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Resenhas de álbum

    THE MAN WHO

    TRAVIS

    1999

    Por Pedro De Martre


    opinião dos leitores: 5.00


    Quem disse que é preciso lançar mão de acordes truncados e metáforas obscuras para se chegar à um disco de rock que transponha a fronteira entre o showbiz e as sutilezas do fazer artístico? Aos militantes desse culto ao incompreensível, recomendo uma boa dose do Travis e seu irresistível The Man Who. Nada de conjecturas filosóficas ou ponderações metafísicas: apenas o sentimento desvelado e sincero do sonhador que segue incansável na trilha de seu coração, inquieto por dizer, ou ainda cantar, as peripécias e desventuras dessa inusitada brincadeira chamada viver. Trata-se de um álbum que, certamente, não vira o mundo de ponta a cabeça - nem o pretende, vale dizer - mas que simplesmente convida o ouvinte a cantar e deixar-se encantar na sublime experiência de seus pouco mais de quarenta e cinco minutos.

    Produto ambíguo de seu tempo, The Man Who é resultado da convivência harmônica entre as aspirações do mundo moderno e as pegadas da tradição sessentista, celebrada na forma da canção, há muito esquecida por contínuas gerações de bandas alinhadas à ideia de que bonito é fazer tudo de cabeça para baixo. Contrariando essa inclinação ao indecifrável, temos um compêndio de curtas peças musicais cuidadosamente concebidas em cada um de seus elementos: versos dotados do mais pungente lirismo trovadoresco, pontes arrebatadoras como stairways to heaven e refrões cativantes no melhor estilo preconizado por Lennon e McCartney.

    Enfim, o retorno ao qual me refiro não é apenas bem-vindo, mas também oportuno. A simplicidade se torna em elegância através da poesia e o espírito arredio do rock se alia à terna sinceridade dos trovadores, tornando sublime a mais singela das experiências humanas. A canção, revisitada, inicia uma busca daquilo que se perdeu com o tempo e que fazia do rock um gênero atracado em lugares comuns. Dessa forma, o olhar para trás a que me refiro não é, nem de longe, um retrocesso, mas um meio de retomar a trilha perdida ao longo dos anos.

    Assim fui apresentado ao Travis, e não poderia haver melhor cartão de visitas. Aliás, fico me perguntando quem é o tal homem mencionado no título do álbum, para o caso de trombar com ele por aí e poder cumprimentá-lo pelo ótimo trabalho.


Dê a sua nota para o álbum!





Comentários

    Athos Niemeyer

    Belo Horizonte - MG

    athomus.vgm@gmail.com

    http://athosniemeyer.wordpress.com/

    Não conheço o álbum, mas pelas eloquentes palavras de meu caro amigo Pedro, a coisa mais certa a ser feita é ouvir esta obra. Um grande abraço!


    Anderson

    Rio de Janeiro

    anderson@galeriamusical.com.br

    http://www.

    Esse é o meu favorito da banda!


    Hellen Teixeira

    Rio de Janeiro

    hellen.teixeira@gmail.com

    http://www.h77.com.br

    Simplicidade. Essa é a palavra que, na minha opinião, mais classifica o som do Travis. Ótimo album. Curto a banda ha algum tempo.


    Pedro de Martre

    Belo Horizonte

    pedro@studio.pro.br

    http://www.viramundo.mus.br

    E como é difícil ser simples sem cair na banalidade: eis o ofício do artista!


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