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Resenhas por Ano - 2008

    BLACK ICE

    AC/DC

    Por Renan

    álbum ainda não votado pelos leitores


    Diferente de qualquer bandinha atual, AC/DC se mantém fiel ao estilo hard rock para se ouvir em estrada. Mas que AC/DC é perfeito para ouvir na estrada qualquer um sabe. Black Ice é o novo trabalho dos australianos com guitarristas das Terras Altas, depois de longos oito anos sem um trabalho novo.

    É, nada de muito revolucionário. Uma vez me disseram que AC/DC parece episódio do Pokémon: muda muito pouca coisa. No Pokémon, só aumenta a quantidade de pragas de bolso e o Ash tem a mesma cara de tonto do primeiro episódio. No caso do AC/DC, o Angus Young continua andando como um pato na mesma roupa de estudante, o Brian Johnson segue com a mesma guela arrebentada e o som continua sendo trilha sonora de estrada. Obviamente, arremessei a chaleira na testa do pobre infeliz.

    Mas, até certo ponto, ele falou alguma verdade. Black Ice se mantém na mesma linha oitentista do AC/DC, sem nenhuma diferença gritante. Na verdade, nem profunda. Até a estrutura musical segue a mesma! Bateria + riff -> voz rasgada -> repete o riff -> refrão + riff do refrão -> volta para o início. Deve ser por isso que AC/DC se mantém como uma das melhores bandas! Eles não inventam porcariazinhas que possam acabar com a reputação deles. St. Anger é o melhor exemplo do quê eu quero dizer.

    Enfim, como se deve ouvir o Black Ice ? Ora bolas, bêbado! Num bar ou numa mesa de sinuca! Se o som não mudou, por que mudar a maneira de ouvir? Óbvio que também é possível escutar Black Ice no carro, fazendo aqueeeeeeeeela viagem. Estas são verdades universais: não precisa ter passado pela experiência para saber disto.

    Pela maneira que eu estou escrevendo, até parece que Black Ice é uma merda. DEFINITIVAMENTE não é isso. O álbum está extremamente bom! Caaaaaaara, eles sempre acertam na hora de fazer som! A fórmula do AC/DC é algo que não precisa mudar! Black Ice não vai decepcionar os fãs xiitas, nem aqueles que querem algo novo: a criatividade de Angus Young para fazer riffs ainda não acabou. YES!

    Originalmente publicado no site: http://atoouefeito.com.br/

THAT LUCKY OLD SUN

BRIAN WILSON

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Se em "Gettin´in Over My Head" Brian Wilson trazia um álbum de excelentes músicas pop, sem perder o tempero praiano dos anos 60, em "That Old Sun", o músico americano deposita todas as suas fichas no seu estilo de som original. O disco tem todos os artifícios que remetem ao som feito nos EUA na primeira metade dos anos 60.

E isso é muito positivo, em se tratando de um disco de Brian Wilson, que por si só já é meio caminho andado para tornar a obra brilhante, o ex-Beach Boys, consegue trazer aos anos 2000 o mesmo clima de quarenta anos atrás, o que não deve ser tarefa muito fácil. Tudo isso sem se copiar gratuitamente.

Como se não bastasse, Brian ainda apresenta-nos um disco conceitual, com interlúdios musicais que acaba transportando o ouvinte à aquele mundo que Wilson quer que conheçamos. "That Lucky Old Sun" traz um Brian cheio de saudades dos anos sessenta, de sua juventude e, claro, das praias e garotas, talvez por isso o disco seja tão sessentista e nostálgico. Para ajudar ainda mais no efeito da obra, o próprio Brian recomenda a sua audição no formato vinil, o que insere o ouvinte definitivamente ao som esperado pelo artista.

Neste álbum, Brian consegue passar emoção ao ouvinte em vários momentos, principalmente em "Forever My Sufer Girl" , que já figura entre as suas maiores canções, juntando-se à clássicos como "Good Vibrations" e "God Only Knows".

Mas o álbum ainda traz "Midnight´s Another Day", "Live and Let Live" (será uma referência a "Live and Let Die" do Paul?) e "Mexican Girl", uma música com sonoridade mexicana com direito até alguns versos cantados em parco Espanhol.

No fim, um fabuloso disco com grandes faixas dentro do mais novo clássico do músico. É de se imaginar Brian, com o aspecto robotizado e olhar triste, que os anos de em que ficou chapado deixaram como legado, finalmente sorrindo ao ver o resultado. Obrigado Brian!

MULTISHOW AO VIVO

CAPITAL INICIAL

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 5.00


O primeiro registro ao vivo em show elétrico da banda Capital Inicial, que foi gravado para lançamento em CD e DVD pela Multishow, aconteceu sobre circunstâncias bastante favoráveis. No aniversário de Brasília, e para um público de mais de um milhão de pessoas, que obviamente não estavam lá somente para ver a banda Dinho, o Capital aproveitou a bola em cima da linha e chutou para o gol. Mérito para a banda que acabou fazendo um golaço!

Não que este disco venha mudar alguma coisa no cenário musical, mas para a banda os reflexos desse lançamento certamente serão bem proveitosos.

Como já falei em outras resenhas, não curto discos ao vivo, mas nesse caso, o lançamento acaba sendo importante para a banda juntar seus hits recentes em um mesmo álbum, o que é certamente melhor que lançar uma coletânea.

Falando nisso, o Capital acaba consolidando a teoria de que hoje estão melhores do que quando surgiram, na primeira metade dos anos 80, ou seja, uma espécie de Aerosmith tupiniquim. Daí o disco ser calcado em sucessos recentes como “Mais”, “Como devia estar”, “Não olhe para trás”, “Olhos vermelhos” e etc... E o interessante é que nessas faixas, a resposta do público é tão (ou mais) vigorosa quanto quando eles tocam as músicas antigas. Ouça “Eu nunca disse adeus”, e você concordará comigo.

Com o jogo já ganho de goleada, o Capital ainda presenteia o público com “Que país é esse?” (em Brasília, poderia haver lugar mais apropriado?) e “Mulher de Fases”, que levou a galera à loucura.

Acho que justiça tem que ser feita, com esse disco (CD/DVD) o Capital Inicial provou que pode fazer um belo show para entreter não só os seus fãs, mas também àqueles que curtem um bom espetáculo.

VIVA LA VIDA

COLDPLAY

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Viva La Vida é o quarto álbum de estúdio da banda inglesa Coldplay. Trata-se de uma obra de audição agradável, porém está longe de atingir o nível dos dois primeiros álbuns. Contudo, há uma notável progressão se comparado com o "X&Y", disco que o precede.

