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Galeria Musical

Entrevistas exclusivas

14/11/2010PÃO DE HAMBURGUER

Banda que vem se destacando no cenário roqueiro de Curitiba, e que acaba de lançar o seu primeiro DVD gravado no Teatro Guaíra, em formato independente. A banda concedeu uma entrevista ao nosso colaborador Rafael Corrêa e nos presenteou com uma compilação com sete músicas, incluindo “Have a Nietzsche Day”, uma faixa exclusiva para os nossos leitores. Confira!


GM. Há alguns meses, vocês se apresentaram junto com a banda Trem Fantasma no Teatro Guaíra, em comemoração ao retorno deles às atividades com nova formação. Desta apresentação, resultou a consolidação de um DVD, lançado no último dia 22/10, um passo inegavelmente considerável que faz do Pão não apenas um exemplo de criatividade e qualidade, mas também um exemplo de força de vontade para as bandas que estão batalhando, assim como vocês, por um espaço na cena. No entanto, muito se caminhou até chegar nesse estágio. Falem um pouco do início da banda, como a idéia do Pão surgiu e dos primeiros momentos do grupo como um trio.

Pão: Por que não chamar a banda de uma coisa que está no dia a dia e na boca das pessoas, no coração e no "intestino delgado"?! rsrs
Retomando, começamos em 3 (Gabriel Fausto – guitarra e voz; Léo Bokkerman – guitarra; e Rennan Fróis - bateria) pra tocar numa festa infantil, com o compromisso de animar a criançada. Assim, tiramos até uns Outkast, Denotautas, Cpm 22... só som porrada...rsrsrsrs
Ao mesmo tempo, nos ensaios, a gente pirava numas musiquinhas avacalhadas que a gente fazía e que até hoje a famíliarada pede para que a gente toque, mas é difícil encaixar no repertório uma música em que o refrão é "Mas ela não sabía que meu Pinto é torto", então a gente deixa pra lá.


GM. De trio, o Pão passou a quarteto e, hoje, conta com cinco pessoas que fazem da banda uma das mais relevantes da cena curitibana. Essa inclusão de novos membros ocorreu naturalmente, ou surgiu da necessidade (ou oportunidade) de aparar algumas arestas que, em trio, não era possível?

Pão: Naquela época do Pão, a gente não pensava no futuro da banda, nem mesmo sabíamos se a banda tería futuro. Mas foi à partir da primeira música séria do Pão (“Ontem e Hoje”, que conta inclusivo com um video-clipe produzido pelo curso de cinema do Centro Europeu) que sentimos a necessidade na gravação de um "solo" de guitarra, que ninguém tinha a capacidade de fazer na música. Foi aí que entrou o Joel. Ele gravou a música e logo que voltamos a ensaiar em 3 novamente. Aí que a gente passou a sentir falta de algo na banda: era a guitarra do Joel.
Joelito acabou ficando no Pão, revezando o baixo com o Léo e o Gabriel.
Foi no fim de 2008, quando fomos convidados a fazer o Acústico da rádio curitibana Mundo Livre Fm, que o Bruno Fróis entrou na banda, assumindo o baixão com a maior responsa! Isso aconteceu, pois niguém dos 3 (Gabriel, Léo e Joel) era baixista. Então o Bruno veio pra dar um apoio no Pão nesse Acústico, mas como ele também canta bem pacas, dava apoio muito bem nos backing vocals e, além de ser irmão do Rennan né, acabou ficando conosco também.

GM. A banda atualmente conta com três guitarras, formato até certo ponto "incomum" para uma certa parcela das bandas de rock. Como é esse relacionamento das seis cordas? Há uma divisão prévia de "funções" para cada guitarrista, seja no momento de compor ou sobre o palco? Ou, de fato, as coisas tendem a fluir naturalmente em tal ocasião?

Pão: Normalmente, quando alguém apresenta uma música, fica tudo embolado mesmo, pois todo mundo vai tentando se encaixar no meio, e acabad virando aquela zona. Mas depois que todos entendem a estrutura da música é extremamente necessário a gente sentar e preencher certinho as partes de uma maneira que não prejudique a música Às vezes, ficar sem tocar numa grande parte da música é preciso. Em das músicas novas (“Jonas”, disponível no Myspace do grupo), por exemplo, o Léo toca um bongô, rsrsrsrs

GM. Certamente, a composição é um dos momentos mais importantes de qualquer grupo, já que é dela que surge a continuidade da obra da banda. Como é o processo criativo do Pão? Ele ocorre em conjunto ou centra-se, em certos momentos, em alguns membros da banda?

Pão: A gente sempre tenta criar algo junto, mas alguém normalmente vem com uma idéia ou riff inicial...O Gabriel costuma vir com as letras e a gente termina junto, mas tem composições que ele escreve a letra sozinho também... Mas a gente gosta muito de viajar pra chácara do pai do Gabriel e compor todo mundo junto lá: cada um apresenta o que tem a vamos juntando tudo aos poucos.

