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Resenhas por Ano - 2009

    CIRANDA MOURISCA

    ALCEU VALENÇA

    Por Cyro Salgado

    álbum ainda não votado pelos leitores


    Nem todo Alceu é Valença”, constatou Oswaldo Montenegro, ao homenagear o colega, há três anos. Ele estava certo. De fato, poucos alceus têm talento, obra e coragem bastantes para bancar um álbum como o que Valença acaba de lançar. Em Ciranda Mourisca , o poeta pernambucano resgata alguns lados B compostos e gravados ao longo de 35 anos e veste-os com arranjos pautados por um ousado sotaque árabe, acústico e, claro, nordestino. Estranho? Não…

    Desde o título, Ciranda Mourisca realça a forte relação entre o Nordeste e o Oriente. Em Deusa da Noite - pérola pescada do álbum Molhado de Suor , de 1974 - Alceu agrega com leveza as influências ibéricas, mouras, aos ares pernambucanos da canção. Uma proposta coerente, que também surge clara em Pétalas e Amor Que Vai - ambas do excelente Maracatu, Batuques e Ladeiras , de 1994. Na toada Loa de Lisboa , Portugal aparece com força, seja no arranjo ou no melancólico e maravilhoso quadro, desenhado pelo poeta pernambucano. “Chove, chove, chuva fria, chove na Cidade Alta.”

    Mestre no uso da metáfora e da metalinguagem, em Ciranda Mourisca , Alceu abusa das imagens. Há algo de onírico no álbum, que celebra Íris , a mensageira dos deuses, e compara a ganância e o progresso a um Dente de Ocidente “vomitado pelo mar”. Em Sino de Ouro , ao traçar um rascunho, o inteligente pernambucano compõe, quase sem querer, uma toada com cores de arte final. “Hoje eu queria fazer um poema, com pena dos versos de chumbo que faço”, canta o autor. “Um poema azul, um poema marinho.”

    Como um poeta só não faz ciranda, Alceu faz questão de invocar “São Jorge Amado”, em Chuva de Cajus , Drummond e Buñuel, em Maracajá , além de Pessoa, em Loa de Lisboa . Assunto de qualquer pena que se preze, a mulher aparece sempre idealizada nos quadros do autor - assim como o amor e o sexo. Em Mensageira dos Anjos , o objeto de desejo surge como uma estrela cadente, que “entrou na minha morada, bebeu da minha saliva, saiu e não disse nada”. Uma imagem que ganha sensualidade, em Molhado de Suor , e encerra o álbum plena e folclórica, em Ciranda da Rosa Vermelha .

    Composto por canções que, quando lançadas, não chegaram a flertar com as FMs, Ciranda Mourisca surpreende quem espera ouvir versões de Tropicana , Tomara ou Anunciação . Ele pode não ser o álbum de inéditas esperado pelo público, mas tem tanta qualidade quanto Estação da Luz , Leque Moleque e Andar, Andar . Lançado pela Biscoito Fino no início do ano, o disco não faz concessões ao mercado e nem busca cifras. Poeta nato e honesto, Alceu sabe o que quer fazer e faz. Música popular indiscutivelmente brasileira.

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    Retirado do site Site PALCO BR

IÊ, IÊ, IÊ

ARNALDO ANTUNES

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Ao longo de sua carreira solo, Arnaldo Antunes vem alternando entre discos pop e outros nem tanto. Partindo desse princípio, no início, Arnaldo optou pelo experimentalismo com o projeto "Nomes", fazendo posteriormente canções mais populares como "O Silêncio" do disco homônimo e "Música para Ouvir" do disco "Um Som". O auge de sua produção pop pode ser encontrado no excelente "Paradeiro", de onde Arnaldo partiu para os próximos dois álbuns - "Saiba" e "Qualquer" - de teor minimalista instrumentalmente e melodicamente falando.

Em "Iê, Iê, Iê" Arnaldo traz o pop de volta, só que desta vez (e pela primeira vez), apostando no ritmo que dá nome ao disco e que fez parte do início de sua carreira com a sua antiga banda, em canções que parecem saídas diretamente dessa época. Dessa forma, o novo disco de Arnaldo Antunes consegue captar a energia e a magia daqueles áureos tempos, que só quem já ouviu o disco pode descrevê-la. Em meio a tudo isso, o álbum ainda por cima consegue ser saudosista e moderno ao mesmo tempo.

Canções extremamente originais dão esse toque moderno ao disco, isso fica bem claro na bem humorada "Invejoso", onde Arnaldo descreve um convicto e honesto homem invejoso. Já em "O que você quiser", Arnaldo não economizou clichês, seja no instrumental, letra e até na interpretação, para fazer a faixa soar como se feita nos anos 60, chega dá para imaginar o próprio Roberto Carlos (fase Jovem Guarda) cantando. Assim também é "Sim ou não" construída ao longo de toda uma atmosfera retrô.

Canções com os Tribalistas (Marisa Monte, Carlinhos Brown e o próprio Arnaldo) também estão lá com suas peculiares letras. "Iê, iê, iê", que abre e dá nome ao disco, é uma das grandes canções do álbum, empolgante, deve funcionar muito bem ao vivo. "Vem Cá", a outra faixa Tribalista do álbum também agrada, principalmente pela interpretação sensacional de Arnaldo.

Interessante também é a leveza de faixas como "A casa é sua", de linda melodia - um órgão empresta toda a sua ternura ao longo da faixa - e letra que chega dá vontade de se apaixonar novamente. Essa leveza também é sentida quando Arnaldo trata de temas não tão ortodoxos como a inveja, o envelhecimento e o machismo, questões tratadas de forma simples nas canções, como podemos perceber em "Sua Menina". Só não deu mesmo pra entender o porquê a canção "Meu Coração" não ficou como a última faixa do disco, pois ela tem toda essa pinta.

Arnaldo Antunes acertou mais uma vez, lançando um dos melhores discos de sua carreira, mostrando que um artista é um artista independente do estilo. A capacidade dele de se reinventar é algo brilhante e louvável.

TOGETHER THROUGH LIFE

BOB DYLAN

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Que o novo disco do Dylan segue uma linha precedida por "Love and Theft" e "Modern Times", todos já sabemos. Porém para aqueles que estão esperando um álbum absolutamente continuativo, aí vai uma dica, não é bem por aí.

Neste álbum, Dylan está mais caipira, isso visto que o cantor, compositor e músico, deu um capricho ainda maior no quesito instrumental, o que faz esse álbum soar como nunca antes.

Uma coleção de instrumentos interioranos como bandolim e acordeom, fazem a sonoridade desse álbum ecoar como se saído de uma casinha humilde no delta do Mississipi. Ouvir esse álbum é como entrar em um desses bares retratados nos filmes, que tem como cenários cidades no meio do nada, e pedir um Uísque envelhecido e amargo. Tem dúvida quanto a isso? Então ouça "If You Ever Go To Houston". A canção tem um acordeom que com a sua insistência, fica gravado em sua memória no ato. A letra é muito interessante e, novamente, vai buscar inspiração no som feito bem antes de Bob Dylan aparecer para a música.

Não que o fato de as músicas serem quase que completamente inspiradas em canções de mais de cinqüenta anos, atrás signifique algum demérito, mas agora sim, nesse ponto, temos uma grande interseção com os álbuns anteriores. Dylan não tem a intenção de fazer música pra tocar no rádio, nem mesmo pra entrar em futuras coletâneas, mas ao contrário disso tudo, Dylan faz música para tocar dentro de cada um. Com a voz esganiçada pelo tempo, que paradoxalmente soa perfeita para a música que ele faz, Dylan fala sobre amores, mulheres e, cara, te faz dançar! Ouça a faixa de abertura “Beyond Here Lies Nothin'”, primeira música a ser liberada para audição no site do Dylan, e comprove.

A aproximação com o Blues está escancarada em faixas como "My Wife´s Home Town", agradável demais, mostra um Dylan falando simples e emprestando um swing à canção.

Em Jolene, Dylan recorre à pegada Rock´n´Roll do início dos anos cinquenta, quando o Rock ainda se confundia com o Blues, e com uma letra teoricamente inocente, Dylan se sai bem em umas das músicas mais acessíveis do álbum.

Ainda que calcado no Blues e Country, Bob Dylan entrega-nos uma boa dose de Rock. Na faixa "Shake Shake Mama", uma avalanche sonora embebeda o ouvinte com um Rock de primeira qualidade, mas que peca um pouco por não ter um final mais trabalhado.

E para não deixar de citar um momento genial, a letra de "I Feel A Change Comin' On" é simples e brilhante, situando o artista em seu tempo, e finalizando com a frase "Some people they tell me, I got the blood of the land in my voice" (algumas pessoas me dizem que eu tenho o sangue da terra em minha voz) que certamente fará o fã viajar na interpretação da mesma.

Após ouvir o álbum, percebemos o porquê o álbum surpreendeu a todos, sendo anunciado poucas semanas antes de ser lançado. Uma banda afiada, afinada e um líder bastante à vontade para apresentar suas novas canções ao mundo.

Em apenas dez músicas, Dylan dá o seu recado e aponta para um caminho confortável e muito prazeroso, em um álbum que por si só justifica o primeiro lugar em vendas nos EUA.

THE CIRCLE

BON JOVI

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Se em “Lost Highway” a crítica desceu o pau na banda acusando-a de ser repetitiva e de fazer um disco que lembrava o Country americano, com “The Circle” uma coisa é bem verdade, no disco novo a banda ratifica a sua posição no cenário musical, e sem vergonha de ser feliz, assume o seu estilo clássico se repetindo novamente, só que desta vez lembrando que é uma banda de Rock, como o próprio Richie Sambora fez questão de afirmar.

Isso está claro em boa parte das doze músicas do álbum. A começar pelo primeiro single “We Werent Born To Follow”, boa música que abre e puxa o álbum, mas que se você estiver distraído, quase canta “Born To Be My Baby”.

Além de cumprir o esperado, ou seja, a “volta as raízes” a banda também não deixa de por no disco todos aqueles clichês que consagraram o grupo nos anos oitenta. Nas bonitas baladas “When We Where Beautiful” e “Fast Cars” por exemplo, estão lá os “xalalás” que conhecemos com Jon Bon Jovi e Companhia. Apesar de possuir algumas baladas, nesse disco não há nenhuma a altura de “Always”, mas “Live Before You Die”, canção mais trabalhada nesse aspecto, com direito a orquestra e tudo, chega perto.