Um fato curioso sobre o novo lançamento é que com pouco tempo de lançamento, o álbum já possui nada menos que quatro hits que se revezam nos programas de vídeo-clipes ou nas rádios light e de pop-Rock. "Violet Hill", "Viva La Vida", "42" e "Lost!".

Inicialmente a instrumental "Life in Techinicolor" prega uma peça no ouvinte ao introduzir um som extremamente oitentista que chega a lembrar The Smiths, mas as referências aos anos oitenta param por aí.

O disco novamente deixa de explorar excessivamente o piano e aposta em uma sonoridade mais pop, todavia sem cair em facilitismos de músicas fáceis e assobiáveis. Ao invés disso, a banda atravessa ambientes climáticos como "Violet Hill" e apoteóticos como "Viva La Vida", com direito a orquestra e tudo, e que certamente já integra a galeria de novos clássicos da banda.

Fora isso, os quarenta e cinco minutos do álbum trazem momentos igualmente inspirados como é o caso de "Cemeteries of London" e a bonita balada a lá Coldplay "42".

Talvez o disco não tenha um momento que seja descaradamente negativo, porém o fato de não empolgar tanto como em "A Rush of Blood..." (segundo disco), torne Viva La Vida apenas mediano, o que para os críticos que costumam pegar no pé da banda, é um prato cheio. Mas Chris Martin e sua trupe seguem explorando novos caminhos, e não estão nem aí para o que os críticos falam

INTIMIDADE ENTRE ESTRANHOS

FREJAT

Por Alex Peixoto

álbum ainda não votado pelos leitores


O cantor e compositor Frejat está de volta com seu terceiro cd solo “Intimidade entre estranhos”, disco bem superior ao segundo disco do cantor.

O disco conta com vários parceiros novos como Zeca Baleiro, Zé Ramalho e Paulo Ricardo, além de antigos com Mauro Sta Cecília, Leoni e o braço direito Humberto Barros, responsável também pela produção do cd.

O disco viaja entre o pop cada vez mais presente na música de Frejat, tendo em vista que ele é um dos artista mais gravados do Brasil, e o rock em faixas como “Farol”.

Outros destaques são as músicas “Dois lados”, “O céu não acaba” e “Nada além”.

CHINESE DEMOCRACY

GUNS AND ROSES

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Desde o lançamento de “Use Your Ilusion 1 e 2”, último lançamento de inéditas de Axl Rose e sua trupe, em 1991, portanto dezessete anos, os fãs e o mundo da música vêm assistindo a uma série de adiamentos, troca de músicos, regravações de instrumentos, e outros fatos que levaram-nos a perguntar: “Será que esse disco será lançado mesmo?”.

Tudo isso ajudou a criar uma verdadeira mística em torno de “Chinese Democracy”, versões piratas foram lançadas, coletâneas das músicas tocadas ao vivo por Axl, fazendo com que cada um criasse o seu “Chinese” ideal.

A pergunta mais executada em tempos de disco novo do Guns é “Valeu a pena a espera?”. Uns dizem que sim, outros dizem que não, mas vou falar por mim: valeu!

É obvio que comparações com o saudoso “clássico” Guns de dezenas de hits, vídeo clipes interessantes até hoje, são inevitáveis, mas os tempos são outros. O Talento de Axl está presente como sempre, o egoísmo, por incrível que possa parecer, foi minimizado, com fotos de integrantes e ex-integrantes que participaram da gravação do álbum no encarte do disco.

Assim como cada um viajou na idealização do “Chinese Democracy”, eu também criei a imagem de um disco duplo, triplo ou até quádruplo, devido à longa espera. Mas pensando bem, as 14 músicas do álbum foram muito bem escolhidas, acredito que deva ter sido difícil para Axl Rose “fechar” um álbum concebido ao longo de quase duas décadas.

O disco tem um estilo de Rock suave, feito para agradar os velhos fãs, e para torcer o nariz de quem esperava porradas como as de anos atrás. Os anos se passaram e Axl não se deixou levar por modismos ou pelos caminhos que o Rock trilhou desde “Use Your Ilusion”. Não há nada muito novo no álbum, apenas grandes canções preparadas com fórmulas antigas.

Musicalmente, o álbum, apresenta faixas que vão entrar para o repertório principal da banda, como é o caso da faixa título com a guitarra rasgada da introdução, ou em momentos tão empolgantes quanto, como é o caso de “There Was a Time” com seus quase sete minutos.

Ou ainda em clima extremamente noventista como na segunda música do álbum “Shackler's Revenge”, ou na pancada melódica “Better”, que talvez seja a mais moderninha do álbum.

“Street of Dreams” é o baladão do disco. Uma música bem construída, que não deixa nada a dever aos velhos clássicos da banda, incluindo todos os ingredientes das canções anteriores, a saber, falsetes, piano, longo solo de guitarra, final com “fade-in” e “fade-out” etc.

“If The World” comprova que o álbum está muito palatável, basta notas os vocais limpos e à frente dos instrumentos. Axl só erra em momentos onde há uma tentativa de grandiloqüência como em “Catcher in The Rye”. Porém quando tenta ser mais simples, Axl acerta em cheio, é o caso de “Sorry”. Ou ainda na sequência de perder o fôlego no final do disco começando com “I.R.S”, a melhor música do disco, e passando por “Madagascar” e “This is Love”.

Dezessete anos depois, o Guns and Roses está de volta! Seja bem vindo Axl!

UMA TARDE NA FRUTEIRA

JÚPITER MAÇÃ

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Júpiter Maçã é um dos codinomes do cantor, compositor e músico gaucho Flávio Basso, que também usa o nome artístico “Júpiter Apple”, nos casos das gravações realizadas em Inglês.

Júpiter é dono de uma carreira que já conta com mais de vinte anos, somando a sua carreira solo aos anos em que fez parte de duas das maiores bandas gauchas de todos os tempos, o “TNT” e “Os Cacavelletes” (que também incluiu em sua formação Frank Jorge e Nei Van Soria).

“Uma Tarde na Fruteira” é o quinto álbum solo de Júpiter, segundo como “Maçã”. O disco vinha sendo aguardo há tempos pelos seus fãs, pois o lançamento de um álbum como “Júpiter Maçã” não ocorria desde 1997. Se a expectativa era grande, a cobrança certamente não seria diferente, e para a alegria de todos, no lançamento atual o artista consegue atingir o mesmo nível de qualidade de seu clássico “A Sétima Efervescência” - um marco na carreira do artista, aplaudidíssimo pela crítica por chegar a lugares psicodélicos nunca antes navegados por artistas brasileiros.

