Resenha do Cd Na Veia / Simone

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NA VEIA
SIMONE
2009

BISCOITO FINO
Por Anderson Nascimento

Em 2009 a cantora Baiana Simone já estava há cinco anos sem lançar um disco de estúdio, até gravar “Na Veia”, álbum que possui uma levada mais voltada para o Samba, porém com diversas texturas sonoras, tendo como mote o amor.

Gravado em apenas dois meses e lançado pela gravadora Biscoito Fino, o disco abre com “Love” (Paulo Padilha), canção que dá pistas sobre o que o disco vai apresentar. A canção foi um grande sucesso na época e, mesmo oito anos depois que o disco foi lançado, continua a tocar com frequência nas rádios. A sequência com “Certas Noite” (Dé Palmeira, Adriana Calcanhotto) é um desbunde total, trazendo a cantora Simone à vontade pra interpretar de maneira cadenciada a belíssima canção.

A diversidade de compositores gravados no disco, casos de Adriana Cacanhotto, Martinho da Vila, Marcos Valle, Paulinho da Viola e Agepê, entre outros, remete aos discos setentistas da cantora, onde ela gravou os mais variados compositores em discos que até hoje caracterizam a sua obra.

Ao longo do disco, Simone vai intercalando Sambas como o ótimo “Na Minha Veia” (Zé Catimba, Martinho da Vila), com baladas emocionais, como “Bem Pra Você” (Dé Palmeira, Marina Lima).

Quando o suingue dá um tempo, Simone dispara a lacerante “Migalhas” (Erasmo Carlos), baladão que lembra a assinatura sonora das grandes produções da dupla Roberto e Erasmo nos anos 70. Simone dá um show de interpretação, distribuindo franqueza em cada frase da canção.

Já a gravação de “Geraldinos e Arquibaldos” (Gonzaguinha) tem valor e contexto histórico para a cantora, já que Simone foi presenteada várias vezes pelo compositor com canções feitas para a cantora interpretar em seus discos e shows.

“Hóstia” (Erasmo Carlos, Marcos Valle) pareceria do Tremendão com Marcos Valle, dá ao disco texturas jazzísticas, enquanto “Pagando Pra Ver” (Abel Silva, Nonato Luiz) migra para o Blues. Essa diversidade chega também no âmbito da composição, já que Simone abre espaço para uma bem colocada a canção de composição própria “Vale A Pena Tentar” (Simone, Hermílio Belo de Carvalho), música romântica e erótica escrita pela cantora em um quarto de hotel em 1976, como resposta à “Proposta” (1973), sucesso do Rei Roberto Carlos.

Paulinho da Viola corrobora a linha sambística do álbum, ao contribuir com o Samba alinhado “Ame” (Paulinho da Viola, Elton Medeiros), e uma segunda canção de Adriana Cacanhotto, “Definição de Moça”, uma das menos interessantes do álbum, aparece antes do disco encerrar com Simone relendo uma versão bastante sensual de “Deixa Eu Te Amar” (Agepê, Ismael Camillo, José Mauro Silva), canção que a cantora gostaria de ter gravado em seu álbum anterior “Baiana da Gema” (2004).

A simplicidade da capa do CD não consegue ser convidativa, mas eu mesmo faço um convite a quem ainda não conhece o álbum, para dar uma oportunidade pra ele. Tenho certeza que o disco vai te proporcionar prazer auditivo imediato, ou até, quem sabe, o disco pode te pegar de jeito, como o seu próprio nome sugere, na veia.

Resenha Publicada em 14/02/2017





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