Resenha do Cd Messin In Muscle Shoals / Bobby Hatfield

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MESSIN IN MUSCLE SHOALS
BOBBY HATFIELD
1971

MGM
Por Anderson Nascimento

Para quem não liga o nome ao artista, Bobby Hatfield foi a outra metade da dupla The Righteous Brothers, dona de diversos sucessos ao longo da década de 1960, casos de “You’ve Lost That Lovin Feeling” e “Unchained Melody”.

Hatfield, dono de timbre tenor, ficaria marcado por sua interpretação vocal na canção tema do filme “Ghost” (1990), mas em termos de carreira solo não teve muito sucesso, o que aconteceu exatamente ao contrário no caso de seu parceiro de dupla Bill Medley.

Para se ter uma ideia, Bobby lançou apenas um álbum em toda a sua carreira solo, “Messin In Muscle Shoals”, álbum lançado em 1971, que sofreu com os problemas financeiros da gravadora MGM, fato que impediu que o single “The Promised Land"/"Woman You Got No Soul” fosse lançado.

Sua tentativa de decolar como cantor solo veio após um malsucedido ensaio de continuidade com o nome da sua dupla de sucesso, mesmo após a saída de Medley em 1968, que fora substituído pelo cantor Jimmy Walker. A nova dupla chegou a lançar um álbum, até que Hatfield decidiu partir em sua própria caminhada, lançado alguns singles solo até chegar ao seu único álbum.

Mesmo tendo no currículo gravações célebres, como por exemplo, “Ebb Tide”, o artista não conseguiu emplacar nenhuma canção de seu álbum. Nem mesmo a regravação do então sucesso "Let It Be”, dos Beatles, surtiu efeito. Mas de uma maneira geral, o álbum é uma bela jornada através das emoções do artista, reunindo Soul, Southern Rock, Folk e Gospel, um trabalho completamente diferente do que ele já tinha feito em toda a sua carreira.

O disco abre com o sólido Soul “You Left The Water Running”, faixa que até mostra outro lado vocal de Hatfield, enquanto na sequência, uma pretensiosa e curiosa versão de “Let it Be” tem alguns versos adicionados reforçando a sua pegada Gospel.

Mas o disco vai além, trazendo momentos de certa forma até pops como “You Get a Lot Like” e “The Feeling is Right”. De qualquer forma, se este álbum deve ser associado a um estilo, eu consideraria rotulá-lo como Soul, pois é nessa linha que o disco se sai melhor, inclusive é o estilo que abre e fecha o trabalho, neste último caso com a maravilhosa faixa que o batiza, única composição do próprio artista neste disco.

Parágrafo à parte para “The Promise Land”, que não é a homônima canção escrita por Chuck Berry e gravada por artistas como Elvis Presley, Johnny Rivers, James Taylor, dentre outros, tampouco a canção de Bruce Springsteen, que só viria a ser gravada em 1978, mas uma canção escrita por Mickey Buckins, músico e compositor do Alabama que é também o produtor deste disco e compositor de algumas das faixas do mesmo. A faixa é um lindo e bucólico passeio por Memphis em um misto interessante que reúne Folk, Soul e Gospel, são essas surpresas que tornam este rebento único e tão especial!

Apesar de ter passado despercebido na época de seu lançamento, o disco é uma joia perdida a ser descoberta, algo verdadeiramente único na carreira do artista. Além do contagiante vocal de Hatfield, o álbum é o que podemos chamar de instrumentalmente perfeito, como ratificam o Rock dançante “Shukin and Jiving” e o Blues “I Saw a Lark”.

Sobre a dupla, entre idas e vindas, eles voltaram aos holofotes após o sucesso de “Unchained Melody” do filme Ghost, que rendeu inclusive uma regravação e o curioso fato de ter as duas versões disputando as paradas de sucesso da época.

Os Righteous Brothers continuaram se apresentando nos anos 2000, até serem enfim incluídos no Rock and Roll Hall of Fame em 2003. O fim definitivo da dupla veio no mesmo ano de 2003, quando Bobby Hatfield foi encontrado morto em seu quarto pelo empresário da dupla, que fora procurá-lo após o não comparecimento a um show.

Depois disso, Bill Medley reformou a dupla em 2016, substituindo Hatfield pelo cantor Bucky Heard e continua fazendo shows até hoje. Já a discografia de Bobby se resume a “Messin In Muscle Shoals” e a excelente coletânea “The Other Brother – A Solo Anthology”, lançada em 2017, que traz, entre outras canções, este clássico disco na íntegra.

Resenha Publicada em 31/01/2020





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