Como outros destaques do álbum temos “Superman Tonight”, que apesar do título, que sugere algo constrangedor, temos a banda apostando em uma semi-balada para fazer o público cantar junto, e certamente vai funcionar ao vivo. Aliás, esse aspecto parece ter sido bastante discutido ao gravar esse álbum, pois as canções possuem refrões fortes e grudentos. Ouça “Work for The Working Man” e comprove.

Com mais de vinte e cinco anos de carreira, não é nenhum pecado voltar as raízes e optar pelo som tradicional que consagrou a banda, mas o que o Bon Jovi tem que tomar cuidado para não cair na armadilha de se auto-plagiar como em alguns momentos o álbum sugere.

“The Circle” vai agradar aos fãs da banda, e também àqueles que não acompanham a banda, mas que certamente saberão que é o Bon Jovi quando ouvirem qualquer música desse álbum que tocar no rádio.

ZII E ZIE

CAETANO VELOSO

Por Cyro Salgado

álbum ainda não votado pelos leitores


Na frente da capa, Zii e Zie promete trazer transambas e Caetano. No verso, assegura transrocks e a bandaCê. De fato, tudo isso está no disco, arranjado com algum desconforto em um conjunto de canções que busca a desproporção, a estranheza e o barulho. Não se sabe ao certo onde acaba cada gênero, mas um encontra, toca e atravessa o outro. Ousado, porém sem provocar ou causar espanto, Caetano apresenta um álbum que parece não querer estar pronto.

Logo no começo da obra, Perdeu surge seca para contar as mazelas de um personagem que “cresceu, vingou, permaneceu, aprendeu nas bordas da favela”. Coerente com o tema, na canção, o rock passa pesado pelo samba. Um transrock. Porém, às vezes, acontece o oposto. Em outro momento do álbum, Falso Leblon narra as aventuras de uma garota da zona sul às voltas com “ecstasy, bala, balada”. Então, como contraponto, Caetano apresenta um transamba. Gostoso e leve, mas tão punk quanto pode ser o Leblon.

Não são apenas gêneros e temas que se cruzam em Zii e Zie , mas gerações também. Convocados após o sucesso do cultuado Cê , lançado em 2006, Pedro Sá, Marcelo Callado e Ricardo Dias Gomes não apenas são coautores dos transambas e transrocks de Caetano, mas conduzem e enaltecem a proposta do álbum. Em Incompatibilidade de Gênios , de João Bosco e Aldir Blanc, e Ingenuidade , de Serafim Adriano, os rapazes alteram os andamentos, arrastam as levadas e dão aos sambas gravados por Clementina de Jesus, em um LP de 1976, um tratamento moderno, que perde na descontração, mas ganha no rock, na força e no contraste.

Mesmo cercado pelo frescor da bandaCê, como quem não percebe, Caetano busca elementos no passado para compor as canções do recém-lançado álbum. Na exuberante A Cor Amarela , o poeta lança mão do talento e da bagagem que sabe ter para desenhar “uma menina preta de biquíni amarelo”, sob palmas de samba de roda, “entre o mar e marrom”. No quase frevo Menina da Ria , outra moça preta, “de lá do outro lado da poça”, surge em cena, mas não no Leblon. Ela está na Ria de Aveiro, em Portugal. Quase tão longe quanto o Menino do Rio , dos anos 70, ou a Base de Guantánamo , tema do rap-mantra de Zii e Zie que lembra o Haiti .

Sempre ao lado da bandaCê, Caetano faz um voo além-mar, outro para Cuba, mas quer mesmo estar no Rio de Janeiro. Desde a capa, que parece ilustrar a canção Sem Cais com um flash do Leblon, captado por uma Lomo, Zii e Zie soa carioca. Pelo menos, no conteúdo. Na abrangente Lapa , tudo cabe no bairro “cool e popular” desenhado pelo poeta. “Choro e rock'n'roll”, “Guinga e Pedro Sá”, “Lula e FH”. “Falta o mundo ver”. Até mesmo em Lobão tem Razão , o Redentor abre os braços, pronto para abraçar o cantor.

Fruto, em grande parte, do blog Obra em Progresso, lançado há cerca de um ano e recém-fechado, Zii e Zie comporta tantos assuntos quanto a internet. Na crescente Tarado ni Você , Caetano ataca de poeta concretista. Em Diferentemente , convoca Deus e o mundo. Estão lá, Ele, Madonna, Osama e Condoleezza. Quando para de olhar para os lados, chega à estranha Por Quem? , que parece estar três anos atrasada, mas convence com um gostoso falsete. Longe da fórmula de Cê , Zii e Zie não ganha, nem perde do antecessor. Não se trata de algo acabado, mas de uma obra que acerta ao transcender qualquer processo para transformar a desordem em progresso

CAMISA 10 JOGA BOLA ATÉ NA CHUVA

CHARLIE BROWN JR

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 4.50


O décimo disco da banda Charlie Brown Jr, primeiro pela Sony Music, consegue dar um upgrade no som do grupo santista. Isso se levarmos em consideração o então último disco de inéditas “Ritmo, Ritual e Responsa”, pois enquanto o disco anterior carecia de músicas que sustentassem o álbum por completo, em seu novo lançamento Chorão reduz drasticamente a quantidade de músicas do álbum, resultando em um cd bem mais agradável.

Ainda que a arte gráfica e até mesmo o nome do novo álbum insistem em fazer o consumidor torcer o nariz, o que é encontrado em seu conteúdo, que efetivamente é o que interessa, são boas canções como nos melhores momentos da banda.

Não que haja uma espécie de Dèja Vu neste álbum, isso nem pensar, mas a produção de Rick Bonadio tratou de polir bastante o resultado final, talvez até um pouco além da conta. Quem venera o Charlie Brown pelas guitarras pesadas e pela frenética interpretação de Chorão, vai estranhar as primeiras músicas do álbum, que vêm carregadas melodias leves, e mesmo nas mais pesadas, o romantismo acaba adocicando as canções.

Entre essas melodias leves, temos algumas das melhores músicas do álbum. “Dona do Meu Pensamento”, que abre o disco, traz uma letra marcante e junto com o primeiro single “Me Encontra”, muito bem escolhido, são as grandes faixas deste álbum. O que prova que como letrista, Chorão continua mandando bem em frases de impacto que são potencializadas de acordo com as melodias.

A banda só começa a “descer a mão” de verdade a partir de “O Dom, A Inteligência e a Voz”, onde temos o momento mais pesado do disco. Em “Viver Dias de Sol” temos outro momento inspirado e veloz.

Chega impressionar o fato de o álbum estar tão “dividido” quanto à sua levada, não sei se isso foi intencional, mas o disco chega a lembrar o tradicional LP, com lado a e lado b, aqui divido em canções leves e pesadas.

No fim o disco faz jus à história da banda e, se fica abaixo de “ Transpiração Contínua Prolongada” e “Preço Curto, Prazo Longo”, pareia com o também grande álbum “Imunidade Musical”.

CHIKENFOOT

CHICKENFOOT

Por Ricardo Selig

álbum ainda não votado pelos leitores


Sou um grande fã de Sammy Hagar. Inclusive, a minha fase predileta do Van Halen é com o red rocker à frente. Por isso, foi com grande expectativa que fui conferir essa estreia do Chickenfoot, nova banda de Sammy ao lado do brother dos tempos de Van Halen, o baixista Michael Anthony, do guitar axe Joe Satriani e do batera Chad Smith, do Red Hot Chili Peppers e colaborador assíduo de Glenn Hughes.

A alcunha supergrupo, apesar de batida, cai como uma luva no Chickenfoot, tanto pelos nomes envolvidos quanto pela imensa expectativa que o grupo gerou, afinal estamos falando de quatro caras que já fizeram história no rock. As onze faixas de Chickenfoot, o disco, trazem uma mescla de hard rock californiano com AOR, um som maduro e muito bem construído, e sem tantas firulas instrumentais como seria de se supor.

O disco abre lá em cima, com a ensolarada "Avenida Resolution", repleta de groove e alto astral, além de um bom solo de Satriani. A faixa seguinte, "Soap on a Rope", traz um bom riff e um balanço funk para o play, lembrando, e muito, o que Sammy fazia em seus tempos de Van Halen , o que, para mim, é motivo de alegria. Satriani voa tranquilo em sua guitarra, se alternando entre as bases e licks que dão um tempero extra à composição. Destaque também para Michael Anthony e Chad Smith nessa faixa, segurando a estrutura da canção de maneira exemplar. Vale mencionar também o interessante timbre utilizado por Joe Satriani no solo de "Soap on a Rope", muito agradável, enquanto o solo propriamente dito é curto e certeiro, inserindo-se perfeitamente na canção.

A seguir vem uma das faixas mais legais do CD. "Sexy Little Thing" é um hard rock alto astral total, com ótimas linhas vocais de Sammy Hagar, alternadas com riffs de Satriani, tudo embalado em um balanço que desafia qualquer um a ficar parado. O refrão dessa faixa é sensacional, um dos melhores do disco. Tem cheiro de single e clip em "Sexy Little Thing", anotem aí!

O clima se mantém lá em cima com a faixa seguinte, que foi justamente o primeiro single liberado pelo Chickenfoot. "Oh Yeah" é um hardão repleto de groove, cantado com extrema classe e competência por Sammy Hagar e com um refrão pra lá de maneiro, daqueles que a gente fica esperando a hora pra cantar junto nos shows. Grande faixa, uma das melhores do disco!

O que se percebe em grande parte das composições do disco é o grande entrosamento entre Anthony e Smith, explorando sempre bases repletas de balanço, calcadas no funk norte-americano setentista, o que reforça ainda mais o clima festeiro onipresente nas composições de Sammy Hagar.

O hard bate forte em "Get it Up", uma das mais pesadas, com um andamento meio tribal e muito interessante. "Down the Train", mais cadenciada e com uma estrutura mais solta feita sob medida para Joe Satriani alçar vôos infinitos, deve ser um dos grandes destaques nos shows. "My Kinda Girl" é outra com o astral lá em cima e um refrão muito legal. Destaque para os backing vocals de Michael Anthony.

