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Resenhas por Ano - 2010

    THE SUBURBS

    ARCADE FIRE

    Por Roberto Feliciano

    opinião dos leitores: 4.50


    Vamos esclarecer de uma vez por todas: comparar qualquer um dos vários discos de rock desta década com Neon Bible é uma covardia sem tamanho. Vendo por esse lado então, também não dá para comparar o já citado segundo disco do Arcade Fire com o recém lançado terceiro trabalho: The Suburbs.

    Correndo o risco de errar contra minha própria verdade, fiquei feliz em constatar em um primeiro momento que este é, musicalmente, o disco mais pop da ainda curta carreira da banda. Dá para sentir logo de cara a melodia assobiável na faixa de abertura, que leva o título do álbum. Isso, no entanto, não muda a faceta da banda. “Rococo”, por exemplo, é tudo aquilo que talvez esperássemos do grupo que fez um dos melhores discos dos últimos anos. Então, se decidirmos quebrar minha primeira regra, esse talvez fosse o ponto de maior comparação.

    Mas não se deixe enganar pelas melodias acessíveis e pela sonoridade que causa menos estranheza. A essência ainda está ali, principalmente na mensagem do disco como um todo, já que é impossível pensar nesse conjunto de canções de forma separadas, como o próprio grupo fez questão de estimular ao longo dos mais de sessenta minutos.

    Um exemplo são as frases e termos que aparecem em mais de uma música, como “At first they built the road then they built the town” ou a descrição da vida teoricamente feliz nos subúrbios, com a sensação de “eu costumava”, acompanhada de palavras como sonhar, esperar, amar.

    A impressão que fica após uma primeira audição é a de desesperança e dificuldade em lidar com a necessidade de se tocar a vida. Essa angústia é traduzida em letras que escancaram uma introspecção cada vez maior, principalmente quando Win Butler fala sobre envelhecer ou sobre o tédio dessa vida suburbana, que a cada minuto vai se mostrando, na realidade, infeliz. Para isso, recorre à infância, à adolescência e ao seu olhar hoje sobre esses períodos da própria vida.

    E quanto mais nos aproximamos do fim do disco, as descrições pessimistas de mundo e de relacionamentos vão tomando forma. O portador dos sentimentos não deixa sobrar para ninguém, nem para si próprio, nem para os amigos que não reconhece mais. A cidade não é mais a mesma, os subúrbios onde costumava brincar agora não passam de sombra daquilo que foram um dia.

    A beleza é o caminho, mesmo que seja o do fim. O interlocutor passa da esperança contida, para a desilusão forçada. Angústia, medo, dor, arrependimento. Está tudo lá, um desabafo nítido e gritado em nossos ouvidos. Pintando um painel por vezes apocalíptico, Butler nos mostra suas dores e as nossas próprias, tão motivadas pelos dias em que vivemos. E cada vez mais, não conseguimos seguir em frente, já que o passado distante é cada vez mais atraente aos olhos e corações.

    No fim das contas, falei pouco sobre a sonoridade. Vale dizer que o Arcade Fire não perdeu a pegada e as influências aparecem a cada vez que se ouve o disco. Para os apaixonados pela obra prima anterior pode soar estranho. Mas quando saboreado com atenção, The Suburbs dá sequência de forma magistral à carreira desse grupo, que já virou a melhor banda desses tempos que eles, sutilmente, vão retratando.

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    Publicado originalmente no blog Estante Catótica.

ARETHA

ARETHA MARCOS

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 5.00


Com um estilo vocal enquadrado no nível do que se tem feito de melhor entre as novas cantoras da Música Popular Brasileira, a cantora Aretha Marcos estréia em seu primeiro álbum da fase adulta surpreendendo a quem, através do álbum, tem o primeiro contato com a sua atual fase.

Aretha, filha do cantor Antônio Marcos e da cantora Vanusa, começou a carreira ainda criança, em especiais infantis promovidos pela Rede Globo, inclusive lançando várias músicas em projetos deste tipo. Aos 11 anos a cantora lançou pela Warner o seu primeiro disco, com participações do Tremendão Erasmo Carlos e de Liminha na produção do disco.

Depois disso, a cantora investiu no canto e passou a cantar em bares e casas de show no Rio de Janeiro e São Paulo, até, após participar de inúmeros projetos, chegar a esse álbum, considerado por ela como seu verdadeiro primeiro álbum.

Com explícitas influências de grandes divas da música como Nana Caymmi, Nina Simone, Aretha Franklin e Billie Holiday, a cantora transita entre um repertório calcado em sonoridades longínquas e a música atual, o que proporciona um meio termo entre o moderno e o vintage, dando um formato completamente especial ao disco, onde tudo é tratado com muito carinho, desde os belos arranjos, até os coros, espertos e adequados.

A cantora dá provas de que está atenta ao som contemporâneo ao se sair bem em suas duas composições que fazem parte do álbum, em especial na segunda música do disco “Tudo Que Posso Com Você”, que traz interessante letra e pegada que tende ao Rock. A outra canção composta por Aretha no disco é “A Mulher do Sacana”, uma profunda viagem ao som feito nos anos setenta.

As outras composições inéditas apresentadas no disco abrem espaço para um belo time de compositores com interessantes temas, como na hilária “Na Telha” de Kleber Albuquerque ou ainda “Escada Abaixo” de Eduardo Pitta e Xande Mello.

Dentre as releituras, Aretha faz uma divertida versão de “A Little Less Conversation” conhecida na voz de Elvis Presley, destancado-se também a gravação de “Non, Je Ne Regrette Rien” de Edith Piaf e uma versão pop e inspirada de “Because” dos Beatles.

O irrepreensível trabalho de estréia da cantora agrada em cheio já na primeira audição, além de ventilar ares de uma carreira estável e promissora. Bom saber que temos ótimas e novas talentosas cantoras em nossa música.

ARRANCO DE VARSÓVIA CANTA MARTINHO DA VILA

ARRANCO DE VARSÓVIA

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Em um belo trabalho feito em cima da vasta e maravilhosa obra de Martinho da Vila, o grupo “Arranco de Varsóvia” chega ao seu quinto álbum, desta vez com o lançamento nas mídias CD e DVD. O Arranco de Varsóvia é um grupo de samba formado nos anos noventa, especializado em resgatar sambas de grandes artistas do gênero, dando-lhes um elaborado arranjo vocal, e que hoje conta com os integrantes Andrea Dutra, Cacala Carvalho, Elisa Queirós, Muri Costa e Paulo Malaguti Pauleira.

Neste “Pãozinho de Açúcar”, o grupo apresenta um elogiável trabalho, com arranjos próprios para os sambas de Martinho que vão desde o seu primeiro álbum auto-intitulado “Martinho da Vila”, até o seu último disco de inéditas “Martinho da Vila, do Brasil e do Mundo” de 2007. Há de se ressaltar que a escolha do repertório deve ter sido uma árdua tarefa, levando-se em consideração a extensa discografia do sambista de Vila Isabel.

Mas o grupo foi perfeito, resgatando músicas que fogem do brilhante e óbvio repertório de Martinho. É claro que os clássicos como “Canta, Canta Minha Gente”, “Casa de Bamba”, “Disritmia”, “Devagar, Devagarinho” e “Ex-Amor”, estão todos lá, e claro que deveriam mesmo estar. Porém outro atributo que faz esse trabalho ser tão especial é o resgate de canções do mestre há muito tempo adormecidas, como “Amor Não é Brinquedo”, “Daquele Amor Nem Me Fale” e “Amor Pra Que Nasceu”, como o próprio Martinho diz ao subir ao palco para cantar um pot-pourri, no momento em que a banda encerra o clássico “Na Aba”: - “Me faz um dengo!? – tem muito tempo que eu não canto essa.” Diz um humilde Martinho José Ferreira.

Falando nisso, que momento! Quando Martinho canta com o grupo a emoção toma conta de todos que estão ali dividindo o palco com o protagonista principal, e não poderia ser diferente com o público ali presente, e com quem está assistindo ao DVD em casa.

Outra participação emocionante é a de Nelson Sargento, que entra no palco devagar entoando os versos de “Nossos Contrastes”, uma recente parceria com Martinho da Vila. Na sequência, em outro momento especial do show, “Seu” Nelson, faz uma versão bem peculiar do clássico “Ex-Amor”, em uma performance cantada com emoção por todo o grupo.

A emoção, aliás, percorre todo o disco, como se pode perceber no DVD, a banda se sai muito bem ao interpretar a bonita homenagem ao Rio na canção “Pãozinho de Açúcar”, ou ainda na lírica “Disritmia”, e na poética “Meu Laiaraiá”, do distante álbum homônimo de 1970.

Esse combo CD/DVD representa uma reunião de uma banda talentosa, com cinco belas vozes, homenageando um dos maiores poetas de nossa música popular brasileira. Como pesquisador e colecionador da obra de Martinho, tomei a liberdade de me sentir também homenageado. Obrigado Arranco!

MTV APRESENTA AUTORAMAS DESPLUGADO

AUTORAMAS

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


O nome “MTV Apresenta”, acaba não soando tão verdadeiro no caso do novo disco dos Autoramas. A banda, que dispensa apresentações, está há mais de dez anos na ativa, tendo lançado seis discos, incluindo aí uma coletânea de raridades e lados b de compacto.

Conhecidos por uma mistura acelerada de Rock and Roll, Surf Music e Rockabily, o trio está mais brando nesse álbum, que é praticamente um disco acústico. Não imaginem por isso o batido formato banquinho e violão, com os Autoramas a coisa fica diferente e consegue empolgar.

Os sucessos estão todos lá, com novos arranjos, claro, em versões menos agudas que nos álbuns originais, mas nem por isso melhores ou piores, mas diferentes mesmo. Os vocais estão mais seguros e mais polidos, o instrumental mais reservado, e a banda por isso tudo, mais comportada.

Talvez isso ajude a expor a grandeza do trio formado por Gabriel Thomaz, Bacalhau e a atual baixista Fávia Couri, que revelam o potencial de canções como “A história de vida de cada um de nós” ou a simples beleza de “Copersucar”, raras baladas do repertório do grupo.

No disco, além das tradicionais faixas instrumentais, muito utilizadas nos compactos costumeiramente lançados pela banda, estão também duas regravações, “Galera do Fundão” da época da banda anterior do Gabriel “Little Quail”, e “I Saw You Saying”, composição de Gabriel conhecida nacionalmente com os Raimundos.

Como tradicionalmente ditam os lançamentos com o selo MTV, o CD/DVD traz algumas participações especiais, caso de Humberto Barros nos teclados e Jane Deluc nas castanholas na canção “Hotel de Cervantes”, Big Gilson no blues “A 300 Km P/H”, Roberto Frejat em “Sonhador” e a cantora Érika Martins, amiga de longa data da banda, em “Música de Amor”.

Vale lembrar que o disco também emenda duas músicas inéditas. A primeira “Gente boa” e “Samba rock do Bacalhau”, mais uma instrumental na carreira da banda.

MTV Apresenta Autoramas Desplugado, é uma boa oportunidade para quem não conhece as músicas do trio, passe a ter uma noção. Não dá pra avaliar e dizer que conhece a banda por esse disco, que na verdade não mostra exatamente o que é a banda, mas certamente dá pistas sobre a sua importância e grandiosidade.

BROTHERS

BLACK KEYS, THE

Por Simone Ribeiro

opinião dos leitores: 4.50


Este pode ser o sexto álbum da banda The Black Keys, mas com certeza Brothers é o primeiro passo para levar o duo formado por Dan Auerback (guitarra/baixo/voz) e Patrick Carney (bateria) ao maintream. Se é que existe, neste caso, melhor sentido da palavra.

Nada contra os que gostam de mesmices do rock moderno e sem criatividade, mas Brothers é para ser apreciado por quem procura um som com influencias fincadas no blues e folk indie, características marcante do The Keys.

Apesar de ter sido lançado há alguns meses atrás, Brothers teve repercussão, principalmente, pela participação e repercussão da banda em grandes festivais como o Loolapalooza e Glastonbury. Para desespero dos fãs mais antigos da banda, de Ohio, que já está na estrada desde 2001. Sim, o mainstream chegou para o The Black Keys e vai ser difícil voltar atrás. Ainda mais com Brothers ocupando a terceira do chart da Billboard.

E o cd já está na minha lista dos favoritos de 2010 tem faixas de tirar o fôlego como a linda Never gonna give you up. Uma daquelas músicas que você fica cantarolando o riff sem perceber. Todo disco bom que se preze tem uma boa faixa de abertura e Everlasting Light faz as honras de Brothers. Com belíssimo backing vocals, de Nikki Wray, diga-se de passagem.

black keys 2 eu diria que Next Girl apresenta as influências Zeppelianas e hendrixianas da banda de maneira um tanto quanto explícita e tudo bem, porque é uma das melhores faixas do Cd. A faixa 6, Black Mud, é uma instrumental recomendada a ser ouvida enquanto está se fazendo algo que goste muito. Pena que ela tem apenas dois minutos, e nesse caso, o prazer dura pouco.

