Resenha do Cd Est / Tape & Scandurra

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EST
TAPE & SCANDURRA
2016

180 SELO FONOGRÁFICO
Por Valdir Junior

A inquietação musical do guitarrista Edgar Scandurra ainda causa espanto, mesmo depois de quarenta anos de carreira com a banda Ira!, sua carreira solo e diversas participações em trabalhos de gente como Arnaldo Antunes, Barbara Eugênia, Paulo Le Petit e Smack, ele ainda busca novos desafios e propostas musicais. Edgar agora se une a cantora e compositora Silvia Tape, atual guitarrista da nova formação das Mercenárias e com uma carreira solo ativa, já lançou um EP com produção de Pipo Pegoraro e participação do recentemente falecido Júpiter Maçã, para formar a dupla Tape & Scandurra e lançar o CD “EST”.

O esse trabalho surgiu em 2009, quando Scandurra fez uma série de gravações descompromissadas em casa, em sua maioria temas instrumentais, que após o encontro do guitarrista com Silvia no antigo bistrô do guitarrista, um dos laboratórios da nova cena independente paulistana, tomaram um novo rumo ele encontrando a parceria ideal para desenvolver um trabalho que apontasse para outras direções. Gravado no Wah Wah Studio, em São Paulo, e produzido por Edgard e Silvia Tape, “EST” traz todo o virtuosismo de Edgar nas guitarras e violões, com o vocal etéreo e ímpar de Silvia em composições cheias de uma sonoridade ao mesmo tempo nova e surreal, quase onírica.

Transbordando bom gosto e uma psicodelia a lá Portishead, “EST” traz dez canções que aliadas às densas letras de Silvia - ela é responsável pela grande maioria das letras do CD -, nos envolvem de tal forma que é quase impossível escutar o CD poucas vezes. Destaco aqui as duas faixas de abertura: “A Sua Intuição” e “Asas Irreais” que aliam o melhor do indie pop com uma contagiante melodia, arranjos cheios de nuances e que remetem a trilhas incidentais de filmes europeus dos anos 60; Já o rock galopante de “Num Instante Qualquer”, cantada por Edgar, é que mais lembra seu trabalho com o Ira!.

As baladas “Hoje o Tempo”, “Concha” e “Bolhas de Sabão”, são momentos cheios de uma delicadeza e inventividade, que só comprovam o quanto é perfeita a união da guitarra de Edgar com a voz e a poesia de Silvia. “Meu lamento” fecha o CD com se fosse um canção de ninar soturna, carregada de uma urgência típica para esse tempo em que vivemos.

Lançado no final de 2015 pelo 180 Selo Fonográfico, e disponível para download grátis pelo site da dupla, “EST” se configura como um dos melhores álbuns lançados nos últimos tempos no Brasil e com certeza está na lista dos discos que você deve ouvir e conhecer neste ano e nos anos que virão.

Resenha Publicada em 11/10/2016





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