Resenha do Cd Ok Human / Weezer

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OK HUMAN
WEEZER
2021

ATLANTIC RECORDS
Por Queison Souza Alves

Mais introspectivo do que nunca, novo álbum da banda californiana soa consistente e curioso, falando sobre o "novo normal", distanciamento social e solidão, acompanhados de uma orquestra e guitarras desplugadas.

O Weezer é uma banda icônica formada em Los Angeles, Califórnia, nos anos 90, quando o rock e, especificamente, o grunge estava em alta, principalmente com a incrível safra de grupos vindos de Seattle.

Comandado pelo nerd virtuoso - Rivers Cuomo, o grupo recebeu notável destaque após lançar seu debut, o imbatível "Blue Album", uma verdadeira obra-prima do início ao fim, responsável por dois dos maiores hits da banda até hoje - "Buddy Holly" e "Say Ain't So".

Após isso, o Weezer ainda manteve a consistência com discos fincados em um rock cru e divertido, com guitarras distorcidas e refrões pegajosos. "Green Album" e "Maladroit" estão entre os maiores lançamentos de sua época, ganhando reconhecimento instantâneo ou sendo considerado pérolas muitos anos depois, como o ousado "Pinkerton" e o emotivo - "Make Believe".

A partir dos anos 2000, o Weezer não conseguiu repetir a fórmula e seus novos discos acabaram sendo não tão bem recebidos pela crítica, principalmente pela assinatura da banda ter sido deixada de lado para algumas experimentações, tais como rap e inserção de sintetizadores, além do inchaço na discografia com álbuns descartáveis.

Felizmente, o grupo começou a mostrar sinais de recuperação nos discos mais recentes, como: "Everything Will Be Allright" (2014) e "White Album" (2016),

E agora, em 2021, Rivers e cia lançam "Ok Human", entoando canções sobre isolamento social, solidão e introspecção em tempos bem diferentes dos normais. Ainda que o disco tenha sido pensado antes da pandemia que assolou o Mundo inteiro no início de 2020, incrivelmente todas as músicas se conectam com o "novo normal" que vivemos nos tempos de hoje.

Um outro fato curioso sobre o lançamento, é que a banda utilizou equipamentos completamente analógicos, piano, guitarras desplugadas e semi-acústicas, além do acompanhamento de uma orquestra que, de longe, é a responsável pela cereja do bolo nas músicas de "Ok Human", um dos destaques desse disco.

É inegável o talento de Rivers para entregar o DNA do Weezer mesmo em canções mais simples, como na excelente "Numbers" e a emocionante "Bird With a Broken Wing", fortes candidatas a melhores músicas do álbum.

Ainda que o vocalista esteja mais contido em seus vocais mais rasgados dos anos 90, a sua técnica para melodias marcantes continua impecável. Canções como "Grapes Of Wrath", "Playing My Piano e "All My Favorite Songs" e "Mirror Image" remetem à sonoridade já consagrada da banda, porém, aqui, polida por uma orquestra que sabe exatamente como reforçar o conceito introspectivo que ronda todo o disco.

Ainda que os backing vocals marcantes de Brian Bells estejam mais tímidos por aqui, os companheiros de Rivers continuam sendo componentes de uma engrenagem correta.

Por fim, mesmo que ao final do disco, as canções percam um pouco do peso e sejam mais esquecíveis, o resultado da proposta de "Ok Human" é bem satisfatório. Todo o clima dentro do disco é entregue com propriedade, principalmente pelo comando de um frontman que, por muitos ainda subestimado, continua sendo um dos principais nomes do rock atual, aliando inteligência, talento e técnica, em um álbum ousado e consistente.

"Van Weezer" vem em Maio, e aguardamos ansiosos por vocês mais uma vez, Rivers.

Resenha Publicada em 25/02/2021





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