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Resenhas do Artista

Resenhas

    HOPES AND FEARS

    KEANE
    2004
    Por Anderson Nascimento

    álbum ainda não votado pelos leitores


    Quando no início de 2005 as rádios começaram a tocar "Somewhere Only We Know", do trio inglês Keane, rapidamente uma afirmação pairou sobre as atenções daqueles antenados em música: - aí vem outra banda inglesa clonando o Coldplay!. Apesar de o single, por sinal uma linda balada, tocar bem nos quatro cantos do planeta, quem ouve o cd de estréia do Keane percebe algo bastante diferente do que se vem fazendo atualmente. A partir da segunda música do álbum, o trio implementa um som completamente diferente do esperado, e mostra a sua verdadeira cara, estampada com cores vivas dos anos 80.

    Ficam claras influências de U2 e Smiths, além das básicas influências dos Beatles. Na Segunda música "This is the last time" e na terceira "Band and Break", percebemos influências claras da música feita há duas décadas atrás, particularmente do som do U2. "Band and Break", aliás, junto com "Everybody’s Changing" (segundo single do disco) são as melhores músicas do disco. A primeira passeia em uma linda melodia com uma letra de elevação espiritual que torna o clima do disco ainda mais pessoal.

    Não há como não lembrar, por exemplo, do Morrisey na faixa "Your eyes open", que ao mesmo tempo tem uma levada de som oitentista do U2. Em "Sunshine", por exemplo, a banda faz um som tipicamente ambiente usando um falsete que se mistura ao ritmo da música.

    As músicas falam no geral de assuntos cotidianos, climas românticos, sempre acompanhados de melodias condizentes com as canções. Por isso, no fim das contas temos um belo disco pra quem curte o novo Rock Britânico, um álbum verdadeiramente inspirado, sem a pretensão de apresentar nada novo, nem mesmo fazer história, mas que vai mexer com a cabeça e com o coração de muita gente.


    PERFECT SYMMETRY

    KEANE
    2008
    Por Anderson Nascimento

    álbum ainda não votado pelos leitores


    Afastando-se cada vez mais do Britpop que fez com que Keane ficasse conhecido em todo o mundo, “Perfect Symmetry”, é um disco extremamente oitentista. O cartão de visitas já fica por conta de “Spiralling”, uma das melhores do álbum, completamente voltada para a pista de dança, incluindo todos os efeitos necessários para balançar o esqueleto, chega a lembrar um pouco Duran Duran. A música talvez é que mais identifica o Keane desse novo disco, mas ainda conseguimos em muitos outros momentos do álbum, perceber qual é a fonte que o Keane bebeu, no caso de “Better Than This”, temos um U2 (muito copiado ultimamente) do início da carreira remontado. “Pretend That You´re Alone”, segue nessa linha com um grande balanço, também se destacando no álbum.

    O disco investe quase que o tempo todo em músicas mais animadas, pondo para fora do álbum as baladas. E mesmo em momentos mais sentimentais como em “The Lovers are Losing”, não temos nada que se assemelha a canções como “Somewhere Only We Know” do primeiro disco. Todavia, quem acompanha os discos da banda de Tom Chaplin, não ficará tão surpreso com a sonoridade desse álbum, pois essa tendência já vinha se revelando desde “Under The Iron Sea”, menos piano e mais vibração. Mas por incrível que possa parecer, nos poucos momentos em que eles lembram o Keane do primeiro disco, por exemplo “Again and Again”, eles acabam acertando a mão e classificando a música entre as melhores do novo álbum.

    Em alguns momentos do álbum, fica uma sensação de falta de inspiração. Em “You Don´t See Me”, fica claro que músicas assim podem custar caro ao álbum. “Playing Alone”, outra escancaradamente oitentista, mesmo com todos os efeitos e coros que tentam criar algo grandioso, também não consegue ser lá muito inspirada.

    Toda essa ousadia apresentada no álbum, na verdade acaba sendo bom para a banda e para o seu público, uma vez que todas as bandas que iniciaram tendo como ponto de partida o Britpop já mergulharam em outras praias, veja o caso de Oasis, Coldplay, Travis e Jet.

    O álbum é uma bela síntese dessa mudança, tendendo muito fortemente ao som feito há quase três décadas atrás, ou seja, o Keane não traz nenhuma novidade, porém acrescenta à sua carreira um álbum descontraído e gostoso de ouvir.


    NIGHT TRAIN

    KEANE
    2010
    Por Anderson Nascimento

    opinião dos leitores: 5.00


    “Night Train” é o primeiro EP da banda Keane, mas diferentemente dos EP´s tradicionais, que normalmente trazem quatro músicas, este tem quase o peso de um CD “cheio”, trazendo oito faixas.

    É bem verdade que a primeira faixa, “House Lights”, é apenas uma espécie de abertura do disco, com pouco mais de um minuto, mas que funciona como uma bela introdução para “Back in Time”, a grande música desse disco.

    Em “Night Train”, a banda capitaneada por “Tom Chaplin”, dá sequência à sonoridade dançante de “Perfect Symmetry”, seu último disco de estúdio, apostando ainda mais em sintetizadores e efeitos de estúdio que tornam o som da banda ainda mais pop.

    Esse caminho tem sido trilhado pela banda já há algum tempo, o que tem descaracterizado a banda como uma mera seguidora do estilo que o “Coldplay” tornou famoso no fim dos anos noventa.

    Em "Stop For a Minute", primeiro single desse EP, o rapper somali-canadense Knaan junta-se à banda para mais uma bela faixa, com direito à “ôoôs”, que lembram, perdoem me o clichê, o U2. O rapper também aparece em “Looking Back”, uma canção com um curioso riff que lembra a famosa trilha sonora do personagem Rocky Balboa de Sylvester Stalonne.

    A faixa "Your Love", também é curiosa por trazer o compositor e pianista Tim Rice-Oxley nos vocais, assim como em “Ishin Denshin”, que traz a cantora japonesa Tigarah dividindo os vocais com Tom Chaplin.

    A música que fecha o disquinho é “My Shadow”, única desse novo repertório que chega a lembrar o Keane de “Hopes and Fears”, no estilo baladão marcada por piano e vocais destacados, sempre à frente dos instrumentos.

    O álbum foi muito bem recebido pela crítica, atingindo o primeiro lugar na Inglaterra e, pra nossa sorte chegando até o Brasil, coisa difícil em se tratando de EPs ou singles.

    Gravado ao longo da turnê de “Perfect Symmetry”, “Night Train” é livre de qualquer amarra de conceitos estáticos de um álbum tradicional, o que mostra a banda divertindo-se através de caminhos já trilhados anteriormente pelo grupo, ou em parceiras, que incluem o rap, e que por tabela, diverte também quem ouve o disco.


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