A balada "Learning to Fall" mostra bem a veia AOR do Chickenfoot, e, pessoalmente, não me agradou muito, pois a achei com um refrão meloso demais. Mesmo assim, merecem atenção os backings de Anthony, mais uma vez muito bons, assim como Sammy, que mostra o porque de ser considerado, por muitos, uma das grandes vozes do hard rock.

"Turnin´ Left" é uma delícia que em um primeiro momento parece saída de um disco solo de Satriani, para logo depois cair em ótimas linhas vocais onde Hagar canta acompanhado por Anthony, enquanto Joe executa uma base que é puro groove. Muito boa, uma faixa empolgante, com certeza uma das melhores do disco. Ouça no volume máximo e prepare-se para curtir aos montes!

Fechando o álbum temos a contemplativa "Future in the Past", essa sim uma grande balada, que, ao contrário de "Learning to Fall", não apela para melodias fáceis e pra lá de manjadas, alternando-se entre os vocais muito bem encaixados por Sammy e uma base repleta de malícia de Satriani, fechando o disco em grande estilo.

Concluindo, essa estreia do Chickenfoot mostra-se muito acima da média, e é muito bem-vinda no cenário atual da música, principalmente no hard rock, que carece de um gigante caminhando entre a gente. Sammy Hagar mostra que ainda é um cantor fenomenal; Joe Satriani demonstra que pode sim, e deve, fazer parte de uma banda, onde o seu talento único na guitarra conspira a favor das composições e não em inúteis exercícios que só agradam o próprio umbigo; Michael Anthony, discreto mas seguro, demonstra que não é preciso reinventar a roda para se destacar em seu instrumento, ainda mais acompanhando figuras tão cheias de brilho próprio como Hagar e Satriani; e Chad Smith atesta, de uma vez por todas, que é um grande baterista, tocando de uma maneira totalmente diferente da que faz no Red Hot Chili Peppers.

Sabe quem vai curtir esse disco? Pessoas como eu, que estão na espera, há séculos, por um novo álbum do Van Halen , e que agora tem uma excelente nova banda para fazer companhia naquele papo com os amigos, repletos de histórias pitorescas e bebidas ardentes.

Longa vida ao Chickenfoot! O hard rock agradece!

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Retirado do site: whiplash.net
Também Publicado em: collectorsroom.blogspot.com

ROCK´N´ROLL

ERASMO CARLOS

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


“Rock´n ´Roll”, novo do disco de Erasmo Carlos, ganha luz com a promessa de satisfazer os fãs do artista com um disco de Rock. A boa notícia é que o objetivo foi alcançado, e “Rock´n ´Roll” consegue ser um disco de Rock.

A afirmativa é rechaçada não só pelos contundentes solos de guitarra de Liminha, Dadi e Billy Brandão, nem pelas baterias nervosas de Cesinha e João Barone. Mas também pelas (boas) músicas inéditas e autorais do Tremendão Erasmo Carlos.

Nesse disco, Erasmo brinda a sua própria carreira com um álbum onde até suas poucas baladas são carregadas de atitude roqueira. Em “A Guitarra é Uma Mulher”, toda a delicadeza da voz (cada vez melhor) de Erasmo, parece duelar com a guitarra solo tocada por Billy Brandão, transformando o que era pra ser um baladão, em um Rock inventivo e original, alcançando o pódio de melhor música do disco.

Uma das características marcantes de Erasmo é essa originalidade. Em “Olhar de Mangá” - alguém já tinha pensado em um nome de música assim? - Erasmo cita progressivamente o nome de várias mulheres que ele admira e, curiosamente, cita de mulheres de sua família, sua mãe, por exemplo, à personagens da Tv como “Marge Simpson”.

Na linha dos Rocks propriamente ditos, Erasmo já começa a dar o seu recado na primeira faixa com “Jogo Sujo”, que segue a linha do som feito por ele na década de setenta. Em “Cover”, uma das melhores faixas do álbum, Erasmo relembra a sua postura sempre bem-humorada, mesmo quando o alvo é ele mesmo. Em “Noite Perfeita” Erasmo busca na guitarra de 12 cordas de Liminha, uma sonoridade a lá “The Birds”, para cantar uma saudosista canção no melhor estilo Rock´n´Roll.

“Um Beijo é Um Tiro”, uma das duas parcerias de Erasmo Carlos com Nando Reis – a outra é “Mar Vermelho” – é um verdadeiro tiro mesmo, violenta na parte instrumental, faz Erasmo chegar a esgoelar (na parte final) como há muito tempo o Tremendão não fazia em seus discos. De letra difícil, corrida, rápida, dilacerante, acaba exigindo uma superação vocal, na qual Erasmo novamente se dá bem.

Os saudosistas também vão gostar de canções como “Chuva Ácida” que lembra a safra da fase “Mulher” (1981) e “Vozes da Solidão”, faixa que lembra os anos setenta, dessa vez o som feito em “Sonhos e Memórias” de 1972.

Em suma “Rock´n ´Roll” é o disco que os fãs e, talvez até o próprio Erasmo, estavam esperando. O álbum já nasce clássico e alcança as primeiras posições entre os melhores álbuns de Erasmo Carlos. Que venha mais!

TONIGHT: FRANZ FERDINAND

FRANZ FERDINAND

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 4.00


“I´ve Found a New Way” canta Alex Kapranos na abertura do terceiro disco da banda escocesa Franz Ferdinand. Fazendo um vexatório trocadilho, bem que a abertura poderia ser “I´ve Found a New Wave”, mas o que importa? Se o próprio Alex disse à imprensa antes do lançamento que esse disco estava ainda mais dançante que o anterior, não seremos nós que vamos duvidar, só nos resta então comprovar.

A tendência das bandas em apostar nas pistas tem dado uma cara à segunda metade dos anos 2000. Foi assim com “The Killers”, “Kings of Leon”, “The Strokes” e o próprio “Franz Ferdinand”. Coincidências a parte, foi assim também na segunda metade dos anos setenta, preconizando o surgimento do Punk.

“Tonight: Franz Ferdinand” não poderia ter uma abertura melhor, “Ulysses” é empolgante, traz aquele festivo “Lá, Lá, lá, lá” em um ritmo que já tem a cara da banda. E é desse jeito que segue todo o álbum, com a cadência acelerada e batidas que remetem novamente à primeira metade dos anos oitenta, e nesse disco, os escoceses estão cada vez mais próximos do som new wave feito pelos Talking Heads na mesma época.

Enquanto na primeira música a banda convida-nos pra dançar e ficar chapados, a seguinte pega fogo. “Turn It On” é quente, e já na segunda música, consegue exprimir o auge do que a banda pretendia fazer com o conceito do álbum.

Se no álbum anterior “You Could have It So Much Better”, a banda sobrava com refrães e riffs marcando todo o álbum, nesse não temos tanto disso, mas por outro lado as músicas curtas desse álbum tornam o disco mais objetivo e urgente. Não que esse disco tenha esquecido completamente dos riffs, em “Can´t Stop Feeling” conseguimos ouvir uma guitarra com uma sequência marcante de notas que acompanham toda a música. Mas o que percebemos nesse álbum é realmente a objetividade.

O disco é tão pra cima e acelerado, que em uma primeira audição podemos até cometer o erro de não apreciar as preciosidades encravadas no álbum. “Twilight Omens”, por exemplo, é uma das músicas mais redondas já feitas pela banda, simplesmente perfeita! Em “Live Alone” um frenético ritmo dançante é apresentado em outro momento inspiradíssimo, a música ecoa uma batida que torna o simples ato de ficar parado em uma tarefa impossível. O refrão então é daqueles que você aprende a cantar e não para mais.

As três últimas faixas do disco dão uma nova cara ao disco. Em “Lucid Dreams” a banda entoa uma Jam eletrônica de tirar o fôlego e furar a caixa de som, uma verdadeira viajem em uma cadência ora sufocantemente voltada para pista de dança, ora violentamente lisérgica e psicodélica, resultando em uma música jamais feita na carreira da banda. Já “Dream Again” e “Katherine Kiss Me”, desaceleram o disco dando a impressão de propositalmente anunciarem o fim do disco, reduzindo o disco ao violãozinho da última música, uma balada acústica.

Também pudera, após a avalanche sonora e a energia gasta na pista de dança chamada “Tonight: Franz Ferdind” o descanso é mais que justo.

21st CENTURY BREAKDOWN

GREEN DAY

Por Leonardo Werneck

álbum ainda não votado pelos leitores


O lançamento do oitavo disco do Green Day, 21st Century Breakdown, permite dividir a carreira da banda californiana em duas fases: na primeira o trio se firmou como o maior grupo de pop punk do mundo, e na segunda se tornou uma banda de rock que não se restringe ou se encaixa em subgêneros musicais e mistura influencias diversas para criar um som pesado, mas fácil o suficiente para lotar estádios pelo mundo. Ao contrario do que se possa imaginar, a primeira fase da banda é mais relevante ao transpirar energia adolescente e sinceridade, do que a segunda ao tentar abraçar o mundo.

21st Century Breakdown foi claramente concebido como uma continuação do sucesso de cinco anos atrás, American Idiot, e narra (da mesma forma frouxa que o anterior) uma história com personagens desajustados e perdidos nos EUA da Era Bush. Em muitas das faixas, no entanto, fica difícil entender porque a narração do conto foi interrompida por um comentário político-social da própria banda, e como isso se relaciona com a história de Christian e Gloria (nomes com duplo sentido meio óbvio, aliás).

Para piorar, a maneira que o Green Day encontrou para falar sobre tais temas lembra cada vez mais a pregação messiânica de Bono Vox do que o protesto acadêmico do Bad Religion ou a crítica acida e divertida do NOFX.

Musicalmente o álbum é bem melhor, ainda que se sinta a falta dos pop rocks que fizeram a banda famosa mundo afora. Entre as 18 faixas, apenas “Murder City” lembra o antigo Green Day do início ao fim. Mas o trio acertou ao trabalhar melhor as músicas de modo que pareçam canções com várias passagens ao invés de várias canções coladas umas nas outras. Talvez por isso, apenas duas delas ultrapassem os cinco minutos de duração, grindcore perto das músicas de nove minutos de American Idiot.

