Discografia Comentada - Martinho Da Vila

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MARTINHO DA VILA

Duas Barras, RJ - Brasil
Desde: 1967
Nascimento: 12/02/1938

Site oficial: http://www.martinhodavila.com.br/

Descrição do Artista
Um dos maiores compositores de Samba brasileiro de todos os tempos, Martinho foi Sargento do exército de onde saiu para se dedicar à música. Se tornou um dos maiores vendedores de discos nos 70 e, desde então, vem mantendo a regularidade nos lançamentos de discos e na realização de shows.

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Álbuns
    NEM TODO CRIOULO É DOIDO
    1968
    Por Anderson Nascimento

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    Embora não seja um álbum “cheio” de Martinho da Vila – o disco é dividido com outros sambistas -, este disco tem uma importância histórica, pois apresenta uma versão seminal do sucesso “Pra Que Dinheiro”. Além disso, as outras canções interpretadas por Martinho no disco, “Deixa Serenar”, “Querer É poder” e “Se Eu Errei” não são composições suas e só foram registradas nesse disco.

    MARTINHO DA VILA
    1969
    Por Anderson Nascimento

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    O primeiro álbum completo de Martinho da Vila se confunde com uma coletânea, já que estão nele sucessos como “Casa de Bamba”, “Menina Moça”, “O Pequeno Burguês” e uma regravação de “Pra Que Dinheiro”, canções até hoje com presenças obrigatórias em seus shows. Além dos sucessos, o disco ainda inclui outros sambas históricos de Martinho como “Quatro Séculos de Modas e Costumes”, “Iaiá do Cais Dourado”, “Quem é Do Mar Não Enjoa” e “Tom Maior”, um dos mais belos sambas de seu repertório. O disco foi um grande sucesso de vendas, chegando ao incrível número de 400 mil cópias vendidas, fato até então inédito para discos de Samba.

    MEU LAIÁ-RAIÁ
    1970
    Por Anderson Nascimento




    O sucesso do álbum de estreia colocou Martinho em posição privilegiada na gravadora, dessa forma, Martinho pôde contar com os recursos desejados para a gravação de seu segundo álbum, desta vez mais bem produzido que o primeiro. Mesmo assim, o resultado foi decepcionante para Martinho, que esperava repetir o sucesso do álbum anterior. O álbum vendeu “apenas” 200 mil cópias, para a gravadora a venda foi muito expressiva, mas para Martinho, vender apenas metade das vendas do disco anterior causou insegurança em sua carreira como sambista. O disco traz o grande sucesso que deu nome ao álbum “Meu Laia-Raiá” e também “Linha do Ão”, faixa de cunho bastante pessoal. Martinho era cada vez mais elogiado por seus versos originais, elegantes e até melancólicos, como no Samba Enredo “Madrugada, Carnaval e Chuva”.

    MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS
    1971
    Por Anderson Nascimento




    O terceiro disco de Martinho quase não foi lançado. Martinho ainda não tinha certeza de que largar o seu cargo de Sargento no exército era a melhor decisão, principalmente por conta das vendas do disco anterior. Ainda assim, sem saber, Martinho era o maior vendedor de discos de sua gravadora RCA, que queria influenciar mais na produção do seu terceiro disco. Martinho ameaçou não gravá-lo, deixando os executivos da gravadora de cabelos em pé. Enfim, Martinho aceitou então gravar o que seria o seu primeiro álbum conceitual, fato que se repetiria muitas vezes ao longo de sua carreira. Uma das exigências da gravadora era que o disco fosse produzido pelo maestro Rildo Hora, figura que seria muito importante na carreira do sambista. O disco cobre as memórias afetivas de Martinho, que busca em ícones do Samba, como Candeia, Cabana, Ataulfo Alves, Xangô da Mangueira e Paulinho da Viola, as palavras que o artista queria dizer. Entre os sucessos do disco estão “Segure Tudo”, “Menina Moça” (canção antiga de seu repertório) e “Quem Pode Pode”, todas de sua autoria. O disco foi um sucesso, vendendo cerca de 300 mil cópias.

    BATUQUE NA COZINHA
    1972
    Por Anderson Nascimento




    Diferentemente do disco anterior, esse álbum é quase todo autoral. Martinho já havia dado baixa no Exército, e estava se dedicando totalmente ao Samba, criando novas composições e fazendo muitos shows. Inquieto, Martinho começa a inserir elementos seminais do Samba em seus discos, principalmente com referências ao nordeste brasileiro, antes de descer fundo em suas origens. Nesse álbum, por exemplo, Martinho regrava João da Baiana na faixa título do disco, além de registrar uma seleção de Samba de Roda e Partido-Alto de domínio público. Entre os sucessos estão a própria faixa título, presente até hoje nos shows do artista, “Balança Povo” e o Samba Enredo “Onde o Brasil Aprendeu a Liberdade”. O disco marca a elaboração da primeira capa feita pelo artista Elifas Andreato, que seria uma referência não só para as capas de discos do Martinho, como também do Samba, principalmente nos anos 1970.

