Resenha do Cd Ar / Almir Sater E Renato Teixeira

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AR
ALMIR SATER E RENATO TEIXEIRA
2016

UNIVERSAL MUSIC
Por Felipe Lucena

A amizade é o amor que não acaba. Esse sentimento, atrelado à presença do produtor norte-americano Eric Silver, ocasionou no disco “AR”, lançado em fevereiro de 2016. O “A” é de Almir Sater, “R” de Renato Teixeira. Os dois, que há tempos recebiam cobrança para lançar um trabalho juntos, fizeram um disco maravilhoso. As letras poéticas e melodias tocantes envolvidas por uma simplicidade superior dão ao álbum - que faz uma ponte-aérea entre a música caipira do Brasil e o country dos Estados Unidos - a vocação de um clássico nacional.

Renato e Almir brincam que foi Eric Silver quem fez o disco. Isso porque os amigos já tinham parte do material pronto, mas só com os prazos do produtor americano conseguiram colocar o álbum para andar. Ganhou o mundo, ganhou os céus, o “AR”.

“A Flor que a Gente Assopra”, quarta canção do CD, tem um lindo arranjo, destacando as violas, daqueles que rementem aos bons tempos da música carpiria. A letra retrata um homem simples falando de amor, sem rodeios, olhos nos olhos, instintivo.

Falando em letras, como de costume nos trabalhos individuais de Sater e Teixeira, a presença de uma lírica poética e reflexiva é constante. “D de Destino”, canção que abre a obra, nos coloca para pensar: “quero viver muito além das fronteiras/ dos que só sabem ser pedras de atiradeiras/ eu devia saber que de certa maneira, não seremos jamais mais que grãos de poeira no céu”.

A poesia se dá em doses, temperando o disco. Na música “Espelho d'água”, faixa de número dois, se encontram muitas passagens poéticas, daquelas que fazem a gente dá um leve sorriso ao sentir uma frase bonita.

Do meio para o fim, o álbum dá uma leve esfriada, mas nada que comprometa a qualidade do trabalho. Não mesmo. Como foi dito, o disco tem vocação para ser um clássico da música nacional.

“Noite Dos Sinos” fecha o CD. A canção parece anunciar aos quatro ventos que a música sertaneja é muito mais do que aparenta atualmente. “Repiquem os sinos, cantemos o hino” diz um trecho da letra. Cantemos a amizade. Cantemos a música feita com o coração. Cantemos Almir Sater e Renato Teixeira. Busquemos “AR” nessa produção industrial cada vez mais irrespirável.

Resenha Publicada em 01/03/2016





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