Por Anderson Nascimento
Ainda me parecem incríveis os bruscos efeitos que as mudanças na indústria fonográfica e as novas formas de consumir música causaram nas carreiras de artistas no mundo todo. Quando nos deparamos com nomes de artistas populares chega a soar incompreensível o fato de que eles tenham tão longos hiatos sem o lançamento de novos álbuns.
Falando especificamente de Robbie Williams, isso não é diferente. O artista acaba de soltar o seu novo álbum, “Britpop”, primeiro álbum de inéditas desde “The Heavy Entertainment Show”, lançado em 2016 – pasmem – há quase dez anos. Estou tirando dessa lista o “The Christmas Present”, lançado em 2019, que apesar de trazer composições inéditas, possui o Natal como temática única do disco.
Durante esse tempo Williams teve alguns importantes eventos em sua carreira, como o belíssimo filme “Better Man” (2025), que conta a sua trajetória de forma bastante inusitada, manteve forte presença ao vivo com shows e turnês de grande porte, lançou compilações, e teve sua vida retratada em uma série no Netflix (2023).
Sua volta foi arquitetada aos poucos, com o lançamento gradual de singles a partir de maio de 2025, totalizando cinco, até a data em que este texto foi escrito. De cara, ficou clara a proposta, a de conceitualmente focar suas canções e música em sua década seminal, onde ele surgiu com a banda Take That e, posteriormente, se consolidou como fenômeno pop global.
O disco abre com a explosiva “Rocket”, a carta de intenções do álbum que traz ninguém menos que Tony Iommi na guitarra. Além dele, Robbie também faz um dueto com a dupla mexicana Jesse & Joy, extremamente populares no mercado hispânico, no belo single “Human”, outro acerto musical do álbum.
Robbie Williams torna explícito o conceito do álbum desde a sua capa, até as referências musicais. Ao longo do álbum temos inspirações diversas que vão desde os contemporâneos Oasis, como o single “Pretty Face”, uma das melhores canções dessa nova safra, passando pela citação ao ícone britânico Morrissey, na faixa de mesmo nome, até beber direto na fonte, os Beatles, na icônica “Cocky”. Ou seja, Robbie Williams surfa nas várias ondas que a riquíssima década de 1990 nos oferece.
A sua habilidade em produzir mega baladas continua afiada, canções como o single “Spies” são provas inequívocas disso. Você também vai encontrar esse Robbie em “All My Life”, single lançado no mesmo dia do lançamento do disco, que desafoga a veia baladeira do artista.
O disco encerra com “It’s Ok Until The Drugs Stop Working”, canção de tons épicos e “Pocket Rocket”, que revisita a faixa inicial e dá um desfecho digno e conceitual ao álbum.
Os fãs certamente vão dizer que a espera valeu a pena. Mas não só eles, a crítica vem rendendo excelentes avaliações ao álbum. “Britpop” é um dos álbuns mais redondos do artista, há a nítida intenção em agradar, pois as faixas são lapidadas com esmero, e deixam o gostinho de quero mais no final. Esse quero mais, inclusive pode ser saciado com a versão deluxe, que soma mais meia dúzia de canções ao repertório desse trabalho.
Robbie continua reinando absoluto no Pop-Rock atual, acumulando singles e videoclipes de sucesso, e fazendo muita gente feliz. Que o Sr. Williams não ouse ficar mais tanto tempo sem lançar álbuns, os fãs, o pop e a música ainda precisam muito dele.