Howlin for you é a própria música feita pra festival. Refrão, acordes e jeito de hit de banda grande, sem perder a pose rock and roll, claro. Porque deve ser nessa hora que Dan mostra mais do que uma voz potente, mas uma pose de lead singer de peso.

Tighten up tem cheiro de hit e é hit. E deve ter contribuído bastante para os sold outs por onde quer a banda possa passar. Está certo que o queblack keys 3 ed03 sai da mente brilhante e criativa de Dan Auerbach também contribui um pouco.

As outras faixas de Brothers entrariam fácil num lado B da banda. Mas já que são boas músicas vamos dizer que pelo menos nove delas entram fácil em qualquer mixtape de favoritas. Brothers é um cd que coloca a banda no limbo, com pé no underground e outro no mainstream, mas tudo sem perder as qualidade do som.

E não há como negar que eles entram também para o hall das bandas favoritas de uma galera que a gente considera nossos favoritos. Quer a lista? Vou te dar um nome, Thom Yorke, e esse já o motivo para você correr para ouvir Brothers e os outros CDs do The Black Keys.

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Publicado originalmente no Mídia Ativa

DAS KAPITAL

CAPITAL INICIAL

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 3.33


“Ressurreição”, a bela faixa que abre “Das Kapital", décimo segundo álbum de estúdio da banda de Brasília, sugere que um bom disco vem pela frente. A incrível coincidência do fato de a canção ter sido escrita antes do grave acidente acontecido com Dinho Ouro Preto, certamente influenciou na escolha da mesma para abertura do disco. Apesar disso, o efeito aplicado na voz de Dinho no início e ao longo de quase toda faixa quase compromete a mesma, pois soa como lugar comum, principalmente ao levarmos em conta os trabalhos mais recentes de bandas que estão aparecendo ultimamente, onde esse efeito aparece em dez em cada dez lançamentos. De qualquer forma isso não atrapalha em nada o ótimo novo disco da banda.

O single “Depois da Meia-Noite” comprova isso, já que é uma música que tem a marca jovem e pop da banda Capital Inicial que, como ninguém, soube atualizar o seu som e com isso, tem arrebatado milhares de novos fãs a cada novo disco e, conseqüentemente, nova turnê.

Apesar de o Capital Inicial preferir não mexer em time que está ganhando, pois continua repetindo velhas fórmulas de trabalhos anteriores, a banda mostra-se ainda competente ao criar baladas como “Não Sei Por Quê”, uma das músicas mais bacanas do disco, com ares retrô, que lembra a sonoridade feita pela banda do fim dos anos noventa. Ou ainda quando relembra a sonoridade de seus primeiros álbuns nos anos oitenta com a canção “A Menina Que Não Tem Nada”.

Mas dizer que o Capital Inicial se repete, virou clichê entre os críticos, mas analisando imparcialmente “Das Kapital”, percebemos sim, ainda que timidamente, alguns flertes com novos ares que, talvez acertadamente, não chegam a ousar.

Na faixa “Melhor”, por exemplo, o Capital traz para o seu álbum um pouco de sintetizadores anos oitenta, algo não muito comum atualmente em sua obra, que torna a faixa no mínimo interessante. Já em “Marte em Capricórnio”, a banda chega a flertar com o Rock pesado, conseguindo acertar no resultado final.

As canções do novo álbum também devem render boas músicas para serem tocadas ao vivo. Esse é o caso de “Vamos Comemorar”, uma canção na linha Stadium-Rock, com todas as nuances que sugerem a canção sendo interpretada a plenos pulmões em uma apresentação ao vivo.

O disco encerra com “Vivendo e Aprendendo”, uma bonita canção que incluí palminhas, coros e uma boa letra, o que certamente habilita a canção um potencial sucesso entre os fãs.

“Das Kapital” é uma boa prova de que dá para se fazer música jovem e pop sem seguir fórmulas estabelecidas por tendências mercadológicas, e ainda assim soar atrativo, interessante e pop. Uma boa oportunidade para as bandas mais novas aprenderem um pouquinho com quem está na estrada há vinte e cinco anos.

LIVE AT TROUBADOUR

CAROLE KING & JAMES TAYLOR

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Oriundos da cena soft-Rock que invadiu o início dos anos setenta, Carole King e James Taylor, repetem a dobradinha após quase quarenta anos, desde que tocaram juntos no clube “Troubadour”, pequena casa de shows fundada em 1957 em Los Angeles.

As histórias de ambos se cruzam por diversos momentos, desde participações em discos e shows, até a gravação de composições que se tornaram sucesso, caso do maior hit da carreira de James Taylor, “You ve Got a Friend”, composta por Carole King.

Nesse combo CD/DVD lançado recentemente no Brasil temos o show gravado em 2007, ano em que o Troubadour estava completando cinquenta anos de fundação, onde até mesmo a banda relacionada para a apresentação é a mesma da época, ou seja, os competentes Danny Kortchmar (guitarra), Leland Sklar (baixo) e Russel Kunkel (bateria).

O show é intimista e, apesar de não ser um disco só de sucessos, traz boa parte das canções que ainda hoje são capazes de emocionar pessoas no mundo inteiro. Estão lá canções como “So Far Away”, “Carolina In My Mind”, “It’s Too Late”, “Up on the Roof”, “Something In The Way She Moves” e “Fire And Rain”, além de outras, no total de quinze músicas com James e Carole se revezando nos vocais.

É claro que “You ve Got a Friend” também não poderia faltar, e nessa apresentação a versão está à altura da grandiosidade da canção que tornou James Taylor conhecido no mundo todo. Nessa interpretação os dois dividem os vocais, levando o público ao delírio, em uma versão que eles deviam pra gente há anos.

Na versão em DVD é bacana também perceber os entreolhares e demonstrações de carinho e respeito de ambos, além de também conversarem bastante com o público, levando-os às risadas em boa parte do espetáculo.

“Carole King & James Taylor Live At The Troubadour” é um CD/DVD emocionante, ideal para audições descompromissadas e, de preferência, acompanhada de um bom vinho e de uma boa companhia.

CURRICULUM

ÉRIKA MARTINS

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 4.55


Para celebrar os mais de dez anos de carreira e um já vistoso currículo, os fãs da cantora Érika Martins ganharam um presentão do selo Discobertas. Trata-se da coletânea “Curriculum”, onde fonogramas de diversas fases da carreira da cantora são enfileirados e reunidos em um único disco.

A tarefa de montar essa compilação não parece ter sido fácil, já que as canções envolvem parcerias com outros artistas, discos de tributos, canções de sua antiga banda, além de raridades e uma música inédita.

Em “Curriculum”, temos o prazeroso dèja-vu de relembrar canções da época da banda Penélope, como “Holiday”, o primeiro sucesso da banda, e “Namorinho de Portão”, ambas oriundas do primeiro álbum “Mi Casa, Su Casa”. Do maravilhoso (e já raro) álbum “Buganvília”, estão presentes “Caixa de Bombom” e “Não Vou Ser Má”, esta última com participação da cantora Wanderléria. Do terceiro álbum, “Rock, Meu Amor”, temos “Continue Pensando Assim”, que traz a especialíssima participação de Samuel Rosa.

Com relação às parcerias de Érika com grandes nomes de nossa música, destacam-se “In Between Days” cover do “The Cure” gravada junto com Herbert Vianna, que ainda hoje é muito tocada nas rádios de repertórios mais “lights”, além de “A Mais Pedida”, uma das canções mais conhecidas da banda “Raimundos”. Já das regravações em tributos destacam-se a parceria com os “Autoramas” na canção “Let Me Sing, Let Me Sing”, gravada no tributo à Raul Seixas e “Goodbye”, gravado em um álbum em tributo aos Beatles.

O disco ainda tem espaço para a rara “Pare o Casamento” com a sua banda paralela “Lafayette & Os Tremendões”, que havia figurado somente em um compacto em vinil. Além da inédita “Waiting For My Song”, canção que já é hit no comercial do Mercado Livre que vem sendo vinculado na Tv.

O belo e esmeroso trabalho gráfico do disco, característica marcante nos lançamentos do selo Discobertas, é um destaque por trazer bonitas fotos e recuperar a ficha técnica da gravação de cada faixa, incluindo nesse contexto o nome do álbum onde cada canção apareceu originalmente, coisa que deveria ser obrigatória em coletâneas.

Com o acertado lançamento de “Curriculum”, o público em geral poderá ter idéia da importância e do talento de Érika Martins para o nosso pop/Rock contemporâneo. Recomendadíssimo!

RETIRANTE

GILBERTO GIL

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Muito antes de integrar, junto com Chico Buarque e Caetano Veloso, a chamada “Santíssima Trindade da Música Popular Brasileira, Gilberto Gil fez uma série de gravações em compactos pelas gravadoras JSDiscos, RCA, Phillips, além de um registro feito em voz e violão no estúdio da editora Alecrim, para mostrar suas composições.

Pela gravadora JS, são dois compactos em 78rpm e um EP chamado de “Gilberto Gil: Sua Voz e Sua Interpretação”, de onde foi reproduzida a capa desse novo CD; do pouco tempo de RCA vem o compacto que trouxe originalmente o clássico “Procissão” e a sua participação no LP “4º Festival da Balança”; da época da Phillips, o compacto que trazia “Ensaio Geral” e “Minha Senhora”, além da participação no raro EP de 1972 para a revista “o Bondinho”.

No CD dois, temos as singelas gravações realizadas por Gil em uma inédita fita gravada por ele, para a editora e gravadora Alecrim, para que o mesmo pudesse apresentar as suas composições para potenciais contratantes, nos idos de 1966.

Agora, graças ao resgate histórico do pesquisador Marcelo Fróes, todas as canções da pré-história de Gilberto Gil podem ser encontradas em um único álbum duplo, através do selo Discobertas.

Esse projeto, fruto de um louvável esforço do diretor do selo Discobertas, dá luz a uma série de canções até então inéditas no repertório discográfico de Gil, “A Última Coisa Bonita”, “Retirante” e “Me Diga, Moço”, todas, claro, do segundo CD, que mostra um tímido Gil anunciando e cantando suas canções.

Completando a obra, compõe ainda um generoso encarte com dezesseis páginas que, cronologicamente, conta e ilustra com imagens de alta-qualidade, os primeiros anos de carreira de Gilberto Gil, além do processo de idealização e produção de Marcelo Fróes, que trouxe esse importante lançamento às lojas.

“Retirante” é um álbum obrigatório para quem admira e quer conhecer mais profundamente a obra de Gilberto Gil, e comprovar como, já em suas primeiras gravações, o ex-ministro já apresentava um talento fora do comum.

THE FINAL FRONTIER

IRON MAIDEN

Por Rafael Corrêa

opinião dos leitores: 5.00


“The Final Frontier”, décimo quinto álbum do Iron Maiden, pode ser considerado como um dos lançamentos mais esperados pelo fiel público da banda e pelos demais amantes do heavy metal. Por igual, muito se falou (e criticou) sobre o disco antes mesmo do início de sua vendagem, prevista para 16 de agosto deste ano, e com apenas uma canção oficial disponibilizada para download. Os saudosistas, presos à obra dos anos 80, não aceitam a continuidade da linha de trabalho proposto pelo grupo após o retorno de Bruce Dickinson e Adrian Smith, vista nos discos “Brave New World”, “Dance of Death” e “A Matter of Life and Death”, e ainda insistiam em enxergar uma luz no fim do túnel, que significaria um regresso às origens da Donzela. Por outro lado, há outra corrente de público (corrente esta à qual esse matuto resenhista há muito se filiou) que, apesar das críticas à nova roupagem do Maiden, não viam como possível o lançamento de um novo “Piece of Mind” ou “Powerslave”, mas sim, o prosseguimento lógico deste trabalho iniciado em 2000, com “Brave New World”.

Pois bem. Estamos prestes a alcançar a data do lançamento oficial de “The Final Frontier” e, com o previsível vazamento do álbum, todos perceberam que este registro do Iron Maiden é, de fato, uma sequência à linha de composição apresentada nessa última fase da banda, acrescida com alguns “passos” a mais, que os leitores da Galeria Musical poderão acompanhar a partir de agora.

Desde a capa até os segundos finais de “When the Wild Wind Blows”, “The Final Frontier” apresenta uma série de novidades e surpresas que, infelizmente, não logram êxito em todos os momentos. Diversos fãs de carteirinha, por exemplo, desdenharam do novo conceito dado por Melvyn Grant ao eterno Eddie, apontando uma suposta falta de qualidade do desenho que compõe a capa do disco e “chorando as pitangas” ausência do clássico e horripilante “anti-herói” que tomava de assalto as memoráveis capas dos anos 80. Mas, após ouvir o álbum inteiro, conseguimos compreender que este novo Eddie cai como uma luva na sonoridade do disco. Querendo ou não, esta era a capa que “The Final Frontier” precisava.

