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Galeria Musical

Entrevistas exclusivas

18/01/2016AIRÔ BARROS

Por Flávio Marques

Assim como a cultura pernambucana, marcada pela diversidade e riqueza, Airô Barros mostra sua arte, seja como cantora, compositora, artista plástica ou poetisa. Natural de Capoeiras, Pernambuco, mas radicada em Curitiba, Paraná, é uma daquelas artistas que, não se sabe o motivo, o país ainda não conhece.

Até hoje, Airô já lançou um livro de poemas e dois CDs. Fez diversas apresentações país afora, transitou em diversas linguagens artísticas e, de maneira discreta e tranquila, vem formando um público que sabe o que pode esperar dela: verdade e entrega no que faz.

Se você ficou curioso(a), confira essa entrevista exclusiva que ela concedeu ao Galeria Musical, contando tudo sobre seu trabalho. E não deixe de curtir sua página no Facebook para saber de todas as novidades em primeira mão!


Quando seu primeiro CD foi lançado? Como você o avalia hoje, tantos anos depois do lançamento?

O Terra em Transe (primeirin) foi lançado em 2008. Com produção do talentoso Silvestre Kuhlmann e vários músicos dedicados e queridos. Gostei muito do resultado e das oportunidades que ele abriu para a divulgação do meu trabalho. A música Terra em Transe representa bem todo meu compromisso e cuidado com a preservação do nosso planeta.

A capa de “Terra em Transe” é uma pintura sua. Como e quando descobriu esse lado?

Sempre gostei de misturar tintas... de forma despretensiosa. Em 1991, quando trabalhava como secretária na Itautec, pintava cartões com frases da música brasileira... e vendia na esquina da Av. Paulista com a Rua da Consolação, além de vender também para amigos e parentes. O resultado dessas vendas, ajudou a completar meu orçamento e também pagou algumas viagens. Em 1995, minha sala de trabalho era num ambiente muito sem graça. Resolvi mudar isso. Comprei uma cartolina e pela primeira vez... saí do pequeno cartão para a cartolina. Fiz então uma pintura gestual, bem colorida e alegre. Foi realmente uma surpresa, para mim, os comentários que esse quadro suscitou... as pessoas que chegavam na sala não sabiam que o quadro era meu... elogiavam... comentavam que a sala havia ficado bem mais aconchegante e bonita... daí vi que dava para ousar um tantrin mais... e foi assim que comecei a fazer performances (canto, poesia e pintura). Apresentei-me na Marquise do Parque do Ibirapuera, no Poupatempo, na Casa da Fazenda do Morumbi, no Festival de Inverno de Campos do Jordão... somente para citar alguns lugares... e tanto a capa do Terra em Transe... quanto a capa do livrin Frágua... são telas minhas.

Seu segundo trabalho, “Pausa”, lançado no ano passado, ainda é muito recente. Quais os planos para ele daqui em diante?

Felizmente, depois de uma “pausa” de quase 5 anos, dedicados aos cuidados para fortalecer a saúde da minha mãe... felizmente agora a situação se estabilizou, consegui uma pessoa confiável para cuidar dela e posso voltar a abrir minha agenda e realmente assumir compromissos. Meu desejo é abrir portas para me apresentar, seja aqui no Paraná, onde moro, como também em todos os cantos, de onde chegarem os convites.

Como foi a preparação para o livro “Frágua”?

Frágua tem uma história interessante. Eu sempre gostei de escrever acrósticos para presentear amigos nos seus aniversários, ou pequenos poemas. Em 1981, uma amiga querida, Ivi Cassola Garcia, preocupada que meus textos se perdessem, presenteou-me com um cadernin, que tenho até hoje. Comecei a guardar nele tudo que eu escrevia. Em 2000, uma outra amiga querida, Yolanda Marcondes Pereira, viu no jornal O Estado de São Paulo o anúncio de um concurso para lançamento de um livro de poemas. Ela sempre elogiava meus escritos, mas eu achava que era apenas elogio de amiga, não valia muito (risos). Não levava muito à sério. Por insistência dela e de outros amigos, acabei enviando os originais, e para minha surpresa e alegria, entre mais de 300 inscritos, escolheram os meus poemas.

Quando ele foi lançado?

O lançamento aconteceu em 2001, e estamos na terceira edição revista e ampliada, e quase esgotada.

Como é o seu processo de composição?

Sou um pouco indisciplinada. Até por isso não tenho um processo muito racional de composição. Sou mais intuitiva. Pretendo escrever minhas memórias, contar um pouco da minha família, do meu tempo como interna no colégio de freiras, etc. Muitas coisas engraçadas para contar. Acho que será um livro de “causos”. Agrada-me trazer o riso, a alegria para as pessoas.

Quais os desafios de fazer música em Curitiba, Paraná?

Olha, estou no Paraná há quase 3 anos, mas estava meio quietinha cuidando da mamãe. Participei apenas de um show do meu amigo Clauber Ramos em 2014, um show no aniversário de Curitiba, na praça General Osório, com o Trio Quartinha, no ano passado e 6 apresentações no Spa Lapinha, em agosto passado.

Um novo trabalho já está em vista?

Além da divulgação do “Pausa”, tive a ideia de um coletivo, e convidei quatro compositores amigos (Jorge Camargo, Gladir Cabral, Clauber Ramos e Vavá Rodrigues), somos o SempreCinco. A proposta é fazermos shows por todo Brasil, tendo sempre cinco artistas no palco. Dois ou três dos nomes citados, com dois ou três dos locais onde nos apresentarmos. Os shows terão sempre a duração de duas horas, e já temos dois marcados aqui para Curitiba, no Auditório Carlos Kraide. Será nos dias 15 e 16 de julho. Acredito que quanto mais nos ajuntarmos mais fortes seremos. Não percebo muito essa postura coletiva aqui em Curitiba. A impressão que tenho é que cada um quer conquistar o seu espaço e ponto!!!

Quais são suas principais referências musicais?

Chico Buarque, Tom Jobim, Vinícius de Morais, Luiz Gonzaga, Gonzaguinha, Maria Bethânia, Elis Regina, Paulinho da Viola, Dominguinhos, Rolando Boldrin

Quando descobriu que queria ser cantora?

Quando eu tinha 10 anos e estava no internato, em Palmares (PE). Vivia cantando pelos corredores do colégio. A Madre Superiora, Madre Espírito Santo, percebeu que eu era afinada e me deu como atribuição aprender as canções das missas comemorativas e ir de sala em sala ensinar as canções para todos os outros alunos do colégio. Eu tinha apenas dez anos e essa experiência me fez sentir importante, única. Foi arretado demais da conta!!! Vixe, gostei muito. Eu tinha muita facilidade em decorar as canções, daí para cantar nos eventos do colégio e em casamentos, foi um pulo. E não parei mais!



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