As melhores músicas do álbum são exatamente as que mais se distanciam do caráter épico pretensioso da ópera rock. A pesada “Christians Inferno” se sai muito bem experimentando efeitos, distorções e uma pegada mais industrial. Já “Peacemaker” surpreende com suas influencias latinas. Em “Last Of The American Girls”, a banda se dá bem ao incorporar o espírito pop e dançante de Weezer e Fountains of Wayne.

“The Static Age” e “See The Light” também não fazem feio entre as faixas mais típicas da nova fase da banda. Em outro campo musical, “!Viva La Gloria!” e sua irmã “?Viva La Gloria? (Little Girl)” (sim, eram para ser sinais invertidos como em espanhol), misturam pianos e inícios calmos com rocks vigorosos que a banda faz tão bem. A segunda poderia até ser uma das melhores faixas de Warning, de 2000.

21st Century Breakdown escancara ainda as influencias britânicas do compostor Billie Joe. Se na primeira fase da banda, Ramones, Buzzcocks e Husker Du eram referencias nítidas, aqui se percebem melodias típicas dos Beatles, Kinks, The Who e até Queen. A bonita balada “Last Night On Earth” é consequencia direta disso, assim como a faixa título, excessivamente épica e pouco empolgante ao mesmo tempo.

O afastamento proposital do punk rock também permitiu que Billie Joe arriscasse notas e interpretações vocais nunca antes tentadas pelo grupo, como em “21 Guns” e “Before The Lobotomy”, ambas esquecíveis. Já “Horseshoes And Handgrenades”, que abre o terceiro ato da opera rock, deveria ter sido esquecida pela banda. O trio é talentoso e tem história suficiente para escrever músicas melhores do que uma cópia barata de “Main Offender”, dos suecos do The Hives.

Entre altos e baixos, o Green Day produziu mais um bom álbum, que provavelmente venderá outros muitos milhões de cópias e deixará os antigos fãs esperando mais alguns anos por faixas simples e inesquecíveis como “Welcome To Paradise”, “Christy Road”, “Basket Case”, “Walking Contradiction” e “Nice Guys Finish Last”.

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Resenha publicada originalmente no blog Rock and Cigarettes

SHAKA ROCK

JET

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Bem diferente do roqueiro "Get Born" e do melódico "Shine On", "Shaka Rock", terceiro álbum da banda australiana Jet, não consegue surpreender e nem superar as expectativas do aguardado novo disco do grupo. Isso não quer dizer que o álbum seja ruim, mas que neste novo lançamento a banda se revela sem tanta inspiração como em seus predecessores.

Isso já fica evidente na segunda faixa do disco "Beat On Repeat", que tem uma levada morna e nada acrescenta ao disco. O próprio single do cd, "She´s a Genius", apesar de ter uma boa levada com tons (pela primeira vez na história da banda) oitentistas, não consegue sustentar o álbum e, não à toa, ficou bem longe das primeiras posições das paradas de sucesso até mesmo na Austrália, onde o próprio álbum só alcançou a quinta posição. Na contramão dessa faixa, o disco até tem um início interessante com "K.I.A. (Killed In Action)", uma canção recheada de mudanças de andamento e com uma batida empolgante, que faz uma referência (creio que proposital, porque se não for, é cópia) à música "Jet" de Paul McCartney.

Nenhuma balada nesse álbum tem a força de "Look What You´ve Done", mas na canção que encerra o álbum "She Holds A Grudge" temos uma bonita balada com uma levada que chega a lembrar o som feito pelo Badfinger nos anos 70.

No geral o álbum consegue proporcionar alguma diversão em momentos roqueiros como no segundo single do disco "Black Hearts (On Fire)", ou em momentos mais calmos como em "Seventeen", ou ainda em momentos de pura diversão como em "La Di Da" (nada a ver com a canção do Ringo Starr) e "Goodbye Hollywood".

Bem distante do sucesso do primeiro disco, que vendeu mais de quatro milhões de cópias, o novo lançamento da banda, apesar de não decepcionar, mostra-se abaixo dos outros, frustrando aqueles que aguardavam um álbum tão pesado quanto o "Get Born" ou tão melódico quanto "Shine On". A versão japonesa inclui duas faixas adicionais, entre elas "Don't Break Me Down" que lamentavelmente não entrou na versão lançada no resto do mundo.

LA PLATA

JOTA QUEST

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 1.00


Desde a boa retomada aos discos em “Até Onde Vai” (2005), o Jota Quest vem apresentando singles interessantes. Curiosamente, enquanto que em termos de êxitos o Jota Quest vê a sua carreira ir muito bem desde o lançamento do excelente “De Volta Ao Planeta dos Macacos” (1998), em termos de crítica, os álbuns que compreendem o período entre “Oxigênio” (2000) e “Discotecagem Pop Variada” (2001) não foram bem recebidos por grande parte dos críticos, mesmo sendo amplamente aceitos pelo seu público.

Em “La Plata” temos um punhado de boas canções intercaladas com músicas pop pra dançar. A aposta em músicas com cara de pista de dança não é uma novidade na carreira do grupo mineiro, mas nesse novo disco o ritmo volta com uma representativa parcela do álbum, algo que no disco anterior não acontece. Isso fica claro já na faixa título, uma excelente sacada que se transforma em uma das melhores músicas do álbum.

O som dançante focado nas discotecas setentistas é bem representado também em canções como a suingada “Ladeira”, que incrivelmente ainda tem uma bela pegada roqueira.

Uma das características marcantes de “La Plata” é reunir tantas canções boas em um só algum. Em “Seis e Trinta” fica evidente a evolução sonora quanto à interpretação vocal de Rogério Flausino e também o crescimento quanto ao cuidado com a letra da canção. Fato também presente em “Único Olhar”, que capricha nos arranjos e na produção. Além do segundo single do álbum “Vem Andar Comigo”, que tem a marca registrada da banda e é “a” balada do disco.

Se as canções citadas estão entre as melhores do álbum, “O Grito” merece um parágrafo a parte. A banda consegue construir com essa canção um épico em sua carreira. A música agrupa Rock com nuances disco, fazendo com que essa seja a melhor canção do álbum, e uma das melhores de toda a carreira da banda.

Porém se algo vai mal nesse disco, é justamente quando a pista de dança reina absoluta em detrimento a qualquer outro aspecto como letra, arranjo ou criatividade. E isso ocorre algumas vezes no álbum em faixas como “So Special”, “Paralelepípedo” e na faixa bônus “Laptop”, que poderia muito bem ter ficado de fora do álbum.

Outro problema no álbum é o uso exagerado (e às vezes desnecessário) da língua inglesa. Em algumas músicas fica impossível entender o porquê de cantar alguns versos na língua da terra da Rainha. Na dançante “Nobodys Watching” temos uma bela idéia central, mas por que o refrão e nome da canção tem que ser inglês? Quando cantam o título da canção em português a coisa fica muito mais charmosa e interessante.

De qualquer forma “La Plata” é mais um bom disco do Jota Quest, mostrando que o amadurecimento conseguido no álbum “Até Onde Vai” não foi por acaso, e sugerindo que outros bons álbuns surgirão mais a frente.

SONIC BOOM

KISS

Por Thiago Cardim

álbum ainda não votado pelos leitores


Não dá para dizer que qualquer um dos integrantes do Kiss mentiu ao anunciar “Sonic Boom”, seu primeiro álbum de inéditas em 11 anos. É verdade que o baixista (e falastrão) Gene Simmons exerceu sua parte marketeiro e exagerou ao dizer que este seria uma mistura de “Rock and Roll Over” com “Love Gun” – mas também deixou claro que seríamos apresentados a um álbum básico. O básico do Kiss, leia-se bem. Sem teclados, sem corais, sem baladas. Só “carne e batatas”, disse Simmons, no que podemos interpretar livremente para o Brasil como “feijão com arroz”. E é isso que “Sonic Boom” é: um disco que não tem nada de altamente inovador ou revolucionário, mas que reúne uma nova coleção de canções que são totalmente Kiss. E com o padrão de qualidade Kiss. “Sonic Boom” é um bom disco do Kiss. Isso não é bom?

Há quem diga que o Kiss apostou no mais fácil, que foi no jogo ganho. Mas você consegue imaginar este quarteto de mascarados fazendo qualquer música diferente? A ótima e pegajosa "Modern Day Delilah", primeiro single oficial, abre a bolacha dando a dica: é claro que o disco é mais anos 80 do que anos 70. Mas isso não é nem um pouco desabonador, pois estamos falando do jeitão de ótimos discos daquela década, como “Creatures of the Night” e “Lick It Up”. A produção ficou a cargo do vocalista Paul Stanley, que já tinha mostrado competência no cargo ao cuidar da produção de seu recente (e ótimo, apenas para constar) disco-solo, “Live to Win”.

Para si mesmo, inteligentemente, Stanley deixou os vocais de canções mais dançantes, de inspiração mais pop, como "Never Enough" e a deliciosa "Danger Us". Já a voz de Simmons entra, como de costume, nas faixas mais pesadas, dando aquela pegada especial a letras sacanas – basta ouvir "Hot and Cold" (“se está muito quente / você está muito fria / se está muito barulhento / você está muito velha”) e "Im an Animal" (“eu sou um animal e eu sou livre / sem regras e sem fronteiras / nada pode me deter”) para perceber que estes trechos de “Sonic Boom” estavam especialmente reservados para o linguarudo.

Os outros integrantes do quarteto, no entanto, também têm sua chance pilotando os microfones. Eric Singer, que em estúdio só comprova ser um baterista muito mais técnico e cadenciado do que Peter Criss, faz jus ao sobrenome (com o perdão do trocadilho infame) e canta com competência no hardão "All for The Glory". O mesmo acontece com Tommy Thayer, que consegue segurar bem a onda nas guitarras que um dia foram de músicos tão talentosos quanto Ace Frehley e Bruce Kulick – e ainda consegue a façanha de se sair bem cantando em "When Lightning Strikes". Não é pouco.

A prova de que “Sonic Boom” funciona de verdade e pode ser ouvido sem medo mesmo pelos fãs mais puristas e resistentes da banda reside na faixa “Stand”. A dupla Stanley e Simmons divide os vocais em uma letra do tipo auto-ajuda (“fique do meu lado / eu estarei próximo de você / quando você precisar de mim”) que chega a resvalar no pop rock brega. Mas só resvala, ali, bem de levinho. Porque, quando você menos espera, já está cantando o refrão grudento junto com eles, como só uma boa música do Kiss sempre consegue fazer. Por falar em refrão que te pega de jeito, o disco termina justamente com “Say Yeah”, com aquele gritinho feito na medida certa para contar com o coral dos milhares de fãs durante as apresentações ao vivo. Sim, a dobradinha Stanley/Simmons sabe muito bem o que está fazendo aqui.

