Resenha do Cd Cloud Nine / George Harrison

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CLOUD NINE
GEORGE HARRISON
1987

WARNER MUSIC
Por Valdir Junior

Último álbum solo de inéditas lançado por George Harrison em vida. Gravado entre Janeiro e Março de 1987 no Friar Park Studios (estúdio particular na casa de George), É um dos discos mais Rock and Roll de toda sua discografia e aquele em qual o som de sua guitarra está mais presente e brilhante.

Após lançar o álbum Gone Troppo (1982), George já um tanto desmotivado pela mentalidade vigente na industria fonográfica, pouco fez para promover o álbum e se afastou do mundo da musica por 5 anos no que parecia ser uma aposentadoria precoce. Mas não deixou de fazer música e continuou gravando demos e mais demos, como sempre fez.

Diferente de outros “Rock Stars”, George não tinha a necessidade de lançar sempre um disco novo para ficar em evidência, seu maior prazer era ser um músico e tocar com os amigos, e quando tivesse algo de relevante a dizer sobre a forma como ele via e sentia a vida e o mundo ao seu redor, aí então lançava um disco.

Após encontrar Jeff Lynne (ex-ELO) e convidá-lo para produzir o disco, ambos concordaram que este trabalho deveria ser mais direcionado ao mercado ao contrario do último álbum. E mais uma vez George chamou velhos amigos como Ringo Starr, Eric Clapton, Elton John, Jim Keltner e Gary Wright para ajudar a dar ao álbum um som de “Banda de Rock de Verdade”, diferenciando-se das músicas e dos sons feitos na época pelas bandas com suas baterias, baixos e teclados programados por computador.

Já no começo da faixa titulo “Cloud Nine” com sua introdução bem blueseira, temos a guitarra slide de George desfilando links mantricos que deixam ainda mais evidente o pedido de aceitação e amor que a letra traz. Aliás, as letras de todo álbum fazem esse contraponto entre a busca e o encontro tanto do amor espiritual quanto do amor mais profano.

Mais também alfinetam esse mundo material e sem sentido que vivemos, cheios de revistas e TVs de fofoca, políticos, interesses inescrupulosos, onde não olhamos para o próximo e nem para nós mesmos. Isso ele deixa bem claro como nas faixas “Devil Radio” e “Wreck of The Hesperus” que contam com a guitarra de Eric Clapton, deixando esses dois Rocks mais energéticos, provocantes e gritantes.

Em “Got My Mind Set On You” (Rudy Clark) lançada em 1962 pelo cantor James Ray, e que foi o grande sucesso desse álbum, temos uma faixa animada com uma bateria marcante tocado por Jim Keltner que traz de volta o velho espírito do Rock and Roll feito para animar e fazer todo mundo dançar no “balanço das horas”.

Na nostálgica e reflexiva “When We Was Fab” que em 3m e 57s consegue trazer todo o clima do final dos 60’s (seus sons de trás para frente, cítaras e arranjos típicos do Sgt. Pepper’s) e mostra também um faceta pouco falada de George, seu humor e ironia, que dão um gosto ainda “mais Beatle” à música.

Para esse disco George aproveitou duas músicas feitas para o filme “Shanghai Surprise” estrelado por Madonna e Sean Penn e lançado pela sua então produtora “Hadmade Films”; “Someplace Else” e “Breath Away From Heaven”, a primeira uma das suas melhores canções de amor, com um solo de guitarra lindíssimo e muito emocional, que pode muito bem entrar como “Somenthing” para o hall das canções de amor. George surpreende com um arranjo “bem Chinês” para “Breath Away From Heaven”, mostrando que seu apreço para musica do Oriente vai bem além da musica Indiana.

Um dos maiores acertos de George para esse álbum com certeza foi contar com o talento, criatividade e visão de Jeff Lynne na produção. Ele conseguiu fazer o som da música de George ser ao mesmo tempo atual sem deixar de ter a cara dele, o que agradou muito George, fortalecendo uma amizade com Jeff que o levaria a outros projetos (The Traveling Wilburys, Beatles Anthology) e até o fim de seus dias.

“Cloud Nine” é uma gíria em inglês para “Alto Astral” e é o título perfeito para esse ótimo trabalho de George, que mais uma vez nos mostrou que não é preciso tocar milhões de notas por segundo, fazer escalas e mais escalas, gritar e dizer um monte de bobagens para fazer um punhado de canções que dizem aquilo que precisamos e queremos ouvir sempre: boa música que nos acompanhará por toda vida.

Resenha Publicada em 26/02/2013





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