A ousadia de comparar o disco novo com o velho clássico de Júpiter justifica-se pelo fato de este álbum ter sido costurado ao longo dos anos de abstinência por um novo lançamento do artista. Enquanto não lançava um álbum, Júpiter lançou alguns singles em compactos no formato vinil, que só colocaram mais água na boca dos fãs.

É o caso da hipnotizante “A Marchinha Psicótica de Dr. Soup”, lançada em compacto em 2003. A canção é pura psicodelia ao som de uma melodia de cadência circense que poderia estar facilmente em um disco dos Mutantes. A música abre o disco apresentando em sua letra a salada de influências presentes no disco - “Antes de nada eu gostaria de explicar, segue agora um mosaico de imagens mil...”. E apesar de costurado com os singles, o disco parece mesmo apresentar um mosaico de influências na carreira do artista. A canção que fez na época o lado B desse mesmo compacto, “Mademoiselle Marchand” também está no disco, seguindo a mesma linha, só que desta vez com citações musicais que chegam a lembrar os Mutantes na fase progressiva.

O outro compacto “Beatle George” também está no novo álbum. Já conhecida pelos fãs por ter sido lançada em compacto em 2005, a canção é uma ode ao Beatle falecido em 2001, recheada de “aleluias” e “Hare Krishna´s” a canção é a mais pop e acessível do disco.

“Síndrome do Pânico” é outro single que também marca presença nesse álbum, com referências explícitas a “Birds” e a acidez da segunda metade dos anos setenta, a canção consegue dar uma cadenciada no ritmo do disco, fugindo um pouco da psicodelia e tropicália.

E nesse caldeirão de referências, Júpiter surpreende e põe no disco uma espécie de Bossa Nova internacionalizada, com letras em português e inglês, mas na verdade, a letra é o que menos importa em “Carvão Sobre tela”.

O Rock mais seco tem lugar em “Tema de Júpiter Maçã”, os Beatles são novamente lembrados em “Little Raver”, que possui uma base que lembra “Mother´s Nature Son” do quarteto britânico. Já “Casa da Mamãe” também faz a linha mutante, desta vez é quase possível ouvir o próprio Arnaldo Baptista cantando, tão forte que é a referência.

Seja em momentos tensos como em “As Mesmas Coisas” ou completamente experimental como em “Viola de Aço”- mais Beatles o final lembra “It´s All To Much” – Júpiter apresenta um disco recheado de variações de um mesmo tema, de forma simplesmente brilhante.

Com uma mistura de Rock setentista, tropicália e, principalmente, psicodelismo, “Uma Tarde na Fruteira” já nasce clássico (bem que poderia ganhar uma versão especial em vinil, aproveitando a volta da fabricação nacional pela Polysom) e certamente vai tocar muito até que um novo disco seja lançado – o intervalo entre o primeiro disco do “Maçã“ e esse durou nada menos que onze anos.

KEANE

PERFECT SYMMETRY

KEANE

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Afastando-se cada vez mais do Britpop que fez com que Keane ficasse conhecido em todo o mundo, “Perfect Symmetry”, é um disco extremamente oitentista. O cartão de visitas já fica por conta de “Spiralling”, uma das melhores do álbum, completamente voltada para a pista de dança, incluindo todos os efeitos necessários para balançar o esqueleto, chega a lembrar um pouco Duran Duran. A música talvez é que mais identifica o Keane desse novo disco, mas ainda conseguimos em muitos outros momentos do álbum, perceber qual é a fonte que o Keane bebeu, no caso de “Better Than This”, temos um U2 (muito copiado ultimamente) do início da carreira remontado. “Pretend That You´re Alone”, segue nessa linha com um grande balanço, também se destacando no álbum.

O disco investe quase que o tempo todo em músicas mais animadas, pondo para fora do álbum as baladas. E mesmo em momentos mais sentimentais como em “The Lovers are Losing”, não temos nada que se assemelha a canções como “Somewhere Only We Know” do primeiro disco. Todavia, quem acompanha os discos da banda de Tom Chaplin, não ficará tão surpreso com a sonoridade desse álbum, pois essa tendência já vinha se revelando desde “Under The Iron Sea”, menos piano e mais vibração. Mas por incrível que possa parecer, nos poucos momentos em que eles lembram o Keane do primeiro disco, por exemplo “Again and Again”, eles acabam acertando a mão e classificando a música entre as melhores do novo álbum.

Em alguns momentos do álbum, fica uma sensação de falta de inspiração. Em “You Don´t See Me”, fica claro que músicas assim podem custar caro ao álbum. “Playing Alone”, outra escancaradamente oitentista, mesmo com todos os efeitos e coros que tentam criar algo grandioso, também não consegue ser lá muito inspirada.

Toda essa ousadia apresentada no álbum, na verdade acaba sendo bom para a banda e para o seu público, uma vez que todas as bandas que iniciaram tendo como ponto de partida o Britpop já mergulharam em outras praias, veja o caso de Oasis, Coldplay, Travis e Jet.

O álbum é uma bela síntese dessa mudança, tendendo muito fortemente ao som feito há quase três décadas atrás, ou seja, o Keane não traz nenhuma novidade, porém acrescenta à sua carreira um álbum descontraído e gostoso de ouvir.

DAY AND AGE

KILLERS, THE

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Quando Brandon Flowers , Dave Keuning, Ronnie Vannucci e Mark Stoermer surgiram na cena musical dos anos 2000 com a banda The Killers, ninguém imaginava que uma banda nova ousasse lançar três discos tão distintos um do outro. Enquanto o disco de estréia “Hot Fuss” era calcado em uma sonoridade oitentista, encabeçada pelo hit “Somebody Told Me”, o segundo álbum já trazia um som menos new wave e mais centrado em guitarras do que os tradicionais sintetizadores, e nesse disco novo, todos os esforços são voltados para gerar um álbum absolutamente dançante.

O objetivo do álbum fica claro ao ouvinte já na primeira música “Losing Touch”, um misto de Rock retrô (anos setenta talvez), com um pouco de batida dançante, tornando-se uma bela abertura de disco.

A sequência é matadora, ”Human” é uma das músicas recentes mais belas que já ouvi. Primeiro pela melodia encantadora, depois pela letra até certo ponto non-sense, mas que desliza suavemente para dentro da sua mente. A canção sozinha já paga o cd.

“Spaceman” mantém o nível do disco, com um empolgante vocal e um ritmo um pouco mais roqueiro, em uma letra que descreve uma abdução alienígena.

A partir daí o disco escancara de vez e parte agressivamente para as pistas, isso fica claro em “Joy Ride”, “A Dustland Fairytale“ e em “The World We Live In” um curioso momento que a banda acerta em cheio, e lembra (muito) o som que Jeff Lynne construiu com o ELO nos anos setenta.

