Resenha do Cd Electric Arguments / Paul Mccartney

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ELECTRIC ARGUMENTS
PAUL MCCARTNEY
2008

IMPORTADO
Por Valdir Junior

Na biografia de Paul McCartney “Many Years From Now” escrita por Barry Milles, Paul deixa bem claro que o Beatle que primeiro flertou com musica experimental e estava antenado com o que acontecia no underground, ao contrario do que muitos imaginavam, era ele e não John Lennon.

McCartney desde o início gostou de separar seu trabalho vanguardista e experimental do seu trabalho mais Rock e comercial, nos Beatles nunca tentou forçar uma obra vanguardista sua como, por exemplo, "Carnival of Light" para ser uma faixa em um disco dos Beatles, ao contrario de Lennon que após seu envolvimento com a artista de vanguarda Yoko Ono lançou “Revolution 9” feito pelos dois como uma musica Beatle. no “Álbum Branco” de 1968.

“Electric Arguments”, lançado em 2008, é o terceiro álbum do Fireman , dupla formada por Paul McCartney e Youth (Martin Glover, baixista do Killing Joke), projeto experimental que Paul vem desenvolvendo desde 1993 quando foi lançado o primeiro álbum “Strawberry Oceans Ships Forrest” , e em 1998 o segundo “Rushes”, ambos trabalho trazem uma música eletrônica com variações de “dance music”, “house”, “ambient electro” e “drum n bass” , sem vocais e nenhuma intenção de soar comercial ou mesmo associar o nome de Paul McCartney aos álbuns.

Mas em “Electric Arguments” parece que a intenção é ser quase um novo álbum solo não assumido de Paul McCartney, já que, pela primeira vez, o Fireman apresenta músicas com vocais e um padrão mais Pop/Rock, o álbum foi todo composto por Paul e a participação de Youth é de um coadjuvante que usa todo seu talento para criar ambientações e paisagens sonoras para musicas instigantes e repletas de matizes.

O nome “Electric Arguments” foi tirado de uma frase do poema "Kansas City to St. Louis", de Allen Ginsberg publicado no livro “The Fall of America: Poems of These States, 1965–1971” publicado em 1973, em que Ginsberg se descreve dirigindo ao longo de uma rodovia em um Volkswagen branco (ou seja, um "beetle") enquanto ouve música, chamadas de programas de rádio e fica olhando para os sinais e outdoors pelo caminho:

“Michelle, John Lennon & Paul McCartney / wooing the decade / gaps from the 30s returned / Old earth rolling mile after mile patient / The ground / I roll on / the ground / the music soars above / The ground electric arguments / ray over / The ground dotted with signs for Dave's Eat Eat”

As treze faixas foram gravadas uma por dia durante um período de quase um ano, num processo que Paul chamou de “totalmente espontâneo” e apresenta um trabalho em que ele pôde ousar usando um repertório até então recente de canções que sob o nome Fireman pode ganhar o mundo sem o peso e a cobrança direta de ser um álbum solo de Paul.

O CD poderia ser dividido como um disco de Vinil tendo um lado A (mais Pop/Rock) e um Lado B (mais experimental), dado a variada forma como as canções vão evoluindo uma após a outro. Abrindo com a pesada, blueseira e suja “Nothing Too Much Just Out Of Sight” que parece um cruzamento do Led Zeppelin com o Árcade Fire e que se diferencia em tudo que o Fireman já tenha feito nos dois álbuns anteriores.

“Two Magpies” é uma baladinha acústica bem legalzinha e que remete um pouco a algumas faixas do disco “Memory Amost Full” de Paul; em “Sing The Changes” a canção mais animada do CD, um Pop/Rock bem ao estilo de Paul, e que ele incorporou ao set list de seus shows nos últimos 5 anos, sendo um dos pontos altos e emocionantes do show.

A soturna“Travelling Light” com arranjo hipnótico e cheia de loops e sons ao contrário é um dos momentos mais inspirados do CD; “Highway” parece um jam session apoiada em um riff pesado de guitarra e baixo e vocais grudentos, agrada bem tanto que também fez parte dos shows recentes de Paul durante um tempo; “Light From Your Lighthouse” é um mix de Country Music e um pouco de Reggae ao estilo Fireman.

“Sun is Shining” é uma balada típica das feitas por Paul nos anos 1970, e logo que o CD foi lançado foi notada a semelhança dela com uma musica de Blind Willie Johnson “Let Your Light Shine on Me”, mas o plágio foi negado já que a canção foi inspirada na outra e não copiada. “Sun is Shining” é uma das melhores faixas do “Electric Arguments”. “Dance 'Til We're High” encerra o que podemos chamar de lado A do CD com outra faixa bem Pop e animada com um lindo arranjo de cordas que se sobressai.

A partir de “Lifelong Passion” os arranjos se tornam mais característicos com os álbuns anteriores já feitos pelo Fireman, mas mesmo assim conseguem unir experimentalismo e pop ao mesmo tempo. “Is This Love?”; “Lovers In A Dream” e “Universal Here, Everlasting Now” levam o ouvinte a um calidoscópio de sons, sentidos cheios de nuances. “Don't Stop Running” fecha o álbum com uma das faixas mais provocantes, cheia de efeitos sonoros, eco e vocalizações pesadas de Paul e que lembra um pouco o som do Pink Floyd no álbum “Atom Heart Mother”.

O Saldo final de “Electric Arguments” é um bem positivo, e pode ser considerado um dos melhores trabalhos de Paul nos últimos tempos, o fato de poder se esconder sobre a identidade de Fireman o deixa mais solto para poder se aventurar em terrenos improváveis e diferentes onde se pode errar, acertar e definir um novo caminho a percorrer.

Resenha Publicada em 15/04/2013





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