Resenha do Cd Egypt Station / Paul Mccartney

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EGYPT STATION
PAUL MCCARTNEY
2018

UNIVERSAL MUSIC
Por Anderson Nascimento

Gravado ao longo de cinco anos, “Egypt Station”, 18° álbum de estúdio solo de Paul McCartney, começou a ser degustado aos poucos pelos fãs. Paul lançou os singles “I Don’t Know” e “Come On To Me” em 20 de junho, liberando também as canções “Back in Brazil” e “Fuh You” antes de lançar oficialmente o disco mundialmente em 07 de setembro. Tal fato acabou abreviando um pouco a expectativa dos fãs por um trabalho de inéditas para suceder “New”, lançado em 2013.

Tirando a introdução instrumental, não é fato comum na carreira de Paul McCartney abrir o álbum com uma balada, como ele o faz no novo álbum. “I Don’t Know” possui uma beleza indescritível, é daquelas faixas para se repetir várias e várias vezes, e que desde o seu lançamento, ela não sai da minha cabeça, sendo tocada de forma recorrente por aqui. A sequência traz o single “Come On To Me”, música de refrão grudento e cantarolável que segue a linha de alguns dos trabalhos mais recentes de Paul McCartney.

“Happy With You”, terceira música do disco, possui uma sutileza minimalista que só o Paul é capaz de criar. A letra é uma bonita declaração de amor e a alegria de viver quando se está feliz ao lado de alguém, enquanto a música faz lembrar alguns momentos de Paul ao violão em álbuns anteriores, assim como nas baladas “Confidante” e “Hand In Hand” presentes no disco.

Ao falar sobre o álbum, Paul explicou que o disco era como uma viagem de trem, onde cada nova estação é uma nova música, com um novo tema. Assim, embora tenda a falar de amor, o disco aborda outros assuntos como o bulying no Rockão “Who Cares”, paz em “People Want Peace”, e vida em “Dominoes”.

Um dos maiores trunfos de “Egypt Station” é o fato de o disco ser bem mais palatável e acessível do que “New” o álbum anterior. Em “Egypt”, quando Paul experimenta, ele o faz dentro de um universo já conhecido do seu fã, optando por roçar metarreferências ao invés de excentricidades, o que deixa a maioria dos fãs satisfeitos.

Esse é o caso de canções como “Fuh You”, faixa incrivelmente moderna, "Despite Repeated Warnings", que traz três momentos, lembrando “Band on The Run”, e o medley “Hunt You Down/Naked/C-Link”, faixa que possui formato que remete a diversos momentos da carreira do velho Macca.

É claro, que nem todo mundo embarca na viagem de Paul quando ele resolve se autorreferenciar, mas para um artista que vem sempre se reinventando, acho válido querer explorar seu legado e, vou além, acredito que “Egypt” é um verdadeiro presente para os seus fãs.

Mesmo assim, o álbum também não é perfeito. O Brasil ganhou a honra de poder emprestar o seu nome a uma música do ex-Beatle e, por mais bizarra que “Back In Brazil” possa ser (ou parecer), isso foi um grande afago. A canção, que ganhou clipe também, conta uma estória passada em território tupiniquim, que é incrementada com uma expressão em japonês, repetida várias vezes ao longo da canção. Apesar de ser um ponto fraco do disco, confesso que eu até gostei (escrevi isso e saí correndo).

“People Want Peace” tem boas intenções, mas começa mal. A canção vai se desenhando melhor à medida que é desenvolvida, e termina como uma espécie de hino para ser cantado pelo público de braços dados, mas rende pouco.

Achei curiosa a levada de “Dominoes” que me lembrou muito as sessões de “Off The Ground” (1993), da mesma forma, a emocionante “Do It Now”, me trouxe, além de lágrimas nos olhos, reminiscências de “Abbey Road” (1969) dos Beatles.

“Caesar Rock” traz Paul se esgoelando com a sua atual voz rouca por cima de uma instrumental primoroso, carregando um pouco de experimentalismo e resultando em outro momento especial no disco.

Já caminhando pro fim, Paul apresenta a fantástica "Despite Repeated Warnings”, petardo de quase sete minutos que, como já citado aqui, possui arquétipo que lembra “Band On The Run”. Mas o melhor de tudo é a fantástica estória narrada ao longo da canção, com um desfecho que pode ser interpretado de várias formas, incluindo aí questões sócio-políticas. Ele fez de novo! Paul foi brilhante mais uma vez!

Após “Station II”, link instrumental para a última faixa do disco, segue o medley "Hunt You Down/Naked/C-Link", Rock alternativo que encerra com honras o disco em mais de seis minutos divididos entre as faixas. Nesse conjunto de canções entrelaçadas destacam-se o riff de “Hunt You Down” e a letra de “Naked”.

Para a nossa sorte Paul está vivo e ativo, continua com a sua agenda de shows cheia, continua nos fazendo desembolsar grana na sua garbosa “Archive Collection” e, talvez o melhor de todos os elogios, continua sendo relevante e produzindo álbuns como essa belezura que é o “Egypt Station”. Obrigado Paul, Ichiban!

Resenha Publicada em 24/10/2018





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