Resenha do Cd Rock Errado / Seu Juvenal

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ROCK ERRADO
SEU JUVENAL
2015

SAPÓLIO RÁDIO
Por Anderson Nascimento

Com um Rock básico e seco, a banda “Seu Juvenal” abre o seu novo álbum, “Rock Errado”, fazendo certo. “Homem Analógico” relembra a condição analógica de um ser humano cada vez mais digital no novo álbum do grupo, lançado exclusivamente em LP. A sequência confirma o tipo de som que a banda defende. “Free Ordinaria” tem muito do Barão Vermelho pós-Cazuza, com uma pitada de modernidade que envolve overdubs e uma pesada camada sonora.

Formado por Bruno Bastos (Vocal), Edson Zacca (Guitarra/Violão/Voz), Alexandre Tito (Baixo), e Renato Zaca (Bateria/Voz), a banda vai além do Rock pesado, misturando também canções de urgência Punk, caso de “Antropofagia Disfarçada” que, por incrível que essa comparação possa parecer, lembra o som baiano de Marcelo Nova.

Um dos principais destaques do grupo é a ideologia por traz de letras que exacerbam as estranhas vicissitudes que insistem em caracterizar o homem moderno: por mais que estejamos em uma sociedade moderna, o homem é cada vez menos social. Um dos fatores que ajuda nesse processo é a democracia nas composições do grupo, onde cada músico é um elemento atuante nas letras do disco.

Em alguns momentos a banda precisa de apenas poucas frases para transmitir uma ideia, mas o grupo o faz com competência e lucidez, como no caso da pequena grande canção intitulada apenas “Asfalto”. Às vezes nem isso, que o diga a canção “Louva a Deus”, faixa instrumental que não “fala” nada, mas tem muito a “dizer”.

O grupo foi formado em 1997 em Uberaba, Minas Gerais, e se você acha o nome da banda estranho, imagine que o grupo já se chamou “Os Donátilas Rosários”, em seus primórdios. Como “Seu Juvenal”, eles estão no terceiro trabalho, precedido de “Caixa Preta” (2005) e “Guitarra de Pau Seco” (2004).

O lado B inicia com “Um Dia de Fúria”, faixa que já leva o grupo para um viés Punk, com raízes que se alimentam de um Hardcore bem azeitado, enquanto a faixa título o descaminha para uma espécie de aula de como fazer o povo dançar sacudindo a cabeça.

A produção do disco, comandada por Ronaldo Gino, guitarrista do Virna Lisi, também tem um impacto interessante no disco, principalmente por faixas como a já citada faixa título e a marota “Moleque Dissonate”.

O momento mais leve do disco é "A Chuva Não Cai", faixa que se faz dessa forma por conta do lirismo de sua letra, mas não espere encontrar, no entanto, uma balada, mas sim, uma canção que fala mais ao coração à sua maneira. A canção é seguida por “Burca”, faixa que já ganhou, inclusive, um videoclipe, e que foi escolhida para finalizar o álbum.

Gravado em apenas quatro dias no Lab.áudio em Passagem de Mariana (MG), “Rock Errado” tem um perfil desafiador, o de colocar no mesmo balaio o Rock e suas vertentes, usando apenas uma regra: a de tocar o que se gosta sem se prender a um único rótulo.



Resenha Publicada em 15/09/2015





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