Outro momento de destaque é a faixa “Neon Tiger” – música que certamente vai ser cantada em côro pelos fãs nos shows, já que a própria letra e interpretação da música sugerem isso.

Em “This is Your Life” fica claro que a banda quer mostrar que as pistas de dança podem ser preenchidas com música de qualidade.

Em apenas dez faixas, o The Killers se reinventa novamente, faz um bom disco, mas que vai assustar muita gente que por ventura conheça a banda apenas pelo álbum anterior. No entanto, fica claro que a banda não vai ficar nessa praia por muito tempo, até porque o som do "The Killers" virou sinal de reinveção.

ONLY BY THE NIGHT

KINGS OF LEON

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 5.00


Formada no ano de 2000 nos Estados Unidos por três irmãos e um primo, a banda Kings of Leon chega ao quarto disco encarando o mundo de frente. O novo álbum "Only By The Night" teve lançamento mundial no fim de 2008, e nunca houve tanta aclamação em torno de um lançamento da banda como nesse disco. Batendo recordes de vendas e com dois singles estourados nas paradas do mundo todo, a banda parece ter conquistado finalmente o seu lugar.

Uma das características marcantes da banda é a proximidade com o som Inglês em suas músicas. Em "Sex on Fire", um dos singles do disco, a pegada da guitarra e o conjunto bateria, baixo e voz elevam a canção como uma das mais legais já produzidas pela banda.

Na música "Use Somebody", outro single, também temos um conjunto de elementos marcantes que ajudam a empurrar o álbum para o ranking entre os melhores discos de 2008. A interpretação forte e sofrida Caleb Followil - uma marca da banda - e a sonoridade espacial da música levam o ouvinte a uma outra dimensão, tornando a audição uma experiência incrível.

Além dos singles, o álbum ainda tem fôlego para mostrar os motivos que levaram "Only By The Night" a receber indicações para o Grammy, ter sido premiado como melhor disco pela revista "Q" e ter sido incluído em várias listas de melhores de 2008.

É o caso de "17" onde a banda chega a lembrar a banda "Three Dog Night", também americana, que fez sucesso nos anos setenta, misturando no mesmo caldeirão baladas hard e Rock pós-psicodelismo. Ou ainda na faixa de abertura onde a sonoridade lembra um pouco a banda americana "Gnarls Barkley", onde um caldeirão de sonoridades anuncia que um grande álbum está pela frente.

Pronta para cantar (e dançar) também é a faixa "Manhattan", que empolga e tinha tudo para virar mais um single do álbum, bem como "Revelry" uma das poucas baladas do disco, mas que consegue tocar o ouvinte com a sutileza de sua melodia e letra, além da interpretação irrepreensível e um, ao mesmo tempo, bonito e assustador coro ao longo de toda a música.

Difícil, no entanto, é adivinhar o que vem nas próximas faixas - o disco te pega de surpresa a cada nova música. A sequência do álbum com "Crawl" chega com uma guitarra estranhamente suja, com uma letra que dá vontade de aprender cada verso para cantar a plenos pulmões.

Em "I Want You" a banda tira o pé do acelerador e manda uma espécie de pop-reggae misturado com Velvet Underground, transformando a canção no momento mais inusitado do álbum. Isso também ocorre em "Be Somebody" onde a sinfonia rítmica da bateria na introdução chega a apontar uma pitada de World Music, que acaba sendo disfarçada pelo refrão da música e muda de formato novamente no encerramento da mesma, chegando a sugerir uma jam session, que logo é abortada.

No final do álbum está "Cold Desert", faixa que novamente volta ao estilo Rock Inglês que eu falei no início. A música, de letra pesada, é arrastada até um final falso que retorna em um crescendo que acaba finalizando o disco da forma digna como a obra merece.

No fim das contas temos um disco alternativo que mostra o amadurecimento de uma banda que vem ralando há quase dez anos por um espaço, não só na cena alternativa, mas entre os figurões do Rock sem as fronteiras que o rotula.

DEATH MAGNETIC

METALLICA

Por Alex Peixoto

álbum ainda não votado pelos leitores


Não é de hoje que todos os fãs de metal estavam esperando um disco decente do Metallica.

Pois bem, depois de várias crises, trocas de produtor, a espera acabou, e no novo disco “Death Magnetic”, trás de volta aquele som "Old school" que consagrou o quarteto de São Francisco.

De longe é o melhor disco depois de discos fracos como “Loud”, “Reload” e “St, Anger”.

É bom ouvir os riffs e solos poderosos de kirk, ausentes do cd anterior, e já na faixa que abre o cd "That was just you life", podemos constatar logo na introdução que os bons tempos voltaram, e é assim que seguem as faixas em todo o cd.

O novo single "The day never comes", a bela "The unforgiven III", a porrada na faixa instrumental "Suicide & redemption" e o segundo single "Cyanide", são provas disso.

No geral. “Death Magnetic” é um bom disco que coloca o Metallica em seu devido lugar.

ORACULAR SPETACULAR

MGMT

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


O MGMT, abreviação consonantal para The Management, é um duo formado em Nova Iorque por Andrew Vanwyngarden e Ben Goldwasser, que foi capaz de surpreender o mundo ao aparecer com a música "Time To Pretend". Inicialmente a o impacto foi mais notado devido à estranheza da referida música que foge do lugar comum. A começar pela letra totalmente bicho-grilo, passando por vocais duplicados e sintetizadoramente tratados, e instrumental riffado com uma sonoridade ímpar que dá o toque final para que a banda tenha sido considerada como a banda revelação de 2008.

Ora psicodélica em "4th Dimensional Transition", por exemplo, ora setentista como na segunda faixa "Weekend Wars", que chega a lembrar coisas do Bowie e até um pouco de Tropicalismo, ou ainda em "Electric Feel", que lembra os Bee Gees, gênios das pistas, a banda distribui um belo portfólio de canções ao longo de um enxuto álbum com apenas dez faixas.

Outro atrativo do álbum de estréia do MGMT, é o curioso uso de um recurso pouco usado nos dias de hoje, os sons externos que servem para ilustrar uma determinada música. Logo na faixa de abertura "Time To Pretend", sons de água e natureza incrementam um clima bucólico ao já citado psicodelismo. Em "Kids" crianças brincando ilustram o segundo hit do álbum, uma canção com um forte apelo instrumental e voltada para as pistas de dança.

