Resenha do Cd O Micróbio Do Samba / Adriana Calcanhotto

O MICRÓBIO DO SAMBA title=

O MICRÓBIO DO SAMBA
ADRIANA CALCANHOTTO
2011

SONY MUSIC
Por Valdir Junior

Lançado em março de 2011, “O Micróbio do Samba” é o décimo álbum de estúdio de Adriana Calcanhotto. Sua intenção inicial era de apenas registrar alguns sambas compostos aos acaso em um período de 4 anos. Gravado de forma espontânea e sem maiores preocupações com a qualidade das gravações, que ao final das primeiras sessões mostraram potencial e frescor, o que acabou selando a decisão de lançar esse CD.

“O Micróbio do Samba” é um termo dito por Lupicínio Rodrigues que dizia com orgulho que estava com o micróbio do samba ao ser chamado a atenção no colégio por batucar na sala de aula. E é dentro desse espírito que Adriana Calcanhotto se entrega em músicas em que o samba vai além dos sons e temas arquetípicos desse ritmo brasileiro, feitos sob medida para esse novo século que vivemos.

Um dos grandes atrativos desse álbum é o violão de Adriana, que faz uma batida que transcende o samba, trazendo nuances da bossa-nova misturada a marchinhas carnavalescas com uma boa direção pop e que no jeito magistral de tocar de Adriana se unem de tal forma à voz da cantora de um jeito só dela, chegando a nos faz lembrar de João Gilberto com o seu estilo de tocar e cantar. Os arranjos também são um show a parte, com músicos como Domenico (Orquestra Imperial) na bateria/percussão e Alberto Continentino no baixo, fazendo as bases para as músicas, eles tocam espontaneamente sem metrônomos e de forma tão orgânica, levados pelo clima das músicas e deixam leveza e pulsar únicos às interpretações.

Todas as canções são de autoria de Adriana, duas delas já haviam sido gravadas por outras cantoras, "Beijo Sem" por Teresa Cristina e "Vai saber?" por Marisa Monte no seu álbum de 2006 “Universo ao Meu Redor”. Em “Já Reparô?”, Adriana canta de forma sincera a “dor-de-cotovelo” típica dos sambas, dizendo que “o amor é o hiperquântico”, numa analogia ao princípio da incerteza de Heisenberg (que postula que só o fato de sabermos se uma partícula, e no caso dessa canção o amor, está em determinado lugar, na verdade ela não está lá), e com isso filosofa sem intelectualismo e simplicidade típica de um lamento em uma mesa de bar.

Outras músicas se destacam em “O Micróbio do Samba”, as contagiosas “Eu vivo a sorrir”, “Deixa, gueixa” e “Tão Chic”. Ao final do álbum, não há como não se entregar ao clima das canções e voltar a primeira faixa e escutar quantas vezes mais forem necessárias todas as faixas para aplacar a alegria que esse excelente CD nos deixa.

Após a gravação desse CD, Adriana teve um problema com sua mão e teve de ser submetida a uma cirurgia que a impossibilitou de tocar seu violão por um bom tempo na turnê do álbum, mas isso não prejudicou as performances das músicas (nos shows Davi Moraes tocou o violão). A turnê resultou no também excelente CD/DVD “Micróbio Vivo - Multi Show”. Se você não conhece esse CD, não perca tempo.

Resenha Publicada em 05/11/2013





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