    ORIGENS
    1973
    Por Anderson Nascimento




    Como o próprio nome revela, “Origens” é o álbum em que Martinho segue revisitando as origens do Samba, assim como ele o faz nos dois discos anteriores, formando uma espécie de trilogia. Em “Origens”, o Sambista vai em busca das raízes do Samba, motivado por uma viagem recém realizada à África. Martinho passa pelo início do ritmo no Brasil, com “Pelo Telefone” - primeiro Samba registrado por Donga e Mauro de Almeida -, prestando uma homenagem à Monsueto com sete Sambas do artista em formato pot-pourri, até chegar à África em diversos momentos do álbum, chegando inclusive a gravar uma música em um dialeto africano. Embora seja um álbum difícil, o que fez com que ele vendesse um pouco menos que o habitual, o disco apresentou sucessos como “Não Chora, Meu Amor”, “Tudo, Menos Amor”, canção de Walter Rosa e Monarco, e a já citada “Pelo Telefone”.

    CANTA CANTA, MINHA GENTE
    1974
    Por Anderson Nascimento

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    Com “Canta Canta Minha Gente”, Martinho da Vila reescreveu a história dos discos de Samba, apostando em um álbum lírico com canções que entrariam pra sempre no inconsciente coletivo. O álbum é tido como um dos melhores do Sambista até hoje e apresentou ao mundo canções como a faixa título, “Disritmia”, “Malandrinha” e “Renascer das Cinzas”. Em termos de sucesso, o disco conseguiu se igualar com o a estreia de Martinho, já que quase todas as canções do disco foram parar nas rádios e as vendagens ultrapassaram as 500 mil cópias. Se há um auge na carreira de Martinho, esse auge foi atingido neste álbum. A partir deste álbum Martinho passou também a fazer história com capas de discos cada vez mais elaboradas, em formato álbum com desenhos e conceito criado pelo artista Elifas Andreato.

    MARAVILHA DE CENÁRIO
    1975
    Por Anderson Nascimento




    Após o estrondoso sucesso de “Canta Canta Minha Gente”, dificilmente alguém poderia esperar que o próximo lançamento o superasse, mas incrivelmente isso ocorreu no álbum seguinte, o conceitual “Maravilhas de Cenário”, que ultrapassou a casa dos 600 milhões de álbuns vendidos. Dessa vez a ideia por trás do novo disco de Martinho era percorrer o Brasil de fora-a-fora, exaltando a beleza, os costumes e a música. O grande sucesso foi o Samba “Aquarela do Brasil” (Silas de Oliveira), que incrivelmente deixara o Sul de fora da homenagem, Martinho então corrige o erro com o Samba “Glórias Gaúchas”. O disco também apresenta o sucesso “Você Não Passa de Uma Mulher”, criticado por alguns que consideraram o Samba machista.

    ROSA DO POVO
    1976
    Por Anderson Nascimento




    Novamente conceitual, o novo disco de Martinho da Vila tinha a poesia de Carlos Drummond de Andrade como mote, mesmo não usando nenhum de seus poemas nas canções do disco. “Rosa do Povo” é um disco sofisticado até mesmo no que diz respeito ao instrumental, que com mais de 100 músicos, apresenta instrumentos de sopro, cordas e orquestra. O disco também marca a inédita parceria em disco de Martinho com João Nogueira, na canção que explica o sentido do nome do disco “João e José”, que também faz referência aos nomes dos artistas. Além da faixa, destacam-se também no álbum o Samba-Choro “Choro Chorão” e “Não Tenha Medo Amigo”.

    PRESENTE
    1977
    Por Anderson Nascimento




    Há muito tempo Martinho da Vila não lançava um álbum que não houvesse ao menos um conceito norteando o trabalho, pensando em apenas gravar alguns Sambas e assim presentear os seus fãs no Natal, Martinho lançou este álbum. O bom disco trazia como sucessos “Vai ou Não Vai”, “Quero Quero”, “Oi Compadre” e “As Festas”, belo Samba que versa sobre as comemorações que se espalham ao longo do ano.

