Resenha do Cd Espiral De Ilusão / Criolo

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ESPIRAL DE ILUSÃO
CRIOLO
2017

OLOKO RECORDS
Por Anderson Nascimento

O quarto disco de Kleber Cavalcante Gomes, conhecido artisticamente por Criolo, é uma verdadeira joia, principalmente para aqueles que gostam de Samba. Conhecido por sempre inovar em seus projetos, que já passaram por ritmos como MPB, Rap e Soul, o artista mais uma vez distancia-se da desagradável repetição que assola alguns artistas, mergulhando de cabeça no Samba.

“Lá Vem Você” dá início ao disco com Samba minimalista que vai ganhando corpo ao longo da faixa. A canção tem a missão de tomar de assalto o ouvinte desavisado sobre o novo trabalho do Criolo. Vale destacar a letra, uma verdadeira conjunção de onomatopeias clássicas do Samba. Há também o flerte com o linguajar do Samba, em palavras como “desamor”, o que prova que esta é uma obra reverente. Outra pista, esta escancarada, é a capa do disco, que estampa uma ilustração de Elifas Andreato, mestre nas capas de discos de Samba de artistas como Martinho da Vila e Paulinho da Viola.

O disco passeia pelos áureos tempos do ritmo. Em “Dilúvio da Solidão”, há reminiscências aos grandes intérpretes do gênero, já que o vocal do Criolo emula tais cantores. A presença de coristas do sexo feminino, também ajuda a passar o verniz adequado no corpo da canção. Ao longo do disco há uma mescla do Samba clássico com temas contemporâneos, como acontece em “Menino Mimado”. Interessante ouvir temas tão atuais com voz e instrumental que remetem a um passado bastante distante. Isso também fica evidente na ótima “Filha do Maneco”, que bem lembra o samba de breque do Kid Morengueira, Moreira da Silva.

A acurácia do repertório é tão incrível que canções como “Nas Águas”, fazem você sair cantando a letra já na primeira ouvida. A faixa, de levada afro-brasileira, é um dos grandes destaques do disco.

Apesar de focar no Samba, o disco de forma alguma se repete, explorando as diversas variações que o ritmo propicia. Há, por exemplo, o Partido Alto em “Calçada”, o lamento pela traição em “Espiral de Ilusão”, os tipos inusitados em “Boca Fofa”, e as vicissitudes do dia-a-dia em comunidades violentas em “Hora da Decisão”. Já “Cria da Favela”, canção mais tangente da pauta musical do disco, é uma Embolada que faz um link com a música nordestina.

Em um ano até agora sem muita inspiração em termos de álbuns, formato cada vez mais relegado por conta dos singles virtuais, “Espiral de Ilusão” é uma obra que justifica nossa bandeira em prol da importância de obras musicais, que tragam conceitos, contem estórias (ou histórias), e principalmente, nos faça tão feliz, como esse álbum foi capaz de fazer comigo.

Resenha Publicada em 31/05/2017





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