Lista - Os 5 Melhores Discos Ao Vivo

OS 5 MELHORES DISCOS AO VIVO WIDTH=

OS 5 MELHORES DISCOS AO VIVO

Publicada em: 20/03/2011

Que o rock n’ roll é permeado por discos eternos, verdadeiramente próximos ao máximo da expressão de arte e liberdade, ninguém duvida. Afinal, foram através deles que inúmeras gerações buscaram, ao longo dos anos, uma forma de encontrar aquilo que tanto necessitavam, seja apenas na forma de diversão ou, então, algo maior, como a construção de uma identidade através da música. Também é fato que quase a totalidade desses discos compõe-se por registros em estúdio que, de modo certeiro, propiciaram a ocorrência de extensas turnês e grandes shows. Mas poucos são os registros ao vivo que, ao longo da história, receberam a merecida atenção e destaque por movimentar o público com a força similar de um lançamento de canções inéditas em estúdio.


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Discos
    1° - MADE IN JAPAN
    1972
    DEEP PURPLE
    1972
    Por Rafael Correa


    “Made in Japan” surgiu como uma ideia nada pretensiosa. Após o lançamento de “Machine Head” e o consequente estrondo que o seguiu, a última coisa que o Purple desejava era lançar um álbum ao vivo, mas o assedio da mídia e fãs japoneses foi suficientemente densa para “obrigar” a trupe de Blackmore e Gillan a registrar as apresentações do grupo entre 15 e 17 de agosto de 1972 nas cidades de Osaka e Tóquio. O lendário produtor Martin Birch foi o responsável pelas gravações, e talvez aí resida o “pulo do gato” que fez de “Made in Japan” um álbum eterno: Birch jamais tinha feito gravações de shows, e tudo se deu de modo bastante cru e objetivo. Sem overdubs e com uma preocupação mínima com a mixagem (apenas U$ 3.000,00 foram gastos na produção e, dos membros do Purple, apenas o baterista Ian Paice e o baixista Roger Glover se dispuseram a participar da lapidação after record do disco) “Made in Japan” apresenta, como disse Tim Jones, crítico da Universal e Warner Records, “a majestade nua e crua do Deep Purple no auge de seu poder.” Com as faíscas que saltavam dos sulcos do vinil quando soavam as interpretações registradas de “Highway Star”, “Strange Kind of Woman” e “Lazy” (esta última, uma aula de jazz rock de Blackmore e Jon Lord), menos de um ano depois de seu lançamento, “Made in Japan” já era um clássico, não apenas por ter vendido como água, mas por ter provado pela primeira vez na história do rock que da simplicidade direta das apresentações também é possível colher pérolas. “Made in Japan” é, até hoje, uma referência na busca de como registrar, de modo mais fiel possível, a explosão de uma banda sobre o palco.

    2° - ALIVE!
    1975
    KISS
    1975
    Por Rafael Correa


    Muitos já tentaram, mas é extremamente difícil descrever com palavras a importância histórica do KISS para o cenário cultural do rock n’ roll. Por vezes, é melhor colocar imagens da banda on stage ou do frenesi causado no público do que gastar rios de tinta em resenhas para enfatizar que a obra capitaneada por Simmons e Stanley é capaz de sobreviver ao tempo. “Alive!”, de 1975, além de ser o primeiro disco ao vivo da banda, foi também o responsável por disseminar a “kissmania” por toda a América. O disco traz uma seleção precisa das canções do três primeiros discos do grupo (“KISS”, “Hotter Than Hell” e “Dressed to Kill”) e, apesar de ter se transformado em “pedra fundamental” da banda em pouquíssimo tempo, foi precedido de um momento de intensa insegurança: mesmo sendo reconhecido por seus espetáculos no palco, este impacto não havia ainda sido sentido nas vendas do grupo. No desdobramento de 1974 para 1975, o KISS estava a beira da falência. Mas toda essa perspectiva negativa transformou-se na velocidade de um estalo quando de seu lançamento: “Alive!” permaneceu em 9º lugar nos principais charts dos EUA por 110 semanas, dando o primeiro passo para transformar o KISS em verdadeiro fenômeno comercial. Depois de seu lançamento, uma polêmica se instalou em torno do álbum, com a banda sendo acusada de “maquiar” “Alive!” com extensos overdubs que seriam os verdadeiros responsáveis pela incrível sonoridade do disco. Todo este diz-que-diz aumentou quando Eddie Kramer, produtor do disco, declarou no início da década de 90 que apenas as partes de guitarra de Ace Frehley correspondiam à originalidade dos shows registrados em Detroit, Wildwood, Cleveland e Davenport, que consubstanciaram as faixas de “Alive!”. Pelo sim, pelo não, “Alive!” foi responsável pelos primeiros passos eternos do KISS e por formar um verdadeiro exército, que se multiplica até hoje. Nada mal para um disco ao vivo lançado em um momento de pessimismo.