“Sonic Boom” é o Kiss fazendo o que o Kiss sabe fazer de melhor: pura diversão. Exatamente como eles fazem quando sobem ao palco, com seus efeitos pirotécnicos e jogos de luzes. Afinal, as canções de “Sonic Boom” foram feitas para se integrar sem maiores problemas ao já conhecido setlist de clássicos que eles vêm mostrando ao longo dos anos em suas turnês. Nada mais natural. Nada mais Kiss.

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Publicado originalmente em Whiplash e no Observatório Nerd

AUTORRETRATO

KLEITON & KLEIDIR

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


É impressionante a diversidade e quantidade de talentos que temos espalhados no Brasil. Temos músicas de qualidade para todos os gostos possíveis. Ao ouvirmos, por exemplo, o novo disco do duo Kleiton e Kleidir, que já somam trinta anos de carreira, deparamos com um nível de qualidade absurdamente alto. E o que é mais legal, é que se trata de treze músicas inéditas, e de autoria dos irmãos.

Sem rememorar o passado, mas com fortes ligações aos longos anos de carreira, a dupla desfila letras certeiras e originalíssimas, tornando muito agradável o resultado final do álbum.

Nos melhores momentos do disco, a dupla revisita os anos setenta com uma obra prima chamada “História de Amor”, canção de um apelo emocional capaz de deixar qualquer compositor morrendo de inveja. Nesse nível, e revisitando o estilo que melhor marcou a carreira deles, temos também “Só Liguei”, canção curta e romântica, mas que dá o recado e incrementa o time das melhores canções do álbum.

Entre as canções mais agitadas está “Eva”, onde o duo segue enfileirando vários nomes de mulheres com rimas absolutamente simples, porém capaz de divertir demais o ouvinte. Falando em divertir, impossível não citar (e não dançar) ao som de “Polca Loca”, ou ainda aguçar a nossa própria memória com a faixa título “Autorretrato”.

Além disso, o disco ainda abre espaço para homenagear o Rio Grande do Sul em “Pelotas”, falar sobre a falta de piedade do tempo em “O Tempo Voa” ou ainda soltar desabafos em “Tudo Eu”, entre outras boas canções.

“Autorretrato” também foi lançado em DVD com produção do Canal Brasil, e é uma boa oportunidade para os que não conhecem o talento dos irmãos Kleiton e Kleidir, descobrirem as opções que esse Brasilzão oferece para cada um de nós.

YEARS OF REFUSE

MORRISEY

Por Danton K

álbum ainda não votado pelos leitores


Considerado o maior compositor dos anos 1980, Morrissey construiu nos últimos anos uma sólida carreira-solo – embora seu nome continue sendo associado à ex-banda, The Smiths. No novo Years of Refusal , que chegou às lojas nesta semana, o cantor inglês continua a provar que sua criatividade não se esgotou com o fim da parceria com Johnny Marr.

A abertura, com Something is Squeezing My Skull , sugere um álbum pesado. Com guitarras distorcidas e refrão forte, é a faixa mais roqueira. All You Need Is Me vai pelo mesmo caminho. No restante do disco, no entanto, o pop fala mais alto. Há momentos intimistas (na letra de Mama Lay Softly on the Riverbed ) e até latinos ( When Last I Spoke to Carol tem arranjos provocativos ). É o velho Moz mostrando que ainda consegue surpreender.

Se a voz não é mais a mesma dos tempos de The Queen is Dead , a interpretação faz qualquer fã dos Smiths delirar na melodiosa That's How the People Grow Up . A bela I'm Throwing my Arms Around Paris , que já faz sucesso no Reino Unido, merece o título de ponto alto do disco.

A derrapada fica por conta do encarte do primeiro single. Morrissey e os músicos que o acompanham aparecem completamente nus, exceto pelo compacto que – felizmente – esconde as suas vergonhas. Menos mal que a qualidade de Years of Refusal compensa esse vexame.

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Retirado do site http://leiturasmusicais.blogspot.com/

DRÊS

NANDO REIS

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Pra frente, em frente e pra cima. Mesmo rondando em torno de temas recorrentes de seus outros álbuns, o amor, a família e os filhos, “Drês”, oitavo disco do Nando Reis, é assim.

Como não deve ser novidade pra ninguém, Nando assenta-se de vez em um terreno que notavelmente já é seu. Cercado por uma excelente banda, em um naipe MPB que ora tende ao Rock, e ora tende ao Pop, o ex-Titã, lança um disco agradável, e inteligente.

O peso das guitarras contrasta com sua voz doce, mas ao mesmo tempo áspera quando tem que ser assim, e dão o recado em doze faixas, que passam em um piscar de olhos.

As músicas, em sua maioria, estão tendendo ao Rock, fato que fica claro já em “Hi, Dri”, faixa que abre o disco, e é consolidado ainda na terceira música do disco, a faixa título “Drês”, com um peso que chega a lembrar o som feito por bandas de metal no início da década.

Por outro lado, Nando Reis dilacera o coração do ouvinte no primeiro single do disco “Ainda Não Passou”, que junto com a faixa que encerra o disco, “Baby, Eu Queria”, possuem altas doses de sentimentalismo, que as fazem fortemente desaconselháveis para quem acabou de sair de um relacionamento. Também nesse nível está “Conta”, mais uma música dedicada à sua falecida mãe, que apresenta um quê sentimental em um estilo que Roberto Carlos sabe fazer muito bem, só que no caso de Nando, com versos um pouco menos cortantes. “Só Pra Só”, dedicada à sua filha Sofia, também é outro grande momento, que apoiado em um belo órgão, faz da canção um momento altamente charmoso. E nesse time de grandes canções do álbum está “Livre Como um Deus”, que tem um potencial e apelo para ser mais um hit do álbum.

Além de tudo isso, outro atrativo deste novo disco, é a dosagem, muito bem feita, de músicas tendendo a várias direções, como citado no início deste texto. “Mosaico Abstrato”, uma das melhores do álbum (já estou a imaginando ao vivo), tem uma grande aproximação em termos de letra, com a MPB. O mesmo ocorre em “Pra Você Guardei o Amor”, com participação especialíssima da cantora Ana Cañas, em um momento completamente acústico, dando ares de “Álbum Branco” (Beatles) ao disco, juro que isso não tem nada a ver com os pássaros no fim da música.

No fim das contas “Drês” é um grande disco, que os fãs certamente vão sorrir de orelha-a-orelha ao ouvir, romântico, roqueiro, dilacerante, inteligente, são adjetivos que fazem desse, o melhor disco de Nando desde “Para Quando o Arco Íris Encontrar o Pote de Ouro”, seu segundo álbum.

FORK IN THE ROAD

NEIL YOUNG

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


O canadense Neil Young já se acostumou aos discos conceituais, tanto que a cada novo lançamento uma bandeira é carregada. Nesse disco, para não fugir a rotina, Neil carrega a bandeira da causa automobilística, uma grande paixão sua, mas sem recolher obviamente a bandeira americana. Porém se em “Living With War” o discurso anti-guerra e anti-Bush era o que se podia fazer de mais pesado em críticas ao governo, em “Fork in The Road” a coisa está mais branda.

Neste disco, temáticas como meio-ambiente, energia e, novamente, os EUA são levadas a bordo de seu projeto de carro híbrido, onde o velho Neil Young quer mostrar que energias alternativas podem trazer soluções à dependência do petróleo.

Bom, histórias a parte, Neil entrega-nos um disco intenso. “Fork in The Road” é um álbum onde o Rock é o que realmente interessa. A obra parece ter sido parida nos anos onde poucos instrumentos eram o suficiente para fazer uma música de qualidade.

Neil Young e banda descem a mão logo no começo do disco com “When Worlds Colides”, com um insistente riff de guitarra acompanhado com uma bateria seca até não poder mais. A sequência com “Fuel Line” também não deixa a peteca cair e dá espaço para “Just Singing a Song”, música que possui uma melodia atraente e letra adocicada e é com certeza a melhor música do disco, e junto com as baladas “Off The Road” e “Light a Candle” acabam contrabalanceando com os Rocks espalhados por todo o disco.

Mas o disco é calcado mesmo no Rock. Em “Johnny Magic”, música escrita em homenagem ao mecânico que está dando vida ao projeto do seu carro, sentimos como se estivéssemos ouvindo alguma coisa antiga dos Rolling Stones. Em “Get Behind The Wheel” temos outro Rock empolgante com uma levada bluseira bem interessante.

Em “Cough Up The Bucks” Neil parece ter batido um papo com Paul McCartney sobre experimentos, e o resultado final é no mínimo curioso.

Com cara de “Jam-session” e arranjos que dão um aspecto de inacabado ao disco, “Fork Road” é um disco curto e direto, um belo disco em uma discografia cheia de altos e baixos, que já conta com mais de oitenta álbuns.

PAZ & AMOR ACÚSTICO

NENHUM DE NÓS

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Taí um exemplo de disco ao vivo que vale a pena, "Paz & Amor Acústico" é um disco gravado pela banda gaucha Nenhum de Nós em 2002, no fim da turnê que rendeu o belo CD e DVD "Acústico Volume 2". Gravado no Theatro São Pedro em altíssima qualidade sonora, o disco traz um repertório com bastante diferença do CD que saiu na época.

Entre essas diferenças estão os covers "Metamorfose Ambulante" do Raul Seixas e uma belíssima versão de "Jealous Guy" de John Lennon, que por si só já vale o disco. Para animar ainda mais os fãs, a banda incluiu mais três canções gravadas no formato acústico em um estúdio em 2009 como faixas bônus: "Um Pequeno Imprevisto", "Desejo" e "Abraços e Brigas".

Obviamente que os grandes clássicos estão lá, até porque seria um sacrilégio a banda não tocar as canções "Camila, Camila", "Astronauta de Mármore" e a emocionante "Você vai lembrar de mim". No mais, um disco honesto bem tocado e cantado, que mostra a banda em sua área de conforto presenteando os fãs com releituras de grandes canções do grupo.

