Resenha do Cd Trilogy / Emerson, Lake & Palmer

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TRILOGY
EMERSON, LAKE & PALMER
1972

ISLAND
Por Johnny Paul Soares

Quando eu tinha 15 anos de idade, comprei em uma loja de discos o primeiro do ELP, autointitulado, e o segundo, o clássico Trilogy (eu não conhecia nenhum dos dois). Levei estes dois discos pelo fato de ter escutado Lucky Man em programa de rádio local chamado Estação Rock, o que me deixou maluco. Também acredito que não posso considerar muito normal para um garoto de 15 anos ter deixado um churrasco rolando em sua casa em um sábado a noite de lado para se hipnotizar por completo com Trilogy na vitrola (obs: amo churrasco).

Foi assim que minha relação com esse disco estupendamente maravilhoso teve início e, para um menino de 15 anos de idade absorver tudo aquilo, foi deveras marcante. Lembro como se fosse ontem.

O Emerson, Lake & Palmer já tinha dois discos de estúdio lançados, o primeiro autointitulado e o segundo, o clássico Tarkus. Trilogy chega com os dois pés na porta dos fundos, uma sucessão de lançamentos que foram se superando um após o outro.
A dupla Keith Emerson e Greg Lake poriam um suposto fim às suas brigas anteriores (o que refletiu nas composições de Tarkus) e teria colocado gelo na relação, o que ajudou em vários aspectos de Trilogy, fisgando de modo certeiro naquele ano de 1972 a primeira posição de “Melhor Produtor” para Greg Lake, “Melhores Compositores” para Emerson/Lake e “Melhor Grupo”. Tudo isso nas listas do jornal britânico Melody Maker, o qual não poupou elogios ao trio há 44 anos atrás do lançamento dessa obra da música progressiva.

Trilogy também contém um sem número de overdubs, fato que dificultou em excesso a reprodução ao vivo de muito do repertório do disco, o que levou o grupo a extirpar parte das músicas. Isso não ofusca em nenhum momento o brilho do trabalho.

O ano de 1972 também ajuda em grandes proporções o efeito positivo de Trilogy. Naquele período, a música progressiva tomava conta do globo e estava no auge junto ao medalhão Glam Rock na Inglaterra, ficando os dois estilos em bolsas térmicas até meados de 1975, quando o Rock Progressivo começou a perder sua temperatura com respiros de respeito do calibre de lançamentos como Snow Goose (Camel), Song for America (Kansas), Chocolate Kings (Premiata Forneria Marconi), Smogmagica (Le Orme), Free Hand (Gentle Giant), etc. até virar piada no final da década de 70.

Trilogy possui momentos marcantes como The Endless Enigma (parte 1 e 2), Fugue, a faixa-título e o maravilhoso trabalho de violão de Greg Lake em From the Begining, com todas elas de influência pura como a descoberta de uma fonte de água na música erudita. O Jimi Hendrix dos teclados Keith Emerson mostra aqui, na sua talvez mais notória contribuição para a música, a que veio. Carl Palmer é um monstro das baquetas e seu perfeccionismo é absurdo, perfeito para um supergrupo (como era chamado na época) do porte do ELP. Na introdução de bateria da faixa “The Sheriff”, é possível ouvir (e muito bem) Carl Palmer resmungando “shit”, o que só podemos especular em uma incansável e saborosa conversa de bar o que houve naquela linha. Em contrapartida, se o trabalho de piano clássico de “Fugue” não estivesse entre as partes 1 e 2 de “The Endless Enigma”, o sentimento poderia ser outro.

O álbum foi lançado pela Atlantic Records, fazendo com que Greg Lake (vocais, baixo, guitarra, violão), Keith Emerson (teclado, órgão, piano) e Carl Palmer (bateria) elevassem o nome ELP à alturas inimagináveis para a música progressiva até então, aproximando-se cada vez mais das propostas estruturais enormes da música pop, figurando modelos de apresentações em estádios e outros fatores nada comuns para a estética do estilo.

Resenha Publicada em 25/10/2016





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