Resenha do Cd Labirinto Azul / Ana Lee

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LABIRINTO AZUL
ANA LEE
2020

INDEPENDENTE
Por Anderson Nascimento

A cantora paulistana Ana Lee iniciou a sua carreira discográfica com um álbum autointitulado em 2002, que teve como destaque a sua interpretação para “O oque será – À flor da pele” (Chico Buarque).

Quase vinte anos depois de sua estreia em disco, a cantora retorna com o seu terceiro álbum, “Labirinto Azul”, brindando-nos com 13 novas canções, com destaque para uma interpretação vocal única, que se destaca por se emoldurar a cada nova canção.

O cartão de visitas em “Toada” (Cássio Gava, Zeca Baleiro) é convidativo: instrumental delicioso e a participação elegante de Zeca Baleiro dividindo os vocais com a cantora, uma abertura com estilo, e vocais de deixar qualquer um boquiaberto.

“Xote da Navegação” (Dominguinhos, Chico Buarque) é outro belo momento que ganha uma interpretação sentimental de Ana Lee, dando um direcionamento interessante à canção que foi gravada originalmente no disco “As Cidades”, lançado por Chico em 1998. Outra releitura que não pode deixar de ser pontuada é “A Página do Relâmpago Elétrico” (Beto Guedes, Ronaldo Bastos), que apresenta um arranjo bárbaro.

O instrumental do álbum é um detalhe à parte que deve ser abordado. Um exemplo é “Castelo” (Mário Monaut), canção nada menos que incrível. Importante também destacar o requintado arranjo vocal da canção, que tem a participação de Mário Monaut.

O repertório também chama atenção. No álbum, Ana relê compositores consagrados como Chico Buarque, Edu Lobo, Ronaldo Bastos, Beto Guedes e Zeca Baleiro. Há outros nomes com composições interessantes, mas Ozias Stafuzza se destaca absurdamente com textos belíssimos em “Minha Ciranda”, “Trilhas” (Ozias Stafuzza), “Paragens” (Ozias Stafuzza, Paulo Ciscato) e “Lagoa Funda” (Ozias Stafuzza).

“Paragens”, por exemplo, é uma das melhores canções do disco, a música traz uma pegada que é conduzida pela guitarra de Bráu Mendonça, um dos principais parceiros da cantora.

Já no fim do disco, vale o destaque para a folclórica “Jongo Tradição” (Lincoln Antonio, Walter Garcia, Marcelo Mota Monteiro, Paulo Maymone), descontraída e excelente. O disco encerra com “Lagoa Funda”, outro petardo maravilhoso do álbum, com instrumental que remonta aos antigos Sambas clássicos, um luxo.

“Labirinto Azul” é um trabalho elegante, bem interpretado e com repertório fabuloso. Para quem não conhece a cantora, recomendo fortemente ouvir esse seu mais novo trabalho. Uma dica: além da distribuição digital, feita pela Tratore, o disco ganhou uma edição física caprichada, com encarte com letras e ficha técnica completa do trabalho.

Resenha Publicada em 26/11/2020





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