Resenha do Cd A.c. / Diego Mascate

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A.C.
DIEGO MASCATE
2015

INDEPENDENTE
Por Anderson Nascimento

Diego de Moraes é músico, cantor e compositor nascido em Cuiabá (MT), porém radicado em Senador Canedo (GO), e desde 2011 vem adotou o “Mascate” – apelido de adolescência – ao seu nome. Diego já possui uma longa carreira como artista e músico, tendo participado de diversas bandas e projetos musicais, inclusive atualmente integra as bandas “Pó de Ser” e “Waldi & Redson”.

Seu primeiro disco como “Mascate” foi gravado entre 2011 e 2013, disponibilizado para download em seu site no fim de 2014 e finalmente chegando ao formato físico no início de 2015.

Uma das melhores sensações quando se ouve um trabalho de um artista independente é ser contagiado por ele, como aconteceu quando eu coloquei para rodar no carro o disco do Diego Mascate. O disco é capaz de provocar diversas sensações ao ouvinte, entre elas, reflexão, deleite, Déjà-Vu e, até mesmo, risos.

Por trás deste trabalho, no entanto, não há só risos. Diego sofreu no fim de 2013 um acidente até hoje cercado de mistérios, em plena Rua Augusta (SP) - provavelmente agressão e espancamento -, que o deixou desacordado e na UTI, precisando, portanto, de quatro meses para a sua recuperação. Por isso o disco se chama “A.C.”, onde numa alusão à “Antes de Cristo”, significa “Antes do Coágulo”, que faz referência ao trauma que o músico adquiriu pós-acidente.

Não por acaso o disco abre com “Dia Bonito”, faixa que alude sobre o desperdício de tempo e, consequentemente, de vida. A faixa que abre o disco já anuncia que um grande trabalho está ali no seu CD Player, pronto pra ser desvendado. Assim, quando o álbum toca, pode-se perceber que o mesmo reúne em um balaio diversas nuances sonoras, que vão do Brega ao Punk, sem pestanejar e, muito menos, perder o foco dessa obra ousada e inteligente.

Algumas referências sonoras espalhadas pelo disco parecem propositais, enquanto outras parem meramente acidentais. De uma maneira geral elas reúnem Beatles, Raul Seixas, Júpiter Maçã, Jovem Guarda e Mutantes. Muitas vezes essas referências até se unem em uma mesma canção. O Rock “Não Vou Ser Seu Plano B” é um desses casos que parece reunir Mutantes com interlúdios obviamente Raulseixísticos.

Os Mutantes também parecem influenciar algumas canções como “O Show Vai Continuar” que, inclusive, ganha belíssimas intervenções de sax. Nuances de Titãs (fase Titanomaquia) também podem ser ouvidas na Punk “Esteticamente Estranho”. Já “Ornitorrinco” é mais difícil de ser musicalmente decifrada, mas tem levada pontual que dosa Punk ,Ska e psicodelia.

As letras são também atrativas. “2070”, por exemplo, é reflexiva à sua maneira: “...enquanto veja a validade dessa latinha, lembro que vou morrer antes do ano de 2070...”. Em outros momentos do disco há sarcasmo, cinismo e uma acentuada liberdade poética.

Ao longo do disco Diego também homenageia importantes nomes da música independente como Maurício Pereira (“Os Mulheres Negras”) e Paulo Barnabé (“Patife Band”), com trechos de entrevistas que se agregam à algumas canções.

No fim, antes da faixa escondida “Amor, Beba Água”, o disco encerra oficialmente com “Nem Tudo Passa”, uma homenagem em formato brega ao cantor Nelson Ned, falecido em 2013, justamente no momento em que Diego se recuperava do acidente.

Com um disco essencialmente autoral (algumas faixas são em parcerias e somente “O Light Show de Uma Civilização” não é de sua autoria), Diego entrega um álbum dinâmico, empolgante e muito bem produzido, desses para se ouvir diversas vezes.

Resenha Publicada em 03/03/2015





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