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Resenhas do Artista

Resenhas

    BACK IN BLACK

    AC/DC
    1980
    Por Rafael Corrêa

    opinião dos leitores: 5.00


    Em 25 de Julho de 1980, há exatos 30 anos e 2 dois dias, era lançado o sétimo álbum do AC/DC. Até aí, nada demais. No entanto, após a morte de Bon Scott em 19 de fevereiro daquele mesmo ano, muitos duvidavam que a banda lançasse algum material novo, ainda mais em momento próximo ao falecimento de seu vocalista. Ok, mesmo assim, nada disso é muito surpreendente. Na verdade, a grandiosidade de "Back in Black" reside, principalmente, nas circustâncias havidas ao seu entorno (que o puxavam para baixo de todas amaneiras possíveis) e na grande vitória que álbum representa. Afinal, este é o disco de rock mais vendido da história e o segundo mais vendido em todos os tempos, dentre todas as vertentes musicais, perdendo apenas para "Thriller", de Michael Jackson.

    Em 1979, o AC/DC estava no auge de sua força. Com o sucesso de "Highway to Hell", lançado julho do mesmo ano, e a consolidação da banda como nome forte do rock and roll, o grupo firmava o pé e ocupava um espaço cada vez maior no cenário musical internacional. O AC/DC não era mais uma banda da Austrália: era uma banda do mundo, pertencente à ele e com a missão da sacudí-lo o quão possível fosse. Quando Bon Scott partiu sozinho em um carro estacionado no frio de Londres, devastado e longe de ser (ou aceitar a ser) o símbolo que representava, era como se estivesse à deriva, e a sensação que se tinha sobre a banda era que o AC/DC seguiria pelo mesmo caminho e acabaria por silenciar seu trabalho com um trágico fim.

    Todavia, seja pelo destino ou por alguma outra razão que em grande parte das vezes transcende a nossa compreensão, essa não foi a postura adotada por Malcolm e Angus Young. Com a benção da família de Bon, o AC/DC seguiu em frente para dar sequência à sua obra e mudar a história do rock. Ao escolher o antigo vocalista da banda Geordie para assumir a função insubstituível de Bon Scott, a banda se refugiou sob o Sol das Bahamas para gravar o novo disco no Compass Point Studios, em Nassau. O local era um verdadeiro paraíso, e o estúdio já havia recebido lendas como Ringo Starr e Alice Cooper e, em menos de dois anos, seria a nova casa na qual o Iron Maiden gravaria seus álbuns essenciais. Mas, ainda assim, Brian Johnson sentia-se inseguro sob a sombra de Bon Scott.

    As letras foram trabalhadas de modo singelo pela já conhecida parceria dos irmãos Young, agora acrescida com o novo talento de Johnson. Era nítida a diferença de personalidade entre ele e Bon mas, em certo ponto, era isso que a banda procurava e todos sabiam que não havia em qualquer canto do planeta outro Bon Scott, seja em sua capacidade de escrever letras brilhantes e carregadas de significações dúbias ou simplesmente em sua performance no palco. O mesmo ocorreu com a musicalidade do disco: quase todas as canções foram concebidas de modo crú, e o produtor Robert "Mutt" lange soube captar e manter esse espírito durante as gravações. Assim, com esse caminhar rápido, Johnson sentiu-se, enfim, como parte integrante dessa família. O resto, como todos sabem, é história.

    Talvez essa seja a maior razão para que "Back in Black" seja recheado por pérolas. Era como se a desgraça que a banda havia abarcado tivesse, de certo modo, lhe dado uma força criativa que dificilmente seria revista. Afinal, todas as canções do álbum apresentam uma característica especial, desde aquelas que tornaram-se hinos e encontram-se presentes nos set lists ainda nos dias de hoje, até o restante do disco. O curioso é que, em diversos momentos, mesmo com a voz de Brian Johnson nos guiando, parece que nos é possível e permitido sentir a presença de Bon. Isso fica mais evidente em "Let Me Put My Love into You", canção próxima aos moldes de Scott e que funcionou perfeitamente em "Back in Black". "Shoot to Thrill" e "Rock and Roll Aint Noise Polution" também evidenciam o brilhantismo do grupo em lapidar quase que inconscientemente as suas canções, assim como em "Shake a Leg". As demais, como "Hells Bells", "Give the Dog a Bone", "You Shook Me All Night long" e a própria faixa-título dispensam comentários: são um verdadeiro legado da banda para a humanidade.

    Olhando para a história do grupo, também é possível perceber que o AC/DC é uma das poucas bandas que não se preocupam em singrar por novos mares em busca de novas sonoridades. Sua música é uma espécie de patrimônio do qual a banda é incapaz de se desfazer. É fato: há quase 40 anos o AC/DC utiliza a mesma fórmula sem ser repetitivo ou vazio, fazendo e produzindo o que tem de melhor, uma música direta, objetiva e capaz de sacudir até o mais denso efermo. Sobre este fato, "Back in Black" representa uma espécie de coroação, como a amostra da força da banda que, em seu pior momento, foi capaz de brindar o mundo com um dos melhores discos de rock da história, capaz de ser agradável até nos ruídos que dividem as canções em seu formato original, em vinil. É o rock and roll em sublimação, captado no ar e transformado em arte, como há muito não é feito.


    BLACK ICE

    AC/DC
    2008
    Por Renan

    álbum ainda não votado pelos leitores


    Diferente de qualquer bandinha atual, AC/DC se mantém fiel ao estilo hard rock para se ouvir em estrada. Mas que AC/DC é perfeito para ouvir na estrada qualquer um sabe. Black Ice é o novo trabalho dos australianos com guitarristas das Terras Altas, depois de longos oito anos sem um trabalho novo.

    É, nada de muito revolucionário. Uma vez me disseram que AC/DC parece episódio do Pokémon: muda muito pouca coisa. No Pokémon, só aumenta a quantidade de pragas de bolso e o Ash tem a mesma cara de tonto do primeiro episódio. No caso do AC/DC, o Angus Young continua andando como um pato na mesma roupa de estudante, o Brian Johnson segue com a mesma guela arrebentada e o som continua sendo trilha sonora de estrada. Obviamente, arremessei a chaleira na testa do pobre infeliz.

    Mas, até certo ponto, ele falou alguma verdade. Black Ice se mantém na mesma linha oitentista do AC/DC, sem nenhuma diferença gritante. Na verdade, nem profunda. Até a estrutura musical segue a mesma! Bateria + riff -> voz rasgada -> repete o riff -> refrão + riff do refrão -> volta para o início. Deve ser por isso que AC/DC se mantém como uma das melhores bandas! Eles não inventam porcariazinhas que possam acabar com a reputação deles. St. Anger é o melhor exemplo do quê eu quero dizer.

    Enfim, como se deve ouvir o Black Ice ? Ora bolas, bêbado! Num bar ou numa mesa de sinuca! Se o som não mudou, por que mudar a maneira de ouvir? Óbvio que também é possível escutar Black Ice no carro, fazendo aqueeeeeeeeela viagem. Estas são verdades universais: não precisa ter passado pela experiência para saber disto.

    Pela maneira que eu estou escrevendo, até parece que Black Ice é uma merda. DEFINITIVAMENTE não é isso. O álbum está extremamente bom! Caaaaaaara, eles sempre acertam na hora de fazer som! A fórmula do AC/DC é algo que não precisa mudar! Black Ice não vai decepcionar os fãs xiitas, nem aqueles que querem algo novo: a criatividade de Angus Young para fazer riffs ainda não acabou. YES!

    Originalmente publicado no site: http://atoouefeito.com.br/


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