Resenha do Cd Alceu Valença Anos 70 / Alceu Valença

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ALCEU VALENÇA ANOS 70
ALCEU VALENÇA
2017

DISCOBERTAS
Por Anderson Nascimento

Nascido no dia 1º de julho de 1946 em São Bento do Una, Pernambuco, Alceu Paiva Valença é um importante pilar da música nordestina, dono de discos memoráveis em sua trajetória que já ultrapassou os quarenta anos de carreira.

Nada mais justo que fossem rendidas homenagens das mais diversas ao artista nesta data redonda. Assim, alguns trabalhos do artista, sobretudo de sua obra solo feita nos anos 70, ganharam reedições em LP e CD. A Polysom, em parceria com a Som Livre, colocou no mercado o box com 4 LPs incluindo o raro “Saudades de Pernambuco” (1979), disco que chega pela primeira vez de forma comercial ao mercado.

A homenagem agora parte da Discobertas - selo que tem se especializado em boxes temáticos -, que reúne neste “Alceu Valença – Anos 70” os três álbuns lançados por Alceu na década, agregando ainda um disco de raridades gravadas no mesmo período. O lançamento do box repõe em catálogo discos que ganharam reedição pela última vez há pelo menos 11 anos, no caso de “Espelho Cristalino”, o CD se encontrava fora das lojas desde o distante ano de 1994.

O primeiro disco do box, “Molhado de Suor” (1974), é um dos álbuns mais importantes do artista pernambucano, que faz questão de destacar no encarte os percalços percorridos até chegar ao resultado final do disco: “Dedico este trabalho a mim mesmo, que convivi com deuses e comi o pão que o diabo amassou para realizá-lo”. Com um misto de psicodelia e regionalismo, como mostra canções como “Punhal de Prata”, por exemplo, o disco traz pérolas como as líricas “Borboleta” e “Molhado de Suor”, a ácida “Cabelos Longos”, a progressiva “Chutando Pedras”, e as épicas “Mensageira dos Anjos” e “Papagaio do Futuro”. Um verdadeiro clássico!

Dois anos depois de sua estreia solo, Alceu lança o icônico “Vivo!”, álbum gravado originalmente um ano antes no Teatro Tereza Rachel (Copacabana, RJ), no show “Vou Danado Pra Catende”, que por si só poderia render sozinho um enorme texto. O disco traz canções novas e releituras ao vivo de músicas dos seus discos anteriores. Estão no álbum faixas como “Sol e Chuva”, “Pontos Cardeais” e “O Casamento da Raposa com o Rouxinol”, que também conta com a participação de Zé Ramalho nas músicas “Papagaio do Futuro” e “Edipiana Nº 1”. O álbum ganhou ano passado uma série de festejos especiais por conta dos 40 anos de lançamento, incluindo o disco e o show “Vivo! Revivo!”.

“Espelho Cristalino” (1977) ousa menos por caminhos como o Rock e o psicodelismo de “Molhado de Suor”, o disco tem sonoridade mais centrada no som regional. Entre os melhores momentos estão a ótima “Maria dos Santos”, além das emblemáticas “Agalopado”, “Espelho Cristalino” e “A Dança das Borboletas”, esta última uma parceria com Zé Ramalho.

Exclusividade do box de CDs, o disco “Raridades” enfileira dez canções pinçadas de trilhas sonoras, compactos, LPs de festivais e carnavalescos. Uma curiosidade deste álbum é a inclusão de “Vou Danado Pra Catende”, a canção, que saiu no LP “Abertura – Festival da Nova Música Brasileira” (1975) e chegou a entrar na segunda edição de “Molhado de Suor”, dando nome também ao show que originou o disco “Vivo!”, mas que acabou não entrando na versão final do disco. Chama a atenção a linda capa e projeto gráfico feito por Bady Cartier, algo que algumas gravadoras acabam não investindo o tempo necessário capaz de dar identidade aos álbuns bônus que normalmente acompanham os boxes.

Como já é de praxe nos trabalhos lançados pela Discobertas, todos os discos trazem todas as informações técnicas disponíveis, artes originais e encartes especiais para a reedição. Mais uma joia que deve ocupar um lugar de destaque na estante dos colecionadores de todo o país.

Resenha Publicada em 29/03/2017





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