Resenha do Cd Slash / Slash

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SLASH
SLASH
2010


Por Rafael Correa

A figura de Slash, desde a explosão do Guns n’ Roses na segunda metade da década de 80, sempre inspirou curiosidade, interesse e, mais ainda, exaltação. Seja pelo fato de ter integrado uma das bandas de hard rock mais forte da história, ou ainda, pelo fato igual de que o mundo, no exato momento do lançamento de “Appetite for Destruction”, precisava de um disco e de uma banda exatamente nos moldes do primeiro disco do Guns n’ Roses, Slash sempre fora sinônimo de inconsequência, criatividade e inspiração.

Assim, quando pensamos em um novo trabalho o envolvendo, analisar e observar tal obra sem ser abarcado pelos pressupostos acima descritos transforma-se em árdua tarefa, ainda mais quando este novo trabalho vai, inevitavelmente, de encontro com o novo álbum da trupe de Axl, que insiste em chamá-la de “Guns n’ Roses”.

Pois bem, esta breve análise de “Slash”, novo trabalho do velho Saul Hudson, será sustentada, na medida do possível, em pilares imparciais que possibilitem uma observação sincera sobre o álbum.

Logo na faixa inicial podemos perceber e sentir que o disco não será revestido pela roupagem usual dos trabalhos anteriores do guitarrista, ainda que o hard rock seja o norte essencial da obra. Da extensa lista de cantores convidados, Ian Astbury (vocal do The Cult) dá o tom à primeira canção, “Ghost”, que inicia-se com um surpreendente fraseado das seis cordas de Slash, que, a primeira vista, prima mais pela técnica. O riff de base da faixa (que é creditado a Izzy Stradlin) mantém o clima conciso da faixa, faticamente bem trabalhada.

No momento seguinte, “Crucify the Dead”, entoada perfeitamente por Ozzy Osbourne, presenteia o ouvinte com bons momentos: de início, a canção é guiada por um abafado solo que aproxima Slash a (vejam só) Pat Metheny e sua atuação em seu “Bright Size Life” de 1976, logicamente guardando-se as proporções que separam os dois guitarristas. Após a calmaria, o refrão surge como em uma explosão similar às canções do Sabbath. Enfim, trata-se, certamente, de uma das melhores faixas do disco.

Adiante, Chris Cornell e Andrew Stockdale garantem um bom trabalho em “Promised” e “By the Sword”, respectivamente, ainda que a atuação de Slash seja um tanto distinta quando comparamos as duas canções. “Doctor Alibi”, cantada por Lemmy Kilmister troca a atmosfera gerada pela balada mediana “Gotten”, entoada por Adam Levine, e incendeia o ambiente com peso e rapidez. Esta mesma canção cria uma ponte inquestionável com a última e melhor faixa do álbum, “We’re All Gonna Die”, que, verbalizada com humor e energia por Iggy Pop, demostra também a intacta inspiração de Slash para compor riffs extasiantes.

Quanto ao que se pode chamar de “novidade”, o álbum traz as duas faces da moeda: boa e ruim. Do lado bom, cabe indicar que o flerte de Slash com o metal gerou resultados interessantes (“Nothing to Say”, que conta com Mr. Shadows do Avenged Sevenfold no vocal é prova disto, assim como a instrumental “Watch This, Dave” que, apesar de não ser uma canção desinente do metal é, por certo, uma das mais pesadas do álbum, guiada por Slash, Duff McKagan e Dave Grohl), resultados estes que se aplicam por igual às faixas “Back From Cali”, com Myles Kennedy (que volta aos primórdios sonoros do Guns n’ Roses) e “Saint is a Sinner To”, interessante peça acústica entoada por Rocco de Luca.

O lado ruim pode residir na canção extremamente comercial cantada por Kid Rock, “I Hold One” e o lamentável equívoco “Beautiful Dangerous” que, apesar de contar com a boa voz de Fergie, fugiu totalmente ao estilo e contexto do álbum.

No fim das contas, “Slash” é um álbum interessante, valendo a pensa ser ouvido com atenção. Certamente, não agradou a gregos e troianos: muitos acusaram Slash de imitar Santana com tantos convites destinados a intérpretes dos mais variados estilos.

Porém, observando o álbum como um todo, vê-se que ele atingiu o objetivo de se enquadrar, por assim dizer, em um disco de hard rock passível de ser assinado por um nos maiores nomes que representam o estilo. Vale certamente a audição.

Resenha Publicada em 29/04/2010





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