    TENDINHA
    1978
    Por Anderson Nascimento




    Novamente conceitual, “Tendinha” é o disco pé-no-chão de Martinho da Vila. Trata-se de um álbum que tenciona mostrar o Samba de morro. Foi um disco considerado inovador dentro do Samba, já que possuía apenas seis faixas, sendo três delas pot-pourris de diversos Sambas. O disco entrou pra lista dos preferidos de diversos artistas ligados ao Samba e, além disso, o seu formato inovador antecipou o movimento que viria a despontar e ganhar força a partir dos anos 1980, o Pagode. O disco apresenta os sucessos “Mulata Faceira” e “Amor Não é Brinquedo”, parceria com Candeia.

    TERREIRO, SALA E SALÃO
    1979
    Por Anderson Nascimento




    O último disco de Martinho da Vila na estupenda década de 1970 cobre os tipos de Samba citados em seu título. Na verdade o título estampava uma birra de Martinho com as Escolas de Samba, por considerar que o compositor de Samba estava ficando sendo colocado em segundo plano nas Escolas em favor do impacto visual, que começava a parecer mais importante nos desfiles naquela época. Um dos destaques é a melancólica “Ou Tudo Ou Nada”, mas o pot-pourri que compila diversos Sambas de Salão, e ocupa um lado inteiro do vinil original, dá um charme todo especial ao disco, representando um baile do início ao fim.

    SAMBA ENREDO
    1980
    Por Anderson Nascimento




    Vindo de uma sequência de bons álbuns, Martinho resolveu gravar este disco temático, focado nas questões negra, libertária e igualitária, relendo e resgatando Sambas-Enredo históricos essencialmente dos anos 1950 e 1960, sendo o mais antigo, o da “Cartolinhas de Caxias”, datado de 1953. Entre os Sambas mais populares estão “Quatro Séculos de Modas e Costumes”, de autoria do próprio Martinho, e defendido pela Vila Isabel em 1968, “Chico Rei”, um dos mais belos Sambas de todos os tempos, defendido pela Acadêmicos do Salgueiro em 1964. Outro fato curioso sobre esse álbum é a inclusão de “Machado de Assis”, remoto Samba inédito de Martinho da Vila, datado de 1959.

    SENTIMENTOS
    1981
    Por Anderson Nascimento




    Sentimentos é o primeiro disco autoral de Martinho nos anos 1980. O disco traz logo em sua abertura um dos maiores sucessos da carreira do sambista: “Ex-Amor”, canção até hoje indispensável em seus shows. Além do maior sucesso do disco, “Sentimentos” também possui outras ótimas canções como a política “Meu País”, onde Martinho versa sobre o ato de votar para presidente. Apesar de melancólico, já que suas canções são um resumo de diversos tipos de sentimentos, como amor, sexo, separação, política, infância e, até mesmo, morte, o disco é sabiamente conduzido por um clima bem pra cima. Musicalmente, o álbum vai do Samba choro da belíssima “Todos os Sentidos” ao Forró de “Calango da Lua”, passando pelo Samba de Roda “Olha Lá... Olha Lá...”. Vale destacar também as parcerias com João Donato, Zé Catimba, Luiz Carlos da Vila e a brilhante regravação de “Noite Cheia de Estrelas” de Cândido das Neves.

    VERSO E REVERSO
    1982
    Por Anderson Nascimento




    Como o próprio nome revela, “Verso e Reverso” é um disco de opostos: o lado A do vinil trazia o as canções alegres como “Êta Mundo Grande”, o lado B trazia canções reflexivas e, até certo ponto, tristes. O disco expõe o momento de reflexão sobre a própria vida do sambista, através de temas que apontam para o futuro do cantor como cidadão e pai de família. Ainda que não seja um disco de hits, o disco foi bem aceito pelo público, representando a volta de Martinho da Vila às grandes vendagens de álbuns, mesmo em meio ao momento delicado que a indústria fonográfica vinha passando.

    NOVAS PALAVRAS
    1983
    Por Anderson Nascimento




    Diferentemente do disco anterior, “Novas Palavras” é mais calcado no Samba pé-no-chão do que nos Sambas mais refinados. Martinho passeia por várias vertentes do Samba, com destaque para o “Partido alto da Antiga” gravada com Aniceto Império, e Sambas como “Balaio de Gato e Rato”, “Roda de Samba de Roda”, e a belíssima homenagem à Clara Nunes que fecha o disco e leva o nome da cantora recém-falecida.