Nem quando tenta ser minimalista a dupla deixa de improvisar ou surpreender, é só ouvir "Pieces of What" e sentir baixo, violão duelarem até que o caldo seja engrossado com guitarras e cordas. Já quando quer parecer grandiosa, a banda exagera um pouquinho, como no caso da bela faixa "Of Moons, Birds & Monsters", quase um retorno dos Beatles à Pepperland em 1969.

"Oracular Spectacular" ganha o carinho do ouvinte por vários motivos, entre eles está o que fica estampado ser a maior virtude da banda: a coragem. Sem medo de serem felizes os dois músicos que formam o MGMT, conseguem colocar no mesmo caldeirão influências diversas como Art Rock, Psicodelismo, Rock Alternativo e música eletrônica.

Se bandas como The Killers e Franz Ferdinand apostaram em um som mais pop, largamente aproveitados em discotecas do mundo inteiro, o MGMT consegue fazer um disco inteiro com essa sonoridade, colocando o seu álbum de estréia no pódio dessa tendência musical.

DIG OUT YOUR SOUL

OASIS

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 5.00


O sétimo disco da maior banda britânica desde o seu surgimento, que quebrou mais um recorde, vendendo 600 mil ingressos de sua nova turnê em uma hora, é motivo de orgulho para os seus fãs, e certamente um novo incômodo para aqueles que os odeiam.

Dig Out Your Soul, assim como o álbum anterior, foge de repetições e do sucesso fácil. Com uma postura que tende a olhar para frente, obviamente sem esquecer de olhar para trás, o álbum materializa um formato de degustação prazerosa da primeira à última faixa.

No início da obra, os Gallaghers surpreendem o ouvinte com a ultra-poderosa “Bag It Up”, uma ode ao psicodelismo com upgrade na medida para o século 21. A música é uma verdadeira terapia do caos que eleva o astral de qualquer um que ouse a encará-la, e certamente faz o fã da banda soltar um sorriso no canto da boca, como quem diz “Esses caras são fodas!”

E para quem espera um disco de alto nível após a audição da primeira faixa, consegue achá-lo no decorrer do álbum. “The Turning” é responsável por manter o álbum no clima da faixa anterior, com um Rock que poderia estar situado entre “Definitive Maybe” e “What´s The Story Morning Glory”, fazendo o ouvinte querer levantar e dançar. Certamente será um grande momento nos shows da turnê atual.

As referências aos Beatles, claro, estão ainda permeando a obra da banda. Como é o caso do incrível encerramento de “The Turning”, onde “Dear Prudence” pode ser ouvida pelas mãos do Oasis. No single “The Shock of The Lighting”, outra porrada gostosa do álbum, Liam fala “Love is a litany, a Magical Mistery ”. A faixa “To Be Where There´s Life ” é tocada com instrumentos indianos bem no estilo George Harrison. Bom, não está satisfeito? A faixa “I´m Outta Time” é uma homenagem de Liam a John Lennon, seu maior ídolo, trazendo inclusive um trecho de uma entrevista do Beatle.

Musicalmente, o disco está bem variado, um pianinho ao longo de “The Turning” torna a música ainda mais brilhante, assim como os efeitos eletrônicos na mesma música. Na faixa de abertura, temos um pequeno solo de bateria que chega a deixar o ouvinte meio zonzo no interlúdio do fim da canção. Falando em bateria, Zak Starkey (filho de quem?) destrói em “The Shock of Lightning”.

Após o encandeamento que segue até a quinta faixa, a balada “I´m Outta Time”, o disco perde um pouco do seu peso e, ao logo das outras faixas, temos alguns momentos bons como em “Falling Down”, um misto de música eletrônica com “Tomorrow Never Knows”, e outros nem tanto como a distorção de voz de Noel na bela “High Horse Lady”.

No fim das contas, o Oasis prova mais uma vez ser uma banda necessária para música, lançando um disco que certamente não passará em branco.

COSMOS ROCK

QUEEN

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 5.00


O novo disco do Queen, sim Queen mesmo, pode ser definido como um conjunto de boas canções. Muito se falou sobre o fato da banda ter lançado um disco de inéditas trazendo o santificado nome da banda inglesa, que sempre teve Freddie Mercury como referência. Acho tudo isso uma grande besteira, visto que seria uma pena ter o portfólio do Queen adormecido, e mais, não ter a oportunidade de vermos Brian May e Roger Taylor trabalhando juntos novamente. A partir daí, uma parceira interessante entre o (bom) vocalista Paul Rodgers, e os dois remanescentes do Queen original, deu-se através das apresentações ao vivo. Nada mais natural que um disco novo, o dia-a-dia dentro de um estúdio e o nascimento de novas canções, que são um deleite para eles mesmos e um presente para os fãs não-xiitas.

Custei a perceber algo realmente do Queen nesse disco, mas buscando com cuidado, podemos encontrar algumas referências. Em “Still Burning”, por exemplo, temos até uma citação sonora de “We Will Rock You”. Em “We Believe”, conseguimos perfeitamente imaginá-la nos derradeiros álbuns da banda. Outro momento é o solo de guitarra de May, que abre “Through The Night”.

Como disse, é um álbum de boas canções e, em alguns momentos, de grandes canções como em “Vodoo”, uma linda balada pop. Ou em “Time To Shine”, uma das melhores do disco.

Não encontramos no álbum porém, nenhuma música no estilo super-produção como a banda costumava fazer em seus álbuns. Quando a banda tenta, como na faixa de abertura “Cosmos Rockin”, não consegue soar além um básico Rock no estilo Chuck Berry. Ou ainda na balada “Say It´s Not True”, cantada por Roger Taylor, que vêm sendo tocada nos shows, e que também poderia estar entre as melhores do álbum, não fosse a distorção no vocal do baterista.

No single “C-lebrity”, alguns efeitos são empunhados, o que torna a música interessante. Outro momento, digamos, diferente, é na música “Call me”, que faz do refrão fácil, o momento mais divertido do álbum.

Ao fim do álbum, temos a sensação de ouvir um bom disco de uma boa banda de Rock. Se nos abstivermos de fazer as fatídicas comparações – comparar Paul Rodgers com Freddie Mercury seria até uma heresia – valeu a pena a curiosidade e a espera por novas canções da banda que há mais de trinta anos encabeça a lista das mais importantes do planeta.

7 VEZES

RAPPA, O

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Com o sucessor d' "O Silêncio Q Precede o Esporro", desta vez a banda de Falcão e companhia aposta em um disco com bastante guitarras, resultado de cinco anos sem um disco de inéditas.

O álbum acompanha a sequência de bons álbuns de carreira da banda, porém se mostra levemente inferior ao anterior. Enquanto "O Silêncio..." entrou para a história como um álbum muito bem arranjado e com uma concisão que acabou por delimitar as faixas dentro desse conceito, em sete vezes temos uma banda mais crua com faixas bastantes independentes uma da outra. Ainda que os temas sociedade, violência, descrença acabem se convergindo no final.