Claro que também vai ter muita gente chiando pelo fato deste ser o terceiro acústico da banda e o quarto no formato ao vivo. Mas esse lançamento, a meu ver, segue uma tendência que é desencaixotar materiais que existem com boa qualidade e torná-los públicos com os lançamentos oficiais, desvalorizando os muitos bootlegs que rolam por aí.

BRASIL A FORA

PARALAMAS DO SUCESSO, OS

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Um disco Leve, muito leve. Essa é a melhor descrição para o novo disco dos Paralamas. O leve, no entanto, não é somente no instrumental, mas também no conceito. As músicas são curtas, a maioria com média de dois minutos e meio, giram em torno de guitarras que dão uma cadência descontraída ao disco que usa a brasilidade como temática principal. Um claro exemplo disso é o primeiro single "A Lhe Esperar", que acaba ditando o ritmo do álbum.

Após dois discos que traziam um som mais firme, os Paralamas bebem na fonte que consagrou a banda nos anos oitenta, com uma mistura de reggae, tempero latino e do interior do Brasil. E essa opção acaba sendo positiva para a nova obra da banda, que soa Paralamas e certamente consegue levar o fã a uma satisfação instantânea.

Com alguns minutos girando, o ouvinte certamente acaba prevendo o restante do álbum, mas "Brasil A Fora" reserva algumas curiosas surpresas, uma delas é a antes impossível de imaginar levada "The Doors" que rola em "Tempero Zen", órgão e guitarras sugerem um interlúdio com "Light My Fire". Outro fato também que merece destaque é a participação de Zé Ramalho na faixa "Mormaço" que faz um excelente casamento entre a letra e a interpretação da música.

Em alguns momentos os Paralamas ainda tentam dosar um certo peso ao álbum, porém esses momentos são resumidos na faixa título "Brasil Afora", que desfila guitarras estridentes e um refrão insistente, e em "Tão Bela", que mistura guitarras pesadas com uma cadência voltada para o Ska.

Em outros, soam doces como em músicas mais recentes, no caso da regravação da música de Fito Paez El Amor - "El Amor Depois Del Amor", que acaba acrescentando ao disco um momento de irresistível ternura.

A canção "Aposte em Mim", por sua vez, revela uma banda dona de si com melodia agradável e grudenta, chega a lembrar alguma coisa já feita pelo Weezer, e por estar entre as melhores músicas do álbum, tem tudo para virar hit.

Enfim, os Paralamas registram mais um belo disco em sua carreira, que não traz nada que desabone a sua qualidade, sem no entanto, trazer pretensões ousadas, nada que vá acrescentar muito à sua obra.

GOOD EVENING NEW YORK CITY

PAUL MCCARTNEY

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 5.00


Quando Paul McCartney lançou o seu último álbum ao vivo “Back in The US” (“Back in The World” na Europa) em 2002, uma sensação estranha pairou no ar, pois nesse disco a voz de nosso velho Paul dava claro sinal de desgaste de anos se esgoelando em turnês pelo mundo.

Em “Good Evening New York City” Paul solta a voz e, acompanhado de sua competente banda com Paul "Wix" Wickens (teclados), Rusty Anderson (guitarra), Abe Laboriel Jr (bateria) e Brian Ray (guitarra e baixo), faz um álbum ao vivo visceral, arrancando de dentro todas as forças para fazer bonito, e Paul magicamente consegue lançar um disco ao vivo que vale a pena.

Por concentrar um terço das canções do álbum na obra dos Beatles, este novo lançamento de Macca pode ser considerado um registro definitivo de como é um show de Paul McCartney. Todas as canções clássicas dos Beatles estão lá, incluindo aquelas que já ouvimos centenas de vezes como “Hey Jude”, “Let it Be”, “The Long and Widding Road” e “Yesterday”.

De novidade, Paul traz pela primeira vez em CD as canções “I ve Got A Feeling” , “A Day In The Life” (com citação à “Give Peace a Chance” de Lennon) , “Day Tripper” e “Helter Skelter” do repertório dos Beatles, de sua carreira com os Wings, Paul toca pela primeira vez “Mrs Vandebilt”, que acaba sendo um dos melhores momentos do álbum, e de sua carreira solo, Paul manda “Dance Tonight” e “Only Mama Knows” do último disco de estúdio “Memory Almost Full” e de seu disco com o projeto “The Fireman”, Paul toca “Highway “ e a bela “Sing The Changes”.

O show foi o resultado de três apresentações de Paul no estádio “Citi Field” construído no lugar do tradicional “Shea Stadium”, onde os Beatles tocaram em 1965, uma curiosidade é que a única canção presente no repertório dos dois shows é “I’m Down” que aqui traz uma versão matadora com Paul dando tudo de sua voz. Assim como Billy Joel fez o último show no antigo Shea, e contou com uma canja do Paul, a canja agora é retribuída com Billy cantando e tocando “I Saw Her Standing There” com Paul.

“Good Evening New York City” é o sexto projeto ao vivo de Paul McCartney, precedido por “Back in the US”, “Paul is Live”, “Unplugged”, “Tripping the Live Fantastic” e “Wings Over America”. O disco saiu em formato tradicional CD duplo e DVD, em edição especial com CD duplo e DVD duplo e em vinil quádruplo.

BACKSPACER

PEARL JAM

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


O Pearl Jam de "Backspacer", nono álbum da banda abre com uma tijolada veloz em uma pegada que chega a lembrar "World Wide Suicide" do homônimo disco anterior.

Mais bem recebido pela crítica, o novo disco capricha nas melodias que, se conseguem manter a pegada da faixa de abertura "Gonna See My Friend", ao menos mantêm o ritmo do disco bastante acelerado. Isso já pode ser percebido em "Got Some", faixa conhecida pelo público antes mesmo do álbum ser lançado, devido a uma apresentação no programa Tonight Show .

Apesar de "The Fixer", primeiro single do álbum, ter força suficiente pra carregar o disco, em certos momentos, principalmente quando o ritmo do CD desacelera, é que a banda exibe o seu lado mais fraco. Efetivamente o Pearl Jam não manda muito bem em baladas, tanto que em "Just Breathe", que divide o álbum ao meio, temos talvez a canção mais fraca de "Backspacer". Situação parecida ocorre na faixa de encerramento "The End", que também deixa bastante a desejar. Em "Supersonic", segundo single do álbum, temos novamente um momento acelerado do álbum mas que nesse caso não chega a impressionar tanto.

No caso de baladas onde a voz de Eddie Vedder não fica solta acima dos instrumentos, caso de "Speed of Sound" ou ainda de "Amongst Waves", que tem um momento roqueiro no fim da música, não traz prejuízos à banda, e neste caso, temos uma das melhores canções do álbum. A canção seguinte "Unthought Known" também é demais, segue uma linha "épica", que mesmo não sendo uma zona de conforto para a banda, conta bastante a favor do álbum.

E é justamente em momentos mais simples como em "Force of Nature”, um Rock bastante básico, é que a banda agrada mais, provando que toda vez que o Pear Jam joga pra galera, optando por suas raízes, a vitória é quase certa.

"Backspacer" é um belo álbum que possui mais altos que baixos e certamente vai deixar os fãs da banda contentes.

YES

PET SHOP BOYS

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 5.00


“Yes”, décimo disco de estúdio, lançado em março de 2009, reafirma a capacidade de Neil Tennant e Chris Lowe em produzir boas músicas seja para tocar no rádio, em discotecas ou no seu player preferido.

O novo disco da dupla surge avassalador, as quatro primeiras músicas são arrasadoras, e todo o álbum é permeado com canções inspiradíssimas, onde algumas se tornaram sucessos instantâneos. Por conta disso, o ouvinte menos avisado pode até confundir o álbum como uma compilação de sucessos recentes da banda.

Essa boa impressão deixada pelo álbum já na primeira audição, pode ser ilustrada com canções como “Love etc.”, que abre o disco, e a tênue “King of Rome”, que usa e abusa do vocal sussurado para criar uma atmosfera lounge.

O Pet Shop Boys porém parece não querer ignorar a fórmula de sucesso que vem dando certo ao longo de sua carreira, isso fica claro em “Beautiful People”, onde temos a dupla produzindo uma canção que lembra bastante o som feito por eles no fim dos anos oitenta.

Em “Did You See Me Coming?”, temos a grande música do álbum, uma das melhores canções do duo em anos. Vibrante, de refrão fácil e dançante, a canção alcançou o primeiro lugar nas paradas pop americana. Outro momento desse porte é “Pandemonium”, que deu nome à turnê do disco “Yes” e acaba de virar CD/DVD ao vivo, a canção possui um grande potencial e certamente deve funcionar muito bem ao vivo.

Algo que talvez pudesse ter sido mais caprichado nas canções do álbum é a forma como as mesmas encerram. Em alguns momentos, fica nítido que eles deveriam ter tomado mais cuidado com o encerramento das mesmas, pois percebemos um fade-out que às vezes dá a impressão de que a faixa foi mutilada.

De qualquer forma, com esse disco a dupla consegue mostrar um trabalho brilhante, e que não falta fôlego para eles, mesmo em se tratando de um grupo que já soma quase trinta anos de carreira.

CHIAROSCURO

PITTY

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 5.00


Quase um ano após o lançamento de Chiaroscuro, terceiro álbum de estúdio da cantora baiana, a versão em vinil finalmente chega às lojas. Confesso que aguardei o lançamento em bolachão para enfim consumir e relatar aqui as minhas impressões.

A qualidade da cantora dispensa comentários maiores, já que vem como representante do autêntico Rock feito atualmente no país. Em termos gerais seu trabalho vem melhorando a cada álbum onde, principalmente, as letras e os temas são infinitamente melhores que os tratados no primeiro álbum da cantora.

Em “Chiaroscuro”, porém, temos canções menos radiofônicas, mas que funcionam dentro do álbum carregando um contexto mais coeso em boas músicas que se alinham dentro do disco, que é o caso da riquíssima canção “Desconstruindo Amélia”.

Salvo o hit single “Me Adora”, que mostra atitude e prova a conseguinte evolução musical já citada, as canções pouco se preocupam em aderir refrões aos ouvintes, mas em compensação existe toda uma preocupação com o conceito roqueiro do disco.

A audição em vinil, inclusive, valoriza essa experiência já na faixa de abertura “8 ou 80”, que precede “Me Adora”, a faixa tem todos os recursos necessários para apresentar o que o ouvinte vai consumir durante a apreciação do disco.

