Resenha do Cd Chumbo & Pluma / Marcelo Gross

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CHUMBO & PLUMA
MARCELO GROSS
2017

INDEPENDENTE
Por Valdir Junior

Quatro anos depois de “Use o Assento Para Flutuar”, seu primeiro disco solo, Marcelo Gross, guitarrista da Cachorro Grande, volta com “Chumbo & Pluma”, álbum duplo em que aposta forte num trabalho totalmente autoral e que mostra a essência de seu DNA musical em vinte e uma músicas que se dividem entre uma faceta mais rock and roll e outra mais folk, sempre tendo como alicerce melodias, harmonias e letras que sustentam as músicas acima de tudo como canções por si só.

Discos duplos, sendo um deles pesado e outro mais acústico, não são novidades na música, Gal Costa com o “Fa-Tal” e Ben Harper com “Both Sides of the Gun” só para citar dois exemplos, fizeram os seus, mas Marcelo Gross vai além com o seu “Chumbo & Pluma”, ele demonstra corajem e confiança em seu trabalho lançando um disco nesse formato, principalmente em tempos tão difíceis, como esse em que vivemos, mas como quem não arrisca não sai do lugar e não cresce, Gross dispara na dianteira do rock nacional com um disco classudo, conciso e representativo.

Ao ouvirmos os dois discos, percebemos ecos do “Álbum Branco” e “Revolver” dos Beatles, de Neil Young nos discos “Harvest” e “Ragged Glory”; Stones no “Beggars Banquet”, pitadas de Pink Floyd fase “The Piper at the Gates of Dawn”, e também de David Bowie no disco “Space Oddity”, como já mencionado, esses discos e artistas fazem parte da cultura musical de Gross e ele sabe transparecer isso com originalidade, sem cair no pastiche ou na mera imitação. Gross foge do experimentalismo eletrônico que a Cachorro Grande vem realizando em seus últimos discos e sonoramente “Chumbo & Pluma” é atemporal, dialoga com o passado e o futuro como se eles fossem o presente.

Gross escolheu muito bem as faixas do álbum, começando por “Reconstruindo a Cidade”, o rock que abre o lado “Chumbo” é tão vivo pulsante e alto que parece que você está num pub, de cara no palco, com a banda tocando com tudo, esta faixa é que talvez mais represente o lado pesado do álbum que não deixa de desfilar outras pedradas como “Me Recuperar”, “Não Vá” e “Purpurina”, o primeiro single do álbum, uma faixa guitar psicodélica bem Hendrix. “Alô, Liguei” é uma faixa pra cima que Gross remete um pouco as músicas de John Lennon da fase Double Fantasy/Milk and Honey”.

Gross paga tributo a Lennon novamente no lado “Pluma” nas faixas “Bebel” e em “Na Chama do Tempo”, a faixa mais Lennon que o próprio não gravou. “Morangos & Maças” o segundo single do álbum traz aquela atemporalidade já comentada com um psico folk, embalado por violão e loops de fitas, uma das grandes faixas do disco, assim como “Maggie”, “Quase Fui” e “Quero Estar” que é uma verdadeira pérola musical. As demais faixas tanto do lado “Chumbo” como do lado “Pluma” não ficam atrás das mencionadas, como todo álbum duplo, a quantidade de informação em “Chumbo & Pluma” é grande, vai levar um tempo para assimilá-lo por completo, mas já nas primeiras audições o disco já prende nossa atenção e daí em diante só cresce.

Ainda é cedo para considerar que “Chumbo & Pluma” seja o melhor disco da carreira solo de Marcelo Gross, mas pode ter certeza que será a partir dele que encontraremos parâmetro para avaliar os próximos que com certeza virão.

Resenha Publicada em 14/06/2017





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