Passando por esse primeiro obstáculo, o ouvinte chega ao que mais importa e passa a apreciar as novas canções, que ansiosamente eram aguardadas. De fato, como os fãs mais xiitas já sabem, após o retorno de Dickinson e Smith, o Iron Maiden adquiriu o hábito de repetir certas manias em seus lançamentos, principalmente quando se trata das faixas de abertura: geralmente, elas são relativamente curtas, introduzidas por um riff que sustenta a canção durante o seu desenvolvimento e, ao mesmo tempo, eram as canções encarregadas de abrir os shows da banda em suas turnês. Assim foi com “The Wicker Man” na tour de “Brave New World”; “Wildest Dream” na turnê de divulgação de “Dance of Death”; e com “Different World”, nos shows correspondentes ao último disco, “A Matter of Life and Death”.

Sendo assim, poderíamos esperar o mesmo da primeira canção do presente disco, mas “Satellite 15... The Final Frontier” é, de longe, a coisa mais diferente que o Iron Maiden já fez em sua carreira. A canção inicia-se com uma linha grave de baixo provavelmente guiada por comando eletrônico, até ser atingida em cheio pelas batidas tribais de Nicko McBrain. As guitarras, por sua vez, se embaralham em um emaranhado harmônico para criar um cenário caótico, sempre marcado pelas baquetas de Nicko, que gradativamente aumentam de densidade e volume. Aos poucos, a canção se abre para que Dickinson entoe versos de lamentação, mantendo ainda o clima confuso e sofrível percebido no início da canção. Diversos elementos progressivos são perceptíveis, como o ilógico encadeamento das seis cordas pesadas e limpas, até as batidas de McBrain, que fazem a angústia aumentar cada vez mais. O ouvinte é imerso nesse mar de caos durante 04:25 minutos, para ser trazido à superfície do modo mais pesado possível: “Satellite 15...”, primeira parte da canção fecha-se em silêncio para a explosão do já conhecido riff de “The Final Frontier”, marcado por uma levada hard/heavy que força-nos a bater a cabeça. Não há como conter um sorriso no rosto: ficamos felizes seja pelo fim da longuíssima introdução, ou então, pela criatividade da banda em juntar dois universos distintos na mesma faixa.

“El Dorado”, velha conhecida dos fãs desde a liberação para download no mês passado, apresenta-se em uma qualidade sonora maior do que na versão anterior. Pesada e variável, é seguramente uma excelente faixa para apresentações, como temos visto em diversos vídeos que circulam pela net. “Mother of Mercy”, canção seguinte, apresenta uma atmosfera interessante, igualmente progressiva, porém apoiada em linhas de guitarra que “grudam” em nossa mente. O refrão é fácil de ser cantado, e o trabalho de Steve Harris é inovador: por alguns momentos, os galopes de quatro cordas são alterados por um acompanhamento lírico e próximo ao formato acústico, presente na primeira parte desta faixa. A letra expressa um ambiente pesado, similar à atmosfera criada em “A Matter of Life and Death”, mas com as limitações que faltaram naquele disco.

Falando em formato acústico, “Coming Home”, quarta faixa de “The Final Frontier”, aposta em uma receita mais calma (após uma introdução que, curiosamente, lembra algumas passagens do disco “Virtual XI”) para apresentar um cenário criativo e interessante. Os versos da canção se entrelaçam até chegar ao refrão, ainda mais estimulante que o percebido em “Mother of Mercy”. A instrumentalidade da canção, apesar do viés progressivo (presente em todas as faixas), é mais objetiva, cujo destaque encontra-se sobre as mãos de Dave Murray em seu excelente solo.

A partir daí, o elemento progressivo, contido pelo peso das duas canções iniciais e da criatividade das duas faixas seguintes, é liberto e elevado à décima potência. “The Alchemist” abre seus trabalhos com a apresentação das três guitarras em uma linha uníssona, que também nos remete a “Virtual XI” e, vejam só, “Chemmical Wedding”, excelente trabalho solo de Dickinson. O problema reside no desenvolvimento da canção que, ao ser um tanto longa, não apresenta variáveis suficientes para manter o ouvinte preso em sua teia. “Isle of Avalon”, apesar da introdução relevante, chega a ser cansativa pela sua repetição.

“Starblind” e “Talisman” mostram a capacidade da banda em moldar a complexidade do som ao seu favor. Nessas canções, o Maiden aproxima-se do Dream Theater, ainda que sem a virtuose necessária para tanto. Apesar de apostar na receita “intro longa, galope pesado, refrão, solo e intro novamente”, as duas canções são valiosas pelo excelente trabalho desenvolvido por Adrian Smith, provavelmente o mais criativo e versátil dos los três amigos: todos os seus solos, apesar da complexidade dos riffs que o embalam, fluem normalmente, como se Adrian provasse ser capaz de cultivar uma excelente sonoridade que resite até mesmo nos terrenos mais opacos.

As canções que fecham “The Final Frontier”, “The Man Who Would be King” e “When the Wild Wind Blows”, apostam no mesmo formato épico para elevar a progressividade presente no disco. Ambas as faixas são longas e calcadas em uma introdução bem trabalhada, que prepara o ouvinte para o peso desenvolvimento, apresentando letras consistentes e inteligentes. Em especial, “When the Wild Wind Blows” (canção elogiada por Dave Murray em diversas oportunidades) envolve o ouvinte com uma musicalidade relevante e um desabafo com o mundo que o hoje se encontra ao nosso entorno. Se fosse mais breve (a faixa conta com quase doze minutos de duração), seria forte candidata a uma das melhores canções do disco.

Enfim, à exemplo do que “A Matter of Life and Death” apresentou, “The Final Frontier” é um disco que deve ser digerido aos poucos, mas não pelos mesmos motivos que seu antecessor (pautado em um clima obscuro e um pessimismo excessivo). “The Final Frontier”, ao mesmo tempo que remete os ouvintes para trabalhos anteriores, é recheado por novos elementos inspirados em linhas progressivas observadas em bandas como Dream Theater e Rush. Não fosse o exagero de alguns momentos, como as faixas alongadas sem necessidade, seria o melhor registro do Iron Maiden em anos, comparável (guardadas as devidas proporções) ao clássico “Seventh Son of a Seventh Son”. Sem reclamações ou lamentações, afinal, todos sabíamos que o Maiden não daria passos para trás e dar um novo “The Number of the Beast”. Com os olhos sempre à frente, a banda busca novos fatores para não ficar presa à sua própria obra. Se é certo ou errado, só o tempo dirá. Ouçam, e tiram suas próprias conclusões.

VALLEYS OF NEPTUNE

JIMI HENDRIX

Por Rafael Corrêa

opinião dos leitores: 5.00


Se ainda estivesse conosco, James Marshall Hendrix completaria em novembro próximo 68 anos de vibrante existência. Somado a um legado musical incomparável, Jimi Hendrix deixou-nos uma imensa lacuna que, mesmo passados quase 40 anos de sua morte, ainda não foi preenchida. Ciclos transcorreram em completude, revoluções eclodiram e Estados nasceram: mas não surgiu nenhum outro artista capaz de mover o mundo empunhando uma guitarra.

Talvez, com "Valleys of Neptune" este mesmo mundo possa reestabelecer a esperança e lançar ao céu novamente a estrela enclausurada que Hendrix assinalou em nossas almas ao partir.

O álbum conta uma série de canções inéditas e outras tantas já conhecidas, mas nunca comercializadas. Seja pelo encanto que Hendrix ainda exerce ou pelo anseio de se ouvir novas canções de sua autoria, fato é que o décimo primeiro álbum póstumo que recebe sua assinatura é esperado com uma veemente expectativa. Tais pressupostos são postos alegremente ao chão quando "Stone Free", faixa inicial do álbum, chega aos nossos ouvidos. Completando a mesma intensidade, a faixa título se desenvolve de modo concreto, preparando terreno para "Bleeding Heart" chacoalhar nossa alma. Esta é uma canção típica de Hendrix: excitante, vibrante e tantos outros "antes" cabíveis para adjetivá-la.

Os solos e os compassos alternados, marca registrada do Jimi Hendrix Experience, retornam com toda a força em interpretações de "Hear My Train A Comin" (cuja violência chega a assombrar), "Mr. Bad Luck" e a já citada "Bleeding Heart", forte candidata de pérola soberana do álbum.

Outro momento incontestavelmente deleitoso é a execução descomunal e original de "Sunshine of Your Love", originalmente concebido em "Disraeli Gears" do Cream. Hendrix, quando da gravação de sua versão para esta canção em 1969, transformou o riff introdutório de Clapton em uma interessante viagem de som e pulsação, que se estende, vejam só, por quase quatro dos sete minutos de seu desenvolvimento. Curiosamente, Hendrix não entoa em nenhum momento sua voz: são as seis cordas que falam, berram e explodem a seu comando. De fato, como já evidenciavam os pichados muros de Londres em 1968: "Se Clapton é Deus, Hendrix é o Diabo".

"Lover Man"e "Ships Passing Trought the Night" também sobressaltam-se à atenção do ouvinte pela sua interessante construção. Já em título de encerramento, são as re-interpretações de "Fire" e "Red House" (cujas diferenças do orginal são evidentes), aliadas aos apotegmas demonstrados em "Lullaby for the Summer" e "Crying blue Rain", que acolchetam toda atmosfera nostálgica de "Valleys of Neptune" com a vibração típica de Hendrix. A capa do álbum é uma pintura confeccionada pelo próprio guitarrista, fato que nos aproxima ainda mais da monumentalidade deste disco. pela sua excelência, saudade é a melhor palavra a ser utilizada para tentar descrever as presentes gravações. Deleitem-se.

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Publicado originalmente no blog Rock Pensante

NIGHT TRAIN

KEANE

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 5.00


“Night Train” é o primeiro EP da banda Keane, mas diferentemente dos EP´s tradicionais, que normalmente trazem quatro músicas, este tem quase o peso de um CD “cheio”, trazendo oito faixas.

É bem verdade que a primeira faixa, “House Lights”, é apenas uma espécie de abertura do disco, com pouco mais de um minuto, mas que funciona como uma bela introdução para “Back in Time”, a grande música desse disco.

Em “Night Train”, a banda capitaneada por “Tom Chaplin”, dá sequência à sonoridade dançante de “Perfect Symmetry”, seu último disco de estúdio, apostando ainda mais em sintetizadores e efeitos de estúdio que tornam o som da banda ainda mais pop.

Esse caminho tem sido trilhado pela banda já há algum tempo, o que tem descaracterizado a banda como uma mera seguidora do estilo que o “Coldplay” tornou famoso no fim dos anos noventa.

Em "Stop For a Minute", primeiro single desse EP, o rapper somali-canadense Knaan junta-se à banda para mais uma bela faixa, com direito à “ôoôs”, que lembram, perdoem me o clichê, o U2. O rapper também aparece em “Looking Back”, uma canção com um curioso riff que lembra a famosa trilha sonora do personagem Rocky Balboa de Sylvester Stalonne.

A faixa "Your Love", também é curiosa por trazer o compositor e pianista Tim Rice-Oxley nos vocais, assim como em “Ishin Denshin”, que traz a cantora japonesa Tigarah dividindo os vocais com Tom Chaplin.

A música que fecha o disquinho é “My Shadow”, única desse novo repertório que chega a lembrar o Keane de “Hopes and Fears”, no estilo baladão marcada por piano e vocais destacados, sempre à frente dos instrumentos.

O álbum foi muito bem recebido pela crítica, atingindo o primeiro lugar na Inglaterra e, pra nossa sorte chegando até o Brasil, coisa difícil em se tratando de EPs ou singles.

Gravado ao longo da turnê de “Perfect Symmetry”, “Night Train” é livre de qualquer amarra de conceitos estáticos de um álbum tradicional, o que mostra a banda divertindo-se através de caminhos já trilhados anteriormente pelo grupo, ou em parceiras, que incluem o rap, e que por tabela, diverte também quem ouve o disco.

COISAS DE MENINA

LUEN

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 4.85


Filha de uma brasileira e um alemão, a cantora Luen Cugler, nascida nos Estados Unidos, onde foi alfabetizada e ficou até os nove anos, veio para o Brasil, e foi criada na cidade de Búzios no Rio de Janeiro, onde cresceu no meio musical, participando de algumas bandas e movimentos musicais durante esse período.

Dois fatores são preponderantes para aguçar a curiosidade de quem pega para ouvir o primeiro disco da cantora Luen.

O primeiro envolve o combo sucesso e polêmica provocada após a divulgação no YouTube do clipe da música “Coisas de Menina”, primeiro single do primeiro álbum da cantora, e que rapidamente ultrapassou as dez mil visualizações, chamando a atenção de todos por conter cenas de meninas ilustrando a letra da música.

O segundo fator é a participação de Luen no reality show “Geléia do Rock” de onde a cantora saiu como grande vencedora da primeira temporada do programa do canal a cabo Multishow.