Além de “Me Adora”, “Fracasso” e “Trapézio” são os outros singles do álbum, que é recheado de outras boas músicas como “Medo”, uma faixa que consegue alinhar instrumental pesado e interpretação leve. E o álbum reserva essas surpresas, entre paradoxos que vão do leve ao pesado, do Rock ao pop, e obviamente do claro e do escuro.

Além disso, outro ponto interessante é a incorporação de elementos nada óbvios em sua sonoridade, como o tango de “Água Contida”, em outros momentos que remetem a boleros, soul music e música erudita.

Pitty também se sai bem ao quando interpreta a balada “Só Agora”, uma canção climática, de batida forte, e que mostra que canções desse tipo não precisam ser apelativas para ter um bom resultado.

Em suma, “Chiaroscuro” é um álbum elogiável, que mostra o quanto há de talento na cantora, que canta muito bem, possui uma banda muito boa e corretamente valorizada por ela, e que certamente nos darão ainda muitos álbuns que encherão de orgulho os fãs do bom e velho Rock and Roll.


KEEP CALM AND CARRY ON

STEREOPHONICS

Por Fábio Cavalcanti

álbum ainda não votado pelos leitores


Antes de tudo, para quem está acostumado com as resenhas deste que vos escreve, deve ser um tanto incômodo dar de cara com uma abordagem que costuma valorizar muito mais a essência "principal" e/ou "inicial" da banda em questão - seja lá qual for. Felizmente, em pouquíssimos casos, como na discografia dos galeses do Stereophonics, a mudança mais "radical" sempre foi muito bem vinda, nos trazendo pérolas do Britpop e do rock alternativo. O que dizer então do seu mais novo álbum, "Keep Calm and Carry On" (2009)?

Do divertido pop/punk do debut "Word Gets Around" (1997), passando pelo quase alternative country do "Just Enough Education to Perform" (2001), e chegando finalmente no indie, simplista e injustiçado "Pull the Pin" (2007), o grupo - agora um quarteto - lança seu sétimo álbum de estúdio, e nos traz a pergunta: onde foi parar aquela adorável ousadia?

Pode-se dizer que o novo trabalho de Kelly Jones (voz/guitarra) e sua trupe fecha uma espécie de "trilogia indie", iniciada no superestimado "Language. Sex. Violence. Other?" (2005). Guitarras predominantes, atitude nas letras, vocal ainda mais rouco do que de costume, são apenas algumas das características de um Stereophonics que agora resolveu apostar apenas em pequenas mudanças...

Se o papo ainda é mudança, percebemos uma produção mais sofisticada logo de cara, na irregular "She is Alright", a qual traz uma inesperada batida levemente eletrônica, mas peca pelo seu refrão insosso e repetitivo. Por outro lado, percebemos um melhor uso das novas incursões eletrônicas na curiosa "Beerbottle" e nos bons rocks "I Got Your Number" e "Uppercut". Já a semi-balada "Live N Love" é apenas legalzinha, passando longe de ser uma faixa memorável.

E quanto às baladas propriamente ditas? É claro que elas também estão presentes neste novo trabalho, afinal o Stereophonics sempre foi reverenciado por algumas das mais belas músicas do Britpop em seus álbuns anteriores. Mas, se vamos falar de inspiração e capacidade de cativar o ouvinte com melodias criativas e grudentas, apenas a melancólica "Stuck In A Rut" e a linda - e quase etérea - "100MPH" conseguem se destacar como pontos altos do novo álbum, enquanto que "Could You Be the One?" e "Show Me How" são apenas razoáveis...

E pra não dizer que a banda não conseguiu emplacar pelo menos uma música sensacional, temos o maravilhoso single "Innocent", um indie rock melódico e semi-acústico que certamente irá garantir um lugar entre os pontos altos de toda a discografia da banda! E se você é do tipo que prefere algo mais cru e direto, o Stereophonics trouxe dois interessantes petardos: o dançante surf rock "Trouble" e o simpático e estranho power pop "Wonder".

Se, após ler tudo isso, você imaginou uma certa falta de rumo musical, acertou em cheio! "Keep Calm and Carry On" traz boas músicas, mas mostra uma banda que, pela primeira vez em uma ótima carreira, ficou com medo de dar um passo maior em direção a algum lugar... Tudo que podemos fazer é curtir alguns dos melhores momentos deste agradável novo trabalho, e esperar que o Stereophonics nos surpreenda novamente em seu próximo trabalho.

Coragem, Kelly Jones, coragem! Just keep calm and carry on...

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Publicado originalmente no site: Rock em Análise (http://rockanalise.blogspot.com/)

TIANASTÁCIA NO PAÍS DAS MARAVILHAS

TIANASTÁCIA

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Apostando novamente no formato independente o Tianastácia continua sendo uma banda com seguidores fiéis, e muito meticulosa ao lançar seus discos.

No caso desse “Tianastácia No País das Maravilhas”, não poderia ser diferente, o Tia, como é chamado pelos fãs, entrega-nos um álbum livre das amarras de estilo musical ou de qualquer preconceito. Tanto que após a apresentação inicial e o tradicional grito de guerra, o disco começa com “Nobody”, uma empolgante canção que chega a lembrar o funk carioca.

O fato se repete no semi-samba “Guardanapo de Buteco”, uma canção com letra inventiva e de muito bom gosto, que foi escolhida como primeiro single do álbum. E por incrível que possa parecer o samba volta em “Chorei”, canção que é quase uma vinheta, mas que agora sim se entrega totalmente ao samba. Brilhante!

Seguindo a estilo tradicional da banda temos a música “A Boa”, e “A paz”, uma espécie de o hino pacifista e positivista. Falando em tradição, a banda finalmente gravou oficialmente “Faroeste Caboclo” da Legião Urbana, música que faz parte do repertório da banda há muito tempo. A versão do Tia, porém segue sem alterar o estilo original da canção, mas ainda assim a faixa é muito bem vinda sendo um divertido momento no álbum.

O segundo cover do disco é “Balada do Louco” dos Mutantes, que encerra o álbum, em uma versão simplesmente maravilhosa que aposta em uma pegada roqueira, mas que preserva a sensibilidade da canção original.

O amor está muito bem representado no disco com duas canções: “Mistério” que é a melhor música do álbum e uma das melhores já feitas pela banda e “Casamento”, que segue a mesma linha e também agrada bastante. Ambas destacam-se também pelo capricho em suas composições.

“Tianastácia no País das Maravilhas” é um belíssimo disco, que prova o valor da banda frente ao cenário roqueiro nacional, comprovando que o Tianastácia está sim entre as principais bandas do país.

O disco está sendo vendido nos shows da banda, mas generosamente esse e os outros álbuns da banda podem ser baixados de graça no site oficial da banda.

SACOS PLÁSTICOS

TITÃS

Por Anderson Nascimento

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No início do álbum têm-se a impressão que algo no estilo "Ô Blésq Blom" vai surgir. Isso se dá já na primeira faixa "Amor Por Dinheiro", um Rock potente descarregado pelo sempre competente vocal de Paulo Miklos.

As referências às experimentações feitas no disco acima citado, também aparecem em "Múmias" e em "Sacos Plásticos". Porém se é legal para os fãs ouvirem algo mais ousado, a banda nem sempre acerta. A faixa título, por exemplo, com alguns efeitos chatíssimos e letra descompassada, não consegue vingar, falta pegada, e no fim fica a sensação de que a música poderia até ter virado um bom momento.

O que fica evidente, é que "Sacos Plásticos" não consegue sustentar o nível de qualidade do último álbum de estúdio da banda "Como Estão Vocês", mas ainda assim consegue enfileirar grandes canções em meio as quatorze faixas do disco. O novo lançamento do quinteto não é essencialmente um disco de Rock, como se espera dos Titãs, mas pelo contrário, os melhores temas do álbum estão entre as baladas.

Um exemplo entre essas grandes canções é dado logo na segunda faixa do álbum "Antes de Você", que começa lentinha, vai ganhando força até explodir em um poderoso solo de guitarra no meio da música. A qualidade da música impressiona e, novamente Miklos dá um show de interpretação vocal em uma música de letra emocionante.

"Deixa eu sangrar", novamente uma balada, desta vez de cunho mais sentimental, de letra pesada, também é outro destaque. Já em "Porque eu sei que é amor" e "Quem Vai Salvar Você do Mundo", temos dois baladões, no estilo em que a banda tem se tornado expert em seus últimos discos, acabando por comprovar que as baladas são o ponto forte do disco.

Tanto que em momentos roqueiros a banda não consegue ser tão feliz, e por incrível que pareça, a banda chega a lembrar o "Tihuana" em "Deixa eu entrar". Já em "A Estrada" temos um bom Rock, com jeitão de hard setentista, e funcionará facilmente nas apresentações ao vivo. "Não Espere Perfeição", na voz de Branco, engrossa a lista de boas canções do álbum, só que desta vez em uma faixa pop-Rock pouco ameaçadora.

O disco novo dos Titãs vem para suprir um hiato de seis anos sem inéditas, e consegue adicionar algumas novas boas músicas ao seu cancioneiro, porém isso é pouco em se tratando da rica carreira de uma banda como os Titãs, a irregularidade da carreira do grupo, e a nítida queda de produção com o novo álbum preocupam.

NO LINE ON THE HORIZON

U2

Por Anderson Nascimento

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O U2 está de volta, e certamente é o U2 da década atual. Dificilmente o U2 terá novamente a cara dos anos 80 como tolamente ainda esperam algumas pessoas. Na verdade, em três décadas, o U2 caracterizou-se de formas diferentes, muito embora a forma politizada de ver o mundo tenha sido a mesma em todas as fases. Algumas vezes mais ácida, como na primeira metade dos anos 80, outras menos, leia-se fase Pop nos anos 90, e depois como ativistas e permanentes engajados em políticas humanitárias nos anos 2000.

A verdade é que qualquer um que espere que o artista ou banda volte à fase clássica terá que esperar sentado. A música evolui, os temas são outros e a própria necessidade do artista é diferente.

Em “No Line on The Horizon”, a banda está mais relaxada, porradas como “Vertigo” do álbum anterior não dão as caras no novo lançamento. Em compensação, discursos políticos, de guerra e de respeito ao planeta estão lá.