GM. Como foi dito antes, as conquistas do Pão, assim como a de qualquer outra banda independente, significam em uma espécie de modificação na cena musical, modificação esta que deve ser encarada como o êxito em uma cena musical que, infelizmente, por vezes vem a priorizar repetidamente a reprodução em lugar da criação, como acontecia usualmente em Curitiba há alguns anos. Como a banda vê o cenário musical curitibano nos dias de hoje? De fato, há mesmo essa "reprodução" insistente?

Pão: Bicho, não temos muito o que reclamar na verdade. São muitas iniciativas que estão acontecendo de várias partes por Curitiba, são vários projetos por aí, sempre encaixando as bandas independentes, fazendo cd's para mandar pra festivais e o escambau. Quando você vê o Charme Chulo (banda também de Curitiba) tocando na Virada Cultural, com, sei lá, bem mais de mil pessoas dançando e curtindo, você sabe que só o que falta mesmo é a massa ter contato com as bandas. Se isso acontece, a parada dá certo.

GM. Recentemente, o Pão foi oficialmente selecionado para participar do projeto Gravando Curitiba, que possibilitará às 12 bandas escolhidas uma maior divulgação de seu material, através de o lançamento do um EP com 5 faixas e de um show a ser realizado no Teatro Universitário de Curitiba, como ocorreu com vocês em parceria com a banda O Trilho, no dia 23/10. Comentem um pouco sobre a importância da participação deste projeto e sobre as novas faixas do Pão que em breve serão lançadas.

Pão: A importância maior é que, para uma banda que está começando e não toca profissionalmente, gravar custa caro, principalmente com a qualidade que nos proporcionou o estúdio Audio Stamp, comandado por Virgílio Mileo, responsável pelo projeto. O fato da estrutura ter contado também com assessoria de imprensa deu uma visibilidade maior para todas as bandas participantes, com matérias na televisão e no jornal.
Só que tudo isso fica no zero se a banda não der continuidade, ou seja, tem que continuar na mesma luta de sempre. As músicas que escolhemos eram as inéditas que tínhamos pro momento: “Homem do Dia”, “Jonas”, e “Have a Nietzsche Day” (que está disponível para download na compilação exclusiva feira para o Galeria Musical. Esta última é inspirada num trocadilho do cartunista André Dahmer, criador da série Malvados. A letra quem fez foi o pai do Gabriel, Paulo Souza, que costuma dar uns toques pra gente quando a coisa empaca.

GM. Conforme dito antes, a banda concretizou um grande passo, representado pela consolidação e lançamento do DVD "Ao Vivo no Guairinha", cujo lançamento oficial deu-se no dia 22/10, no John Bull Pub. Além da apresentação ocorrida no dia 26/06/10, o DVD apresenta uma série de "micro-entrevista" com os integrantes, o que permite que o espectador se aproxime ainda mais do grupo e sua realidade. Como se deu a idéia da construção deste DVD? A vontade da banda em concretizar esse objetivo já era antiga ou surgiu com o atual crescimento do Pão na cena curitibana?

Pão: O idealizador/produtor da coisa toda é o pai do Rennan e do Bruno, Roberto Ewerson. Para nosso próprio espanto, com muita ajuda de nossos amigos e conhecidos, que apostam forte na gente, conseguimos fazer um material de qualidade com uma graninha razoável. O DVD serve como um marco pra dizer até onde chegamos nesses 5 anos de estrada, já que ainda não tínhamos um material físico que compilasse essa evolução. É bom porque agora sabemos de onde partir, principalmente ao reconhecer que estas músicas são parte desta primeira fase, em que a banda vai firmando o seu próprio estilo, e tentar superar isso musicalmente.

GM. Outra importante perspectiva concretizada pelo lançamento do DVD "Ao Vivo no Guairinha" reside na grande possibilidade da abertura de novas portas ao Pão de Hamburguer. Lentamente, isto já começa a acontecer: diversos sites têm divulgado notas constantes sobre a banda e seu trabalho. Esta é mesmo a maior expectativa de "retorno" do DVD, a chance do Pão alçar vôo para além do Paraná?

Pão: Falou e disse. Estaremos empenhados em divulgar nosso trabalho nacionalmente... Tá na hora do “Brazilzote” conhecer o Pão de Hamburguer. É muito gratificante ter parceiros competentes como o Galeria Musical!!

GM. Para encerrar, quais os planos da banda para o encerramento de 2010 e para os desafios que certamente virão em 2011?

Pão: Estamos bolando um grito de guerra!! hahaha
Também consultamos uma cartomante, e descobrimos que acharemos a Palheta do Destino! Rsrsrs Gostaríamos de aproveitar o espaço para agradecer algumas personas: Madimbu, Lisa Simpson, Ricardo Zonta, Jobson (o filho do trampo), Stifler e principalmente ao Galeria Musical, pelo reconhecimento e pelo trabalho de qualidade desenvolvido em prol da música brasileira!



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