    MARTINHO DA VILA ISABEL
    1984
    Por Anderson Nascimento




    É estranho imaginar que até 1984 Martinho ainda não tivesse feito um álbum dedicado ao bairro que o alcunhou artisticamente. Martinho da Vila Isabel é dos grandes álbuns de sua discografia, e traz uma série de canções célebres em seu repertório, a primeira é a regravação de “Minha Viola”, de Noel Rosa, que abre o disco. Além disso, o disco apresenta outros clássicos como “Na Aba”, o grande sucesso deste trabalho, e o grande clássico “Pra Tudo Se Acabar na Quarta-Feira”, feito para a Vila desfilar no mesmo ano de 1984. Isso sem contar com a compilação de grandes Sambas em forma de pot-pourri que se seguem ao longo do álbum. Com um álbum dedicado à Vila Isabel e aos seus Sambas, Martinho voltou a fazer um álbum acima da sua média, que já era muito boa.

    CRIAÇÕES E RECRIAÇÕES
    1985
    Por Anderson Nascimento




    Neste álbum Martinho da Vila apresenta novas canções e relê outras que foram dadas para outros artistas gravarem. Além disso, o disco apresenta outro mote, o de apresentar os filhos, ou seja, suas “criações”. Assim, Martinho Filho, Analimar e Mart’Nália aparecem no disco cantando com o pai. Destaca-se a faixa “Recriando a Criação”, e apesar de ser um disco querido na discografia de Martinho, com boas recriações, como as de “Ninguém Conhece Ninguém”, “Carnaval de Ilusões”, “Roda Ciranda”, “Criações e Recriações” não deixou um grande legado em termos de faixas marcantes na discografia do mestre.

    BATUQUEIRO
    1986
    Por Anderson Nascimento




    Fato até então raro em sua discografia, este álbum apresenta apenas três faixas compostas por Martinho sozinho ou em parceria, entre eles a divina “Fazendo a Cabeça”. De viés voltado para o Pagode, ritmo que dominava as rádios e as paradas de sucesso na época, o disco pode ser considerado como o álbum pagodeiro do Martinho. Um dos grandes sucessos do álbum foi “Pagode da Saideira”, mas destacam-se também canções como “Cadê a Farinha?”, “Diamante”, “Felicidade, O Teu Nome é Favela” e “Bem No Coração”, faixa que fecha o disco. Curiosamente Martinho gravou os vocais definitivos do álbum em uma cadeira de rodas, já que sofrera um grave acidente que lhe quebrou as duas pernas.

    MALANDRO
    1987
    Por Anderson Nascimento




    O disco “Malandro” vai no embalo das comemorações dos cinquenta anos de Martinho, e vinte anos de carreira, efeméride que toma como pontapé inicial a apresentação da canção “Menina Moça” no Festival da Record em 1967, fato que motivou a regravação da referida faixa neste disco. O disco também aborda a saga de Martinho em torno de suas viagens internacionais, o que justifica a citação de cidades como Amsterdã, Nova Iorque, Miami, e países como Cuba, Coréia e Angola. A faixa “Coração de Malandro” é o maior destaque do álbum, mas também se destacam as faixas “Que Preta, Que Nega” e o Samba rasgado “Quiproquó”.

    FESTA DA RAÇA
    1988
    Por Anderson Nascimento




    Motivado pelos 100 anos da abolição da escravatura no Brasil e pela mudança de gravadora – Martinho deixou e RCA e foi para a CBS -, Martinho fez de seu novo álbum uma verdadeira festa, como o nome propõe. O emocionante Samba “Kizomba, Festa da Raça”, que levou a Vila Isabel ao seu primeiro campeonato é o grande momento de um disco que também traz a sensual “Jaguatirica”, o Calango “Quem Me Guia”, e uma regravação de “Tom Maior”. O disco, obviamente, foi um enorme sucesso e uma belíssima estreia de Martinho na gravadora.

    O CANTO DAS LAVADEIRAS
    1989
    Por Anderson Nascimento




    Com o sucesso de “Festa da Raça” (1988), a gravadora deu carta branca para Martinho botar em prática sua ideia de desbravar o país em busca de canções folclóricas restritas às suas regiões. Assim nasceu o álbum, que apresentou essas canções ao Brasil e ao mundo, sob o ponto de vista de Martinho e de seu Samba. “O Canto das Lavadeiras” é mais que um álbum, mas um documento cultural de extrema importância. O grande sucesso do álbum foi “Madalena do Jucú”, canção tradicional da Barra do Jucú (ES), adaptada por Martinho, que virou um dos maiores sucessos de toda a sua carreira. Com um coral formado por diversas cantoras, intitulado “Coro das Lavadeiras”, o disco mantém um espírito feminino, e consegue converter em música a ideia por traz do nome do álbum. Além do grande sucesso do disco, o álbum ainda agrega outras ótimas canções como “Dancei” e “Beija. Me Beija, Me Beija”.



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