Os motivos supra-citados são suficientes para que as atenções estejam voltadas para o lançamento de “Coisas de Menina“, disco lançado agora pelo selo Discobertas, que põe Luen e sua competente banda formada por Pedro Terra (Guitarra), Antônio Van Ahn (teclado), Paulo Aiello (baixo) e Rick De La Torre (bateria), entre os principais lançamentos desse já iniciado segundo semestre.

A cantora foi descoberta pelo produtor carioca Clemente Magalhães, que produz o álbum dando a ele um clima roqueiro que foge do lugar comum, alterando momentos com nuances das mais variadas possíveis, e que, por conta disso, acaba tornando o CD de estréia de Luen , um interessante instrumento de devoção ao Rock que expira os melhores momentos do gênero, praticados entre os anos setenta e os dias de hoje.

Um bom exemplo disso é a canção “Rock and Roll”, com pinta da atraente fase roqueira de Rita Lee, ainda com a banda “Tutti Frutti”. Falando em Rita Lee, Luen relê, com um belo resultado, “Menino Bonito”, canção lançada por Rita no disco “Atrás do porto tem uma cidade” de 1974, que aqui ganha um arranjo que beira ao etéreo e que certamente emocionará o ouvinte.

“Im Moving On”, canção de Yoko Ono, gravada para o projeto “Mrs Lennon”, dá provas de que a cantora se sai muito bem cantando na língua bretã, além disso, Luen também mostra toda a sua potencia vocal em “Cry Me A River”, versão do clássico escrito por Arthur Hamilton e já regravada centenas de vezes, e que aqui ganha um fino acabamento hard-Rock, e seu peculiar tratamento à “It Not For You” de Dylan, que também aponta a fuga de recriações que bebam puramente do folk tradicional.

Contrastando com esse seu potencial, a cantora também se sai bem ao entoar baladas, como na épica canção “Sexta-feira”, um dos melhores momentos do álbum, ou quando abre timidamente o seu álbum com a minimalista “4 da Manhã”.

“Coisas de Menina” é uma bela estréia. Trata-se de um disco roqueiro, autoral e honesto que vai somar pontos positivos para a nova geração de bandas e artistas que estão surgindo recentemente.

CONGRATULATIONS

MGMT

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


A velha história da dura missão de agradar ao público e crítica no segundo álbum parece ter acontecido de forma diferente no caso do MGMT. Em 2008 eles lançaram o espetacular “Oracular Spetacular”, que trouxe uma atmosfera muito diferente do que vinham fazendo as bandas até então.

O som era uma espécie de música eletrônica com Rock Psicodélico, e os singles como “Time to Pretend”, com letra absolutamente sincera e fora-da-lei, “The Youth” e “Electric Feel”, mostraram uma banda realmente inovadora e promissora.

Ao contrário do que normalmente acontece, ou seja, o clichezão de lançar o segundo álbum conceitual, mais “cabeça”, nesse “Congratulations” a banda, agora formada por cinco pessoas, só quer diversão. O espírito desse álbum em nada se compara com o primeiro, nada de inovação ou grandiloqüência, pelo contrário, nesse álbum a banda aposta em um álbum voltado para o Rockabilly e Surf Music.

Logo no início do álbum essa idéia salta aos ouvidos com “It´s Working”, disparada a melhor música do disco, mas ao mesmo tempo, a banda parece querer mostrar que a sua principal influência, o som psicodélico, ainda resiste fortemente em seu som. Na sequência, em “Song for Dan Treacy”, o orgãozinho anos sessenta prevalece, reforçando essa idéia.

As letras continuam viajantes, como é o caso da enigmática “Someones Missing”, apoiadas em melodias que acabam nos levando de volta a meados dos anos sessenta, lugar comum em “Flash Delirium”, ou ainda em “Sibeian Breaks” que recria, em incríveis doze minutos, um lual à beira da praia, em uma espécie de Beach Boys chapados.

“Brian Eno” rende uma divertida homenagem ao famoso produtor, em um Rock acelerado e interessante, e, falando em homenagens, “Lady Dadas Nightmare”, faixa instrumental com nuances fantasmagóricas, faz um trocadilho com o nome de vocês devem imaginar quem.

O disco fecha com a faixa título, em uma canção que em nada lembra a sonoridade da banda, sem efeitos, e com um Rock que poderia se encaixar em algum lugar entre os anos oitenta e noventa, a boa canção encerra com aplausos para eles mesmos.

Apesar de recheado de boas canções, não há em “Congratulations” canções com a força dos singles do álbum anterior, mas por outro lado, mostra que o clima despretensioso do álbum anterior ainda prevalece, mostrando que a banda continua fazendo música por diversão.

VIVO NA CENA

NASI

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 3.00


Com a ruptura do IRA! este “Vivo na Cena” acaba por dar uma idéia do que será a carreira de Nasi daqui pra frente. Com um misto de referências que estão entre o punk, eletrônico e o próprio Rock and Roll básico, o cantor revela a sua pré-disposição por incluir em seu trabalho uma maior variedade de ritmos e estilos, longe das amarras que, queria ou não, limitam o artista quando se está em uma instituição como era o IRA!

Tendo em vista esse aspecto, um novo álbum gravado ao vivo foi uma acertada forma de representar esse novo momento na carreira do cantor. Ainda mais se levarmos em consideração o formato do disco, ou seja, um álbum gravado ao vivo, sem trucagens de estúdio, com uma banda de verdade e um cantor de verdade, como os próprios participantes da gravação do álbum revelam nas entrevistas que acompanham os extras do DVD.

Em termos de repertório, Nasi recuperou canções de várias fases de sua vida como “Verdades e Mentiras” da banda “Voluntários da Pátria”, a qual participou nos anos oitentas, em paralelo à sua banda principal. Além dessa canção, “Onde Estou” da banda Muzak e “Carne e Osso” da banda “Picassos Falsos”, ambas oriundas dos 80s, também entram no repertório. Obviamente, mas em reduzida quantidade, Nasi também manda três canções do IRA!, a bela “Milhas e Milhas”, do álbum “Entre seus rins”, a versão com metais do clássico “Tarde Vazia” e “Por Amor”, canção escrita pelo saudoso Zé Rodrix para gravação da banda no “Acústico Mtv” e que aqui ganha participação da cantora Vanessa Krangold da banda “Ludov”.

As regravações continuam, entre outras, com uma forte versão, quase falada, de “O Tempo Não Para” de Cazuza, uma versão bluseira de “Bala Com Bala” de João Bosco e, a melhor gravação do disco, “Rockixe” de Raul Seixas, com uma versão pesada onde duelam Nasi e o roqueiro baiano Marcelo Nova.

Com uma banda muito afiada, que inclui o veterano Johnny Boy, e pronta pra desfilar canções que vão do Rock ao Blues, Nasi se sai bem com sua voz rouca, cara de mau e atitude, os dois últimos adjetivos, diga-se de passagem, estão fazendo falta no Rock nacional.

Na maior parte do repertório, as gravações, feitas à vera, estão irrepreensíveis e, em raros momentos deixam a desejar. Porém, isso acontece na primeira faixa “Ogum”, onde a voz de Nasi parece receber um efeito que torna a gravação um tanto ininteligível. Já em “Por Amor”, as vozes de Nasi e Vanessa, estão perdidas entre os instrumentos, faltando inclusive um maior sincronismo entre eles, únicos revezes em um trabalho surpreendente que mostra que os ex-cantor do IRA! poderá caminhar sozinho e ser feliz fazendo o que gosta.

Essa bela estréia pode estar dando início a uma promissora nova etapa do incansável Nasi, que entre bandas como “IRA!”, “Voluntários da Pátria”, “Nasi e os Irmãos do Blues”, e agora com seu segundo disco solo, está botando pra fora suas ricas referências musicais, cheio de atitude e visão musical, justificável pelas incursões de canções de bandas da cena independente nacional como “River Raid” e “Eddie”.

A versão em DVD, ainda presenteia os fãs com um belo conjunto de imagens e caprichadas edições, além de entrevista com o Nasi comentando o álbum faixa a faixa, e de um maravilhoso documentário sobre a carreira do artista, contada por membros da banda e por Kid Vinil.

TIME FLIES

OASIS

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Lá se foram quinze anos de carreira de um dos grupos mais bem sucedidos da história recente da música. Implodidos pela própria vaidade, por egos maiores que a própria banda, o Oasis até que durou muito tempo, tendo em vista o histórico de brigas dos irmãos Liam e Noel Gallagher, mas eis que o grupo chegou ao fim no ano passado. Por pura ironia, justamente no decorrer de uma turnê de grande sucesso oriunda de um disco muito elogiado pela crítica, deixando milhões de fãs órfãos.

Isso ocorreu justamente no momento em que o mundo aplaudiu de pé a nova fase da banda, iniciada no álbum “Dont Believe the Truth” de 2005, e consolidada no ótimo “Dig Out Your Soul”, que vendeu mais de dois milhões de cópias, além de fazer a proeza de colocar nada menos que três singles nas paradas de sucesso.

Realmente uma pena, mas por outro lado, finalmente o incontestável reconhecimento da importância da banda e de sua obra tornou-se explícito nas resenhas de pesares sobre essa nova coletânea da banda, intitulada “Time Flies”.

O CD duplo, é a segunda coletânea de sucessos da banda, sendo precedida por “Stop the Clocks”, que havia sido lançada por força do fim de contrato com a Sony, já que a intenção de Noel desde o início era a de lançar uma coletânea somente se a banda um dia chegasse ao fim, como ocorreu agora com “Time Flies”.

Contudo, a nova compilação de hits da banda corrige um erro gravíssimo de “Stop The Clocks”, o de ter deixado de fora o terceiro álbum da banda “Be Here Now”, que não teve nenhum dos seus sucessos incluídos. E olha que "DYou Know What I Mean?", "Stand By Me", "Dont Go Away" e "All Around the World" tocaram no mundo todo até enjoar.

Apesar de não trazer nenhuma canção inédita pra valorizar ainda mais o CD, a coletânea junta aos singles da banda as canções "Lord Dont Slow Me Down" e "Whatever", que ainda não haviam aparecido em disco, apesar de serem velhas conhecidas dos fãs.

Falando em fãs, “Time Flies” saiu em vários formatos, CD Duplo, CD Duplo + DVD com os vídeo clipes dos singles, Box com 5 LPs, e a mais atrativa de todas, que é um Box com o CD duplo + DVD com os vídeo clipes e um CD bônus com o show realizado pela banda no iTunes Festival em 2009.

Se o fim da banda é definitivo? “Maybe”. Mas o fato é que as canções estão aí compiladas para quem quiser matar a saudade e acompanhar os clássicos que nos acompanham desde 1994, e não são poucos, “Wonderwall”, “Dont Go Away”, “Stand By Me”, “Live Forever”, “Supersonic”, “Stop Crying Your Heart Out”, “Dont Look Back In Anger” , “Lyla”, “The Shock of the Lightning”, só pra citar algumas, estão todas lá, provando enfim que os fãs da banda nunca estiveram errados.

SCREAM

OZZY OSBOURNE

Por Rafael Corrêa

opinião dos leitores: 4.50


Quando uma lenda do heavy rock lança um novo trabalho, os nervos dos headbangers se eriçam. Em uma época de tristeza e decepções, todos ficamos ansiosos por boas novas de nossos heróis. “Scream”, novo disco do Mr. Madman Ozzy Osbourne, não foge à regra: eis, uma vez mais a velha expectativa de sempre. E essa perspectiva aumenta ainda mais pelas circunstâncias em torno do álbum, que conta com um novo condutor das seis cordas: o grego Gus G. foi chamado a ocupar o posto do virtuoso ébrio Zakk Wilde.

No entanto, nem é possível sentir falta de Zakk: grande parte do material já estava composto (e, dizem alguns, que até gravado) quando Gus G. assumiu as guitarras. Por isso, ao ouvir “Scream”, parece que estamos a escutar o velho Zakk, sem muitas variações. Quanto às canções, a premissa não é a mesma. “Let it Die”, faixa de abertura, já mostra a presença de novos elementos, como alguns efeitos sonoros e beats que hoje estão na moda. A voz de Ozzy, se comparada ao trabalho precedente, “Black Rain”, de 2007, está mais “maquiada”: outros efeitos de vocal apresentam-se durante todo o disco para compensar os 40 anos de estrada de Osbourne.

Musicalmente, tanto “Let it Die” quanto sua sucessora, “Let Me Hear Your Scream”, são satisfatórias. Os refrãos repetem-se na nossa mente mesmo após o término das canções. Logicamente, nem se comparam com a obra dourada de Ozzy, produzida na década de 80; mas, ainda assim, agradam o ouvinte pelo seu peso e limpidez. No entanto, “Scream” é sustentado também por erros: “Soul Sucker” e “Latimer’s Mercy” apresentam-se eivados em efeitos desnecessários, avessos à figura e símbolo que Ozzy representa. Em “Latimer’s Mercy” até o peso da guitarra chega a ser forçado, levando-se em conta o contexto geral da produção da canção.

