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Resenhas do Artista

Resenhas

    UNDER COVER

    OZZY OSBOURNE
    2005
    Por Anderson Nascimento

    álbum ainda não votado pelos leitores


    Não que a mega exposição da vida do “Príncipe das Trevas” no seriado “The Osbournes” tenha sido responsável por afetar a sua voz, a sua criatividade e sua saúde. A grande questão é que pudemos assistir a queda de um mito fantamagórico e até então demoníaco. De qualquer forma isso não afeta em nada o seu passado glorioso e o seu presente, mas ao lançar o seu novo disco, um apanhado das canções preferidas de seus próprios ídolos, Ozzy se rende à sua verdadeira face, dócil e amável.

    A voz pastosa que agora o acompanha, reproduz o seu verdadeiro estado de saúde. Se analizarmos por uma ótica bem criteriosa, "In My Life", canção angustiada escrita por John Lennon ainda nos Beatles, é quase um adeus público de Ozzy, vide o vídeo clipe. Aliás John, é um dos grandes homenageados neste álbum, pois além de "In My Life", o ex-Beatle é lembrado também em "Woman", em uma versão pop-emocionada numa clara homenagem à sua esposa, e em "Working Class Hero", em uma versão meia-boca.

    Ozzy ainda se sai bem em músicas no estilo pesado que o consagrou durante toda sua carreira, é o caso de "Rock Mountain Way" (Joe Wash) e "Mississipi Queen" (Montain) pouco conhecida no Brasil.

    Mas são realmente as canções de cunho mais pop que se destacam no álbum, além das já citadas homenagens à Lennon, "Go Now" (Moody Blues), "All The Young Dudes" e "Sunshine of Your Love" (Cream), são grandes destaques. Esse aspecto talvez seja mais facilmente entendido quando notamos os produtores Mark Hudson e Steve Dudas como responsáveis pela obra, para quem não sabe, a dupla trabalha com os discos do ex-Beatle Ringo Starr desde o início da década de 90, inclusive os mesmos trabalharam com Ozzy em uma participação do mesmo no disco do Ringo de 1998 "Vertical Man".

    ntendendo todos esses aspectos, o disco é uma bela homenagem de Ozzy aos seus ídolos, os fãs talvez não gostem do repertório extremamente pop que para Ozzy é muito justo e agradável, para os críticos um tanto quanto óbvio, afinal de contas por que Ozzy ainda não havia gravado "Simpathy for The Devil" dos Stones?


    SCREAM

    OZZY OSBOURNE
    2010
    Por Rafael Corrêa

    opinião dos leitores: 4.50


    Quando uma lenda do heavy rock lança um novo trabalho, os nervos dos headbangers se eriçam. Em uma época de tristeza e decepções, todos ficamos ansiosos por boas novas de nossos heróis. “Scream”, novo disco do Mr. Madman Ozzy Osbourne, não foge à regra: eis, uma vez mais a velha expectativa de sempre. E essa perspectiva aumenta ainda mais pelas circunstâncias em torno do álbum, que conta com um novo condutor das seis cordas: o grego Gus G. foi chamado a ocupar o posto do virtuoso ébrio Zakk Wilde.

    No entanto, nem é possível sentir falta de Zakk: grande parte do material já estava composto (e, dizem alguns, que até gravado) quando Gus G. assumiu as guitarras. Por isso, ao ouvir “Scream”, parece que estamos a escutar o velho Zakk, sem muitas variações. Quanto às canções, a premissa não é a mesma. “Let it Die”, faixa de abertura, já mostra a presença de novos elementos, como alguns efeitos sonoros e beats que hoje estão na moda. A voz de Ozzy, se comparada ao trabalho precedente, “Black Rain”, de 2007, está mais “maquiada”: outros efeitos de vocal apresentam-se durante todo o disco para compensar os 40 anos de estrada de Osbourne.

    Musicalmente, tanto “Let it Die” quanto sua sucessora, “Let Me Hear Your Scream”, são satisfatórias. Os refrãos repetem-se na nossa mente mesmo após o término das canções. Logicamente, nem se comparam com a obra dourada de Ozzy, produzida na década de 80; mas, ainda assim, agradam o ouvinte pelo seu peso e limpidez. No entanto, “Scream” é sustentado também por erros: “Soul Sucker” e “Latimer’s Mercy” apresentam-se eivados em efeitos desnecessários, avessos à figura e símbolo que Ozzy representa. Em “Latimer’s Mercy” até o peso da guitarra chega a ser forçado, levando-se em conta o contexto geral da produção da canção.

    Todavia, “Scream” também é feito de acertos. “Life Won’t Wait” é, definitivamente, a faixa mais bem trabalhada do álbum: pesada quanto tem que ser, harmônica a seu tempo, permeada por uma letra interessantíssima, a canção faz jus ao nome de Ozzy. Rob “Blasko” Nicholson comandou suas quatro cordas com primor, assim como Gus G. (ou Zakk???) na guitarra. “Life Won’t Wait”, é, sem exageros, uma linda canção. Outro belo momento é a despedida do disco com “I Love You All”, peça de 1 minuto de duração que mistura cordas, encadeamento acústico e distorção. A letra, composta de 4 versos, encerra-se com os dizeres: “Por todos esses anos que estiveram comigo, Deus abençoe. Eu amo todos vocês”. Chega a emocionarmos nitidamente.

    Enfim, “Scream” não é um disco histórico, e possui poucas chances de alcançar tal status. Reitera-se que em nada se assemelha com o Ozzy de “Blizzard of Ozz” ou “Diary of a Madman”. Mas, vá lá, os tempos são outros, e Ozzy tem coragem e talento suficientes para não depender de seu passado quando compõe um novo trabalho. Vida longa ao Mr. Madman e sua obra.



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