Resenha do Cd Dia 16 / Odair José

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DIA 16
ODAIR JOSÉ
2015

SARAVÁ DISCOS
Por Felipe Lucena

Uma vez, eu ouvi em um bar: “Rock bom é aquele que tem instrumental direto, forte e letras fáceis de gravar, para cantar junto”. Não sei se a pessoa que disse isso tem plena razão (sempre tenho ressalvas quando o assunto é uma frase dita em tom definitivo). No entanto, assim é o disco “Dia 16”, 35º álbum da carreira de Odair José, lançado este ano. Um trabalho de rock objetivo com letras simples e marcantes. Definitivamente bom. Sem ressalvas.

O disco é aberto com um riff pesado, meio AC/DC, como se Odair José (inteligente que é) já estivesse preparando os ouvintes: aumenta que isso rock. A canção “Dia 16” é uma ótima entrada para trabalho. A letra faz referência a vários dias 16, nos quais aconteceram fatos importantes, inclusive o nascimento de Odair, que já foi rotulado de tantas coisas, mas que sempre foi, acima de tudo, um artista que ao longo de sua trajetória musical soube juntar simplicidade e complexidade no mesmo pacote. Com canções aparentemente superficiais, ele, inúmeras vezes, conseguiu promover profundas reflexões sociais.

“Fera”, terceira faixa do álbum, composta em 1976 (um ano antes de lançar a ópera rock Filho de José e Maria), ainda não havia sido gravada. Essa música tem influências de rock clássico, com direito a solo de guitarra, riffs que te atingem em cheio e um refrão que gruda na memória.

De acordo com Odair José, “Sem Compromisso” é inspirada em “Oh, Pretty Woman”, de Roy Orbison. Essa letra lembra os momentos românticos da carreira do compositor. A presença dessa fase, também chamada de brega, pode ser notada em “Lembro”, que fala da mãe de Odair e em “A Moça e o Velho”, na qual a história de um amor entre um homem maduro e uma mulher mais nova é narrada - naquele estilo Odair José de falar sobre assuntos-tabus de forma límpida.

A canção que fecha o disco se chama “Cores”. Ela começa lenta, uma levada suave de violões e uma letra que fala de amor. O refrão sobe um pouco o tom e se mantém numa levada pop rock. De certa forma sintetizando o que é esse álbum.

Não há espanto em ver Odair José fazendo rock. Não há espanto em ouvir Odair José lançando um bom disco. Basta analisar, sem enrolações e preconceitos, a discografia desse goiano. Quem fizer isso verá que, historicamente, Odair foi bom na maioria de seus trabalhos lançados. Objetivamente bom. Muito bom, como esse último disco.

Resenha Publicada em 01/10/2015





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