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Galeria Musical

Entrevistas exclusivas

23/02/2016MINICONTO

Por Tiago Freitas

Gravado na cidade de Curitiba, Paraná, no Vila Hauer Espaço Cultural, sob mixagem, gravação, arranjo e edição do músico paulistano Daniel Amaral e equipe de filmagem da Fauno Filmes, o duo curitibano Miniconto contou com parcerias valiosas para a realização do mais recente projeto: o clipe de Canto.


“Os meninos da filmagem preferiram utilizar a câmera em plano sequência, pois queriam, como nós, fazer experimentos também. Foi um desafio, visto que criamos tudo sem um planejamento rigoroso, mas sem dúvidas, foi uma experiência fantástica de grande aprendizado”, dizem Karla e Daniel Amaral.

A música escolhida para o clipe da faixa assinada pela cantora, compositora, ginasta rítmica e clarinetista curitibana Karla Díbia traz uma leitura minimalista, na sonoridade e na letra, criando novas possibilidades de som, o que busca novos horizontes. No quadro sonoro, as imagens compõem tela cujas tintas são guiadas pelo menos é mais.

Confirmando que o processo criativo de Karla é intuitivo, ela afirma: “Ela [a letra] nasceu despretensiosamente num tempo vago que eu tive dando aulas. Eu não imaginava que ela seria capaz de nos mover a uma gravação, muito menos a um clipe! ” O que reafirma as pretensões dos artistas: “Nosso som tem propósitos muito mais pessoais e experimentais que mercadológicos”, conclui Daniel.

Como nasceu o duo?

Karla e Daniel: Nós nos conhecemos na FAP-UNESPAR, enquanto cursávamos Música Popular. Éramos um trio: Karla, Daniel e César (César L. Miguel) e nos juntamos para tocar um repertório de MPB com foco em bares e restaurantes. Com a saída de César, o duo restante ficou interessado em desenvolver composições, e então foi criada a estratégia: Karla trazia a composição com letra e melodia, e Daniel arranjava ao violão. Nós dois queríamos gravar em estúdio. Nossa estética “sem querer” era minimalista e nossas músicas, rodeadas pela literatura poética, então, em 2012 lançamos o nosso primeiro EP, chamado de Miniconto. Gostamos do resultado e adotamos o nome do álbum para o do duo.

Quais as principais influências de vocês dois? Não só na música, na arte em geral?

Karla: As cantoras sempre tiveram grande influência sobre mim. Tive períodos de grandes paixões por elas, especialmente cantoras pop, cantoras de MPB e as jazzistas. Mas ouso dizer que minhas primeiras musas foram as ginastas, pois, com suas coreografias tocantes, inflavam em mim uma ligação entre música e dança. Alina Kabaeva, Irina Tchachina, são nomes que me recordo com carinho.
Daniel: Minhas influências são artistas e pessoas com os quais tive contato, seja pessoalmente, seja por meio de suas obras. Acredito que ao entrar em contato com alguém, artista ou não, me influencio de alguma forma e tomo para mim parte daquilo que ele é. É claro que uns são mais importantes que outros.

Como nasceu o clip de Canto?

Karla e Daniel: Há algum tempo Karla queria misturar a ginástica rítmica com música em forma de vídeo, e a oportunidade surgiu quando nasceu “Prólogo”, um álbum lançado em 2015. Com uma sonoridade diferente das outras já gravadas, ele proporcionava a intenção buscada para coreografia. O ápice da música pergunta “quem sou eu?” motivando mais ainda essa busca da artista, refletida em clipe. A coreografia foi criada com sugestões nossas e da ginasta Letícia Siebert, da equipe Get Flex.

Como surgiu a letra de Canto?

Karla: Nasceu despretensiosamente num tempo vago que eu tive dando aulas. Eu não imaginava que ela seria capaz de nos mover a uma gravação, muito menos a um clipe!

Como foi a gravação do clip?

Karla e Daniel: Nós fomos, junto com a equipe da Fauno Filmes, fazer a gravação no Vila Hauer Espaço Cultural, um teatro com aproximadamente 50 lugares, bem intimista e condizente com a proposta. Os meninos da filmagem preferiram utilizar a câmera em plano sequência pois, queriam como nós, fazer experimentos também. Foi um desafio, visto que criamos tudo sem um planejamento rigoroso, mas sem dúvidas foi uma experiência fantástica de grande aprendizado.

O que falta para o CD estar no formato físico?

Karla e Daniel: Sem dúvidas, dinheiro.

Qual o papel das mídias sociais para o trabalho de vocês?

Karla e Daniel: Fundamental. É por elas que conseguimos divulgar toda nossa obra.

Quando decidiu pela música ao invés da ginástica?

Karla: Quando comecei a faltar treinos para tocar violão... percebi que a música já tinha tomado conta de mim. A ginástica rítmica é uma paixão infinita que me deixou valores para a vida inteira. Mas naquele momento, de meus 17 anos, eu precisava decidir qual seria meu foco, e escolhi a música. Em 2012 voltei a praticar ginástica, mas sem fins competitivos, com a mesma professora Graciella Nadal na equipe Get Flex.

O curto tempo das músicas é uma necessidade de mercado ou pessoal?

Karla e Daniel: Pessoal. O mercado impulsiona justamente o contrário, quanto mais repetitiva e longa for uma música, mais fixa será na mente do ouvinte. Nosso som tem propósitos muito mais pessoais e experimentais que mercadológicos.



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