Resenha do Cd Caravanas / Chico Buarque

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CARAVANAS
CHICO BUARQUE
2017

BISCOITO FINO
Por Anderson Nascimento

Novo álbum da vasta discografia de Chico Buarque, “Caravanas” foi recebido com ansiedade, ocupando boa parte dos cadernos de música que ainda resistem na mídia impressa, e provocando diversas (e tolas) polêmicas na web, mas o time dos satisfeitos com o novo trabalho parece ser bem maior do que o dos que o criticaram negativamente.

Também pudera, Chico traz para esse disco canções mais vívidas, se formos submeter a um embate este novo disco versus o seu álbum anterior, o bom “Chico” (2011). A grande diferença, porém, é que enquanto “Chico” era um álbum de canções esparsas, “Caravanas” apresenta canções que acabam se unindo de forma coerente e, se Chico Buarque não é de todo ousado, há de se convir que o artista vai além de sua zona de conforto, seja em relação a sonoridade do disco, ou sobre as temáticas, que levantam polêmicas desde o seu lançamento em 25 de agosto passado.

O disco abre com “Tua Cantiga”, balada melancólica com grande influência do piano, que de alguma forma parece residir em nosso inconsciente musical. Não que a canção faça chover no molhado, mas Chico apresenta didaticamente e poeticamente os passos que possam ser seguidos em caso de uma reconciliação.

Ao longo do curto álbum – o disco traz 9 músicas, sendo apenas 7 inéditas – Chico passeia por alguns ritmos como o tímido blues de “Blues Pra Bia”, canção de letra que fala sem meias palavras sobre homossexualismo, se arriscando, inclusive, no clima de standart. A bonita “A Moça do Sonho”, faixa seguinte, passa meio despercebida no disco, talvez por ser uma canção composta em 2001, e agregar um pouco da engessada sonoridade recente de Chico.

O futebol, um tema antes recorrente na discografia de Chico, está de volta na deliciosa “Jogo de Bola”, que critica de certa forma o novo estilo de jogar futebol focado no toque de bola, e que muitas vezes condena o talento do jogador, confundindo a sua habilidade com o ato de humilhar o adversário.

Chico também é cortante nesse disco, nesse caso, “Massarandupió”, parceria com o seu neto Chico Brown, tem ares que refletem memórias e tons juvenis, que podem até serem dilacerantes caso você se envolva demais com a letra da canção, novamente o arranjo brilha.

O álbum só cai mesmo em “Dueto” que une Chico Buarque e sua neta Clara Buarque em arranjo pechoso para a canção escrita no distante ano de 1979, e já gravada por Chico com Nara Leão e Zizi Possi. Já em “Casualmente” Chico acerta ao misturar o português ao espanhol em canção de levada hispânica, mais uma das facetas inclusas no disco, incluindo até mesmo os característicos coros masculinos presentes em canções tradicionais latinas.

Após “Desaforos”, faixa menor no disco, Chico se despede de maneira espetacular na faixa título “Caravanas”, que chega a emular batida Funk, sabiamente colocada, com vistas a combinar letra com o somo do morro que invade a Zona Sul, mote da canção. Além do interessante beatbox feito por Rafael Mike, a faixa tem boa letra e empolga, principalmente por conta de uma crescente interessantíssima, sobre um hipnotizante misto de crítica com poesia.

Em apenas 27 minutos Chico dá o seu recado de maneira mais convincente do que seu passado já proporcionou, mostrando-se vivo e relevante, musicalmente falando. As novas canções devem dar uma aquecida no repertório da turnê de mesmo nome, anunciada recentemente em seu Instagram.

Resenha Publicada em 07/09/2017





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