    3° - LIVE AT LEEDS
    1970
    WHO, THE
    1970
    Por Rafael Correa


    Uma das marcantes características do Who sempre foi o “volume” que suas canções proporcionavam. Era como se uma bomba explodisse sobre o palco a cada nota, a cada movimento: isso fazia do show da banda um momento marcante para alma e tímpanos daqueles que estavam na platéia. “Live at Leeds”, lançado em 1970 como parte do encerramento da turnê de divulgação do eterno álbum “Tommy”, é a prova marcante disso: certamente, até hoje a estrutura que edifica a Universidade de Leeds, na Inglaterra, deve sentir o “retumbar” da passagem de Moon e Townshend há mais de 40 anos. A versão original em vinil duplo traz apenas seis canções, das quais os quase 15 minutos de “My Generation” são o destaque incontestável: não por menos, Stevie Chick, que durante anos escreveu para as lendárias revistas Kerrang! e Melody Maker, classificou aquele momento como um “caleidoscópio” de riffs que fazem o tempo voar. Mas na verdade, o show na Universidade de Leeds ultrapassou mais de duas horas de duração. E este é o principal atrativo da Deluxe Edition de “Live at Leeds”: ainda que sem o charme da capa de cartolina barata do vinil original, a versão dupla em Compact Disc possibilita ao ouvinte passear pelas 33 (isso mesmo: trinta e três) canções executadas pelo Who na noite de 14 de fevereiro de 1970. Entre essas 33 faixas, estão as clássicas “Heaven and Hell”, “Happy Jack” e todas as músicas que compõem a pompa e graciosidade de “Tommy”. Para muitos, “Live at Leeds” é, indiscutivelmente, o melhor registro ao vivo do Who de todos os tempos. E não é exagero.

    4° - AT FOLSOM PRISION
    1968
    JOHNNY CASH
    1968
    Por Rafael Correa


    Provavelmente, na unânime opinião do povo, um dos últimos lugares que qualquer pessoa deseja visitar é uma prisão. Fazer um show numa penitenciária para homicidas condenados é ainda menos desejável. Gravar esta apresentação e lançá-la em LP, então, era inimaginável. Mas Johnny Cash colocou todas essas perspectivas óbvias no chão concretizando, pelo avesso, tudo o que um “americano de bem” nunca desejaria. Na verdade, a obsessão de Cash com a prisão de Folsom, na Califórnia, datava de uma década antes do lançamento deste disco, quando Cash assistiu ao filme “Inside the Walls of Folsom Prison”, enquanto servia à Força Aérea Americana na Alemanha Ocidental em 1951. Quatro anos depois, Cash lançou o single “Folsom Prison Blues”, uma das canções mais regravadas da história da música: Bob Dylan, Charley Pride e Black Stone Cherry são apenas alguns exemplos de uma extensa lista. Como não poderia ser diferente, a ideia inicial da gravação de um disco ao vivo em um presídio não foi bem recebida pelos executivos da Columbia Records. O filme “Johnny & June” (uma das boas exceções no que diz respeito a “películas” biográficas de ícones musicais) retrata bem a dificuldade enfrentada por Cash para fazer valer sua vontade. Mas, para o benefício de todos nós, o show e a gravação acabaram acontecendo no dia 13 de janeiro de 1968. O repertório traz excelentes canções, como “Cocaine Blues”, “Orange Blossom Special” e a clássica “Folsom Prison Blues”. Todas as faixas retratam uma particularidade especial e o disco, como um todo, é uma preciosidade: Cash, June Carter e o “Tenessee Three” fizeram de “At Folsom Prison” um registro eterno não apenas pela extravagância que sempre marcou a carreira de seu artista principal, mas por uma força atípica na maioria dos discos de country/folk da década de 60. Por conta disso, “At Folsom Prison” merece estar nesta lista.

    5° - WINGS OVER AMERICA
    1976
    PAUL MCCARTNEY
    1976
    Por Rafael Correa


    Formado em 1971, o Wings fez da sua trajetória um fenômeno. Em 10 anos de atividade, a banda lançou 23 singles, colocando todos no US Top 40 chart da Billboard; seus 7 álbuns de estúdio alcançaram o Top 10 dos EUA e do Reino Unido. Em suma, o Wings, apesar de centrar-se obrigatoriamente na figura de McCartney, pode ser considerado com um dos melhores grupos de rock da década de 70. O registro ao vivo da banda, “Wings over America”, lançado originalmente em versão tripla de vinil no ano de 1976, mostra o poder do grupo sobre o palco. O álbum traz um set list que juntou, com precisão cirúrgica, as melhores canções do grupo junto às faixas que os Beatles via de regra não executavam em seus shows. Em “Wings Over America”, é possível apreciar as pérolas “Live and Let Die”, “Jet” e “Venus and Mars” ao lado de “Yesterday”, “Blackbird”, “Lady Madonna” e tantas outras. Não foi surpresa nenhuma, portanto, quando o disco alcançou o primeiro lugar das paradas americanas e inglesas após o seu lançamento (aliás, até no chart norueguês o disco foi destaque, alcançando a 7ª posição). Por essas razões, “Wings Over America” pode ser considerado como “único”, por apresentar, com a mesma qualidade, os dois melhores lados de uma mesma moeda, cuja “cara” e “coroa” se fazem na face de Paul McCartney e suas “asas”: ouvindo este disco, nos é permitido voar eternamente em sua duração. Vale a pena ouvir até o fim dos tempos.


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