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Galeria Musical

Entrevistas exclusivas

16/05/2010GAMETAS

A banda carioca Gametas é uma rapaziada que leva o Rock a sério, investindo em uma pegada que vai de Jovem Guarda ao Punk, passando pelo Glam Rock dos anos setenta. Vocês vão se surpreender com o som desses caras.


GM: Em primeiro lugar, quero dar os parabéns pelo trabalho, vocês são originais e tem um som que encanta qualquer um que curte o bom e velho Rock and Roll. Vejo uma grande influência de Glam Rock setentista e Jovem Guarda no som de vocês, é por aí mesmo? Em que tipo de som vocês se enquadram?

GAMETAS: É por aí mesmo. Pode incluir também a sujeira do grunge e a urgência do punk que chegamos a um acordo (risos). A proposta é dar uma descarga de energia na galera, se divertir e divertir ao máximo ... Surpeender ... Aí entram uns truques, o visual extravagante e toda a performance visceral.

GM: O disco de vocês está muito bem produzido, com efeitos e tal, essas músicas já foram concebidas com essas idéias todas, ou o processo foi amadurencendo ao longo da gravação do álbum?

GAMETAS: A maioria das músicas já nasceu do jeito que está no álbum, inclusive algumas já completaram uma década de existência e não tiveram mudanças significativas nesse tempo. Os efeitos também já estavam concebidos na cabeça do Paradise, foi só chegar no estúdio e escolher qual ferramenta daria melhor resultado, pouca coisa surgiu na hora, como por exemplo, a sirene no final de "Mulher Biônica" e o teclado no refrão de "Ela Fala Com Espíritos". Não podemos deixar de citar dois caras que suaram bastante pra fazer esse disco acontecer. Fábio Brasil, batera dos Detonautas, que produziu o álbum com o auxílio luxuoso de Roberto Lly, ex- Herva Doce. Os caras sabem tudo e fizeram um trabalho que nos deixou muito felizes mesmo.

GM: A banda já existe há algum tempo, agora vocês estão lançando o primeiro disco, anteriormente o som da banda já se encontrava nessa linha, ou seja, temas engraçados, eróticos, e às vezes fora do comum?

GAMETAS: Sim, a temática da banda sempre foi mais pro lado do inusitado, o som é que foi ganhando uma cara ao longo dos anos, com as constantes mudanças de músicos. No início, lá em 2000, era uma autêntica banda rockabilly e se chamava Claudio Paradise & Os Gametas, numa homenagem a Bill Halley & His Comets. De um ano e meio pra cá, com a formação estabilizada, conseguimos fechar o conceito sonoro da banda dentro dessas referências já citadas, o glam e o punk rock dos anos 70, o grunge dos 90 e por aí vai.

GM: Uma coisa que achei interessante foi o fato de a banda conseguir mandar temas engraçados, sem os tornar banais, o que julgo um grande desafio. Acredito que vocês foram muito bem nesse aspecto. Por parte da banda houve uma preocupação com isso?

GAMETAS: Temos bastante sorte das composições estarem nas mãos de um cara como o Paradise, elas já chegam prontas, só temos que encontrar a pegada certa pra música tomar forma. É claro que ele trabalha bastante em cima das letras até chegar a medida certa, mas é bem natural e espontâneo. A preocupação existe sim, se ele não achar legal nem mostra pro resto da banda.

GM: Como tem sido a recepção do álbum?

GAMETAS: A recepção? Ah, o pessoal tem recebido pelo correio, outros por email, outros recebem em mãos nos shows (risos) ...Ninguém nos insultou ainda, pelo contrário, elogiam e ainda pedem entrevista (risos), então acho que está sendo bem recebido. É muito bacana esse retorno. É claro que ainda está muito recente, o disco foi lançado a menos de um mês e estamos fazendo muitos shows pra levar adiante o trabalho. A resposta tem sido muito boa e ainda esperamos mais no decorrer dos próximos meses.

GM: Quais são as principais referências da banda?

GAMETAS: Bandas como Kiss, Ramones, Nirvana, The Cramps e Guns n Roses são importantes na formação de todos no grupo, não só pela sonoridade próxima, mas a performance e o visual deles causaram um grande impacto em todos nós e isso naturalmente acaba refletindo no que fazemos. O que você vai encontrar quando for nos ver é um show abusado, perigoso e inusitado, o que mostra um pouco de cada uma dessas influências.

GM: E os planos futuros?

GAMETAS: Tocar muito por aí, fazer o disco circular ao máximo e não parar de crescer. Esse é o nosso projeto de vida, empregamos todos os nossos esforços nisso e vamos aonde for preciso pra expandir as fronteiras da banda.

GM: Já houve algum tipo de censura com as letras da banda em algum show?

GAMETAS: Em relação a música não, mas o show é um pouco atrevido demais para alguns padrões de conduta (risos). Certa noite um cara, que por acaso era policial, ficou indignado com a nossa performance porque estávamos sem camisa e a esposa dele mostrava bastante empolgação na beira do palco. Aí já viu, né? O cara ficou indignado com a própria cornice e quis arrumar problemas, o show foi interrompido, um princípio de tumulto, ameaças, saímos de lá como fugitivos!

GM: Como vocês vêem a cena independente do Rio de Janeiro?

GAMETAS: O Rio de Janeiro não possui uma cena. Por mais que bandas legais apareçam, e elas continuam aparecendo a toda hora, uma cena não se faz só disso. Falta público e sobram exploradores, que abrem espaço pra bandas sem um mínimo de preparo em troca de dinheiro. É claro que o público vai fugir, ninguém quer pagar pra frequentar lugares toscos com bandas que ainda nem aprenderam a tocar seus instrumentos. Qualquer tentativa de se abrir um espaço honesto para quem tem o que mostrar esbarra nessa falta de interesse da galera. Mas não ficamos reclamando disso, botamos o pé na estrada, fazemos nossos próprios shows, arrumamos nossas soluções e vamos muito bem, obrigado, mesmo sem uma cena pra dar suporte. É claro que seria mais fácil pra todo mundo se a coisas fossem diferentes, mas não dá pra cruzar os braços e ficar esperando, então vamos procurando soluções, fazendo as coisas do nosso jeito.

GM: O Galeria Musical agradece a entrevista e deseja boa sorte para a banda!

GAMETAS: Nós é que agradecemos o espaço, o apoio, e aproveitamos pra desejar vida longa ao Galeria Musical. Parabéns pela iniciativa e pelo trabalho muito bem feito! Keep on Rockin!!




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