Todavia, “Scream” também é feito de acertos. “Life Won’t Wait” é, definitivamente, a faixa mais bem trabalhada do álbum: pesada quanto tem que ser, harmônica a seu tempo, permeada por uma letra interessantíssima, a canção faz jus ao nome de Ozzy. Rob “Blasko” Nicholson comandou suas quatro cordas com primor, assim como Gus G. (ou Zakk???) na guitarra. “Life Won’t Wait”, é, sem exageros, uma linda canção. Outro belo momento é a despedida do disco com “I Love You All”, peça de 1 minuto de duração que mistura cordas, encadeamento acústico e distorção. A letra, composta de 4 versos, encerra-se com os dizeres: “Por todos esses anos que estiveram comigo, Deus abençoe. Eu amo todos vocês”. Chega a emocionarmos nitidamente.

Enfim, “Scream” não é um disco histórico, e possui poucas chances de alcançar tal status. Reitera-se que em nada se assemelha com o Ozzy de “Blizzard of Ozz” ou “Diary of a Madman”. Mas, vá lá, os tempos são outros, e Ozzy tem coragem e talento suficientes para não depender de seu passado quando compõe um novo trabalho. Vida longa ao Mr. Madman e sua obra.


O RAPPA AO VIVO

RAPPA, O

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Tida atualmente como a banda mais politiza do cenário nacional, O Rappa já soma incríveis dezesseis anos de carreira, e agora, com esse novo cd, chega a oito CDs lançados, sendo cinco álbuns de estúdio.

Entre os álbuns de estúdio, a banda coleciona dezenas de sucessos capazes de levantar qualquer multidão, parte disso através do apelo que as boas canções do grupo possui, e graças também ao desempenho do vocalista Falcão em cena.

Nesse show, o Rappa enfileira quase trinta canções de seu rico cancioneiro, para deleite dos presentes ao show realizado no dia 28 de agosto do anos passado na favela da rocinha no Rio de Janeiro. Estão lá sucessos mais antigos como “Hey Joe”, “Vapor Barato” e “Pescador de Ilusões”, e outros da safra mais recente como “A minha alma” e “Reza Vela”, além de canções do último disco de inéditas “7 Vezes”, como “Monstro Invisível” e “Meu Santo Tá Cansado”, senti falta de algo inédito nesse disco.

O resultado de um trabalho assim, relembrando os grandes sucessos da banda em um cenário bastante receptivo, é vitória certa, sem qualquer risco, restando à banda apenas se entregar às canções e ao público. E isso a banda consegue fazer muito bem.

A versão em DVD, muito bem filmada e mixada em potente som, apesar de não possuir encarte e poupar maiores melindres, funciona muito bem, até melhor que o CD, pois no DVD podemos vivenciar mais calorosamente a empolgação do público, além de ver os efeitos visuais das canções, como em “O Salto”, uma das melhores canções da banda, que ganha um bacana jogo de luzes que só ajuda a deixar a canção ainda mais empolgante.

“O Rappa Ao Vivo” pode ser encontrado em formato de CD em duas versões, um CD duplo e dois volumes vendidos separadamente, além da versão em DVD.

RENATO RUSSO DUETOS

RENATO RUSSO

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 5.00


Existem várias maneiras de se analisar o cd “Renato Russo – Duetos”, idealizado por Marcelo Fróes e lançado pela EMI. A primeira delas é no que tange às preciosidades encontradas no CD. Como fã dos Beatles, sempre torci para que fossem lançados oficialmente os famosos takes conhecidos através de bootlegs, que nem sempre apresentavam qualidade sonora à altura de um lançamento oficial. As vezes em que isso era possível, como quando foi lançada a série Anthology, por exemplo, o acontecimento tornava felizes milhares de fãs pelo mundo.

Nesse lançamento, temos um pouco disso. Faixas como as participações de Renato Russo no programa “Por Acaso”, com Adriana Calcanhoto na canção “Esquadros”, ou com Dori Caymmi na canção “Só Louco”, apresentam qualidade de áudio ruim, mas historicamente são importantes para a geração de fãs do cantor falecido em 1996, que não tiveram a oportunidade de ouvir (ou assistir) o dueto em sua época de gravação.

É assim também com o dueto de Renato e Herbert Vianna em “Nada Por Mim”, este gravado para um especial (já lançado em DVD) para a TV Globo nos anos 80 e “Summertime” cantada em um registro semi-caseiro com a cantora Cida Moreira, ambas com baixa qualidade de áudio, mas com um enorme valor histórico.

Com um áudio recuperado em estúdio, e por isso, com o som melhor que as anteriores, o embrião do que viria ser a canção “Soul Parsifal”, do disco “A Tempestade”, cantada junto com Marisa Monte, quando o nome da canção ainda era “Celeste”, revela que a faixa foi originalmente concebida em um clima menos pesado e mais “pra cima”.

Outra forma de avaliar o CD é o fato de reunir em um mesmo álbum os poucos duetos gravados “de verdade” por Renato ao longo de sua carreira, então nesse caso “A Carta” com Erasmo Carlos, “A Cruz e a Espada” com Paulo Ricardo e “Mais Uma Vez” com 14 Bis, que na verdade, foi lançada originalmente sem a voz de Renato.

Do ponto de vista “Canções”, aí entram os duetos celebrados em estúdio, é interessante e comovente ouvir Cássia Eller cantando “Vento no Litoral” em um tributo ao próprio Renato, e a junção das gravações de Renato Russo em inglês e Zélia Duncan em português para a música “Cathedral Song”.

O melhor momento do disco, porém, é a nova versão de “Strani Amore”, que assim como “La Solitudine” em dueto com Leila Pinheiro, teve o seu áudio refeito, e o vocal gravado especialmente para o disco, possibilitando que Laura Pausini desse uma bela interpretação à canção em cima do vocal original de Renato.

No fim das contas, “Duetos”, presta uma homenagem ao repertório solo de Renato Russo, com recriações de canções gravadas por ele para os álbuns “The Stonewall Celebration Concert” e “Equilíbrio Distante”, trazendo, além dos cantores já citados, Caetano Veloso, Célia Porto e Fernanda Takai.

O disco, no entanto, pode assustar aos desavisados que comprarem o disco pensando em ouvi-lo como “pano de fundo”, por conta das canções com qualidade sonora tolerável somente para colecionadores, os estudiosos e fãs da carreira de Renato Russo, por outro lado, gostando ou não do lançamento, deverão comprar o álbum por conta dos mesmos registros históricos, já que para um fã, não há nada melhor do que descobrir faixas inéditas de um ídolo que infelizmente não está mais aqui para gravar nenhuma outra canção.

Y NOT

RINGO STARR

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 4.66


Ringo Starr abre a década lançando mais álbum que faz bonito em sua discografia. "Y Not" é o primeiro disco a ser produzido pelo próprio Ringo, e o batera optou por um disco de Rock básico, bem diferente de riquíssimas produções mais recentes como "Ringo Rama" de 2003 ou, um pouquinho mais pra trás, "Vertical Man" de 1998.

A proposta de Ringo fica evidente logo pelo encarte basicão do CD e pelo número reduzido de apenas dez faixas no álbum, com um total de pouco mais de trinta e seis minutos. Quando o disco rola, fica ainda mais claro que o ex-beatle quis optar por um álbum de Rock, pois o disco já abre com a estrondosa e barulhenta "Fill in the blanks", que conta com uma estridente guitarra com direito a um belo solo pilotado por Joe Walsh (Eagles).

Nessa linha roqueira, o disco ainda traz "The other side of Liverpool", que traz um refrão forte e cantado a altura por Ringo. Essa canção foi escolhida, juntamente com "Walk With You", para apresentar o álbum à imprensa nos shows de lançamento do disco.

Com o disco pulsando e respirando Rock and Roll, sobrou pouco espaço para os tradicionais baladões a lá Ringo Starr. Mas quando o fez, Ringo criou uma das mais belas canções de sua carreira. Trata-se de "Walk with you", uma canção que fala de amizade e traz Paul McCartney em uma participação de deixar qualquer um arrepiado. Além de Paul e Joe Walsh, outra participação especial do disco é a da cantora Joss Stone, fechando o álbum e cantando a maior parte da canção "Whos your daddy", escrita em parceria com Ringo, em um estilo confortável para a cantora, o Soul, enquanto Ringo participa dos refrões.

Outra surpresa interessante do álbum é a regravação da excelente "Everyone Wins", canção lançada como lado b do single "Dont Go Where the Road Dont Go" em 1992, mas pouco conhecida porque se trata de um single raro do baterista. Nessa versão, Ringo modernizou a canção com uma bateria mais rápida e um arranjo mais roqueiro. Seu relançamento faz justiça a essa cação que sempre foi considerada uma jóia do repertório obscuro do Ringo.

"Mystery of the night" é outra boa canção desse álbum, ela apresenta uma linda letra feita em parceria com Richard Marx, e uma excelente interpretação de Ringo.

A faixa título "Y not" é daquelas canções tradicionais que Ringo Starr vem fazendo em seus últimos discos, com aqueles refrões que não saem da cabeça. "Y Not" é uma divertida canção pop, que traduz o espírito de Ringo para com seus discos.

Falando nisso, como não podia deixar de ser, Ringo fez mais uma canção no estilo "peace and love", trata-se de "Piece Dream", porém essa é especialíssima, figurando entre as mais belas canções em ode à paz já feita entre os Beatles e seus remanescentes. A canção, que cita John Lennon, está também entre as melhores do álbum, e apresenta uma bela interpretação vocal de Ringo.

Para quem não conhece a carreira de Ringo, que fez muito sucesso por aqui nos anos setenta, vale a pena ouvir os últimos discos do baterista, sobretudo "Vertical Man", "Ringo Rama" e agora "Y Not", todos bastante autorais, mas sempre recheados de participações especiais que apresentam belas canções ao lado de um dos bateristas mais ativos de toda a história da música.

LIVE AT THE GREEK THEATRE

RINGO STARR

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 5.00


Seguindo a série de lançamentos que persistem em cd e dvd as apresentações das sempre diversificadas formações da All Starr Band, dessa vez a décima “All Starr Band” de Ringo Starr inovou trazendo algumas músicas nunca antes tocadas nas formações anteriores da banda.

Para quem não conhece, a “All Starr Band”, é um conceito de banda sem formação fixa, formada pelo ex-Beatle Ringo Starr pela primeira vez em 1989. Com mais de vinte anos de estrada, as formações incluem figurinhas carimbadas do mundo do pop/Rock, que fazem shows onde cada integrante da banda tem o seu momento, tendo Ringo sempre como protagonista.

Em suas formações anteriores, a “All Starr Band” já apresentou músicos do calibre de Dr. John, Peter Frampton, Roger Hodgson, Billy Preston, Dave Edmunds, Jack Bruce, Gary Brooker, Eric Carmen, além de outros, e na formação presente nesse novo lançamento, conta com os músicos Colin Hay, Richard Marx, Edgar Winter, Billy Squier, Hamish Stuart e Gregg Bissonette.

O novo CD/DVD traz de volta as velhas canções de Ringo nos Beatles como por exemplo, “Boys” em versão rápida e pesada, “With a Little Help From My Friends” que aparece na introdução do show e no encerramento, incluindo um surpreendente medley com “Give Peace a Chance” de John Lennon, mas que ficou a cara do Ringo Starr, além de “What Goes On”, “Act Naturally” e das indefectíveis “Yellow Submarine” e “I Wanna Be Your Man”.

Com relação à sua (boa) carreira solo, Ringo junta, pela primeira vez, as canções “Oh, My, My” de seu auto-intitulado e mais bem sucedido disco de 1973, “Never Without You” do disco “Ringo Rama” e “Liverpool 8”, única música de seu então inédito disco na época do show , às canções que têm sido presença certa em seus shows, ou seja, “Memphis In Your Mind”, “Choose Love” e seu outro clássico “Photograph”.

As outras estrelas da banda de Ringo também se saem muito bem ao apresentar belas versões de suas músicas. Os destaques ficam para Colin Hay, que distribui os clássicos do “Men At Work” “Down Under” e “Who Can It Be Now”, a pancada “Lonely Is The Night” com Billy Squier e a funkeada “Pick Up The Pieces” com Hamish Stuart, ex-músico da banda de Paul McCartney.

Os mais fanáticos talvez fiquem um pouco descontentes com a pouca mudança da formação desta versão da “All Starr Band” para a de 2006, ano que saiu o último registro oficial da banda, mas vendo com outros olhos, “Live At The Greek Theatre 2008”, proporciona mais de duas horas de diversão e muita música de qualidade.

WAITING ON A FRIEND

RODRIGO SANTOS

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 5.00


Quem acompanha carreira solo de Rodrigo Santos, baixista do Barão Vermelho, iniciada em 2007 com o disco “Um Pouco Mais de Calma” e sucedido por “O Diário do Homem Invisível”, logo vai notar o caráter especial desse disco. Com repertório tradicionalmente autoral, desta vez o artista rende-se aos seus ídolos para produzir este álbum, recém lançado pelo selo Discobertas, de regravações em inglês.