"7 Vezes" é um disco de canções, e que canções! "Meu Santo Tá Cansado" é uma porrada que acerta em cheio a situação da vida cotidiana.

O disco tem tudo para render à banda pelo menos uns cinco singles de sucesso, no meio de faixas como "Mostro Invisível", " Meu Mundo É o Barro", "Hóstia", " Fininho da Vida" e "Verdade de Feirantes".

Novamente a banda traz uma regravação em seu disco. Desta vez "Súplica Cearense", de Gordurinha, belo clássico do cancioneiro nordestino, mas que nesse álbum ficou devendo perante a grandiosidade da versão original

EFEITO MORAL

RELESPÚBLICA

Por Anderson Nascimento

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Em seu quinto disco, a banda Curitibana Relespública consegue passar a limpo as experiências acumuladas ao longo de uma carreira de vinte anos, bastante tempo para jovens na faixa dos trinta em poucos anos. Ao longo de todo esse tempo, o trio, que também já foi quinteto, tem uma história que dá para render um livro.

Desde a sua formação, ainda garotos, geraram vídeos pessoais, gravaram músicas próprias, lançaram um compacto ainda em vinil, acumularam shows e ainda passaram pela triste perda de um integrante, Daniel Fagundes, em um acidente, o núcleo formado por Fábio Elias, Emanuel Moon e Ricardo Bastos vêm resistindo a tudo isso e, o que é melhor, fazendo shows antológicos e gravando discos de alta qualidade.

Em "Efeito Moral", eles não poderiam fazer diferente do que os fãs já esperavam. A pegada Rock´n´Roll está presente em um disco de quatorze faixas e canções repletas de mensagens "cabeça".

Se no disco de estúdio anterior, a temática principal era o jovem em um domingo solitário, a temática principal deste disco está no meio-ambiente e as questões de sobrevivência no planeta Terra.

Além da temática principal, outras mensagens são passadas através das canções. Temas como drogas ("Nós Estamos Aqui", que abre o disco), amizade acima de tudo ("O Planador"), são exemplos disso.

Sobre a temática ambiental podemos citar "Tudo o que eu preciso”, primeiro single do disco e que tem a participação de Samuel Rosa do Skank e cita a importância da água, "Homem Bomba" uma canção extremamente roqueira, onde a camada de ozônio é lembrada e "Tema pela terra", que possui uma batida que lembra Bob Dylan (ou George Harrison) em "It Not for You", onde chegamos quase a cantar a música após o riff principal. O tema meio-ambiente é tão recorrente no álbum que em certo momento chega a cansar.

Mas é nas músicas mais calcadas em Jovem Guarda e anos setenta que a Reles se sai melhor. Em "Dê uma chance pro amor", a banda descarrega um Rock tipicamente setentista com tempero oitentista e a transforma em umas das melhores músicas do álbum. "Catavento" é outro exemplo disso, a batida e o instrumental dão toda a sensação de estar ouvindo uma música antiga. "Se Tenho Você" talvez seja a mais jovem guarda de todas nesse álbum, uma melodia gostosa demais que engrossa o poderio do álbum.

"S.O.S" é outra canção que lembra Dylan em alguns momentos, é um grande momento do álbum, e possui letra que brinca com as palavras, revelando a maturidade no processo de composição das canções.

No Rockão "Não Seja Otário, Não!", a Reles inaugura um novo formato de canção, com um protesto pungente e um riff envolvente, em uma canção que chega a lembrar "Todos estão surdos" de Roberto Carlos, Fábio transmite a mensagem falando a letra, sempre apoiado por um instrumental nota dez.

"Lady Baby" que "encerra" o álbum fala sobre não mudar o jeito Rock´n´Roll. Esse é o momento mais Rock do disco, com direito a final falso e uma jamzinha que bem que poderia ter sido mais estendida no final.

A partir de "Garota Só", um misto com letra de anos sessenta com a sujeira do início dos anos noventa, começa uma seção do disco que eles chamaram de "Bônus", talvez por estas três músicas dessa parte, fugirem um pouco ao estilo da obra.

"Lara Bee" é bizarra! Com seus mais de sete minutos, pela primeira vez na carreira da banda, os mesmos fazem uma faixa que lembra as mini-óperas do The Who, ídolo e influência explícita da banda, contando uma historinha meio louca regada pelo mais puro Rock vintage.

"Olha que absurdo!" encerra de verdade o disco, uma música grandiosa, cheia de nuances que leva a faixa à uma atmosfera brega, com uma letra que remete à fossa do início dos anos cinqüenta. A música ainda conta com a participação da cantora Sandra Piola, da banda Anacrônica.

Em termos gerais, a Reles entrega-nos novamente um bom disco, porém ligeiramente inferior aos lançamentos anteriores onde assuntos mais jovens eram temas recorrentes sem, no entanto, ficar repetitivo.

Apontando para a tendência atual, a banda lançou o novo disco primeiro em seu site para audição gratuita, somente lançando a versão para as lojas tempos depois. Além disso, ainda soltou um Pack em Pen Drive com fotos, vídeos, letras cifradas e o álbum “MTV Apresenta Relespública” na íntegra.

O TROVADOR SOLITÁRIO

RENATO RUSSO

Por Anderson Nascimento

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Em mais um álbum póstumo do saudoso Renato Russo podemos nos certificar que um gênio não precisa de tempo para se tornar um.

Trovador Solitário, registro oriundo de uma fita cassete diretamente recuperada do acervo pessoal de Renato, é o segundo lançamento do selo Discobertas, que vem lançando raros registros de nossos artistas, em parceria com o selo do Tremendão Erasmo Carlos, Coqueiro Verde.

A fase que o disco traz é a auto-intitulada "Trovador Solitário", onde Renato Russo se apresentava sozinho com o seu violão, no período pós-Aborto Elétrico e pré-Legião Urbana.

O lançamento é obviamente recomendado apenas para os ávidos fãs do artista pois a gravação é sofrível, alternando sons baixos, distorções, ruídos com a já conhecida voz potente de Renato.

Se vale? Claro que vale! É impagável ouvir as letras ainda incompletas ou bastante diferentes das versões originais que tornaram o Renato e a Legião Urbana um fenômeno musical até hoje. Graças à esse lançamento podemos saber, por exemplo, a história original de Eduardo e Mônica.

O disco ainda traz "Anúncio de Refrigerantes" e "Boomerang Blues", duas músicas que nunca foram gravadas ou lançadas pela Legião Urbana.

