Resenha do Cd Exile On Main St. / Rolling Stones, The

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EXILE ON MAIN ST.
ROLLING STONES, THE
1972

UNIVERSAL MUSIC
Por Thais Sechetin

Após prejuízos financeiros causados por quebra de contrato com a antiga gravadora, problemas com impostos causados por desvio de dinheiro (sem conhecimento da banda), os Rolling Stones foram morar no Sul da França, em Nellcôte, mansão de Keith Richards. O álbum mal começa e já tem despesas extras, com a montagem do estúdio móvel na casa de Richards, a construção de uma cozinha na casa, a montagem e funcionamento dos equipamentos do estúdio. Alías, tal trabalho conta com inúmeras histórias, declarações, mitos e lendas, mas o principal é seu resultado final: Um álbum duplo (a banda não quis excluir nenhuma música produzida), simples, de sonoridade crua, porém genial. Genial, nos dias de hoje, pois na época, nenhum crítico ousou em contradizer os outros e julgar o disco como um bom trabalho, marcado pela criatividade dos Stones mais uma vez afirmada (ou comprovada?). Ao contrário, o álbum foi um fracasso em críticas, acusado de seu resultado não compensar o investimento e vendeu pou co. De acordo com Keith Richards, “Exile...” não caiu nas graças da crítica, que só anos depois reconheceu seu valor e a partir daí passaram a reconhecê-lo como o “melhor disco maldito do mundo”. Ele diz também que “Exile” foi o momento onde os Stones fizeram apenas o que queriam fazer e não o que mandavam fazer. E esse é o jeito de uma banda expandir sem cair na cilada pop. Talvez essa liberdade também foi percebida por Jagger , que diz que o álbum é um trabalho de muito sentimento, embora seja muito mal mixado. Ele assume a culpa, pois na época Jimmy Miler, o produtor, não sentia-se bem e o jeito foi o próprio Mick Jagger cuidar dele e da mixagem do disco sozinho.

Sentimento, criatividade aguçada, cenário de exílio, brigas, abuso de drogas. Todos esses elementos contribuíram para o resultado de “Exile...”, onde ninguém, nem mesmo os Rolling Stones na época acreditariam quem entregariam um trabalho no prazo estipulado.

Alguns dos fatos que entraram para a história de “Exile On Main Street” foram: Brigas entre Mick Jagger e Keith Richards. O que não era novidade, mas só pioraram pela convivência na mansão, brigas por causa de suas mulheres (Bianca Jagger e Anita Palemberg) e até ciúmes por parte de Jagger com a amizade entre Richards e Gram Parsons, que passavam horas tocando no terraço. Nessa mesma época, Anita engravidou e havia quem acreditasse que o filho pudesse ser de Mick Jagger. Quando um deles estava no porão, trabalhando no disco, o outro não descia e vice- versa. Outra causa de irritação entre os dois foi quando Mick Jagger descobriu que Richards tinha voltado a usar heroína, pois o próprio disse que tinha ido à França “limpo”.

O clima de isolamento e todos os problemas que se agravaram e se tornaram muito pior do que quando uma banda sai em turnê. Bill Wyman, que merece destaque por seu trabalho no álbum, sentia falta de todas as guloseimas inglesas, Charlie Watts sentia falta de casa e, por morar longe da mansão, teve que escolher ficar ora em Nellcôte, ora na casa de Jagger. Ressaltando que a banda estava falida (a situação financeira só melhorou por volta de 1978) e todos os outros fatos citados fizeram até o novato na banda, Mick Taylor chorar. Certa vez, ele disse para Charlie Watts que não aguentava mais e Charles respondeu que ele até tentou se atirar no rio, mas ele não tinha mais de vinte centímetros de profundidade.

Embora muitos acreditem que “Exile” foi gravado por completo na França, o trabalho é uma junção de sobras de um álbum anterior gravado no Olympic Studios e músicas não terminadas, como “Shine a light” e “Sweet Virginia”.

Recentemente, foi relançado em Blu Ray, o documentário “Stones in Exile”, dirigido por Stephen kijack e originalmente lançado em 2010. Nele, há os bastidores da gravação do álbum narrado pelos próprios integrantes, no verão de 1971, entrevistas e até a visita de Jagger e Watts a Olympic Studios, ainda em Londres, onde o disco começou a ser gravado.

O álbum , para a banda não teve muitas músicas que viraram sucessos, mas , a junção de todas elas foi o que deu uma identidade crua, criativa e por que não dizer,mágica a" Exile". Regravações de Robert Johnson, Rock N Roll, country, baladas e até música gospel mais uma vez mostra a versatilidade da banda, que além de todos os desafios causados por eles próprios, os Rolling Stones ressurgem se reinventando e surpreendendo.

Destaques para: “Sweet Virgínia”, "Happy”," A Down The Line”, o Country “Sweet Virginia”, “Stop Breaking Down”,de Robert Johnson , onde Mick Taylor trabalha muito bem na guitarra e a balada “Loving Cup”, que é uma uma música que fez Jagger acreditar que muitas canções antes, banidas nos shows por pouca aceitação, podem ganhar relevância com o tempo, passando a existir de novo.

Bill Wyman se contrapõe a quem disser que os Rolling Stones trabalham bem mesmo abusando do álcool e das drogas. Ele declarou, certa vez, sobre “Exile on Main Street”, que são as drogas que atrapalham mais do que ajudam. O que faz pensar, ao ouvir Exile On Main St, que talvez ele tenha razão e, que resultado teria o trabalho se não houvesse tantas divergências e problemas e drogas e tudo o mais que talvez ninguém mais saiba, além de quem viveu na mansão de Richards na época?

Concluindo, para todo fã de Rock, esse álbum torna-se não apenas uma obra prima a ser apreciada, como também um vasto objeto de estudo.

Resenha Publicada em 08/12/2013

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