Poderia ser só mais um álbum de regravações, mas o grande lance desse disco é o fato de Rodrigo mesclar canções mais conhecidas do público como a faixa dos Rolling Stones que dá nome ao disco “Waiting On A Friend”, que já está tocando nas rádios, com canções menos badaladas de artistas como John Lennon, Paul McCartney e Caetano Veloso.

Ao regravar, por exemplo, “Life Begin at 40”, canção escrita por John Lennon para ser gravada por Ringo Starr, o que acabou não acontecendo devido a brusca saída de cena de John, Rodrigo Santos capturou a essência original desejada por Lennon, gravada apenas em versão demo. A inclusão de efeitos, que chegam a remeter à canção “I´m The Greatest”, presenteada à Ringo pelo mesmo Lennon em 1973, é uma boa oportunidade de imaginar como ficaria a canção se Ringo a tivesse gravado.

O mesmo ocorre na versão de “Did We Meet Somewhere Before”, gravada por Paul McCartney em 1977 para a trilha sonora de um filme, mas que nunca ganhou uma versão oficial de McCartney. Essa canção em especial chega a lembrar as próprias inspiradas interpretações de Macca nos idos dos anos setentas, sendo neste disco uma das canções mais legais.

Já regravação de “Just For Today”, uma das mais belas faixas do álbum “Cloud Nine” de George Harrison, ganha um sotaque épico ao incorporar a voz de Zé Ramalho nos densos versos da canção.

Entre as canções mais conhecidas do público estão também “Stay” do U2, e a linda versão de “Positively 4th Street” de Bob Dylan que abre o disco de forma brilhante, bem como “I´ts Good To Be Alive” de Gilberto Gil, aqui com um tratamento pop que a transforma em mais um dos destaques do álbum. O outro artista brasileiro gravado no álbum, Caetano Veloso, ganha a minuciosa releitura de “You Don´t Know Me” do maravilhoso álbum “Transa” de 1972.

Toda a garra e vontade de não apenas cantar, mas encantar, pode ser percebida em canções como “Don´t Let Me Cry”, pra quem não conhece, canção do repertório de Fábio Júnior fase “Mark Davis”, aqui destacando-se como a melhor faixa do disco. A forma como Rodrigo Santos abraçou este disco, que inicialmente era considerado apenas como um projeto especial, acabou elevando o status do álbum, tornando-o o seu legítimo terceiro álbum solo.

Vale muito a sensação provocada por esse álbum na maior parte das dez canções (onze se contarmos a segunda versão de Helpless de Neil Young que aparece listada como bônus), que unem bons arranjos e instrumentais caprichados., além das participações mais que especiais de Roberto Frejat, Isabella Taviani e do próprio Zé Ramalho.
A sensação se expande à arte do álbum, com ilustração inspirada na capa do disco “Comes a Time” de Neil Young, ao caprichado encarte com as letras das músicas e o bom gosto musical do repertório. Essa é a experiência que valida o nosso hábito de continuar comprando discos e fazer disso uma indescritível sensação.

AMANHÃ

SÁ, RODRIX E GUARABYRA

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Impossível colocar pra rodar o novo disco do trio Sá, Rodrix & Guarabyra e não se emocionar quando a voz solo de Zé Rodrix canta os primeiros versos da bucólica “Sonho Triste em Copacabana”.

E é assim, emocionando, que “Amanhã”, primeiro disco de inéditas do trio criador do Rock Rural, ritmo genuinamente brasileiro, inicia. O disco, que inclusive teve a canção “Amanhece um Outro Dia”, na abertura da novala “Revelação” do SBT, fora gravado no segundo semestre de 2008, mas lançado somente agora, quase dois anos depois, e infelizmente, um ano após a morte de Zé Rodrix.

Pesares a parte, é hora de aproveitar esse verdadeiro presente que o trio oferece pra nós. O álbum é recheado de momentos indescritíveis, como ouvir novamente a voz de Gutemberg Guarabyra, e relembrar o quanto o cantor é ímpar ao cantar a swingada “Marina, Eu Só Quero Viver”. Ou reouvir a o doce vocal de Luis Carlos Sá, cantando “Cidades Meninas”, bela homenagem às cidades mineiras com nomes de mulheres.

Falando em homenagens, o Rio de Janeiro ganha uma estranha visão apocalíptica de Sá, com a canção “Novo Rio”, que descreve os efeitos do aquecimento global na cidade do Rio de Janeiro, em uma canção curiosa e deliciosa.

Já a tensa “Amanhece Outro Dia”, com um belo arranjo de cordas, lembra o início da carreira do trio, bem como “Caminho de São Tomé”, um verdadeiro exemplo do porquê o estilo musical da banda é chamado de Rock Rural.

Outro belo momento é a canção-hino “Nós Nos Amaremos”, velha conhecida do repertório de Guarabyra, aqui em versão ainda mais bonita.

Os arranjos vocais da banda, acrescidos de Tavito (“Rua Ramalhete”), produtor do disco, também são um destaque a parte. A faixa que dá nome ao disco é um grande exemplo disso, com um coro esperto, abre caminho para um solo vocal inesquecível de Zé Rodrix.

A última canção do disco, “Logo Eu, Saudade”, encerra de forma maravilhosa o disco. A canção, que tem vocal solo dos três cantores, parece a chegada de um trem, com aquele barulhinho lá longe, até crescer, chegar, fazer o seu trabalho, e ir embora, novamente deixando o silêncio aos que ficam.

Esse registro histórico é digno do passado glorioso do trio, e deve ser aproveitado música por música, porque assim, como trio, não veremos nunca mais, pois a passagem prematura de Rodrix acabou com essa possibilidade. Por outro lado, os discos estão aí, são três álbuns de estúdio, além de um CD e DVD ao vivo que tratarão de espalhar as canções que o trio deixou de legado para a posteridade.

STING IN THE TAIL

SCORPIONS

Por Rafael Corrêa

opinião dos leitores: 5.00


Presenciar o encerramento das atividades de uma banda cujo trabalho pode ser adjetivado como, no mínimo, “respeitável” é uma tarefa árdua e difícil. Árdua, pois nem sempre é possível sopesar com imparcialidade o derradeiro capítulo de sua história; difícil, pois é de certo maneira, triste perceber que o tempo, por mais silente que seja, faz incidir seus efeitos até mesmo naqueles que, a princípio, julgamos imortais e perenes. “Sting in the Tail”, disco que recebeu o fardo de representar a despedida dos Scorpions, pode seguramente ser observado pelos prismas acima descritos.

No entanto, quando o riff de “Raised on Rock” começa a surgir nos fones, a tristeza pelo fim começa a se dissipar. Construída nos mesmos moldes e através da mesma receita que fizeram de “Rock You Like a Hurricane” um hino, esta canção é capaz de levantar até mesmos aqueles que se recusam a abrir os ébrios olhos após uma noite de pura exaltação. A letra da canção deixa claro: o desejo e a diversão são os guias dos Scorpions, que magistralmente souberam capturar sua veia mais pulsante e transformá-la em 3:58 minutos de puro furor. A faixa título, ainda que de modo diverso, também apresenta interessantes de vibração, condensados em efeitos de estúdio que lhe caíram muito bem.

Outro grande destaque é “The Good Die Young”, canção que se alicerça muito bem na alteração de um calmo fraseado de guitarra com o beat marcante de bateria, guiados pela instigante letra até a verdadeira explosão que é o refrão, igualmente simples e fácil de lembrar: não se surpreende se, ao atravessar a rua dois dias depois de ouvir o disco, você assoviar o ritmo do refrão. “No Limit” e “Rock Zone” são a dupla de peso do disco: amplamente tendentes ao heavy rock, pulsam em compasso acertado ao batimento cardíaco do ouvinte.

“Lorelei” e “Sly” mostram que a aptidão do grupo em construir baladas de qualidade, que se distanciam da futilidade pela qualidade, ainda permanece intacta: basta ouvi-las para fazermos uma viagem no tempo, através da história da banda. Em sinal de despedida, a calma “The Best is Yet to Come” parece tentar confortar aqueles que acompanharam a história dos Scorpions, mostrando que, literalmente, “o melhor ainda está por vir”, indicando força e emoção através de uma batida forte e um coro que brada ostensivamente o titulo da canção: parece que podemos prever platéias de todo o mundo cantando com o grupo a canção que encerrará grande parte de suas apresentações em sua tour de despedida.

Por fim, chega-se a conclusão que “Sting in the Tail” cumpre sua missão em traduzir a despedida de Klaus Meine e seus companheiros. Deixemos, pois, o disco falar per si, apenas tendo uma certeza: é nossa missão relembrar e perpetrar pelo tempo a história de memorável grupo. Assim, as canções dos Scorpions serão como esperamos: perenes, eternas. Vida longa aos Scorpions e ao verdadeiro rock and roll.

SLASH

SLASH

Por Rafael Corrêa

álbum ainda não votado pelos leitores


A figura de Slash, desde a explosão do Guns n’ Roses na segunda metade da década de 80, sempre inspirou curiosidade, interesse e, mais ainda, exaltação. Seja pelo fato de ter integrado uma das bandas de hard rock mais forte da história, ou ainda, pelo fato igual de que o mundo, no exato momento do lançamento de “Appetite for Destruction”, precisava de um disco e de uma banda exatamente nos moldes do primeiro disco do Guns n’ Roses, Slash sempre fora sinônimo de inconsequência, criatividade e inspiração.

Assim, quando pensamos em um novo trabalho o envolvendo, analisar e observar tal obra sem ser abarcado pelos pressupostos acima descritos transforma-se em árdua tarefa, ainda mais quando este novo trabalho vai, inevitavelmente, de encontro com o novo álbum da trupe de Axl, que insiste em chamá-la de “Guns n’ Roses”.

Pois bem, esta breve análise de “Slash”, novo trabalho do velho Saul Hudson, será sustentada, na medida do possível, em pilares imparciais que possibilitem uma observação sincera sobre o álbum.

Logo na faixa inicial podemos perceber e sentir que o disco não será revestido pela roupagem usual dos trabalhos anteriores do guitarrista, ainda que o hard rock seja o norte essencial da obra. Da extensa lista de cantores convidados, Ian Astbury (vocal do The Cult) dá o tom à primeira canção, “Ghost”, que inicia-se com um surpreendente fraseado das seis cordas de Slash, que, a primeira vista, prima mais pela técnica. O riff de base da faixa (que é creditado a Izzy Stradlin) mantém o clima conciso da faixa, faticamente bem trabalhada.

No momento seguinte, “Crucify the Dead”, entoada perfeitamente por Ozzy Osbourne, presenteia o ouvinte com bons momentos: de início, a canção é guiada por um abafado solo que aproxima Slash a (vejam só) Pat Metheny e sua atuação em seu “Bright Size Life” de 1976, logicamente guardando-se as proporções que separam os dois guitarristas. Após a calmaria, o refrão surge como em uma explosão similar às canções do Sabbath. Enfim, trata-se, certamente, de uma das melhores faixas do disco.

Adiante, Chris Cornell e Andrew Stockdale garantem um bom trabalho em “Promised” e “By the Sword”, respectivamente, ainda que a atuação de Slash seja um tanto distinta quando comparamos as duas canções. “Doctor Alibi”, cantada por Lemmy Kilmister troca a atmosfera gerada pela balada mediana “Gotten”, entoada por Adam Levine, e incendeia o ambiente com peso e rapidez. Esta mesma canção cria uma ponte inquestionável com a última e melhor faixa do álbum, “We’re All Gonna Die”, que, verbalizada com humor e energia por Iggy Pop, demostra também a intacta inspiração de Slash para compor riffs extasiantes.

Quanto ao que se pode chamar de “novidade”, o álbum traz as duas faces da moeda: boa e ruim. Do lado bom, cabe indicar que o flerte de Slash com o metal gerou resultados interessantes (“Nothing to Say”, que conta com Mr. Shadows do Avenged Sevenfold no vocal é prova disto, assim como a instrumental “Watch This, Dave” que, apesar de não ser uma canção desinente do metal é, por certo, uma das mais pesadas do álbum, guiada por Slash, Duff McKagan e Dave Grohl), resultados estes que se aplicam por igual às faixas “Back From Cali”, com Myles Kennedy (que volta aos primórdios sonoros do Guns n’ Roses) e “Saint is a Sinner To”, interessante peça acústica entoada por Rocco de Luca.

O lado ruim pode residir na canção extremamente comercial cantada por Kid Rock, “I Hold One” e o lamentável equívoco “Beautiful Dangerous” que, apesar de contar com a boa voz de Fergie, fugiu totalmente ao estilo e contexto do álbum.

No fim das contas, “Slash” é um álbum interessante, valendo a pensa ser ouvido com atenção. Certamente, não agradou a gregos e troianos: muitos acusaram Slash de imitar Santana com tantos convites destinados a intérpretes dos mais variados estilos.