ESTANDARTE

SKANK

Por Anderson Nascimento

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Em seu novo trabalho, a banda mineira Skank, consegue dar um salto em relação ao anterior. Em Estandarte, o grupo consegue novamente se reinventar, lançando um disco bastante diferente dos conceitos de álbuns anteriores.

Se Samuel Rosa, Haroldo Ferreti, Henrique Portugal e Lelo Zanetti já passaram por estilos repletos de brasilidade, latinidade, Rock, e mais recentemente, Brit-pop, desta vez a banda ataca de sons fortemente voltados para pistas de dança. Porém, calma, não se assuste! É o Skank de sempre, e por isso mesmo, diferente.

O grupo mineiro caracterizou sua carreira por desafiar conceitos já pré-estabelecidos, e por mexer em time que está ganhando. Certamente essa característica, já assimilada pelos seus fãs, torna os discos da banda, verdadeiras incógnitas que clamam para serem consumidas, descobertas e avaliadas.

Em Estandarte, o som da banda se aproxima de sons modernos como o e bandas emergentes como “The Raptures”, “Panic At The Discos” e “Good Charlotte”, distanciando-se do Rock Clássico e do Brit-Pop a lá Beatles, Oasis e Coldplay.

Em alguns momentos percebemos, porém sons que remetem ao Maquinarama e à fase Samba Poconé. Como é o caso da faixa de abertura “Pára-Raio” onde temos os metais de volta, e parece que o disco vai partir para uma direção bem diferente do que o álbum efetivamente apresenta. Já na segunda música, “Ainda Gosto Dela”, primeiro single do álbum, e uma das quatro em parceira com Nando Reis, sentimos algo próximo ao “Maquinarama”, em “Escravo”, a música, que traz uma citação (“You Gotta Serve Somebody”) à Bob Dylan, lembra hits de FM, na levada “Vou deixar” e “Uma Canção É Pra Isso” do último disco.

Mas as endo-referências param por aí e o álbum entra então arma uma pista de dança com a brilhante “Chão”, destaque absoluto do álbum, e na sequência, “Canção Áspera”, tão empolgante quanto a anterior.

Após uma leve perda de fôlego, o álbum encerra com “Renascença”, em uma ode à mulher amada, e musicalmente, uma reverência ao Rock´n´Roll dos bons, emplacando o que talvez seja a maior porrada do repertório do Skank.

No fim das contas têm-se um álbum, que foge dos padrões normais de uma banda Pop, e por isso, corajoso, mas que é, no mínimo, muito interessante.

A HUNDRED MILLION SUNS

SNOWPATROL

Por Anderson Nascimento

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O Snowpatrol está longe de ser uma unanimidade entre público e crítica, mas verdade seja dita, que a banda vem lançando singles inspirados não há como negar. Basta lembrar o último álbum "Eyes Open", lançado em 2006, que contava com “Open Your Eyes” que tocou a doidado na época de seu lançamento, e até hoje é presença certa em programas de vídeo clipes e rádios, e ainda "Chasing Cars", que catapultou a banda e o disco para os mais altos topos das paradas musicais do mundo todo. Apesar de trazer grandes hits, o álbum como um todo é cheio de altos e baixos.

Com "A Hundred Millon Suns" é diferente. Apesar de (ainda) não ter feito tanto alarde, o disco é mais coeso. As músicas vão formando um mosaico que dá ao álbum um formato interessante, tornando difícil a tarefa de pular uma faixa, ou mesmo, de trocar o disco.

Digo isso porque a inspiração do álbum vai aumentando na medida em que as faixas vão sendo reproduzidas. Só para se ter uma idéia, das quatro primeiras faixas, duas são singles. Trata-se de "Crack The Shutters" e "Take Back The City", onde esta última consegue empolgar o ouvinte mesmo na primeira audição.

Em meio às baladas, mesmo em momentos mais acelerados como a própria "Take Back The City", "Take this photos from my hands" dá uma sacudida no disco com guitarras e sonoridade bem próxima ao estilo Coldplay.

Mesmo baladeiro, muito provavelmente uma opção da banda, o Snowpatrol apresenta momentos que tendem ao divino e que ficarão para a história da carreira dos britânicos. "The Planet Bends Between Us" é um desses momentos. A faixa vem sendo tocada nas rádios inglesas, e emocionando corações a fora.

No entanto, quando a banda procura renegar seu DNA, e fazer algo muito diferente, o Snowpatrol acaba destoando do restante do disco. Em "The Lightning Strike", uma espécie de saga dividida em três partes, em um total de dezesseis minutos, encerra o álbum, meio que isolando a mesma do restante do disco.

O álbum tem potencial para ser bastante explorado pela banda, revelando um grande amadurecimento musical, principalmente no que diz respeito às melodias. O quinto álbum da carreira do grupo, segundo o site oficial da banda, foi gravado incrivelmente em apenas uma semana.

JUNTOS E AO VIVO

VÁRIOS

Por Anderson Nascimento

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Por que lançar um disco ao vivo hoje em dia? Em época onde o DVD, em muitos casos, já custa mais barato que o cd, sendo que o DVD traz além das músicas, as imagens, letras e vários idiomas, extras e ainda pode ser executado como cd em alguns aparelhos, o CD, na maioria das vezes, com o repertório ainda menor que o do dvd (neste caso 19 músicas no CD e 23 no DVD) , ganha um aspecto ainda mais obsoleto do ele já possui. Esse fato então acaba consolidando o formato DVD, quando o assunto é apresentações ao vivo, o que está levando as gravadoras a lançar uma quantidade maior de DVDs do que dos CDs.

Que Os Paralamas do Sucesso e os Titãs são monstros sagrados de nosso pop-Rock, ninguém duvida, que esse novo CD (DVD) é uma momento especial na música brasileira, ninguém duvida, porém as carreiras das respectivas bandas acenderam uma luz amarela.

No caso dos Titãs, a banda foi desfigurada nos últimos anos, perdendo integrantes, e lançou um disco fraquíssimo como “A Melhor Banda de Todos os Tempos da Última Semana”, superado brilhantemente por “Como estão vocês”, vindo novamente a lançarem outro disco ao vivo “Titãs MTV Ao Vivo”.

No caso dos Paralamas, que até vem do bom disco, “Hoje”, a banda segue tentando superar as limitações vocais de Hebert Vianna.

Bom, por que não fazer o “Crossover”? A junção de ambas bandas reúne os fãs e apresenta um espetáculo grandioso e muito prazeroso para os privilegiados que presenciaram os shows comemorando os 25 anos de carreira das bandas.

