Resenha do Cd Não Tente Compreender / Mart'nália

NÃO TENTE COMPREENDER title=

NÃO TENTE COMPREENDER
MART'NÁLIA
2012

BISCOITO FINO
Por Anderson Nascimento

Em seu novo álbum, a filha mais famosa de Martinho da Vila, resolve explorar em um terreno que até então era desconhecido para ela. O pontapé inicial para que Mart’Nália resolvesse partir para outros cantos foi o flerte com Djavan, em rápidas conversas, onde a cantora o convidou para produzir o que viria a ser o seu novo álbum “Não Tente Compreender”.

Talvez o próprio nome do álbum já seja um alerta ao ouvinte sobre a estranheza que o ouvinte sentirá ao perceber que Mart’Nália pouco faz pelo ritmo que a consagrou nesse novo rebento, nono de sua carreira.

De beleza setentista, “Namora Comigo” (Paulinho Moska), faixa que abre o CD, é uma delícia de faixa, que sugere ao ouvinte que ali está para rolar um grande álbum. A participação pontual de Djavan se apresenta como uma surpresa já próximo ao fim da música dando à canção um glamoroso desfecho.

Algo que impressiona no disco é a essência que tende a referenciar o som feito entre os anos setenta e início dos oitenta. Isso sem falar na elegância do instrumental do disco, e de sua voz rouca e bem colocada nas faixas, delineando cada momento da maioria das canções. Como exemplo, a faixa “Surpresa” (Mart'nália - Arthur Maia - Ronaldo Barcellos), de tons jazzísticos, onde Mart’Nália dá um show a parte.

Já “Depois da Cura” (Luiz Queiroga), traz elementos musicais interioranos embutidos em uma boa levada em faixa de refrão conquistador e popular, e na faixa anterior, “Daquele Jeito”, temos um refinado despojamento que embebe a canção de um poderoso e encantador “lálalála”.

Porém nada consegue ser mais impressionante que a faixa título “Não Tente Compreender” (Marisa Monte – Dadi), canção de grande força estética, que reafirma o flerte com o passado, conforme já citado nesse texto, muito pelo sax tocado por Marcelo Martins que remete automaticamente aos anos 80. Outro momento de magia e beleza é “Serei Eu?” (Mart'nália - Zélia Duncan - Ivan Lins), canção que ganha um trumpete – tocado por Jessé Sadoc – que novamente agrega à canção um teor retrô.

Apesar dos discos de Mart’nália não serem essencialmente discos de sambas, esse álbum é o trabalho em que a cantora menos investe no estilo de música ao qual sempre é identificada, enveredando para outros caminhos, entre eles, o Pop, Jazz, Bossa Nova e até mesmo, quem diria, o Rock da faixa “Zero Muito”, de Nando Reis. Dessa forma, quem ouvir a cantora nesse belo álbum vai estranhar o seu estilo mais democrático e amplo.

Mas o Samba chega a aparecer modestamente em faixas como “Itinerário” (Max Viana) e “Vai Saber”, linda composição de Adriana Calcanhoto, interpretada de forma maravilhosa por Mart’nália. Falando nisso, vale destacar a nova roupagem dada por Mart’nália para a canção “Reversos da Vida”, antiga canção de Martinho da Vila, que aqui ganha tons mais despidos da formatação tradicional do Samba.

No fim do álbum, o belo repertório do disco ainda agrega composições de artistas como Caetano Veloso (“Demorou”), Gilberto Gil (“Eu Te Ofereço”), Nando Reis (“Zero Muito”) e Adriana Calcanhoto (“Vai Saber”), o que só reafirma o bom momento e o reconhecimento do trabalho da cantora entre os mais notáveis de nossa MPB.

Resenha Publicada em 17/05/2012





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