Porém, observando o álbum como um todo, vê-se que ele atingiu o objetivo de se enquadrar, por assim dizer, em um disco de hard rock passível de ser assinado por um nos maiores nomes que representam o estilo. Vale certamente a audição.

STONE TEMPLE PILOTS

STONE TEMPLE PILOTS

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Nascida na Califórnia, durante da ebulição sonora provocada por uma certa banda de Seattle, o “Stone Temple Pilots” já parecia ter um destino certo, o fim precoce. Estourados na MTV, onde em 1993 ganharam o prêmio de “Banda Revelação”, e impulsionados pelo sucesso do primeiro CD, “Core”, que vendeu mais de sete milhões de cópias, a banda foi rapidamente convocada pela emissora pra gravar o seu “Unplugged”.

Esse repentino e inesperado sucesso começou a ruir na hora em que a banda vinha colhendo os frutos de seu instantâneo sucesso, em plena turnê de seu terceiro disco, com os problemas de seu front-man Scott Weiland com as drogas, o que levou a banda a cancelar uma série de shows.

Em 2003, a banda anunciou o seu fim, após o lançamento de uma coletânea com os hits da banda, o que acabou acontecendo devido às prisões e pesados envolvimentos do vocalista com as drogas.

Com o fim da banda Scott, virou o vocalista da banda formada por ex-integrantes do Guns and Roses, “Velvet Revolver”, seus amigos de banda viraram produtores musicais. Ao deixar o Velvet, Scott foi deixando pistas na imprensa de que a banda estaria voltando, o que de fato aconteceu, resultando em uma turnê pelos EUA em 2008, obviamente sugerindo a gravação de um novo disco.

Nesse primeiro disco desde a sua volta, temos uma banda mais adocicada, domada, e um Scott mais comedido. O grande atrativo desse álbum é justamente esse, a forma dispare ao formato ao qual a banda é historicamente reconhecida.

E isso não é um demérito, pelo contrário, é uma prova de que os membros da banda ganharam um precioso tempo para amadurecer sua sonoridade, caprichando principalmente nas melodias das suas doze canções. As letras, recheadas de amargas inspirações que vão do recente divórcio de Weiland à morte de seu irmão, talvez também acabem contribuindo para a sonoridade mais melancólica do álbum.

Mesmo assim, o primeiro single “Between The Lines”, busca nas raízes da banda o som ideal que represente a sua volta, o que funcionou bastante bem, pois a banda atingiu o primeiro lugar da Billboard com a mesma. Essa busca ao seu tradicional som também ocorre em "Fast As I Can", mais um dos poucos momentos em que a banda lembra o seu som original.

Já na segunda faixa e segundo single do disco, "Take a Load Off" ,a banda convida o ouvinte a conhecer o novo “Stone Temple Pilots”, com melancolia espalhada ao longo da canção, que destaca-se por vocais em côro que emula os anos sessenta.

O mesmo acontece em “Hickory Dichotomy”, anos sessenta puro, mais precisamente algo entre a harmonia vocal dos Beatles e a pegada dos Kinks, ou ainda na adocicada e ensolarada "Cinnamon", que inclui inclusive os “Come on, come on”, tão populares nos anos sessenta.

Esse mesmo estilo também volta a rolar no disco em "First Kiss on Mars" , cançãozinha de três minutos com um impressionante apelo pop, lembrando as músicas mais cantaroláveis do Weezer.

Os baladões, que funcionam incrivelmente bem na voz de Weiland, também estão presentes também no álbum, como em "Dare If You Dare", com um riff chupado da versão de Eric Clapton para “Little Wing”. As baladas inclusive dão o tom de despedida do álbum ao aparecer no encerramento do disco com a canção “Maver”.

Assumidamente calcado nos anos sessenta e setenta, o auto-intitulado novo álbum do Stone Temple Pilots, é um prato cheio para aqueles que gostam de uma boa diversão, mas é bom que saibam que aquela banda de meados dos anos noventa não é mais a mesma.

BEATLES70 VOL.1

VÁRIOS

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 5.00


Quando em 2008 o produtor e pesquisador Marcelo Fróes lançou os três volumes comemorativos do “Álbum Branco”, chamados de “Beatles68”, com versões de bandas nacionais para as canções produzidas pelos Beatles neste ano, talvez o próprio não teria imaginado à época que a sequência de discos tributos ganharia a dimensão que o projeto ganhou, e se estenderia aos anos de 69, com três CDs e agora com Beatles70 em dois volumes.

A maneira encontrada pelo produtor para homenagear a banda mais querida do mundo, é um prato cheio para aqueles que curtem releituras, além de ser uma boa oportunidade de observar os seus artistas preferidos (ou ainda aqueles que estão lutando por um lugar ao sol) entoando as canções que o quarteto de Liverpool deu de presente para o mundo.

Em Beatles70 Vol.1, Marcelo Fróes viabilizou uma espécie de compilação, incluindo músicas gravadas em várias épocas, com gravações recentes, feitas especialmente para esse álbum, tarefa executada tal qual se deu no lançamento original de “Let It Be”, lançado a partir de gravações já pré-existentes.

Da safra de versões inéditas, temos, por exemplo, “Let It Be”, em uma bonita versão realizada pela dupla “Sá & Guarabyra”, que, inclusive, tem o curioso fato de representar a primeira gravação dos dois novamente como dupla, após a passagem do saudoso “Zé Rodrix”.

Igualmente interessante é “Dig a Pony”, em versão novíssima, aqui gravada pela banda “Dr. Sin”, em uma interpretação de tirar o fôlego. No caso da referida canção, temos um esmero que chega a beirar a perfeição e apresentar possibilidades nunca antes percebidas para a canção.

Nessa linha, a banda “Profiterolis” também emenda a curiosidade ao inventar uma versão bossa-jazzística do Rock “I Me Mine” de George Harrison. Em “I´ve Got a Feeling”, interpretada pela banda “Tinta Preta”, temos a transformação da canção em um “hardão” que chega a lembrar bandas desse gênero como o “Free”, em uma das versões mais roqueiras do álbum.

Além do já citado clima comemorativo, o disco realmente funciona. Ouvir, por exemplo, Zé Ramalho interpretar “The Long and Winding Road” faz a estrada citada na canção parecer ainda mais sinuosa. Vale também citar a interpretação ao vivo de Jane Duboc para a canção “Across The Universe”, simplesmente emocionante.

A coisa fica sempre fica mais bacana quando o artista cria uma versão própria da canção, tornando a audição e consumo ainda mais interessante. Outro bom exemplo disso é a interpretação do músico e cantor carioca Márcio Biaso em “Maggie Mae”, que tratou de reformular a canção que, originalmente é quase uma vinheta, dando-lhe um tratamento vip.

Por fim, não dá para esquecer a inesquecível Cássia Eller acompanhada por Zélia Duncan, interpretando uma versão bluseira de “Get Back”. É de causar arrepios.

O lançamento de mais um disco tributo aos Beatles é novamente um gol a favor do selo “Discobertas”, que possibilita a oportunidade de ouvirmos as canções dos Beatles segundo nossos artistas brazucas.

BEATLES70 VOL.2

VÁRIOS

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 4.00


Quando Paul McCartney anunciou o fim dos Beatles em 10 de abril de 1970, o mesmo já estava com o seu primeiro álbum “McCartney” pronto para ser lançado. George Harrison, que também já vinha gravando, iniciou oficialmente a gravação de seu álbum triplo “All Things Must Pass” logo assim que os Beatles acabaram oficialmente, lançando o álbum em novembro do mesmo ano. John Lennon, por sua vez, danado da vida, exorcizaria seus traumas e demônios com o disco “Plastic Ono Band” um mês depois. Já Ringo Starr, tirando os álbuns que gravou cantando Standarts (“Sentimental Journey”) e Country(“Beaucoups of Blues”), ambos lançados em 1970, teve o seu genuíno início somente em 1971 com o compacto “It Dont Come Easy”.

Esse é o quadro que o segundo volume do disco de releituras Beatles70 vem mostrar, ou seja, o início da carreira solo dos quatros fabulosos Beatles, agora simplesmente chamados de John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr.

E novamente o resultado é interessante, pois retrata um punhado de canções que talvez representem os melhores momentos de cada ex-Beatle. Sim, ao longo da carreira solo de cada Beatle temos maravilhosos álbuns, só pra citar “Band on the Run”, “Tug of War” (Paul); “Imagine”, “Mind Games” (Lennon); “33 & 1/3”, “Cloud Nine” (Harrison). Mas nesse momento em especial, as feridas estavam expostas, era cada um por si, tentando provar que eram maiores que o próprio fenômeno Beatles.

Nesse contexto, um estrondoso vocal de Lobão abre o disco rasgando, tal qual Lennon, a canção “Instant Karma”, bem como a cantora Taryn que, usa e abusa de suas com fortes raízes no blues, jazz e soul, para fazer uma versão vigorosa de “Maybe Im Amazing”. Costurando esse cenário, Paula Marchesini manda uma tenra versão de “Junk”, tocada por Paul desde os tempos de Álbum Branco. Ainda na safra dos novos talentos, a jovem cantora paulista Twiggy, encara o desafio de cantar a melancólica “Isolation”, se saindo muito bem. Lia Sabugosa e Márcio Biaso também impressionam ao recriar a canção “What is Life”, uma das mais belas canções de George Harrison, recheada aqui de violões e guitarras ressonantes, em uma versão que vai surpreender o ouvinte.

As interpretações estão na linha tensa as quais as canções foram concebidas, o que exige de cada intérprete um cuidado ainda maior na hora de realizar as suas performances. O bacana da história é que, em nenhum momento, essas versões fogem dessa idéia. É assim com a bonita versão de Zeca Baleiro para “Mother”, e os sempre competentes integrantes do grupo “Roupa Nova”, com a canção “My Sweet Lord”.

Zé Ramalho, por sua vez, merece um parágrafo a mais nesse texto ao se levar em conta o que ele fez com a canção “Beware or Darkness” do George Harrison, criando um elo entre a densidade da canção original com a brasilidade da música nordestina. Já em “I Dont Come Easy”, única música do Ringo desse disco, ele foi além, criando um verdadeiro arraial com a canção, resultando em uma versão impagável e divertidíssima.

No fim das contas ratificamos a força da obra dos Beatles seja como banda ou em carreira solo, e (por que não?) cabe até imaginar como teria sido um disco dos Beatles realmente gravado em 1970. Se esse legado fabuloso foi produzido pelos quatro individualmente, imagina se essas canções tivessem sido gravadas por eles enquanto Beatles...sonhar não custa nada.

MRS. LENNON

VÁRIOS

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Se te perguntarem rapidamente qual foi o casal pop mais importante da história, o que você responderia? Sem titubear, tenho certeza que o nome de John & Yoko seria barbada. Preconceitos a parte, principalmente por parte dos beatlemaníacos mais fervorosos, Yoko Ono tem uma longa carreira como cantora, boa parte dela, é verdade, desconhecida do grande público.

Certamente as canções mais conhecidas da japonesa, são aquelas que figuram nos álbuns “Some Time in New York City”, “Double Fantasy” e “Milk and Honey”, álbuns de John Lennon que possuem repertório dividido com a sua esposa.

O disco “Mrs.Lennon”, um tributo ao próprio John, que incentivava e fazia questão de que sua esposa cantasse e estivesse junto dele até mesmo em seus álbuns, é um corajoso, audacioso e singular projeto viabilizado pelo produtor Marcelo Fróes através de seu selo Discobertas, gravado à boca pequena por cantoras e bandas brasileiras com vocais femininos, e que agora chega às lojas em um momento oportuno, o dia dos namorados.

Diferentemente do que naturalmente acontece com as homenagens a John Lennon, seja por seu aniversário de nascimento ou morte, ambos em datas redondas, este disco vem em um momento diferente, e como o próprio idealizador do álbum diz, John Lennon ficaria muito feliz com o resultado desse trabalho, ao finalmente ter uma homenagem dessas, pois como ele mesmo costumava dizer, “John e Yoko somos uma só pessoa”.

De acordo com o release desse álbum, a viúva de Lennon gostou muito do trabalho, principalmente pelo fato de cada canção ser interpretada por uma artista diferente, e pela brasilidade das versões das músicas.

Essa brasilidade citada pela Yoko pode ser conferida, entre outras, na interpretação de Hevelyn Costa em “Who Has Seen The Wind”, em faixa que se aproxima da Bossa Nova, ou ainda na versão de Kátia B pata “Walking On a Thin Ice”, canção finalizada por John exatamente no dia de seu assassinato no fatídico 08 de dezembro de 1980.

“Listen To Snow Is Falling”, canção que figura no lado b de “Happy Xmas”, single de John & Yoko, frequentemente relançado a cada fim de ano, ganha uma versão da banda Ampsilina mais “cheia” e mais pop que a original, em um dos grandes momentos desse álbum.

