e brinca com nossa língua enquanto faz musica.

    GM - Achei impressionante como as suas músicas são cantaroláveis, mesmo quando ouvidas pela primeira vez. Como foi o processo de composição do álbum?

    SAULO - O processo de composição e produção durou aproximadamente um ano. Foi um período fantástico, me diverti muito enquanto estive envolvido com toda a criação. Fui desenvolvendo a sonoridade e o conceito do álbum ao mesmo tempo em que fui compondo e gravando.

    Desde o início queria que as musicas fossem bem diferentes umas das outras, e, ao mesmo tempo, houvesse algo na sonoridade que fosse peculiar entre elas, pra que fosse possível também ao ouvinte usufruir da experiência de um álbum-conceito.

    GM - Como tem sido a recepção do disco?

    SAULO - Tem sido incrível. A satisfação de realizar um projeto pessoal já é muito grande, aliado ao feedback das pessoas que ouvem e gostam, tornam tudo ainda muito maior. Tratando-se de um álbum de rock independente, gravado no Brasil e cantado em inglês a recepção superou bastante as minhas expectativas.

    GM - Quais são os seus próximos projetos? Tenciona lançar vídeo-clipe?

    SAULO - Pretendo lançar alguns vídeos pra esse álbum, a idéia é que sejam vídeos que adicionem conteúdo relevante à experiência sonora, então quero fazê-los com bastante calma.

    GM - O Galeria Musical agradece a sua participação como artista do mês e torce para que a sua música seja conhecida por bastante gente.

    SAULO - Eu que agradeço e aproveito a oportunidade para parabenizar o site pelo envolvimento que tem tido com as resenhas musicais, tanto dos independentes quanto do pessoal mainstream. Sucesso pro Galeria!