Resenha do Cd Fé Na Festa / Gilberto Gil

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FÉ NA FESTA
GILBERTO GIL
2010

UNIVERSAL MUSIC
Por Anderson Nascimento

No início da década de 2000 Gilberto Gil lançou os álbuns “As Canções de Eu, Tu, Eles”, trilha sonora do famoso filme de Andrucha Waddington e “São João Vivo”, com clássicos do Baião e músicas temáticas regadas às festas que dividem o nosso ano ao meio.

No caso de “Fé Na Festa” a temática é a mesma: um triângulo aqui, um acordeom ali, muito forró e muita alegria. A grande diferença para os álbuns citados acima é o fato de que no novo lançamento as canções são, em sua maioria, da nova safra de inéditas do compositor e cantor baiano.

O disco, se ouvido sem preceitos e em momento adequado, é certamente diversão garantida. A dobradinha formada pelas canções “Dança da Moda” (Luiz Gonzaga e Zé Dantas) e “São João Carioca” (do próprio Gil com Nando Cordel) não me deixa mentir.

O bom gosto musical toma forma logo na primeira canção, a faixa título “Fé na Festa”, uma boa composição que anuncia de forma descadenciada o que o álbum pretende. A canção que dá sequência ao disco é outro momento de louvável bom gosto, pois Gil diverte e interpreta “O Livre –Atirador e a Pegadora” dando uma geral na temática voltada aos relacionamentos nos dias de hoje.

Se em “Banda Larga Cordel” Gil cantava “Não Tenho Medo da Morte”, aqui o artista dispara, em ritmo de xote, a canção “Não Tenho Medo da Vida”, e ventila ecos do passado ao mandar a bucólica “Estrela Azul do Céu”, em um dos mais belos momentos do disco.

Além da já citada “Não Tenho Medo da Morte”, Gilberto Gil passeia novamente por uma canção de cunho intimista em “Vinte e Seis”, onde cita seu neto e Milton Nascimento.

Outro belo momento do disco é a regravação de “Norte da Saudade”, do disco “Refavela”de 1977, aparecendo aqui com um andamento apropriado ao disco.

Os poucos momentos onde a inspiração não foi tão gentil com Gil, são protagonizados pela canção “Assim, Sim”, que escorrega feio perante as outras composições do álbum, e “Lá Vem Ela”, composição morna da cantora Vanessa da Mata musicada por Gil, que encerra o disco.

Como saldo final, “Fé Na Festa” é tecnicamente mais um álbum temático de Gilberto Gil, com belas canções e muita animação, como o próprio nome sugere. É um disco que acerta em cheio ao realizar aquilo que ele se propõe a fazer.

Resenha Publicada em 19/10/2010





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