Quem se assustou com o primeiro single, a faixa meia-boca “Get on Your Boots”, uma mistura de Beatles com o próprio som do U2, mas que “sem dar liga”, vai se impressionar com a qualidade de músicas como a faixa título. “No Line on the Horizon”, uma bonita balada romântica, ao contrário do que se imagina tratar a música em um primeiro momento. Ou ainda no segundo single do álbum “Magnificent”, que remonta a atmosfera noventista do grupo, com direito à participação de Will.I.Am nos teclados.

Em “Moment of Surrender”, com seus longos sete minutos, temos outro momento agradabilíssimo, percebemos uma ode ao próprio U2, recheada de referências musicais da própria banda. Assim como em “Unknow Caller”, grande faixa que faz o ouvinte pensar em sua provável versão ao vivo, que também é temperada com o sabor dos anos 80, onde os antigos “Oôoôoo” estão de volta. Em tempo, a ode acontece inclusive ao próprio disco novo, no caso da música “ Fez - Being Born” que cita a cidade onde parte do álbum foi gravado e auto-referencia o próprio álbum.

Em termos de faixas mais agitadas, temos “I'll Go Crazy If I Don't Go Crazy Tonight”, um dos melhores momentos do álbum, que chega a lembrar o som feito no grande álbum “All That You Can Leave Behind”, um Rock de refrão empolgante e pegajoso, que leva o ouvinte a se perguntar o porquê do álbum não ter mais momentos como esse.

Outro grande momento é o discurso político de “Stand up Comedy”, que faz lembrar John Lennon com “Power to The People”, a letra tenta sacudir o povo em busca de um mundo melhor.

Entre “White Snow” e a faixa que encerra o álbum “Cedars of Lebanon”, duas músicas com temática voltada para guerra, que musicalmente deixam um pouco a desejar, está a angustiante canção “Breath”, que é um dos raros momentos mais roqueiros do disco, e poderia muito bem ter sido escolhida para encerrar o álbum, talvez aí o grande erro do álbum que acaba encerrando com a música que, apesar da letra, é menos expressiva do álbum.

O novo disco provou que o U2 é, mais do que nunca, a atual maior banda do planeta. A movimentação em torno do lançamento foi incrível, rádio, jornal, televisão, blogs, todos falando sobre o mesmo assunto. Só no Brasil, o disco foi lançado em três versões diferentes, coisa difícil aqui na terrinha, sem contar que no Brasil não foram lançadas as versões em vinil e os singles do disco, o que é comum lá fora, e acaba totalizando até agora, oito formatos diferentes para o ouvinte escolher e comprar.

E por incrível que possa parecer, o U2 já anunciou que lança outro álbum ainda esse ano. Desta vez a espera por um álbum inédito, que entre “How to Dismantle an Atomic Bomb” e o novo disco durou cinco anos, foi drasticamente reduzida. Vamos torcer que o U2 consiga manter o padrão de boas músicas, mas que acelere um pouco mais o ritmo.

MULTISHOW REGISTRO

VANGUART

Por Cyro Salgado

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“O mar, quando quebra na praia…” Composta por Dorival Caymmi, a triste história do pescador Pedro e da pobre Rosinha não chegou a comover, mas convenceu a plateia do Studio SP. Sob o arranjo nervoso do Vanguart, a canção está entre as pérolas dos CD e DVD Multishow Registro, lançados na madrugada desta quarta-feira, em um espetáculo fechado, em São Paulo. Um evento que colocou folk, rock, blues, Dylan e Caymmi sob o mesmo palco.
Com exceção de O Mar, Multishow Registro Vanguart trouxe ao público um conjunto autoral de canções, ornadas com arranjos maduros e modernos. Cantada em espanhol, Los Chicos de Ayer abriu o espetáculo, empolgante, com um coro formado por Hélio Flanders - em foto de Adriana Neves - David Dafré e Reginaldo Lincoln - que compõem o quinteto ao lado de Douglas Godoy e Luiz Lazarotto. Outros pontos altos da apresentação foram Hey Yo Silver, Mexico Dear Blues, Para Abrir os Olhos e a ousada You Know Me So Well - esta, sobretudo, por conta da clara influência de Bob Dylan e da presença de Luiz Carlini, guitarrista egresso do lendário Tutti Frutti.

Mesmo não sendo um lançamento de inéditas - ainda assim, há oito delas entre as canções do DVD - nada no espetáculo Multishow Registro Vanguart soou requentado. No palco do Studio SP, as badaladas Cachaça, Miss Universe e The Last Time I Saw You foram resgatadas pelo grupo, sem evocar, no entanto, a aura estreante do álbum homônimo, gravado em 2006 - uma prova de que o quinteto acertou, ao escapar da prova do segundo disco, optando por melhorar a obra anterior e mostrar ao público o rumo que pretende seguir - agora, no mainstream, claro.

“Escreveram que essa música é uma balada gay, mas não é”, pontuou Flanders, antes de cantar Robert - inédita que, assim como Promessas de Navegação e Hemisfério, apontam uma crescente vontade do grupo de compor em português. Da safra da língua pátria, o Vanguart resgatou também, no espetáculo, a nervosa Antes Que Eu Me Esqueça - enriquecida em cena pela guitarra de Dafré - e a gostosa, porém melancólica, Semáforo, que encerrou a apresentação com um inegável quê de consagração no ar.

“Este é o ano dos fracassados”, gracejou Flanders, ao comentar o contrato do quinteto com a major Universal. Contudo, na curta estrada do Vanguart, não parece haver fracasso. Formado há cerca de quatro anos, na incipiente e inusitada cena folk de Cuiabá, o grupo despontou para o resto do país em 2006, com a ajuda de plataformas como o MySpace. No mesmo ano, gravou um álbum que agradou o mercado e, agora, colhe os frutos da escalada, nas graças do público. Uma rota que promete ser longa, mas já surpreende.

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Retirado do site Site PALCO BR

TRIBUTO À CAZUZA

VÁRIOS

Por Cyro Salgado

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Era 1983, quando Caetano Veloso incluiu Todo Amor Que Houver Nessa Vida no espetáculo Uns . Na ocasião, o cantor apontou Cazuza como um dos maiores poetas daquela louca geração. Certamente, uma opinião avalizada por Ney Matogrosso, que gravara Pro Dia Nascer Feliz um ano antes. Em maio de 2008, tanto o gênio tropicalista quanto o inclassificável intérprete voltaram a homenagear o colega, que saiu de cena precocemente, aos 32 anos, em 1990.

Gravados em um palco armado em Copacabana, no Rio, o CD e o DVD Tributo a Cazuza chegaram recentemente às lojas pela Som Livre . Idealizado para celebrar os 50 anos do poeta, o espetáculo contou não apenas com Ney e Caetano, mas também com Angela Ro Ro, Zélia Duncan, George Israel, Sandra de Sá, Preta Gil, Paulo Ricardo, Rodrigo Santos, Arnaldo Brandão, Leoni e Gabriel, O Pensador. Ex-colega de Barão Vermelho, Frejat não marcou presença na homenagem, que abriu espaço ainda para artistas menos conhecidos pelo grande público, como Liah e Gabriel Thomaz.

Dos 14 números apresentados no CD - todos incluídos no DVD, com exceção de Vida Louca Vida - merecem destaque a versão de Caetano para Maior Abandonado e, claro, as performances de Ney em Por Que a Gente É Assim? e Pro Dia Nascer Feliz . Na voz inconfundível de Zélia, Vem Comigo e O Tempo Não Pára - ao lado de Brandão - ganharam frescor. No entanto, os melhores momentos da apresentação foram protagonizados por Ro Ro , que interpretou Todo Amor Que Houver Nessa Vida e Malandragem - canção que Cazuza e Frejat ofereceram à cantora em 1988, mas ela recusou.

Além das 20 canções captadas em Copacabana, o DVD Tributo a Cazuza traz, nos extras, uma segunda versão de Pro Dia Nascer Feliz , com a presença de todo o elenco no palco. Há ainda um previsível, porém válido, conjunto de entrevistas com personagens que conviveram com Cazuza. Apesar de abundantes no mercado, poucos tributos ao poeta trazem tantos momentos interessantes. Das faltas, a única imperdoável está na ausência de Minha Flor, Meu Bebê , apresentada por Caetano no espetáculo realizado em 2008, mas estranhamente excluída tanto do CD quanto do DVD.

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Retirado do site Site PALCO BR

ATLÂNTICO NEGRO

WADO

Por Anderson Nascimento

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O quinto cd do Wado, cantor e compositor radicado em Maceió, segue a expectativa de quem acompanha do trabalho do músico. Digamos, que não só cumpre as expectativas, como também supera esses anseios, transformando o álbum em um dos mais interessantes surgidos este ano.

Um misto de brasilidade, que inclui temas afro, rap, música baiana e mpBrega dos anos 70, tudo isso em uma panela só. Chega a impressionar a naturalidade que o artista trata alguns assuntos, como na regravação de “Rap Guerra do Iraque” (11 de setembro, tu se lembra aquela cena, quando Osama Bin Laden, derrubou as Torres Gêmeas?) em um providencial sotaque carioca. Ou ainda quando o artista dá tratamento vip a temas relacionados aos Orixás como no medley “Jejum / Cavaleiro de Aruanda” (já gravada por Gal Costa, Ney Matogrosso e Margareth Menezes) ou ainda em “Martelo de Ogum”.

Em outros momentos Wado flerta com os anos setenta, lembrando artistas como Walter Franco, e com a própria MPB baiana, como na faixa de abertura “A Estrada”, que em seus versos, dão nome ao disco, ou ainda na embalada de “Cordão de Isolamento”, cheia de ritmo e palavras que te botam pra pensar.

Em “Pavão Macaco”, um mpBrega aparece com uma sonoridade bacana, tornando a canção uma das mais belas do disco, juntamente com a sua sequência “Frágil”, que segue a mesma linha.

No fim, fica a sensação de “já acabou!?”.

Navegando e sabendo explorar o mar de possibilidades da música brasileira, Wado, solta um álbum muito interessante que consegue se destacar entre os grandes lançamentos desse ano. Difícil enquadrar “Atlântico Negro” em um ritmo musical específico, o que certamente faz com ele caia no gosto de muita gente.

O disco pode ser baixado grátis no site do Wado.

http://www2.uol.com.br/wado/

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