Resenha do Cd Você Não Me Conhece / Jay Vaquer

VOCÊ NÃO ME CONHECE title=

VOCÊ NÃO ME CONHECE
JAY VAQUER
2005

EMI MUSIC
Por Rodrigo Paulo

Quando um artista tem a chance de deixar a sua marca em seu próprio trabalho o resultado é surpreendente. E no caso do Jay Vaquer não foi diferente. Depois de trabalhos de qualidade crescente usando composições de outros artistas, surge um trabalho menos pop e mais “mundiça” do que nunca. Na era do cantor pela EMI, esse pode ser considerado o seu melhor trabalho. Com um repertório mais equilibrado. Isso justifica o motivo de mais de 50% do álbum ter espaço garantido nos shows do cantor.

As faixas que iniciam o álbum são baladas românticas, mas com certa personalidade do compositor, “A Falta Do Que A Falta Faz” e “Tal Do Amor (8 e 80)”. Canções com letra de fácil aceitação, podendo fixar na mente rapidamente, mas são originais e fogem do mais do mesmo que as baladinhas sempre fazem.

“Cotidiano De Um Casal Feliz” soa como um dedo na cara de muitos “casais perfeitos”. Fala de uma vida baseada em mentiras e coloca o álbum no seu primeiro ápice. O pequeno refrão pega mais fácil do que as outras músicas do álbum, mas a letra é forte e ácida. Aí começam as histórias contadas nas músicas do Jay. “Toda Distância” é uma calmaria. Não chega a ser chata, mas desacelera o toque de realidade da faixa anterior. A sensação é de estar ouvindo um poema apaixonado, mas nada que comprometa o álbum.

A faixa título “Você Não Me Conhece”, joga mais uma vez o álbum ao seu ápice. Há referências pesadas e perversas e nitidamente há uma alusão a algum xingamento. O que é libertador e casa perfeitamente com a ideia da música. “Campo Minado” casaria perfeitamente como uma trilha sonora de algum personagem “gato e rato” de novela. É original e gostosa de ouvir. Mas provavelmente não deve ser uma das preferidas do cantor em suas apresentações.

“Mondo Muderno (D Mierda)” é uma porrada sonora e joga o álbum no topo pela última vez. Quem nunca teve esse momento egoísta na vida que atire a primeira pedra. Sem dúvidas a melhor música do álbum.

O álbum começa a ter canções mais lentas, mas sem perder a qualidade. “Quando Fui Fred Asteire” soa como mais uma história cantada. Qualquer sensação de estar fora do lugar não é mera coincidência. A letra consegue levar os mais atentos. “Os Dias Lembram Alguém” também desacelera o álbum, mas sua letra consegue fazer uma boa presença. “Na Próxima Vez” é média no quesito ápice. Tem instrumental eletrônico e um tom de saudosismo pelo fim de algum relacionamento adolescente, também é de fácil aceitação e vale a pena ouvir. “Paredes” é o Jay Vaquer mergulhado em sua melancolia. Fechando muito bem o álbum como nos álbuns anteriores. Boa escolha. Jay Vaquer sabe encerrar o seus álbuns.

Sem dúvidas, esse é um álbum revelador. Mais autoral, ácido e “mundiça” do que os anteriores. Seria injusto classificá-lo como um álbum de mediano a fraco. Por mais que tenha uma ação comercial em cima foi um repertório certeiro para um álbum tão revelador e controverso que mostrou em definitivo o Jay Vaquer que conhecemos.

Resenha Publicada em 02/05/2014





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