O show então tem momentos mágicos como a reunião no palco de nada mais nada menos que (além do integrantes de ambas as bandas) Arnaldo Antunes, Andreas Kisser e Samuel Rosa. Ou mesmo quando Hebert solta “...em cima dessas rodas também bate um coração.”

O ponto negativo é que em alguns momentos percebemos uma desorganização das bandas na parte vocal nas interpretações das músicas (vide “O Calibre”), o que é compreensível nesse caso.

Fora isso, um repertório bem escolhido, com as músicas que já conhecemos e amamos, destacando-se obviamente as interpretações de membro dos Titãs cantando Paralamas e Hebert Vianna cantando Titãs.

Passado o clima de festa, crossover e revival, os fãs das bandas e da música em geral, ficamos na expectativa para lançamento de músicas inéditas e que as bandas (em suas respectivas carreiras) possam nos brindar com bons discos.

ÁLBUM BRANCO

VÁRIOS

Por Anderson Nascimento

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“Álbum Branco” é um disco tributo ao “The Beatles”, lançado em 1968, e que está completando quarenta anos agora em 2008. O álbum, que ganhou a alcunha de “White Album” por trazer a capa toda branca com a singela inscrição do nome do grupo em alto relevo, é frequentemente encontrado nas listas de melhores álbuns, produzidas por sites, revistas e jornais, mas curiosamente, é um dos menos do quarteto aqui no Brasil.

O disco em questão é um daqueles lançamentos que vale a pena. Em um projeto inteligente, dinâmico e ousado, o disco mantém a sequência original de músicas do álbum, só que desta vez, interpretadas integralmente por artistas brasileiros.

E se Marcelo Fróes, o idealizador do projeto, esperava prestar uma homenagem ao álbum dos Beatles, ele conseguiu bem mais que isso, trouxe a tona o que já pode ser considerado um dos maiores tributos já prestados ao Fab Four.

Com uma mistura que vai de nomes conhecidos da música brasileira, como “Cachorro Grande”, “Flávio Venturini”, “Pato Fu” e “Zé Ramalho”, à nomes desconhecidos do grande público, mas que deram conta da difícil missão que é dar um toque pessoal à uma música dos Beatles.

Aliás esse é um fator em que o disco acerta em cheio, as músicas estão longe de serem meras regravações das originais, e cada artista, impôs seu estilo às regravações.

E com isso a obra ficou ainda mais interessante. Momentos brilhantes como a versão nordestina de “Dear Prudence” com Zé Ramalho, e a versão Jovem Guarda de “Glass Onion” segundo a banda “Cachorro Grande”, fazem do álbum um gostoso exercício de perceber as possibilidades que as músicas dos Beatles permitem.

FOURTH

VERVE, THE

Por Anderson Nascimento

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O Verve está de volta e, diferentemente de seu último álbum de inéditas, “Urban Hymns“, lançado em 1997, a banda está mais elétrica, mais dançante, afastando o clima triste e sombrio que caracterizou a imagem da banda na segunda metade dos anos 90.

Um bom exemplo disso é a segunda faixa “Love is Noise”, primeiro single do álbum, que arremessa o ouvinte da poltrona direto para o centro da sala, que fatalmente transforma-se em uma pista de dança. Com uma melodia interessante, letra e efeitos insistentes, conhecemos então a melhor música do álbum.

Como se quisesse apresentar ao ouvinte um cartão de visitas para a nova fase da banda, “Love is a Noise” faz parte de uma sequência onde temos também a bela faixa de abertura “Sit and Wonder”, e “Rather Be” que já está estourada nos programas de vídeo clipes na TV. Nessa última conseguimos sentir o gosto do velho Verve, porém com adoçante ao invés de açúcar.

O álbum tem outros bons momentos para mostrar, como em “I See Houses”, que é recheada de todo os clichês do Rock inglês, e momentos entediantes e desnecessários como a chatíssima “Numbness” ou ainda em “Noise Epics” que nada mais é que uma sequência de barulhos conforme o próprio nome dá pista.

“Forth”, quarto disco da banda (dããã), não chega a decepcionar, mas acaba mostrando pouco para uma banda que não lançava um álbum há onze anos.

No fim a banda inglesa confirma o padrão de qualidade mediano que sempre esteve associado à mesma, mas mesmo assim, o álbum serve para provar que Richard Ashcroft funciona melhor como The Verve do que em suas aventuras em carreira solo.

TÁ TUDO MUDANDO

ZÉ RAMALHO

Por Anderson Nascimento

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Em seu novo disco, Zé Ramalho corrobora a sua sempre citada aproximação com Bob Dylan. Nesse álbum, encarado pelo Paraibano como uma parceria, e não uma homenagem, Zé viaja pelo cancioneiro de Bob Dylan, trazendo para o português alguns dos clássicos do mestre Dylan.

O interessante nesse projeto é o fato de as versões serem quase que uma tradução das músicas para o português, fato que levou Dylan a autorizar o projeto. Em alguns casos porém, Zé Ramalho adaptou a letras para se encaixarem mais ao cenário brasileiro.

Um exemplo disso é o clássico “Mr. Tamborine Man” que virou “Mr. Pandeiro” em uma linda homenagem á Jackson do Pandeiro. A versão é um dos grandes momentos do disco, com o tradicional ritmo nordestino sendo entoado ao longo da canção, com direito até mesmo a um solo de pandeiro no fim da música. Brilhante!

É certo que os fãs xiitas de Bob Dylan talvez não curtam tanto o disco, pois Zé mexe com um legado histórico que inclui “Blowing in The Wind”, “Like a Rolling Stone” e “ Knockin' on Heaven's Door ”.

Zé Ramalho com a sua voz apocalíptica, junto com a sonoridade nordestina, consegue fazer um disco capaz de surpreender quem espera um mero disco de versões. O novo lançamento é bem mais que isso, é inteligente e empolgante. Uma prova disso é o fato do artista fugir em alguns momentos do óbvio e buscar músicas não tão famosas de Dylan, como o caso de “Man Give Name To All Animals”, que virou “O Homem deu nome a todos os animais”, outro grande destaque do disco.

A única faixa que Zé Ramalho não verteu para o português foi “It Not For You”, mas em compensação recriou a música indo ao extremo no quesito ritmo nordestino.

Outras músicas já conhecidas que também entraram no disco foi “Negro Amor”, com a versão de Caetano Veloso para “It´s All Over Now Baby Blue”, já regravada por diversos artistas como Toni Platão, Paulo Ricardo e Engenheiros do Hawaii, e “Batendo na Porta do Céu” em uma versão um pouco diferente da lançado por Zé Ramalho no seu disco “Antologia Acústica”.

Um disco para ouvir e curtir.

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