Resenha do Cd Modern Times / Bob Dylan

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MODERN TIMES
BOB DYLAN
2006


Por Anderson Nascimento

Um verdadeiro impacto. É exatamente isso que sentimos quando o trovão da faixa de abertura “Thunder on the mountain” abre o belíssimo novo disco de Bob Dylan. Uma faixa roqueira, como há algum tempo já não se via, guitarras rápidas com uma cadência bluseira moderna, e um vocal à altura da música. Dá para dançar!

Com uma introdução tão animadora, o ouvinte certamente dedicará mais atenção e boa vontade com o restante do disco. E a essência do disco parece mesmo ser essa, um disco agitado, com poucos violões e muita disposição.

Apesar de ter apenas dez faixas, o disco passa de uma hora de música, tendo quase todas as suas músicas passando dos cinco minutos de duração, o que torna a questão qualidade necessariamente obrigatória, para não soar cansativo.

Assim é, por exemplo, a segunda faixa do álbum “Spirit on The Water”, um blues no estilo da tradicional “The Devil and The Deep Blue Sea”, com nuances distintas no andamento e interessante interpretação vocal de Dylan. Além de ser uma das poucas músicas que falam sobre o amor no disco, a faixa também se destaca como uma das mais legais do disco, mesmo com os seus quase oito minutos. Dessa vez o piano “fala” mais alto.

Na sequência, o Rock começa a correr solto novamente, com “Rollin' and Tumblin”, um rockabilly moderno e cheio de vida, com um crescendo empolgante e um refrão melódico que gruda imediatamente na mente do ouvinte.

Após mais um blues doce e temático, Bob presenteia-nos com mais um clássico do álbum recente, trata-se de “Someday Baby”, um Rockzinho desta vez com letra atrevida e maliciosa.

“Workingman's Blues #2”, é outro momento impagável do álbum, uma balada agridoce ao piano, acompanhada por uma brilhante interpretação vocal de Dylan. Isso sem contar com o refrão, talvez o mais bacana dos últimos anos. Com um fim fade-out que acaba tornando a música ainda mais interessante. Bob certamente se inspirou em seus ídolos ao escrever a letra da música.

Antes de findar, o álbum ainda traz mais uma rockzinho/blues com cara de Jam Session, “The Levee's Gonna Break” e acaba finalizando com uma música de quase nove minutos “Ain't Talkin'”, certamente uma das mais bem trabalhadas do álbum. Nota-se uma grande preocupação com o resultado final.

O disco ainda saiu em três versões diferentes, cd simples, cd+dvd e vinil.

No fim das contas temos um álbum que pode ser comparado ao sabor envelhecido de um bom vinho. Apesar dos quase cinquenta anos de carreira, fica a lição de um artista que não está nem aí para o tempo.

Resenha Publicada em 31/08/2006





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