Enquanto que a banda “Fuzzcas” faz uma bela versão roqueira de “Midsummer New York”, o duo “Tetine” opta por uma versão mais alternativa da canção “Why”, originalmente lado b do compacto “Mother”, que com inserções de gemidos trêmulos estende a faixa por mais de seis minutos.

A banda “Doidivinas”, completamente formada por mulheres, faz uma bela versão roqueira de “Sisters O Sisters”, canção do maravilhoso “Sometime in New York City”, disco político de John e Yoko, onde até as músicas de Yoko são elogiadas pelos beatlemanícos mais xiitas. É sério!

A grande cantora Silvia Machete, ícone atual da cena indie, faz uma bela e empolgante versão de “Yangyang”, amparada por um instrumental à altura das possibilidades permitidas pela canção original, incluindo ai um riff recursivo e igualmente bacana.

“Yes Im Your Angel” com Mathilda Kóvak, também ficou muito legal, já que manteve o inusitado formato cabaret da canção original, sendo mais um dos muitos destaques do álbum.

Outro ponto importante no CD são as acertadas escolhas das canções para determinadas artistas. No caso de “Dont Be Scared”, por exemplo, a voz e a interpretação de Isabella Taviani são perfeitas para a canção, assim como a promissora cantora Luen, na música “Moving On”, que ganha pesada versão da música que é uma resposta de Yoko para a canção “Im Losing You” de John Lennon. Nessa linha também está “Goodbye Sadness” com interpretação de Zélian Duncan, em uma faixa que parece ter saída de algum lugar da discografia da cantora brasileira.

O fato de o referido disco ter viajado até Nova Iorque, e depois Japão, ganhando a aprovação da própria Yoko, só corrobora a importância deste trabalho genuinamente brasileiro, mostrando que grandes trabalhos como esse podem surgir a partir de idéias inexplicáveis e, no fim das contas, vemos um projeto se materializar que acaba divulgando o trabalho de nossas cantoras, a pouco popular obra de Yoko Ono e, sobretudo, homenageia o nosso sempre querido e inesquecível John Lennon.

MR. LENNON

VÁRIOS

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 5.00


Em oito de dezembro de 2001, saía pelo selo “Geléia Geral” de Gilberto Gil, o disco “Dê Uma Chance à Paz”, com grandes nomes da MPB brasileira prestando uma homenagem à John Lennon. O referido disco acabou sumindo das prateleiras pouco tempo depois de lançado, tornando-se rapidamente peça de colecionador. Agora, em homenagem aos setenta anos de idade, e trinta da morte do Beatle mais político, o álbum volta às lojas pelo selo Discobertas, com um novo material gráfico, e uma nova idéia: a de fazer parte do projeto “Dupla Fantasia”, incluindo nesse contexto o disco “Mrs. Lennon”, já resenhado no Galeria Musical, com canções da viúva Yoko Ono, interpretadas por cantoras brasileiras.

Um dos fatos que torna esse relançamento especial é o de que as músicas contidas nesse álbum foram gravadas exclusivamente para o lançamento original, não estando disponíveis nos álbuns dos artistas.

E o time de peso que regrava algumas das mais emblemáticas canções de Lennon inclui, entre outros, Nando Reis, Cássia Eller, Lobão, Gil & Milton, Herbert Vianna, Zélia Duncan, Lulu Santos, Zeca Baleiro, Paulinho Moska e até o mutante Arnaldo Baptista.

Como legado dessas músicas, que já contam com quase dez anos, temos regravações definitivas para canções como “Woman Is The Nigger Of The World” com a sempre saudososa Cássia Eller, em uma versão mais bem trabalhada do que a mesma costumava fazer em seus shows. Assim como “Instant Karma!”, em uma versão matadora, que não poderia ter sido regravada por outra pessoa além do próprio Lobão.

É desse disco também a união de Gilberto Gil e Milton Nascimento, dois dos maiores nomes da MPB em todos os tempos, para cantar o maior clássico de John Lennon, que se tornou uma espécie de hino da humanidade, a sonhadora e pacifista “Imagine”.

Algumas canções fogem do formato polido, e apostam em climas mais alternativos, como o próprio John costumava fazer ao longo de sua carreira. Nesse caso está o gênio Arnaldo Baptista, acompanhado de Charles Gavin e Andreas Kisser, com “Give Peace a Chance”. Nessa linha ainda figuram João Barone, baterista dos Paralamas do Sucesso, com uma versão eletrônica de “Tomorrow Never Knows”.

Outro aspecto que vai agradar à quem ainda não conhece o álbum, é a escolha do repertório que resgata canções não muito conhecidas do público em geral como “I Know” com interpretação de Herbert Vianna e “Bless You”, em uma versão absolutamente maravilhosa com Toni Platão.

Para os apreciadores da obra dos Beatles e de Lennon, e, sobretudo, da música brasileira, este álbum representa um documento histórico, que já vai completar dez anos de maturidade, com um refinado tratamento às canções de John Lennon, resultando em um trabalho sério e à altura da brilhante carreira de John Lennon.

BEATLES 67 VOL.1

VÁRIOS

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 5.00


Em 2007, por conta dos então quarenta anos de lançamento do álbum “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”, saía em meio digital um projeto de releituras do álbum capitaneado por Guga Bruno, baixista da banda “Lasciva Lula”, onde quinze bandas do cenário independente releram na íntegra o álbum mais psicodélico dos Beatles, além de “Strawberry Fileds Forever” e “Penny Lane”, gravadas nas seções do magistral álbum, mas lançadas em single pouco antes do LP.

Agora em 2010, o álbum é relançado, só que desta vez em formato físico, ao contrário do que aconteceu três anos antes, quando o lançamento se deu apenas no formato virtual. Este lançamento, agora pelo selo Discobertas, acaba sendo importante por convergir com outros projetos especiais do selo, onde estão sendo lançados uma série de tributos aos álbuns dos Beatles, e por também dar ao projeto original o tradicional formato físico, que ainda é uma mídia incomparável em termos de consumo de música.

As gravações agradam em cheio, pois são bandas e artistas jovens recriando as canções que continuam fazendo a cabeça de milhões de outras pessoas que idolatram os Beatles e seus álbuns.

O fator surpresa se dá logo no início ao ouvir uma versão diferente de qualquer cover já feito da música “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band”, onde a banda “Madame Mim” interpreta a canção com alguns trechos em espanhol em uma versão hiper-alternativa.

A já conhecida banda “Moptop” faz uma deliciosa versão pop de “With a Little Help From My Friends”. O mesmo o corre na sequência com a banda Columbia, vocal feminino, interpretação doce e pop como um sorvete de casquinha.

Os “Filhos da Judith”, banda que se tornou famosa mais recentemente por acompanhar o “Tremendão” Erasmo Carlos na turnê e gravação de seu último disco “Rock and Roll”, mandam uma esperta versão de “Getting Better”, em um dos melhores momentos do álbum.

O cantor Apoena, faz uma versão de complexo arranjo e de alma roqueira de tirar o fôlego em “Fixing a Hole”. Seguido pelo cantor Eduardo XuXu, que também se destaca fazendo uma versão a lá “Álbum Branco” de “She´s Leaving Home”, e a mudança de roupagem faz imaginar como essa música seria se tivesse sido gravada um ano mais tarde pelos Beatles.

Algumas versões incorporam a idéia original tal qual foram gravadas no disco dos Beatles, como é o caso da banda já bastante conhecida “Leela”, que dá as caras com “Being for The Benefit of Mr. Kite”, reproduzindo a idéia circense original. O mesmo ocorre com Paula Marchesini na boa versão de “When I´m Sixty Four”, e também na bela banda “Fuzzcas”, que da mesma forma manda uma versão bem próxima da original de “Lovely Rita”. Já a banda do idealizador do projeto original, “Lasiva Lula”, dá tons mais Rock and Roll para “Good Morning, Good Morning”.

A canção “Within You, Without You”, que aprendi a gostar com o passar do tempo, fica mais pop com a banda “Prot(o)”. E a banda “Monutube” também foge do óbvio ao produzir uma versão melancólica de “Sgt. Peppers (Reprise)”, para abrir espaço para a bela versão de “A Day In The Life” feita pela finada banda “Reverse”.

Como bônus temos as duas músicas que iniciaram as gravações do álbum “Sgt. Peppers” e que foram lançadas como single na época, a fim de dar uma amostra de como ia ser a nova sonoridade que os Beatles estavam preparando. Aqui resgatadas por Tom Bloch com “Strawbery Fields Forever” e a banda Phonorama com “Penny Lane”.

Um belo resgate de um álbum que merecia estar nas prateleiras há tempos, e novamente o selo Discobertas de Marcelo Fróes está de parabéns.

BEATLES 67 VOL.2

VÁRIOS

Por Anderson Nascimento

álbum ainda não votado pelos leitores


Enquanto no primeiro volume do projeto Beatles 67 traz o álbum “Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band” na íntegra, o volume dois apresenta as demais canções do ano que catapultou os Beatles para o psicodelismo, potencializando o som mais bem elaborado oriundo do álbum “Revolver”.

Nesse meio então temos canções do “Yellow Submarine” e do “Magical Mystery Tour”, em uma seleção que inclui novos artistas com outros que já são conhecidos do grande público.

Para complementar então a obra gravada pelos Beatles nos ano 1967, temos os sempre competentes Autoramas, com uma peculiar versão de “Magical Mistery Tour” que evoca nuances de várias fases dos Beatles.

Além de outras canções, destacam-se no disco a versão chiclete da banda Doidivinas para a canção “All Together Now” e a versão lisérgica de “Its All Too Much”, entoada pela banda Reino Fungi. O álbum é complementado por canções gravadas ao vivo no projeto “Submarino Verde e Amarelo Vol.2” lançado em 2000.

Esse volume soma-se a outros da safra de releituras dos Beatles, e com certeza vai agradar a beatlemaníacos ávidos por novidades em torno da obra do nosso amado quarteto de Liverpool. Com esse volume dois, temos a oportunidade de unir e reouvir de uma forma diferente o que os Beatles produziram em um ano que definitivamente entrou para a história dos Beatles e da música.

ZÉ RAMALHO CANTA JACKSON DO PANDEIRO

ZÉ RAMALHO

Por Anderson Nascimento

opinião dos leitores: 3.00


O novo projeto especial do cantor paraibano Zé Ramalho, dá sequencia a outros três CDs onde Zé homenageou Raul Seixas, Bob Dylan e Luiz Gonzaga. As homenagens justificam-se por trazerem as canções de artistas que influenciaram a formação musical e a carreira de Zé Ramalho nas vertentes Rock, Folk, Baião e Forró.

Para dar forma a esse álbum, lançado pelo selo Discobertas, Zé Ramalho uniu quatro novas gravações realizadas em março de 2010 a gravações espalhadas pelos seus discos, além de duas gravações inéditas em disco, feitas em 2005: “Forró de Surubim” e “Forró da Gafieira”. Dessa maneira, esse projeto configura-se em um valioso item para qualquer fã e colecionador de Zé Ramalho, bem como para aqueles que querem conhecer a obra de Jackson do Pandeiro e, por tabela, a rica produção musical nordestina.

Das gravações recentes, “Lamento Cego”, abre o pacote e o disco, e a interpretação de Zé é de emocionar, a dramática letra consegue suporte nos vocais do cantor, já fomentando a audição do restante do álbum.

E o álbum faz bonito, reunindo interpretações de canções capazes de animar qualquer festa, ou o estado de espírito de qualquer um. Se duvidar disso, escute “Casaca de Couro”, “O Canto da Ema” ou a didática “Quadro Negro”, e entre no clima.

A extensa discografia do homenageado e a forte influência de sua música ao longo de toda a carreira de Zé Ramalho, possibilitam que sejam pinçadas gravações de várias épocas, como o caso da gravação de “O Canto da Ema”, feita nos anos noventa, com a participação de Sivuca. Ou ainda o Medley (também feito nos 90s) que conta com “Sebastiana”, um dos maiores sucessos de Jackson, “Um a Um” e “Chiclete com Banana”, que volta no mesmo disco em uma gravação de 2002, junto com Waldonys no acordeom e voz. Nesse time também vale citar “Ele Disse”, canção gravada em 2000 com um time de primeira que inclui Arthur Maia e Robertinho do Recife.

“Quadro Negro”, “Cabeça Feita” e “Lá Vai a Boiada”, encerram o disco completando as gravações realizadas em março de 2010. Em tom de compilação e homenagem, “Zé Ramalho Canta Jackson do Pandeiro” é um importante registro que consegue fundir canções que fazem parte da vasta obra de Jackson com interpretações bem arranjadas e cuidadosamente produzidas do mestre Zé Ramalho.

Jackson do Pandeiro, nascido José Gomes Filho, e falecido em 1982 aos sessenta e dois anos, conhecido como “Rei do Ritmo”, foi cantor, compositor e músico, e passou por diversos gêneros musicais como, além de outros, Forró, Samba, Baião, Xote, Xaxado, Coco e Frevo.

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