Resenha do Cd Mutantes E Seus Cometas No País Dos Baurets / Mutantes, Os

MUTANTES E SEUS COMETAS NO PAÍS DOS BAURETS title=

MUTANTES E SEUS COMETAS NO PAÍS DOS BAURETS
MUTANTES, OS
1972

INDEPENDENTE
Por Claudinei Jose De Oliveira

Último disco d'Os Mutantes a contar com a participação dos irmãos Baptista junto a Rita Lee. Não chega a ter a coesão e a classe do anterior Jardim Elétrico pois, ao que parece, a liga entre os integrantes da banda (além dos três já citados, o baixista Liminha e o baterista Dinho), não mais funcionava.

A grande verdade é que, antes de originais, Os Mutantes sempre foram ótimos tradutores daquilo que de melhor se produzia internacionalmente, em termos de rock, para o solo pátrio. “Vida De Cachorro”, por exemplo, é quase que um plágio de “Blackbird” dos Beatles. “Cantor de mambo” explora elementos latinos bem ao estilo do que Santana vinha fazendo e, dizem, era uma crítica ao prestígio que o músico Sérgio Mendes gozava na gringa. Se verdade, além de ressentida, é de muito mal gosto. “Dune Buggy” e “A Hora E A Vez Do Cabelo Nascer” são odes escancaradas ao uso do LSD que, diga-se se passagem, cobrou um alto preço de Arnaldo.

As duas grandes pérolas do álbum são, sem sombra de dúvidas, “Posso Perder Minha Mulher, Minha Mãe, Desde Que Eu Tenha O Rock And Roll”, paródia do clássico de Carl Perkins, “Blue Suede Shoes”, feita por Liminha e a linda “Balada Do Louco”, composição de Rita e Arnaldo, bastante inspirada em “Hey Jude”. A pegada hard de “Beijo exagerado” também merece destaque, apesar da letra fraca.

Sobre o cover de “Rua Augusta”, nada que chegue perto da pegada de “Banho De Lua”, do segundo disco e, para encerrar, há uma vinheta composta por Bororó, um dos inúmeros "malucos" que viviam "na veia" da banda, chamada “Todo Mundo Pastou” e dividida e duas partes, cada uma fechando um dos lados do vinil original, que tinha a missão de ser engraçada mas, francamente, só mesmo com muito ácido na cabeça...

A música que dá título ao álbum (Baurets foi um codinome cunhado pelo genial Tim Maia para se referir à maconha, na cidade de Bauru, interior de São Paulo) aponta o rumo que a banda passaria a seguir, ou seja, o rock progressivo, onde o senso de humor, o nonsense, a jovialidade tão caros à banda até aqui, seriam substituídos por uma sisudez onde a realidade deturpada pelo uso do LSD ganharia tons religiosos. Rita Lee, malandra que só, sacou a furada e pulou fora do barco, se fazendo de vítima, rumo a uma carreira de sucesso. Arnaldo, totalmente desnorteado, foi o próximo, cabendo ao guitarrista Sérgio dar continuidade ao afundamento progressivo da banda.

Resenha Publicada em 13/01/2015





Esta resenha foi lida 1074 vezes.




Busca por Artistas

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z





Outras Resenhas do Artista

CDs


Outras Resenhas