Resenha do Cd Have Mercy: His Complete Chess Recordings, 1969-1974 / Chuck Berry

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HAVE MERCY: HIS COMPLETE CHESS RECORDINGS, 1969-1974
CHUCK BERRY
2008

UNIVERSAL MUSIC
Por Valdir Junior

Quando John Lennon e Yoko Ono participaram como estrelas principais do programa "The Mike Douglas Show" em fevereiro de 1972, John fez questão que um de seus maiores heróis, Chuck Berry, fosse um dos entrevistados. Foi nesse programa que John, além de reverenciar Chuck no palco, escancarou sua devoção ao guitarrista ao dizer: "Se o rock tivesse outro nome se chamaria Chuck Berry! Hail! Hail! Rock'n' Roll"!

Chuck Berry, um dos pioneiros do Rock, foi o primeiro “Guitar Heroe” e um dos primeiros a entender os anseios dos jovens e transcrevê-los em música, compondo clássicos como: “Johnny B.Goode”, “Roll Over Beethoven”, “Maybellene”, “School Days”, “Rock and Roll Music”, "Sweet Little Sixteen" entre outras, influenciando gente como os Beatles, Rolling Stones, Bruce Springsteen, Jimi Hendrix, e mesmo que não saibam, todo cara que resolveu empunhar uma guitarra até hoje, ouvir suas canções e entender sua importância para música e para história é fundamental.

Grande parte da obra de Chuck foi gravada sobe a tutela da Chess Records, mítico selo dos irmãos Leonard e Phil Chess, em 2008, a Universal Music, detentora do catálogo da Chess, colocou no mercado três boxes, com todas as gravações de Chuck na Chess. “Have Mercy: His Complete Chess Recordings, 1969-1974” é a ultima parte dessa trilogia, focada no período em que Chuck voltava para Chess depois de dois anos no selo Mercury.

Nos quatro CDs de “Have Mercy: His Complete Chess Recordings, 1969-1974” estão a íntegra dos cinco discos de Chuck Berry lançados nesse período: “Back Home” (1970) “San Francisco Dues” (1971); “The London Chuck Berry Sessions” (1972); “Bio” (1973), álbum que Berry gravou junto com Elephants Memory Band, banda que acompanhou John Lennon, no disco “Some Time In New York City”, e “Chuck Berry” (1975) último disco pelo selo. No box, também estão vários lados Bs, muitos out-takes, algumas jams e faixas ao vivo.

Os discos gravados nesse período são muito importantes dentro da discografia de Chuck por mostrar um músico mais maduro, tentando se aproximar de um público mais jovem sem parecer deslocado e anacrônico. É dessa época o seu último grande sucesso, "My Ding-a-Ling" gravada ao vivo no Lanchester Arts Festival na Inglaterra, outras faixas marcantes desse período são “Tulane”, “Have Mercy Judge”, “A Deuce”, “Woodpecker” e “My Dream (Poem)”.

Ao escutar os quatro CDs, com suas setenta e uma músicas, e suas quase cinco horas de duração, os ouvintes de primeira viagem, podem ter a impressão de estar ouvido um grande disco de uma musica só, mas não é verdade, a música de Chuck e sua poesia, são muita mais do que um rhythm and blues, misturado com country, jazz, num shuffle boogie com um mesmo riff na intro, sua música é peculiar, cheia de nuances, malandragens, com uma malícia sagaz e humorada que merece atenção. Chuck canta as alegrias, tristezas com uma visão urbana do dia a dia de todos nós, uma crônica dos tempos, como nos antigos blues, vale lembrar que, Keith Richards, seu seguidor mais direto, segue a mesma cartilha a vida toda, tanto nos Stones como em sua carreira solo.

Ao escutar “Have Mercy: His Complete Chess Recordings, 1969-1974”, você vai se deparar com um lado não tão conhecido de Chuck Berry, alguns de seus hits aparecem aqui apenas em versões matadoras ao vivo, e em sua maioria as músicas ou são variações de seus sucessos, ou baseadas em blues, mas, ouvir a guitarra de Chuck com seus links, riffs e arpejos, guiando a condução das músicas com maestria, bom gosto e um senso estético incomum, que dão um toque todo especial a elas, não tem preço, aqui estão os ensinamentos de um mestre, uma aula de “menos é mais” e como “ser simples e ao mesmo tempo sofisticado”. “Have Mercy: His Complete Chess Recording” é imprescindível na estante de todo guitarrista e também dos apreciadores da boa música, imprescindível para poder entender a obra por completo do músico que foi um dos inventores dos alicerces do que hoje chamamos de Rock.

PS. Os dois outros volumes dessa trilogia são: “Johnny B. Goode: His Complete '50s Chess Recordings” e “You Never Can Tell: His Complete Chess Recordings 1960–1966”.

Resenha Publicada em 22/03/2017





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