Resenha do Cd Chapinhas De Ouro / Graforréia Xilarmônica

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CHAPINHAS DE OURO
GRAFORRÉIA XILARMÔNICA
1998

INDEPENDENTE
Por Anderson Nascimento

Há alguns anos atrás li na saudosa revista Bizz uma matéria sobre uma banda que atendia pelo pitoresco nome de Graforréia Xilarmônica, o que me chamou atenção e me levou a uma intensa busca por mais informações sobre o grupo gaúcho.

Fiquei impressionado com a crueza das músicas do grupo, urdidas com letras sempre diretas e instrumentais que remetiam a Beatles, música brega, Jovem Guarda e, sobretudo, música de vanguarda.

Com o passar do tempo descobri que o grupo formado por Frank Jorge (baixo, voz), Marcelo Birck (guitarra) e Alexandre Birck (bateria), possuía interseção com outras bandas como “Prisão de Ventre” e “Os Cascavelletes”, importantes grupos do sortido cenário gaúcho.

“Chapinhas de Ouro” é o segundo álbum do grupo e é considerado por muitos como o melhor entre os lançamentos da curta discografia da banda. Responsável por canções como “Eu”, regravada com sucesso pela banda mineira “Pato Fu” e a regional “Benga Minueto”, que são apenas alguns destaques de uma seleção absurda de boas músicas.

“Eu gostaria de matar os dois”, faz parte das canções onde o bom humor impera. “Colégio interno”, já trata de um assunto sério – um casal se separa, e fica a dúvida, o que fazer com o guri? – mas ainda assim de uma forma bem humorada.

Já “Meus dois amigos” retrata um pouco do que rolava na espetacular cena gaúcha independente dos idos da segunda metade dos anos oitenta e da década de noventa. A letra é um pedido desculpas a dois amigos pelo não comparecimento a um churrasco, devido a um encontro com Flávio Basso (outro dos grandes da música gaúcha, que também atende pela alcunha de Júpiter Maçã) recheado de bebidas no dia anterior. A forma como a banda descreve o ocorrido representa bem o estilo das canções da Graforréia, ou seja, simples e informal como um simples bate-papo.

“Misto quente” é outra dessas canções. Aqui, a banda traça um paralelo entre a vida real e a ficção, citando os artistas Tarcísio Meira, Francisco Cuoco, Burt Reynolds, Antônio Fagundes, Julia Roberts, Lídia Brondi, Gloria Menezes, Regina Duarte e Brigite Bardot, além da novela “Os Irmãos Coragem” para descrever uma controversa situação.

Apesar de em alguns momentos a banda se enveredar para ritmos como punk (“Baby”), punk/brega (“Colégio interno”) e até para uma balada a lá Mutantes (“Beethoven”), na maioria dos momentos, a banda mergulha de cabeça mesmo é na Jovem Guarda, tanto que chegam a regravar nesse álbum “Pensando nela”, sucesso com os Golden Boys.

Dois anos depois do lançamento desse álbum, a banda anunciaria o seu fim, deixando milhares de fãs órfãos de uma banda que fazia sua música sem se preocupar com perfeccionismos instrumentais ou vocais, mas que colocava acima disso tudo canções com características peculiares, inventivas e de grande qualidade.

Coincidência, ou não, a banda encerrou as suas atividades justamente no início da década de 2000, período notadamente infrutífero no Rock nacional, salvo exceções, todas situadas bem longe do maintream. Em 2006 a banda voltaria a se reunir para a gravação do disco “Graforréia Xilarmônica Ao Vivo”, enchendo os fãs de esperanças por um disco de inéditas.

Resenha Publicada em 08/09/2011





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