Resenha do Cd Coletanea O Subsolo / Vários - Independentes

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COLETANEA O SUBSOLO
VÁRIOS - INDEPENDENTES
2016

INDEPENDENTE
Por Anderson Nascimento

O site O Subsolo lançou no ano passado uma coletânea reunindo 22 artistas da cena independente de todo o Brasil. Lançado em formato físico e digital o disquinho é uma boa oportunidade de conhecer artistas que habitam o underground, ralando para tocar e mostrar o seu trabalho.

O disco abre com a agressividade sonora da banda paulista In Soulitary, grupo formado em 2002, que chama a atenção pela mescla de derivações do Rock pesado na faixa “Hollow”, indo do Hard Rock até o Death Metal, tudo isso com vocais inteligíveis.

O disco se concentra em momentos de muito peso como em “Manipulation”, da banda mineira Demolition, e “Don’t Tell Me”, da paulista N.O.A.R.F.. Mas também abre espaço para o Pop/Rock mais suave, como o apresentado pela Decolle (SC), na música “Vento”. Quanto as baladas, o disco não é muito generoso, mas elas estão representadas através de bandas como Torrette (SP), em sua “Prisioner”.

O rock clássico é representado pela Texas Funeral, banda de Santa Catarina, que dá o tom do oitentista do disco em “Hoje Eu Vou Beber”, relembrando artistas como Celso Blues Boy e Camisa de Vênus.

A pluralidade com segmentação baseada no Rock é o que é mais legal na coletânea, o que prova a existência de boa música para todos os gostos roqueiros deste país.

No disco há, por exemplo, uma banda intitulada como Stoner Rock, mas que oferece neste disco um link muito forte com o Grunge noventista. Essa banda é a gaúcha Dust Commando, com a faixa “No Grudge”. O Punk à lá Inocentes está representado pelo grupo “Bad Gnomo”, na firmeza dos versos de “Nada Vai Me Derrubar”, que se junta à outra banda Punk do disco Spidrax (SP), esta tem como principal influência a banda Motorhead. Há até um representante do Tech Metal, no caso a banda paranaense Tribal, com a faixa “The Age of Frustration”.

O Heavy Metal tem a representação da V8 Corporation (SC), grupo que se inspira em ícones como Iron Maiden, Metallica, Sepultura, Pantera. E o Reggae vem por intermédio da catarinense Mandíbula, com a faixa “Nossa História”. O Death Metal é representado pela extremamente técnica banda Crossed Crow, na faixa “Unfold Paths”, e pelo grupo Deadpan na certeira “Unmasked Living”. Já o Thrash tem demarcado o terreno pela catarinense Red Razor, na canção Napalm Pizza.

Há bandas cantando em inglês e em português, com uma leve tendência à língua bretã. Entre as faixas em português há bons momentos como o da banda Divago (SP), na faixa “Difícil”, que apresenta uma boa pegada e um bom refrão. Cabe citar, aliás, que a banda é um projeto paralelo formado por uma espécie de dream team do cenário independente nacional, com membros de bandas importantes como Huaska, Capim Maluco, Viper e Alla Prima. Uau!

Outro destaque em nossa língua é a paulista Box 47, banda de Hardcore inspirada em bandas como Blink 182 e Raimundos, apresentando a faixa “Fechando Cortinas”. Vale também destacar as bandas paulistas Holiday Nice, com o Hardcore “Minacalot”, “Fault Line”, banda de New Metal, com a faixa “Isis”, ambas com letras em português.

A banda catarinense Doctor Jimmy, que apesar de formada em 2012, já tem o seu nome bem ventilado no cenário underground, traz uma das melhores canções desta coletânea, a bela canção “Não Tenho Pressa”.

Em termos de cobertura nacional as regiões Norte e Centro-Oeste ficaram de fora do disco, enquanto a região nordeste é representada por apenas um artista, a banda Incerto HC, que traz a curta, porém bacana, “Mariah”. Senti falta também de mais vocais femininos, já que nesse disco apenas a veterana banda Dest_Lado apresenta uma “frontwoman” nos vocais, na faixa “Mais Bebida”. Por fim, outra ausência sentida foi o Rock progressivo.

Em tempos de muita produção autoral no meio independente, mas também de grande dificuldade de alcance desses trabalhos, mesmo com todas as facilidades que a tecnologia hoje proporciona, esta coletânea é uma excelente oportunidade para que tais artistas tenham seus nomes e canções ventiladas para quem gosta de música. Cabe agora, para cada um que ouça estes 22 artistas, separar os trabalhos que mais lhe agradam e correr atrás de seus discos e apresentações.



Resenha Publicada em 03/08/2017





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