Resenha do Cd Ghost Stories / Coldplay

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GHOST STORIES
COLDPLAY
2014

WARNER MUSIC
Por Anderson Nascimento

Há três anos sem lançar um disco de estúdio, a banda britânica Coldplay apresenta enfim “Ghost Stories”, um álbum drasticamente comprometido pela recente separação do seu líder e vocalista Chris Martin com a atriz Gwyneth Paltrow.

Historicamente falando a separação já foi temática de vários álbuns. Um exemplo clássico é o do álbum “Mind Games” de John Lennon, escrito e gravado enquanto o ex-Beatle amargava a separação com a sua cara-metade Yoko Ono. Não é segredo para ninguém que os problemas de relacionamento de Lennon deram origem a um de seus melhores álbuns.

Infelizmente isso não é o que acontece no novo disco do Coldplay. Ao invés disso, temos um álbum afetado, fraco musicalmente, tedioso e muito aquém das possibilidades do grupo. Tal fato acende a luz amarela na carreira discográfica da banda, já que o seu último grande disco foi “Viva La Vida”, lançado no já distante ano de 2008. A questão aqui não é levantar dúvidas quanto ao reconhecido talento da banda, já que a mesma continua arrastando multidões por onde quer que passe, mas sim apontar a baixa criatividade do grupo nos últimos anos.

“Ghost Stories” pode ser considerado um álbum conceitual, tanto por sua sonoridade redundante e um tanto eletrônica, quanto pelas letras, que são até boas, mas falam irritantemente sobre o mesmo assunto.

O início do álbum, por exemplo, apresenta a boa e curta “Always in My Head”, faixa calcada na repetição de seu título e em backings vocals de linhagem etérea que voltam a aparecer ao longo de quase todo o álbum.

O single “Magic” vem logo a seguir e, por incrível que isso possa parecer, é um dos destaques do disco, o que é uma má notícia para quem ouviu a faixa antes mesmo do disco ser lançado, e torceu para que o single tivesse sido apenas uma escolha equivocada dentro do repertório do novo disco.

“Ink”, a faixa seguinte é mais arejada e, apesar de sua batida eletrônica incomodar um pouco, tem uma melodia bonita, e poderia muito bem ter sido (se é que ainda não será) lançada como single.

Chegando já ao meio do disco, temos “True Love” e “Midnight” (segundo single), faixas que pouco acrescentam à obra do grupo, senão pela inovação no vocal modificado eletronicamente da segunda música em questão, que diga-se de passagem é dura de se ouvir. A sequência com “Another’s Arms” e “Oceans” também traz canções que correm o risco de serem esquecidas, porque dificilmente vão figurar entre as faixas mais relevantes da banda. No caso de “Oceans”, a canção de levada acústica tem potencial, se repensada de maneira menos singela e mais marcante.

O disco só volta mesmo a agradar em “A Sky Full of Stars”, terceiro single do disco e melhor faixa desse novo conjunto de nove canções inéditas. Apesar de não ser extraordinária, a dançante canção joga um pouco de luz na escuridão presente no álbum, o que acaba por roçar o brilhantismo que se espera da banda, fato que poderia ter dado à canção o direito de fechar o disco, ao invés da faixa que realmente encerra o disco, batizada apenas como “O”.

No fim dos aproximadamente quarenta minutos do álbum (descontando-se a faixa instrumental escondida ao final) têm-se como resultado um disco apenas regular, que abre mão do que o Coldplay tem de melhor, ou seja, a inventividade e capacidade de construir canções impactantes, em prol de batidas eletrônicas e lamúrias, o que revela que chegou a hora de a banda voltar a lançar um disco que beire a qualidade de seus primeiros álbuns.

Resenha Publicada em 29/06/2014





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