Resenha do Cd A Mad Donato / João Donato

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A MAD DONATO
JOÃO DONATO
2018

DISCOBERTAS
Por Valdir Junior

Um dos grandes expoentes da Bossa Nova, ao lado de João Gilberto, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Billy Blanco, Carlos Lyra e Roberto Menescal entre outros, João Donato, já no início, mostrava ser um músico muito criativo, experimentando e criando fusões de diversos ritmos com o jazz e a música latina. Menino prodígio, Donato desde os quinze anos de idade já frequentava, tocando acordeom, jams sessions e participava de gravações de gente como Altamiro Carrilho e do violinista Fafá Lemos; algum tempo depois, já tocando piano, liderou o seu próprio grupo, “Donato e seu conjunto”.

Após muitos anos vivendo e gravando nos Estados Unidos, onde lançou um de seus discos mais importantes, "A Bad Donato", João voltou ao Brasil no início dos anos 1970 onde trabalhou, compôs e gravou bastante, mas só uma pequena parte disso tudo veio a público, em discos como “Quem é Quem” (1973), “Lugar Comum” (1975) e “Leilíadas - Ao Vivo no People” (1986). Para cobrir esse hiato discográfico o selo Discobertas lança agora o box “A Mad Donato”, que traz três álbuns inéditos “Gozando a Existência” (1978), “Naquela Base” (1988) e “Janela da Urca” (1989) e mais outro só com faixas raras de João Donato nos anos 70.

“Gozando a Existência” foi planejado para ser um disco triplo com super participações estelares de Vinicius de Moraes, Miúcha, Nara Leão, Alaíde Costa, Quarteto em Cy, Luiz Alves, Gal Costa, Guarabyra, Djavan, Paulo Moura entre outros, mas que acabou não sendo lançado e algumas de suas fitas se perderam pelo caminho. Com nove músicas esse CD dá uma amostra do queria esse álbum, com destaque para a faixa título com a voz de Alaíde Costa, “Canto de Lira” música de Djavan com o mesmo cantando, “Olho D'Água”, com Paulo Jobim, e “Fibra”.

“Naquela Base” gravado com músicas que João vinha experimentando em shows e outras novas, gravadas em demos caseiras, só aconteceu graças a Yoichi Ogawa, um fã japonês que viabilizou as sessões de gravação, mas que ao final voltou ao Japão deixando João Donato com as fitas que acabaram sendo guardadas. Destaques: “Entre o Sim e o Não”, “Nua Ideia”, “Naquela Base” e “A Paz” que João compôs em 1986 e a qual Gilberto Gil colocaria letra, aparece aqui na sua versão original instrumental.

“Janela da Urca” traz João usando e experimentando sintetizadores em novas músicas no estúdio do musico Ritchie, aquele do hit “Menina Veneno”, que acabou produzindo o disco, que apesar de também ficar engavetado no final, mostra o fim de uma fase na carreira de João onde este buscava novos caminhos. Destaque para “Hao Chi”, “Janela da Urca”, “Lua Dourada” que também aparece como bônus em duas outras versões, sendo uma delas instrumental. Já o CD “Raridades anos 70” traz oito faixas gravadas entre 1973 e 1978, não usadas nos álbuns lançados nesse período, uma delas, “Fim de Sonho”, tem Nara Leão cantando.

Mais uma vez o selo Discobertas acerta em cheio trazendo ao público um material histórico e importante dentro da música brasileira, principalmente sendo de um músico tão criativo e único como João Donato. O box “A Mad Donato” é item essencial para todos aqueles que gostam de boa música, principalmente para aqueles que não conhecem o trabalho de João Donato, esse “A Mad Donato” é uma boa introdução à música desse mestre. Corra atrás, vale muito a pena.

Resenha Publicada em 16/05/2018





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