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O CONSUMO DE MÚSICA NOS DIAS DE HOJE


Postado em 26/12/2013

O CONSUMO DE MÚSICA NOS DIAS DE HOJE WIDTH=
Por Anderson Nascimento

A relação do ser humano com a música, pelo menos se nós analisarmos essa relação sob o prisma do consumo, é um dos comportamentos que mais se modificou após a popularização da tecnologia da informação e da internet.

Lá atrás, mais precisamente entre as décadas de 1940/1950 quando o hábito de se consumir discos para uso particular se popularizou a partir dos discos de 78 rpm, os ouvintes criaram com a música uma relação de “ter”, algo que já era possível desde o início do século XX, mas que as mudanças no processo de fabricação dos discos, e eventualmente o barateamento do produto final, ajudaram a impulsionar. Esses acontecimentos possibilitaram que as pessoas pudessem a partir daí ouvir ao seu artista preferido cantando em sua sala quantas vezes quisesse, sem precisar esperar o que o rádio tocasse determinada canção.

Depois disso, vender música se tornou um grande negócio e fez fortunas no mundo inteiro, e o formato da mídia foi mudando, passando pelo LP, Fita Cassete, até chegar ao CD na década de 1980.

O barateamento da tecnologia, a popularização dos computadores e o acesso à internet, fizeram com que a forma padrão de cosumir música se alterasse, criando novas formas de se ouvir, adquirir e trocar músicas com outras pessoas. Porém, a forma de consumo tradicional, ou seja, a de “ter” a música gravada em uma mídia como o LP ou o CD, continuou (e continua) sendo praticada por pessoas no mundo todo.

É então muito estranho imaginar que o interesse por música diminuiu, na verdade não. Ao contrário disso, se pensarmos em quantas maneiras novas de se ouvir música foram criadas a partir da tríade música-tecnologia-internet, podemos concluir que nunca a música esteve tão presente e tão acessível às pessoas.

Citando de forma rápida algumas dessas novas formas de consumo, temos os celulares, os computadores, videogames, e os tocadores inteligentes como o iPod, todos com uma incrível capacidade de armazenamento, disponibilidade e facilidade em encontrar e reproduzir músicas (graças a conectividade), como jamais visto na história da música.

É claro que tudo isso trouxe também grandes transtornos para as diversas esferas envolvidas, ou seja, gravadoras, artistas, compositores, músicos, em relação aos direitos autorais, que fez com que várias tentativas de mudança nesse novo paradigma, fossem experimentadas, às vezes acertando, mas na maioria das vezes errando.

É bem verdade que depois de nadarem tanto contra a maré, o processo parece estar entrando nos eixos, já que novas soluções como a da reprodução por streaming – você paga um valor por mês e tem acesso a um vasto catálogo de músicas para ouvir onde quiser – me parecem estar agradando, já que muitos sistemas estão surgindo na web e nos aparelhos smarts como TV, Blu-Ray e os Videogames que se transformaram em verdadeiras plataformas de diversão.

Tudo isso vem corroborando com a tendência de cosumo por demanda, que já é realidade no caso de filmes, séries e softwares, através da chamada nuvem, onde o armazenamento, o processamento e o acesso podem ser feito via internet de qualquer lugar do mundo. Em termos práticos, quero dizer que dessa forma você pode ouvir os seus artistas e discos preferidos, além de acessar e editar suas playlists em qualquer lugar do mundo.

O mais legal disso tudo, porém, é que as novas formas de consumir música não substituem as antigas. Para aqueles que têm uma relação material com a música (e eu me incluo nesse grupo), existe um mercado interessante. Vocês devem notar que é uma tendência mundial que as gravadoras apostem na produção e lançamento de produtos cada vez mais tentadores para esse público, ou seja, edições especiais com bônus (que podem ser músicas a mais, DVDs com shows ou videoclipes, livros, etc.), o que acaba sendo um produto diferenciado para aqueles que ouvem música como se estivessem lendo um livro (na forma tradicional, claro), sentado no sofá, apreciando o encarte, acompanhando as letras, identificando qual músico toca o que em cada canção, e por aí vai.

A convivência de mídias distintas ocorre desde os tempos do LP, e parece que continuará acontecendo por muito tempo, haja vista que muito já se falou na morte do vinil, do CD e até do DVD, mas eles continuam por aqui sem deixar órfãos os seus admiradores. Fato que não ocorreu com outras mídias como as Fitas Cassetes, VHS e os Laser Discs.

Seja no vinil, cd, internet, ou em qualquer outra mídia, a verdade é que a música está em tudo o que fazemos nessa vida, no nosso lazer, em datas especiais como formaturas, casamentos e aniversários, comerciais de TV, trilha sonora de filmes, novelas, séries e jogos de videogame, ou até mesmo, quem diria, usada para acordar o robô que fazia pesquisas no solo marciano. Aprender novamente como essa maravilhosa invenção do ser humano pode voltar a ser um negócio tão lucrativo como antigamente convivendo com essa enorme pluralidade de formatos, já é outra história.






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